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	<title>José Eduardo MartinsArtes &#187; José Eduardo Martins</title>
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		<title>Reflexões sobre compositores do passado, suas missivas e a atualidade (VIII)</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Apr 2026 03:05:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Da permanência ao efêmero, um caminho sem volta? Um mundo arrumado é apenas o palco para o grande espetáculo, de que até hoje tivemos apenas um ou outro raro exemplo, da plena criação em todos os domínios, arte, ciência, filosofia, porventura vida também. Agostinho da Silva (1906-1994) “Só Ajustamentos” Ao longo das décadas realizei a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Da permanência ao efêmero, um caminho sem volta?</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.joseeduardomartins.com/839.Rodin-big.jpg" target="_blank"><img title="Auguste Rodin (1840-1917), O Pensador. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/839.Rodin-small.jpg" alt="" /></a></strong></p>
<p><em>Um mundo arrumado é apenas o palco para o grande espetáculo,<br />
</em><em>de que até hoje tivemos apenas um ou outro raro exemplo,<br />
</em><em>da plena criação em todos os domínios,<br />
</em><em>arte, ciência, filosofia, porventura vida também.<br />
</em>Agostinho da Silva (1906-1994)<br />
“Só Ajustamentos”</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo das décadas realizei a leitura parcial da atividade epistolar de alguns dos mais conceituados compositores, apreendendo essencialidades que vão além da própria composição, abrangendo igualmente o cotidiano, os afetos e as dificuldades frente à vida e seus desdobramentos, saúde, finanças, esperanças ou desalento. Graças à carta manuscrita, preservou-se o pensar do compositor, essa interioridade não revelada em escritos teóricos no caso específico de Jean-Philippe Rameau (1683-1764), compositor e teórico, magistral nas duas atividades.</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Jean-Philippe Rameau, “Air pour Borée et la Rose”, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kYHMbUAw8sUA">https://www.youtube.com/watch?v=kYHMbUAw8sUA</a></p>
<p style="text-align: justify;">O vastíssimo patrimônio da música com várias designações, clássica, erudita ou de concerto, permanece através dos séculos, é executado pelas gerações de intérpretes e integra o vasto universo da Cultura Humanística. Tardiamente penetrou no Extremo-Oriente e hoje alguns dos mais relevantes pianistas são oriundos dos Conservatórios do Japão, China, Coréia do Sul&#8230;, evidência clara, apesar de culturas distantes das ocidentais sob tantos aspectos, da aceitação da música clássica em seus múltiplos modelos. No 19º Concurso Internacional Frederic Chopin (2025), em Varsóvia, os três primeiros  colocados eram orientais ou descendentes e os dois outros prêmios foram outorgados <em>ex-aequo </em>(empatados), tendo igualmente orientais.</p>
<p style="text-align: justify;">Mormente neste século, de maneira mais acentuada verifica-se uma diminuição sensível da divulgação mais exequível da atividade musical erudita em nossas terras. Observei em blogs, anos atrás, o papel da imprensa relacionada à música de concerto. Rememoro que São Paulo, na década de 1950, tinha uma população de aproximadamente 3 milhões de habitantes. Os concertos nos vários teatros, máxime o Teatro Municipal, tinham frequência quase sempre plena.  Quando nos visitavam nomes referenciais do piano, violino, violoncelo ou canto, filas de jovens aguardavam a abertura das galerias – preços irrisórios – para não perderem os eventos. Após uma determinada apresentação, leitores tomavam conhecimento de críticas em vários jornais. Mencionaria O Estado de São Paulo, Folha da Manhã, Folha da Tarde, Folha da Noite, Diário de São Paulo, Diário da Noite, A Gazeta, O Tempo, Correio Paulistano, Jornal Alemão, Fanfulla, Giornali degli italiani, Shopping News. Todos esses periódicos tinham críticos, a maioria deles com pleno conhecimento musical.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/800.Cáustico-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Cáustico. Desenho de Luca Vitali (1940-2013). Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/800.Cáustico-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Apesar das muitas diferenças entre a música clássica e a música não compromissada com a forma e destinada às multidões, máxime na atualidade, considerações podem ser feitas a partir da efemeridade da música voltada aos shows e pertencente a várias modalidades, megashows vindos do Exterior, eventos outros no Brasil direcionados ao axé, funk e ao sertanejo, totalmente descaracterizado se comparado às duplas que se apresentavam muitas décadas atrás &#8211; Tonico e Tinoco, Cascatinha e Inhana e alguns outros, sem esquecer Inezita Barroso -, que buscavam traduzir autênticos sentimentos e anseios do homem do campo. Mercê do marketing bem estruturado, hodiernamente não mais é a qualidade que importa, mas a popularidade dos eleitos por n razões.</p>
<p style="text-align: justify;">Menções da imprensa testemunham somas rigorosamente elevadas repassadas pelos governos a personagens bem conhecidos da denominada música de cunho popular. É um fato que se repete nas várias esferas oficiais, do poder central às prefeituras de cidades pequenas, que inúmeras vezes dão maior atenção à essas apresentações do que àquela destinada aos serviços básicos das cidades ou, então, à segurança e à educação. Mormente nos megashows, a mudança de repertório se dá virtualmente a cada temporada e as músicas antes apresentadas estiolam-se em pouco tempo, basicamente esquecidas para sempre nas turnês vindouras. Os meios de comunicação, quase como um todo, divulgam <em>ad extremum es</em>sas apresentações, amparadas por publicidade de peso.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesses posts dedicados às cartas de compositores que se eternizaram através dos séculos, veio-me à mente a perenidade frente ao efêmero. Numa elucubração, se considerarmos compositores que morreram pobres ou com problemas financeiros graves, mas que tiveram suas obras glorificadas, e atentando, sob outra égide, ao que um <em>pop star</em> recebe num único megashow, cantando músicas de valor bem discutível, não estaria distante da realidade afirmar que o cachê desse <em>pop star</em> internacional para uma única apresentação, frise-se, é infinitamente superior ao que compositores sacralizados sequer puderam amealhar durante toda a existência, guardando-se as proporções monetárias históricas. Antônio Vivaldi (1678-1741) morreu pobre, assim como Mozart (1756-1791) e Schubert (1797-1828).</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Franz Schubert, Fantasia em fá menor, na interpretação de Paul Badura-Skoda (1927-2019) e Jörg Demus (1928-2019). Infezimente essa gravação realizada na Sala Gaveau, em Paris, é interrompida no minuto 8:56:</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Dp8W7pSTBmw">Paul Badura-Skoda et Jörg Demus, pianos | Fantaisie en fa mineur, D.940 de Franz Schubert</a></p>
<p style="text-align: justify;">Richard Wagner (1813-1883) teria falido não fosse o apoio incondicional de Luís II da Baviera (1845-1886). Modest Mussorgsky (1839-1881) é o exemplo tipificado do compositor que faleceria no completo infortúnio. O <em>robe de chambre</em> que Mussorgsky veste poucos dias antes da morte, na magnífica pintura de Ilia Répine, foi-lhe dado por Rimsky Korsakov (1844-1908) para a famosa tela.  Claude Debussy (1862-1918) morreu em situação financeira difícil, mercê sobretudo causada por câncer que o acometera anos antes. Outros tantos faleceram beirando a pobreza.</p>
<p style="text-align: justify;">Creio que a comparação estabelecida poderia parecer dicotômica quanto aos gêneros. Não obstante, transcende uma simples apreciação. As transformações tecnológicas necessárias, mas, sob outra égide, verdadeiros tsunamis, têm acarretado uma série de desvirtuamentos dos princípios “outrora” consagrados: costumes, moralidade, lhaneza, honestidade, gostos e educação. Inversamente à perenidade mencionada acima, mercê da qualidade insofismável das obras de compositores perenizados, os montantes aferidos nas hodiernas apresentações para multidões, com astros superventilados pela mídia, evidenciam, na área musical, a aparência da verdade, pelo sentido efêmero do que é revelado. Mencionei recentemente que, ao auscultar jovens frequentadores dos megashows com personagens estrangeiros ou nacionais a respeito de músicas apresentadas um ou dois anos antes, não mais se lembravam, mas sim as do último show a que assistiram.</p>
<p style="text-align: justify;">As transformações sociais têm sido avassaladoras. Certamente, dentro de algumas décadas os compositores mencionados acima estarão presentes nas programações musicais pelo mundo, com público específico, é certo, se comparado aos gêneros outros mencionados. Para estes, a efemeridade é dramática. Quem será lembrado futuramente dessa plêiade de <em>pop stars</em> que são glorificados por multidões? Que músicas ficarão na memória dos que frequentam esses megashows? O legado só acolhe a criação musical qualitativa.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Just some reflections on the legacy left by the great composers of the past, and the overwhelming presence today of mega-concerts that draw crowds to glorify names that are hyped up by the media.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Série &#8220;Vidas em Paralelo&#8221;, precioso Podcast</title>
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		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/01/03/15705/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 03 Jan 2026 03:05:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[João Gouveia Monteiro diante de relevante programação Ignorar as vidas dos homens mais ilustres da antiguidade é continuar sempre na infância. Plutarco (46 d.C. – 120 d.C.) Recebi do meu dileto amigo João Gouveia Monteiro, professor Catedrático Jubilado da Universidade de Coimbra e um dos maiores especialistas em História Medieval, a comunicação alvissareira de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>João Gouveia Monteiro diante de relevante programação</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/998.Condestável-big.jpg" target="_blank"><img title="Nuno Álvares Pereira (1360-1431). Gravura. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/998.Condestável-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Ignorar as vidas dos homens mais ilustres da antiguidade<br />
é continuar sempre na infância.</em><br />
Plutarco (46 d.C. – 120 d.C.)</p>
<p style="text-align: justify;">Recebi do meu dileto amigo João Gouveia Monteiro, professor Catedrático Jubilado da Universidade de Coimbra e um dos maiores especialistas em História Medieval, a comunicação alvissareira de uma série de <em>podcasts </em>voltada a personagens do mundo antigo. Gouveia Monteiro tem nesse belo projeto a colaboração do jornalista Ricardo Venâncio.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem anteriormente, a produção histórico-literária de Gouveia Monteiro já me despertava vivo interesse. Vários foram os blogs sobre a sua obra individual, máxime “Crónicas da História, Cultura e Cidadania” (23/12/2011) e “Nuno Álvares Pereira – Guerreiro, Senhor Feudal, Santo &#8211; Os três rostos do Condestável” (05 e 12/11/, 2022), assim como sobre  livros em que foi um dos coordenadores, sempre a focalizar a sua área de atuação.</p>
<p style="text-align: justify;">Gouveia Monteiro, em “Vidas em Paralelo”, presta homenagem a Plutarco, referencial historiador, pensador e biógrafo grego. Entre suas obras, destaca-se “Vidas Paralelas”, na qual, nos 23 pares biográficos, rende preito às figuras notáveis da Grécia e Roma Antigas.  Estou a me lembrar de que nosso Pai conservava um volumoso “Vidas Paralelas” e os quatro filhos tiveram o prazer de ler na juventude algumas dessas duplas biografias.</p>
<p style="text-align: justify;">No plano inicial, dele a constar 10 <em>podcasts</em>, estão assinalados os já disponíveis. Em alguns participa a historiadora Leonor Pontes. João Gouveia Monteiro, por vezes, é questionado pelo jornalista Ricardo Venâncio, momento em que cada intervenção poderia certamente ser a de um ouvinte da série. Essas criteriosas perguntas, prontamente respondidos por Gouveia Monteiro, tornam-se relevantes, ressaltando outros pormenores acrescidos à exposição planejada.<br />
<em></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>1. Alexandre Magno e Júlio César. (já disponível, Partes I e II). 2. Buda e Confúcio. (já disponível, Partes I e II). 3. D. João I e Nuno Álvares Pereira. (já disponível, Partes I, II e III). 4. Leonor Teles e Filipa de Lencastre (com Leonor Pontes). (já disponível, Partes I e II). 5. Jesus e Maomé. (já disponível, Partes I e II). 6. Fernão Lopes e Pero López de Ayala.  7. Justiniano e Carlos Magno. 8. Cristina de Pisano e Joana d’Arc. 9. D. Dinis e a Rainha Santa (com Leonor Pontes). 10. Carlos Seixas e Beethoven (com Paulo da Nazaré Santos).</em></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/vidas-em-paralelo-um-podcast-com-hist%C3%B3ria/id1843058148">https://podcasts.apple.com/us/podcast/vidas-em-paralelo-um-podcast-com-hist%C3%B3ria/id1843058148</a></p>
<p style="text-align: justify;">Acessado o link, o leitor poderá ouvir a apresentação do tema escolhido. Dois aspectos se me afiguram como fundamentais, a competência insofismável de Gouveia Monteiro traduzida pela serenidade da sua narração, assim como o método empregado para a trama expositiva, tornando o todo do <em>podcast</em> selecionado extremamente agradável e instrutivo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/998.DJoãoI-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="D. João I, O Mestre de Aviz (1357-1433) Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/998.DJoãoI-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Divulgá-los no Brasil adquire importância, pois os temas, com exceções, são pouco debatidos no país. Paulatinamente estou a ouvir os <em>podcasts</em>, entre eles um dos programas dedicados a D. João I (1357-1433) e Nuno Álvares Pereira (1360-1431) e o primeiro a focalizar Jesus e Maomé. Após as leituras de dois livros referenciais sobre Nuno Álvares Pereira de autoria de  J.P. de Oliveira Martins (1845-1894), e o já mencionado livro de Gouveia Monteiro, a narrativa deste nessa programação indispensável traduz de maneira clara e sucinta duas das mais relevantes figuras da História em Portugal. Poder-se-ia afirmar que, no espaço de aproximadamente uma hora fixado para cada programa, tem-se outros fatos essenciais de personagens marcantes de um heroico passado histórico de Portugal, assim como da Antiguidade: Alexandre Magno e Júlio César, Justiniano e Carlos Magno, Cristina de Pisano e Joana D&#8217;Arc&#8230; Quanto aos dois <em>podcasts</em> referentes a Jesus e Maomé, eles adquirem uma complexa, mas vital importância na atualidade, pois abordam as duas religiões mais professadas no mundo. No que concerne a este último tema, assim como Buda e Confúcio, <em>podcasts </em>que visitarei  brevemente, Gouveia Monteiro já coordenara a fundamental edição “História Concisa das Grandes Religiões” (Lisboa, Manuscrito, 2022).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/998.Religiões-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title=" Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/998.Religiões-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Próximo do milésimo post (998), incontáveis vezes salientei a triste derrocada da Cultura Humanística, no Brasil de maneira avassaladora. Mario Vargas Llosa (1936-2025), em “La Civilización del espetáculo”, já apregoava essa decadência em termos mundiais. Personagens em nosso país, sem a estrutura cultural ao menos envernizada, proliferam nos meios de comunicação como <em>influencers</em>, o infeliz termo da moda, e o resultado está a ser notado na formação das novas gerações. “Notabilizados”, esses <em>influencers</em> ocupam espaços avantajados na mídia, e temas culturais relevantes tornaram-se escassos. Preocupação maior dos meios de comunicação do país é a divulgação dos que vivem sob os holofotes, e a Cultura Humanística, não tendo interesse para a grande “clientela” devido a tantos entraves, oficiais ou não, por que com ela se importar?</p>
<p style="text-align: justify;">Convido meus leitores, muitos deles me acompanhando desde 2 de Março de 2007, a paulatinamente ouvirem os <em>podcasts</em>. Uma bela e empolgante viagem pela História.</p>
<p>Clique para ouvir, de Carlos Seixas (1704-1742) a Sonata em Si bemol Maior (nº 78), na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E8GX3qIjfLI">https://www.youtube.com/watch?v=E8GX3qIjfLI</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>‘Vidas em Paralelo’ (Parallel Lives), divided into 10 podcasts, is a programme dedicated to illustrious figures in human history. Presented by João Gouveia Monteiro, retired professor of the University of Coimbra, the series features the collaboration of journalist Ricardo Venâncio.</em></p>
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		<title>Data maior da cristandade</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2025/12/20/data-maior-da-cristandade/</link>
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		<pubDate>Sat, 20 Dec 2025 03:05:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Natal deste ano em período complexo no país De todas as histórias que nos contava guardei apenas uma vaga e imperfeita lembrança. Porém, uma delas ficou tão nitidamente gravada em minha memória, que sou capaz de repeti-la a qualquer momento – a pequena história do nascimento de Jesus. Selma Laferlöf (1858-1940)  Prêmio Nobel de Literatura [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Natal deste ano em período complexo no país</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/996.Marfim-big.jpg" target="_blank"><img title="Nª Senhora com menino Jesus. Marfim. Arte sino-portuguesa, século XVII.  Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/996.Marfim-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>De todas as histórias que nos contava<br />
</em><em>guardei apenas uma vaga e imperfeita lembrança.<br />
</em><em>Porém, uma delas ficou tão nitidamente gravada em minha memória,<br />
</em><em>que sou capaz de repeti-la a qualquer momento<br />
</em><em>– a pequena história do nascimento de Jesus.<br />
</em>Selma Laferlöf (1858-1940)  Prêmio Nobel de Literatura (1909)<br />
(“Lendas Cristãs”)</p>
<p style="text-align: justify;">O ano conturbado que se escoa não propiciou o clima natalino de tempos passados.<strong> </strong>Vê-se inclusive num pormenor, a diminuição sensível da iluminação natalina nos prédios da cidade, apesar dos esforços da Prefeitura de São Paulo, através da Secretaria Municipal de Cultura e da Secretaria de Relações Internacionais, no que concerne ao Centro Histórico da capital do Estado. Sob aspecto outro, noticiários televisivos e jornalísticos se concentram nas disputas ideológicas exacerbadas no Brasil, o relacionamento difícil entre os Poderes e, talvez, a maior chaga que acomete o país na atualidade, a insegurança do cidadão frente à<strong> </strong>violência que se instalou em todos os recantos do imenso território, sem que ações decisivas sejam tomadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Décadas atrás, consagrava-se<strong> </strong>majoritariamente, neste período a anteceder o Natal, noticiário à própria relevância do nascimento de Cristo e à confraternização a festejá-lo, nela contidos os presentes aos miúdos e a ceia a unir as pessoas. Ouve-se e lê-se, neste período tão caro para a cristandade, noticiário a contrapor as mazelas políticas, a contenda acentuada entre os Poderes e as posições antagônicas de jornalistas, a depender dos canais de comunicação. Está a parecer que o Natal, com toda a sua mística e significado para milhões de brasileiros, passou a ser um pormenor na mídia. Se mais acentuadamente o Natal é invocado neste exato período pelos meios de comunicação, é-o mercê do comércio, que recebe um número acentuado de compradores.  Acrescente-se que, nas comunidades religiosas, igrejas, capelas e sobretudo nos lares cristãos, a chama natalina está presente, mas o pensamento da mídia volta-se polarizado para essa disputa ideológica interminável e insana. Mormente neste Natal tem ficado transparente a opção da maioria<strong> </strong>da imprensa escrita e falada. Contenda traz audiência e a mídia atenta a tem como sustentáculo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/735.Pèlerins-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Peregrinos. Catedral Saint-Lazare, Autun, França, séc. XII. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/735.Pèlerins-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Sob outra égide, o quase que absoluto desaparecimento da troca de cartões de Natal assinala uma realidade. Mensagens de paz vinham acompanhadas de figuras pertencentes ao universo natalino. Tantos desses cartãoes continham votos de Natal redigidos a mão e assinados, diferentes daqueles das inúmeras empresas que também enviavam cartões, esses impessoais, com frases padronizadas e rubricadas pelas organizações. Pondere-se que a internet é uma das responsáveis pela descontinuidade dos cartões, assim como os Correios em pleno declínio.</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir,<strong> </strong>de J.S.Bach-Kempff, o coral “Acorde, a voz está soando”, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0nQUzeqdu4s">https://www.youtube.com/watch?v=0nQUzeqdu4s</a></p>
<p style="text-align: justify;">Independentemente dessa situação, os que professam a fé cristã nas suas diversas ramificações cultuam com intensidade o período natalino. Certamente a Praça de São Pedro, no Vaticano, estará lotada durante a célebre Missa do Galo. Catedrais, igrejas e capelas em todo o mundo cristão deverão receber os fiéis. Templos evangélicos receberão os seus seguidores, que cultuarão a data. Todavia, será no interior dos lares que, singelamente, o nascimento de Jesus será celebrado, a partir, na realidade, do que reza o versículo 20 do capítulo 18 do Evangelho segundo São Mateus: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles”.<strong> </strong>Creio ser este um dos mais expressivos versículos dos evangelhos, a dar a dimensão da presença do Cristo, do berço à maturidade, acompanhando a saga humana&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/996.Sagrada-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title=" Catedral Saint-Lazare em Autun, França, séc. XII. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/996.Sagrada-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Na Catedral de Autun (séc. XII), em França, há em uma das magníficas esculturas, a representação da oferenda dos três Reis Magos à Sagrada Família, na qual São José está com a mão direita apoiada no queixo e o cotovelo sobre a perna dobrada (<em>Saint Joseph pensif</em>). Em 1974, encontrei, em uma feira popular em Minas Gerais, a Sagrada Família em terracota. São José está com o punho direito a sustentar o queixo. Surpreendi-me ao lembrar de <em>Saint Joseph Pensif</em>, quando visitei a Catedral francesa em 1959. Era a segunda e última vez que presenciava a mesma postura.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/996.Presépio-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Sagrada Família. Terracota. Arte popular do Sul de Minas Gerais. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/996.Presépio-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de J.S.Bach-Myra Hess, o coral “Jesus alegria dos homens”, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=flrkpW5L4KQ">https://www.youtube.com/watch?v=flrkpW5L4KQ</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>The most important date in Christianity, due to the insane ideological polarisation prevailing in the country, received little coverage in the media in general. However, authentic Christians celebrate the birth of Christ with faith, intensity and hope.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Ecos de “A noção de progresso na arte musical”</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2025/07/12/ecos-de-%e2%80%9ca-nocao-de-progresso-na-arte-musical%e2%80%9d/</link>
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		<pubDate>Sat, 12 Jul 2025 03:05:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[A interpretação em causa Consiste o progresso no regresso às origens: com a plena memória da viagem. Agostinho da Silva (1906-1994) (Espólio) O blog anterior apresenta tema polêmico e deriva da pergunta de jovem músico sobre progresso na interpretação musical. Tema controverso, motivou uma série de mensagens, curtas na grande maioria, majoritariamente concordando com a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A interpretação em causa</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/672.Luca1-big.jpg" target="_blank"><img title="Luca Vitali (1940-2013). Gravura. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/672.Luca1-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Consiste o progresso no regresso às origens:<br />
</em><em>com a plena memória da viagem.<br />
</em>Agostinho da Silva (1906-1994)<br />
(Espólio)</p>
<p style="text-align: justify;">O blog anterior apresenta tema polêmico e deriva da pergunta de jovem músico sobre progresso na interpretação musical. Tema controverso, motivou uma série de mensagens, curtas na grande maioria, majoritariamente concordando com a ausência do progresso nessa área. Poucas entendendo a interpretação como progresso. Acredito que, em muitos casos, a interpretação pianística da música clássica, erudita ou de concerto possa sofrer influências, por vezes tênues, advindas das várias modalidades de músicas voltadas ao grande público mais jovem e realizadas em grandes espaços abertos, precedidas por fantástica divulgação. Traduz-se mormente no vestuário e no gestual de alguns super ventilados pianistas clássicos. É evidente que, nesses casos em especial, a interpretação possa sofrer alterações, principalmente quanto aos andamentos mais acelerados em criações já compostas nesse propósito, para gáudio de parte dos que frequentam as salas de concerto. Há também casos de excelentes pianistas do repertório consagrado que frequentam com insistência gêneros de outra índole. Determinados atributos da música popular vazam periodicamente quando no repertório-mor do pianista.</p>
<p style="text-align: justify;">Num blog bem anterior, “Progresso em Arte”, <a href="http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2014/09/27/progresso-em-arte/">http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2014/09/27/progresso-em-arte/</a>, já abordei a temática, igualmente a considerar não haver progresso na criação musical. Sob aspecto outro, quantidade enorme da música contemporânea é apresentada em festivais específicos apenas uma vez e fenece. Razões teve o compositor francês Serge Nigg (1924-2008) que, nos estertores da existência, afirmava que, contrariamente ao que ocorria num passado em que dialogava com intérpretes, compositores e musicólogos, nesses tempos finais só era apresentado a jovens compositores. No blog mencionado acima citei pertinente observação de Mario Vargas Llosa (1936-1925) que, à certa altura, não mais visitava Bienais de Arte “pelo descompromisso com a essência do termo, arrivismo de autores a qualquer custo e banalização conceitual da arte na atualidade”. Ambos os posicionamentos apenas ratificam que a obra-prima, desde o remoto passado à contemporaneidade, permanece indelével. Não há o progresso em direção aos tempos atuais, mas a aparição de novas técnicas e tendências, sendo que  poucas permanecerão. Se existisse progresso na arte musical o repertório do passado não seria largamente majoritário nas programações.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/916.Boulez-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Pierre Boulez e J.E.M. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/916.Boulez-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O insigne compositor e regente Pierre Boulez (1925-2016) reestruturou várias obras, dando-lhes novas versões. Denominaria <em>works in progress </em>(trabalhos em curso), que também poderiam ser considerados, com outras palavras, versões, adaptações, transcrições. Em entrevista ao jornal Le Monde (27/03/1985), afirmaria: “Não estou em paz se não estiver satisfeito, e como posso estar? Na composição, por exemplo, como conseguir o equilíbrio musical, como fazer com que a realização se apodere do especulativo e lhe dê um conteúdo efetivo?&#8221; (Le Monde, 27/03/1985), frase que bem exemplifica a perene curiosidade do compositor no desiderato de dar novas configurações a determinadas criações. <em>Pli selon pli </em>(1957) teve várias versões para diferentes formações, sendo a definitiva na década de 1990. Outras obras seguiram o mesmo roteiro.</p>
<p style="text-align: justify;">De relevado interesse a longa exposição de Gildo Magalhães, Professor titular jubilado da FFLECH-USP na área da História da Ciência.</p>
<p style="text-align: justify;">“Esta é de fato uma pergunta que suscita muita reflexão. Por um lado, há a questão da interpretação, onde é difícil avaliar como eram as interpretações antes das gravações; há apenas as descrições de pianistas fabulosos como se escrevia a respeito de Liszt; hoje podemos comparar o Chopin de Hoffmann com o de Horowitz e assim por diante. Já a composição se presta ao filtro do tempo, como você sempre assinala, ainda que de vez em quando alguém seja salvo do soterramento a que foi submetido e reaparece na sua grandeza &#8211; podemos dizer que é também uma questão de tempo, mas com retardo.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma área estética onde há alguns autores que acreditam no progresso parece ser nas artes plásticas, mas é sempre uma celeuma. Um critério proposto é o de que a arte serve para elevar o espírito humano, elevar num sentido amplo, que inclui aproximar o homem da divindade (alguma divindade) e de aproximar os homens uns dos outros &#8211; aliás, o sentido dado por Barenboim para sua orquestra do Divã Oriental-Ocidental (título que é uma referência à obra poética a 4 mãos de Goethe e Schiller)”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao ter mencionado no <em>post</em> anterior o avião alemão Junkers Ju 52, recebi do meu querido irmão, o ilustre jurista Ives Gandra Martins, mensagem de interesse: “Da mesma forma que evoluímos dos barulhentos ‘junkers’ – voei num com papai, mas não me lembro do barulho, mas só da empolgação do voo em 1943 – para os silenciosos A-380. Creio que também na interpretação da arte há evolução. A própria ‘Sinfonia Clássica’ de Prokofiev, em que ele pensava reviver Mozart, hoje, muitas vezes é interpretada com toques diferentes propostos por Prokofiev”.</p>
<p style="text-align: justify;">Diria que há evolução a atingir os devidos fins, melhores ou, tantas vezes, piores resultados. Todavia, a obra-prima que é a “Sinfonia Clássica” permanecerá, ratificando o conceito do não progresso da obra, mas tendências quanto à interpretação. Estou a me lembrar de fato curioso ocorrido num Congresso sobre Música em Salvador nos anos 1990. Como em determinada sessão o professor que deveria presidi-la faltou, convidaram-me para a tarefa. Em certo momento, utilizei a palavra evolução e um antropólogo no auditório imediatamente observou que o termo não mais poderia ser empregado. Felizmente, estava com um livro recente em inglês em minha pasta que abordava a <span style="text-decoration: underline;">evolução</span> do cravo para o pianoforte e posteriormente para o piano.</p>
<p style="text-align: justify;">Certamente haverá ao longo da história defensores das duas correntes concernentes às Artes nesse quesito progresso. A dialética sempre presente.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>I&#8217;ve received countless messages on the subject of Progress in the Art of Music. There will always be considerations about progress and evolution, the latter of which is banned in certain areas.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A noção de progresso na arte musical</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2025/07/05/a-nocao-de-progresso-na-arte-musical/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Jul 2025 03:05:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Alguns aspectos sensíveis Na Arte, a obra em si é a ideia geral - é simultaneamente uma fórmula da mente e uma aplicação da sensibilidade. Georges Migot (1891-1976), compositor, poeta e pintor. Foram muitas as mensagens recebidas a respeito do blog anterior, quase todas breves, outras abordando um certo pessimismo de minha parte quanto aos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Alguns aspectos sensíveis</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/971.Migot-big.jpg" target="_blank"><img title="Georges Migot. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/971.Migot-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Na Arte, a obra em si é a ideia geral<br />
</em><em>- é simultaneamente uma fórmula da mente e uma aplicação da sensibilidade.<br />
</em>Georges Migot (1891-1976), compositor, poeta e pintor.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram muitas as mensagens recebidas a respeito do blog anterior, quase todas breves, outras abordando um certo pessimismo de minha parte quanto aos intérpretes atuais. Para esses últimos, diria ter sido interpretado equivocadamente. No último blog preciso os “dons inalienáveis” de muitos pianistas atuais, apenas considero que, sem generalizar, a plena atenção na transmissão da mensagem musical no ato da apresentação está a ser compartilhada com interesses outros, mundanos alguns, teatrais outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente, mensagem de um jovem músico trazia uma pergunta sobre matéria prolixa, que motivou inúmeros debruçamentos através da História abordando as mais variadas atividades humanas. No caso específico: “Haveria progresso na interpretação musical?”. O tema é bem controvertido, pois há correntes que sustentam o progresso em arte, outras que discordam. Argumentos não faltam. Independentemente de inúmeras leituras sobre a temática, lembrei-me de um livro percorrido há décadas por este leitor. Tratava-se de ensaios do compositor francês Georges Migot, “Essais commentés et complétés en vue d’une Esthétique Générale” (Paris, Les Presses Modernes, 1937), recolhidos por Jean Delaye. Polêmico, o livro aborda, entre vários ensaios, “Progresso em Arte”, chamando minha atenção para as diversas proposições apresentadas a partir de um histórico bem estruturado pelo autor desde a Grécia Antiga. Inicialmente, Georges Migot escreve “Não há progresso em Arte, existem sim cumes que podem atingir as mesmas alturas. A palavra progresso não pode ser aplicada para comparar duas obras de arte”. Para o autor, “toda obra-prima é um milagre, mas não devemos esquecer que todo milagre mata a fé, desde que queiramos impô-la como dogma”. Tem interesse o argumento de que não há períodos de decadência na Arte, mas sim “período de turbulência quando artistas vislumbram a continuação de um caminho”.</p>
<p style="text-align: justify;">Um aspecto, já esboçado em vários blogs através dos anos, refere-se à obra contemporânea, tantas vezes sem raízes, dir-se-ia produzida por “livre atirador”. Quantas não são hoje as tendências nas artes visuais e na composição musical sem os alicerces &#8211; o conhecimento histórico &#8211; que poderiam torná-las menos vulneráveis? Tive o privilégio de apresentar em primeira audição mundial bem mais de 100 composições, que acredito permanecerão. Mencionaria apenas, como exemplos, criações de Gilberto Mendes, Almeida Prado, François Servenière, Jorge Peixinho, Eurico Carrapatoso, Ricardo Tacuchian, Paulo Costa Lima&#8230; Gravei CD pelo selo belga De Rode Pomp, dele constando criações de dez compositores da Bélgica, Estudos magníficos de várias correntes composicionais, todas bem fundamentadas.</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, do compositor belga Daniel Gistelinck (1948-), “Résonances”, na interpretação de J.E.M.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4XflfeoeAl8&amp;t=89s">https://www.youtube.com/watch?v=4XflfeoeAl8&amp;t=89s</a></p>
<p style="text-align: justify;">Quando sentia o “achismo” composicional, declinava polidamente. E ele existe. Em blogs bem anteriores relatei um fato que ocorreu em Londres durante um Congresso sobre Debussy na década de 1990. Um jovem compositor, sabendo do meu projeto de Estudos para piano, ofereceu-me um com dedicatória. Ao lê-lo, verifiquei ser impossível executá-lo, pois ultrapassava qualquer lógica relacionada ao técnico-pianístico. Perguntei se alguma vez compusera uma Fuga. Disse-me que nunca pensara, pelo fato de ser uma forma ultrapassada. Na realidade, já não é mais praticada, mas torna-se base fundamental para o conhecimento dos caminhos das transformações formais. Lembremo-nos que os dois cadernos de Prelúdios e Fugas de “O Cravo Bem Temperado” (1722-1744), de J.S.Bach (1685-1750), continuam a ser interpretados como obras-primas absolutas e criações basilares na formação de um pianista.</p>
<p style="text-align: justify;">Georges Migot há quase um século já abordava o problema desses achismos. “Constatamos efetivamente que, quando uma obra surge oferecendo um estilo novo, propicia o nascimento de outras obras defendidas pelo esnobismo, obras sem valor que são sustentadas por todos aqueles que não sabem sequer adivinhar a origem da ordenação nova”.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, a honestidade intelectual é um termômetro a ser considerado quando da criação. Migot afirma: “É isto que dá ao artista a possibilidade de continuar a encontrar belas obras novas, ou seja, de captar, graças à sua sensibilidade apurada, relações onde os seus antecessores ainda não as tinham percebido. É talvez algo mais do que um refinamento: uma nova ordem da nossa percepção sensorial”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/971.Junkers-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Junkers Ju 52. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/971.Junkers-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Pode-se aplicar a noção de progresso ao vasto campo da ciência e da tecnologia, pois conquistas obtidas fazem esquecer, assim que consagradas, as tentativas anteriores que, sim, serão estudadas como fontes históricas, levando às descobertas que, essas, também tendem a ser superadas com o passar do tempo. Estou a me lembrar das viagens de meu saudoso Pai nos Junkers alemães, aviões com três motores e poucos assentos que faziam a ponte São Paulo &#8211; Rio nos anos 1940. Dizia ele que a aeronave era ótima, mas bem barulhenta. Sim, na área da aeronáutica os progressos são constantes e as antigas aeronaves são mantidas em museus ou cemitérios adequados.</p>
<p style="text-align: justify;">A ênfase dada por Georges Migot à inexistência do progresso em Arte fica bem clara quanto às possibilidades da criação musical. Incontáveis composições dos grandes mestres do passado são obras-primas que continuam a ser consagradas. Houve inúmeras alterações nas formas musicais através dos tempos e tendências composicionais surgiram e mais obras-primas foram criadas sucessivamente. Estas independem do século em que foram e são compostas. Elas simplesmente permanecem e exemplos proliferam, como criações de Guillaume Machaut (c.1300-1377), Josquim des Prez (1397-1474), Giovanni Pierluigi Palestrina (c.1525-1594), Claudio Monteverdi (1567-1643) e as incontáveis criadas ao longo dos séculos. O notável escritor português Guerra Junqueiro (1850-1923) já afirmava: “Sim, o crítico dos críticos é só ele – o tempo. Infalível e insubornável. As grandes obras são como as grandes montanhas. De longe, veem-se melhor. E as obras secundárias, essas quanto maior for sendo a distância, mais imperceptíveis se irão tornando”.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, quanto à interpretação musical, não entendo progresso na interpretação, mas sim outras abordagens a respeito das obras eleitas. Acredito mesmo que a interpretação dos notáveis pianistas do passado continha lirismo mais autêntico e maior respeito às ideias do compositor. Os andamentos propostos pelos compositores eram majoritariamente seguidos, apesar do emprego do denominado r<em>ubato </em>de maneira mais acentuada, mas basicamente inexistia a arbitrariedade. Como mencionei a posição de um diretor francês de importante conservatório chinês, afirmando que dentro de pouco tempo os chineses teriam técnica pianística imbatível quanto à velocidade, acrescentaria que, nesse quesito, pode-se considerar uma “evolução atlética”, tão comum na área esportiva, mas não progresso interpretativo, pois estaríamos a macular a ideia criativa dos compositores do passado no que concerne à dinâmica, à articulação e aos andamentos. Mencionei anteriormente o fato de o público desejar que a renomada pianista chinesa Yuja Wang  execute “O voo do besouro”, de Rimnsky Korsakov, sempre mais rapidamente. Sinais dos tempos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A young musician wrote to me asking if there had been any progress in piano playing. It reminded me of a book by the French composer Georges Migot (1891-1976), “Essais commentés et complétés en vue d&#8217;une Esthétique Générale” (1937), in which, in one of the essays, he denies Progress in Art.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ecos de &#8220;Maioridade&#8221;</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2025/03/08/ecos-de-maioridade/</link>
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		<pubDate>Sat, 08 Mar 2025 03:05:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Inusitado número de mensagens Não corro como corria Nem salto como saltava Mas vejo mais do que via e sonho mais que sonhava Agostinho da Silva Os 18 anos de blogs ininterruptos, sempre publicados aos sábados, provocaram inúmeras mensagens, fato que me proporcionou alegria ímpar. Apraz-me recebê-las, máxime pelo motivo de que o blog se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Inusitado número de mensagens</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/937.LVTeclado-big.jpg" target="_blank"><img title="Desenho de Luca Vitali. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/937.LVTeclado-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Não corro como corria<br />
</em><em>Nem salto como saltava<br />
</em><em>Mas vejo mais do que via<br />
</em><em>e sonho mais que sonhava<br />
</em>Agostinho da Silva</p>
<p style="text-align: justify;">Os 18 anos de blogs ininterruptos, sempre publicados aos sábados, provocaram inúmeras mensagens, fato que me proporcionou alegria ímpar. Apraz-me recebê-las, máxime pelo motivo de que o blog se tornou uma segunda natureza. Luca Vitali (1940-2013), saudoso amigo e artista plástico invulgar, por vezes expontaneamente me brindava com um desenho com forte carga de humor. Os teclados do piano e do computador foram por ele lembrados em situações diferenciadas.</p>
<p style="text-align: justify;">O editor Cláudio Giordano enviou-me significativas palavras: “Parabéns pela maioridade blogueira e meus melhores sentimentos pela expulsão da casa que lhe foi a guardiã e companheira durante boa parte da vida: mais uma prova do efêmero de todas as permanências e certezas humanas”.</p>
<p style="text-align: justify;">De Bruno Andrade de Britto, músico e professor radicado na Bahia, recebo a mensagem: “Fico feliz com a completude da maioridade de suas crônicas de sábado. Me sinto feliz em acompanhar essa trajetória desde 2007. E desejo longa vida, e mais 18 anos de reflexões e temas de grande qualidade”.</p>
<p style="text-align: justify;">Da professora e tradutora Aurora Bernardini, uma frase de síntese: “Continue respirando na nova morada”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/877.Luca-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Desenho de Luca Vitali. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/877.Luca-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O compositor português Eurico Carrapatoso, tão presente em meu repertório pianístico, tece comentários: “Ai!, essa saída da tua casa! A escala não é colossal, mas sinto-te em trabalhos a veres com teus próprios olhos um Hiroshima de bolso que vos colheu. Também tenho nostalgia da casa mãe em Trás-os-Montes. Mas a vida é mudança. É uma condição, que o terá dito teu pai a sair de Braga que levou para S. Paulo no coração. O que seria da bela sala da biblioteca de Mafra sem o conteúdo de livros que lhe dá alma?  Sem dúvida que é o recheio que lá habita que mais vale.  Assim é nas nossas casas. Desejo-vos uma vida muito longa no novo lar, e uma indizível felicidade de quem na vida se cumpre em plenitude de sua obra e de sua prole”.</p>
<p style="text-align: justify;">Eliane Mendes, viuva do ilustre compositor Gilberto Mendes, escreve: &#8220;Quanto à mudança nas abordagens durante estes 18 anos, ela retrata a consciência sempre se expandindo a cada novo nível que ela acessa através da passagem do tempo&#8230; Reexaminando a memória dos fatos e experiências vividas, constatamos que somos sempre nós mesmos, mas sempre diferentes, pois algo sempre muda na nossa maneira de ver e sentir a vida. Uma caminhada que perdura até o fim de nossa vida, sempre nos oferecendo mais e mais compreensão, mais e mais percepção, mais e mais clareza do que é a vida e de quem somos, nós mesmos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Mencionaria Deyse Deliberato, Marisa Silva, Gaston Reyes e Carolina Ramos&#8230; representando tantos leitores que me privilegiam com e-mails estimulantes. Como não prosseguir com mensagens que calam fundo?</p>
<p>Flávio Amoreira, escritor, poeta e cronista, comenta: “De utilidade pública! Seus posts precisam ser editados em papel também! De um fã inveterado!”.</p>
<p style="text-align: justify;">Dos posts entre 2007 a 2011 resultaram três livros, os dois últimos com ilustrações de Luca Vitali. Se continuasse as publicações em papel, hoje seriam mais 13 livros. Os leitores que me honram todas as semanas bem sabem que, sem promoção externa, há pouco a fazer, e realmente nessas últimas décadas, por motivos, entre outros, ligados ao desprestígio e ao descaso que a grande mídia proporciona àquilo outrora conhecido como Alta Cultura, dela simplesmente me afastei. Aliás, Flávio Amoreira tem corajosamente destacado em sua coluna no jornal “A Tribuna”, de Santos, o desinteresse atual pela leitura.  Não ocorreu o mesmo com a crítica musical? Na São Paulo dos anos 50 havia cerca de dez críticos, a maioria com conhecimentos sólidos sobre Música, que frequentavam as muitas apresentações de grandes intérpretes e de novéis executantes. São Paulo cresceu de maneira gigantesca e a crítica musical se estiolou.</p>
<p style="text-align: justify;">Já instalado no apartamento, após a colocação das estantes dei nova guarida aos livros que me acompanham. São eles a essência essencial das pesquisas, que continuam a ser um dos bálsamos da existência. Nesses últimos anos, sabedor da sanha das construtoras, doei mais de metade dos livros às entidades culturais, o que me proporcionou alegria interior, pois obras referenciais terão certamente outros olhares, o que me dá esperanças nessa continuidade. Ao organizá-los tematicamente, veio-me à mente o desejo da releitura de tantos deles, o que resultará em novas recensões. Estou a me lembrar de uma observação do meu amigo António Menéres (1930-), ilustre arquiteto português, que em seu livro “Crônicas contra o esquecimento” escreve: “Sempre que posso olho os meus livros, quer as lombadas simplesmente cartonadas, a sua cor, os títulos das obras; mesmo sem os abrir adivinho o seu conteúdo e, quando os folheio, reconheço as leituras anteriores, muitas das quais estão sublinhadas, justamente para me facilitar outros e novos convívios” (vide blog: “Crônicas contra o esquecimento”, 29/07/2007). A cada livro realocado, vinha-me a essência do seu conteúdo. O mesmo se deu com as partituras e a todo instante a mente era invadida pelos sons que delas emanam. Minha mulher Regina sentiu o mesmo com a organização das suas partituras.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/877.Luca2-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title=" Desenho de Luca Vitali. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/877.Luca2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A cada ano escrevo sobre o natalício do blog e não posso deixar de citar aquele que me sugeriu a incursão nessa área, o ex-aluno e amigo Magnus Bardela, e a minha amiga-irmã, Regina Maria Pitta, esmerada revisora, verdadeira caçadora de gralhas&#8230;, a confirmar as palavras de Henrique Oswald (1852-1931), nosso maior compositor romântico, em carta a Furio Franceschini (1880-1976), ilustre organista e professor, que revisava a Sonata para órgão do compositor. Dizia Oswald que o pior revisor é o autor e, entre os da categoria, sentia-se o pior. Força de expressão, mas que explica pequenas falhas banais em um texto. Revisadas por especialista na matéria, são dirimidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Prosseguirei. É o que sei fazer.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>I&#8217;ve received an unusual number of messages about the 18 years of uninterrupted posts published on the weekly blog, always on Saturdays. I would like to express my deepest thanks to everyone who has honored me with such attention. </em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Viagem à Itália &#8211; Peregrinação Ano Santo 1950”</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2025/02/15/viagem-a-italia-peregrinacao-ano-santo-1950%e2%80%9d/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2025/02/15/viagem-a-italia-peregrinacao-ano-santo-1950%e2%80%9d/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 15 Feb 2025 03:05:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Impressões de Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[A redescoberta de um longo relato À pergunta para saber se sou feliz, otimista ou pessimista, respondo que, com o meu conhecimento, sou pessimista, mas pela minha vontade e inspiração, sou otimista. Albert Schweitzer (1875-1965) Carolina Ramos (1924-), professora, escritora, trovadora, poetisa, contista, musicista e artista plástica, esteve por duas vezes presente neste espaço através [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A redescoberta de um longo relato</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/950.capa-big.jpg" target="_blank"><img title=" Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/950.capa-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>À pergunta para saber se sou feliz, otimista ou pessimista,<br />
</em><em>respondo que, com o meu conhecimento, sou pessimista,<br />
</em><em>mas pela minha vontade e inspiração, sou otimista.<br />
</em>Albert Schweitzer (1875-1965)</p>
<p style="text-align: justify;">Carolina Ramos (1924-), professora, escritora, trovadora, poetisa, contista, musicista e artista plástica, esteve por duas vezes presente neste espaço através de dois livros: “Canta Sabiá” e “Feliz Natal”. Surpreende novamente ao publicar “Viagem à Itália – Peregrinação Ano Santo 1950” (Santos-Comunicar, 2024).</p>
<p style="text-align: justify;">No acervo acumulado durante a existência, quantos não são os itens que permanecem ocultos durante décadas e que podem ser resgatados, tantas vezes por mero acaso? Foi justamente isso que ocorreu com Carolina Ramos ao reencontrar pormenorizado relato de uma peregrinação que realizou com um grupo no desiderato de vivenciar, como católica praticante, a atmosfera plena do Ano Santo no Vaticano em 1950. Na contracapa há a imagem das folhas amareladas, algumas semidestruídas, devido ao distanciamento de quase três quartos de século! No prólogo Carolina Ramos justifica: “Com grata surpresa, setenta e quatro anos depois, ou seja, no final de 2023, releio páginas perdidas, quase esquecidas e, agora, prazerosamente encontradas”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/950.contracapa-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title=" Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/950.contracapa2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Ter redescoberto, após tantas décadas, relatos escritos com o fim de documentar visitas a algumas cidades portuguesas e inúmeras cidades e vilas italianas, colocou à luz aquelas folhas, à maneira de um diário, e que, num hipotético futuro, poderiam ser publicadas sob o título “Viagem à Itália”. Centenária, Carolina comenta: “E foi assim que me dispus a arregaçar as mangas, decidindo defender a árdua, mas extremamente agradável tentativa de recompor o que naquelas desordenadas páginas fora esboçado, facultando a mim mesma o prazer de bisar gratas emoções adormecidas ao longo do tempo e sem querer tirar os pés de casa”. A autora revisou aqueles textos sequenciais, tendo a colaboração preciosa de Cida Micossi.</p>
<p style="text-align: justify;">Preliminarmente, “Viagem à Itália” não é uma obra de erudição e nem seria esse o objetivo. Assim não sendo, pois desprovida do “jargão” acadêmico, Carolina Ramos desfila a apreciação, a pormenorizar a transcrição de tudo o que observa e que lhe provoca emoção ou espanto. A peregrinação de cunho religioso, mas a propiciar o olhar da jovem turista atenta à geografia e à arte, possibilita ao presente leitor dessas folhas “esquecidas” no tempo degustar apreciações de temas voltados às ramificações da cultura humanística, seja na arquitetura, ou na estatuária e na pintura, seja na interpretação da natureza durante o itinerário percorrido. Extasia-se. É Carolina que, por vezes, interfere no texto original, a argumentar finalidades: “O que vai descrito foi captado, face a face, por olhos ávidos e comprovado pela emoção que trouxe de volta. Tentar inflar com pesquisas o que está além do que foi visto seria fugir à finalidade destas notas, por tantos anos perdidas e encontradas, quase que miraculosamente, setenta e tantos anos depois, como convém relembrar. Assim, o que aqui vai nada mais é do que a cópia fiel do que foi captado naqueles dias de deliciosa euforia. Muita coisa já foi esquecida e em parte reativada pelas fiéis anotações daquela jovem peregrina que, se muito viu, bem mais gostaria de ter visto naquele longínquo e abençoado Ano Santo de 1950”.</p>
<p style="text-align: justify;">Torna-se evidente que as incontáveis interpretações que Carolina apresenta daquilo que viu e sentiu têm a naturalidade do deslumbramento pessoal. Das inúmeras observações sobre as cidades italianas visitadas, Florença pontifica, máxime suas famosas galerias, a do <em>Pallazzo Pitti</em> e a do <em>Palazzo degli Uffizzi</em>, que são pormenorizadas em suas coleções de telas realizadas por grandes mestres, comentadas não com a verve tão comum do especialista, mas com a emoção de uma moça sensível que se emociona frente à magnificência da obra de arte, algo raro na juventude atual. Nessa apreciação da peregrina encantada pela arte, mencionaria um pequeno segmento sobre a Galeria <em>degli Uffizzi</em>: “A exemplo do que acontecia na Galeria <em>Pitti</em>, repetiram-se as salas repletas de telas preciosas, onde a expressão de um momento perdura através dos séculos, imortalizada pelo pincel de insuperáveis mestres. A presença de Rafael continuava, sensivelmente viva. A cada passo nos deparávamos com frutos da sua fecunda vida artística, tais como <em>S.Giovanni nel Deserto</em> e <em>Madonna del Cordellino</em>, obras dignas de tal talento. Também Tizziano ali estava, graças à admirável ‘Flora’ e dois nus artísticos – <em>Venere del Cagnolino</em> e <em>Venere detta dell’Amorino</em>. Magnífica, a famosa Anunciação – obra de Da Vinci, dispensa maiores comentários – assim como O nascimento de Vênus, <em>Madonna Magnificat</em> e Primavera, de Sandro Boticelli, obras também resguardadas no Palazzo degli Uffizzi, entre outras preciosidades”.</p>
<p style="text-align: justify;">Apreciações pertinentes de uma peregrina turista aos 26 anos, <strong>o</strong> detalhamento de cada obra de arte faz-me lembrar da antítese que presenciei em 1959 em uma das tantas visitas ao Musée du Louvre, quando dos meus estudos pianísticos em Paris. Estava pela primeira e única vez a olhar a célebre Mona Lisa (pintura a óleo sobre madeira, 77cm x 53cm), certamente a obra mais conhecida de Da Vinci, quando ouvi barulho rápido de passos que se agigantava. Eram turistas japoneses. Àquela época ainda era possível o flash. Diante da pintura, dispararam incontáveis flashes e, imediatamente após, deram meia volta e desapareceram. As criações extraordinárias ao longo do extenso corredor sequer tiveram um mísero olhar. Não é essa a mentalidade da grande maioria dos turistas de todos os rincões?</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/950.Basílica-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Basílica de São Pedro - Vaticano. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/950.Basílica-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">“Viagem à Itália no Ano Santo de 1950” é livro a ser degustado por inteiro. A finalidade essencial, o jubileu do Ano Santo e as comemorações no Vaticano, Carolina Ramos, jovem de fé intensa, degusta cada instante e descreve o impacto vivido: “Afinal, chegamos à Basílica, ansiosos e transpirando por todos os poros. Dali para frente, entretanto, acabaram-se as torturas físicas. Não que deixassem de existir, mas porque foram esquecidas, ignoradas, sobrepujadas por um interesse maior, absolutamente monopolizador e que não dava margem a dispersões. Acomodados num alto patamar, tínhamos ampla visão do templo, embora situados por detrás do palanque papal&#8230; Lá embaixo, derramada pelas diversas naves, fervilhava multidão incalculável de fiéis de todas as raças, vindos de todos os lados, numa emocionante comunhão de preces e anseios”.</p>
<p style="text-align: justify;">Se um ou outro parágrafo traz algo depreciativo, isso não se dá com o que Carolina Ramos estava a viver através do olhar ávido da descoberta. Salta, o “ex-transporte de tropas americano que levou o grupo à Europa, ora adaptado à marinha mercante argentina”, teve inúmeros problemas mais ou menos graves durante quase todo o trajeto. Em terra, mínimos dissabores que serviram de lição para o grupo, particularmente para a “escriba”. Quanto à experiência como um todo captada no delicioso “diário”, maravilhamento para Carolina e agradabilíssimos momentos para o leitor ao “participar” daquela excursão tão marcante.</p>
<p><em>Carolina Ramos (1924-), a writer and poet, has once again given us an extensive account, recently rediscovered, of a pilgrimage to the Vatican on the occasion of the Holy Year of 1950.</em><em>. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ecos de “Novas considerações sobre o legado”</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jan 2025 03:05:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Mensagens argutas chegaram Morrerás pelo significado do livro, não pela tinta nem pelo papel. Saint-Exupéry (1900-1944) (“Citadelle”) Apraz-me receber mensagens sobre os posts, que subsistem desde Março de 2007. O tema sobre o legado, a partir de uma entrevista do renomado cineasta Woody Allen, possivelmente desiludido com as consequências negativas  da alegação de abuso sexual de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Mensagens argutas chegaram</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/947.WA1-big.jpg" target="_blank"><img title="Woody Allen. Fonte Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/947.WA1-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Morrerás pelo significado do livro, não pela tinta nem pelo papel.<br />
</em>Saint-Exupéry (1900-1944)<br />
(“Citadelle”)</p>
<p style="text-align: justify;">Apraz-me receber mensagens sobre os posts, que subsistem desde Março de 2007. O tema sobre o legado, a partir de uma entrevista do renomado cineasta Woody Allen, possivelmente desiludido com as consequências negativas  da alegação de abuso sexual de sua filha adotiva, foi motivo de ricas observações dos leitores. Restou a Woody Allen o cancelamento a que foi submetido por produtores, mídia e público, este quase sempre atrelado àquilo que a imprensa falada e escrita proclama, levando-o, mesmo que de maneira irreal, a dizer não se importar com o legado e que, após a morte, sua <em>opera omnia</em> cinematográfica poderia ser jogada ao mar.</p>
<p style="text-align: justify;">Em blogs anteriores, o legado esteve compreendido sob o aspecto da criação individual ou do passado artístico coletivo. Sob a aura individual, abrange o resultado de um músico, artista visual, literato, cientista&#8230; Sob o manto da tradição, o legado imaterial, em termos da família, pode percorrer gerações. Em se tratando da égide coletiva, resultou em catedrais, igrejas, palácios, castelos, museus e demais monumentos que persistem através dos séculos, apesar da ação de terroristas-psicopatas que insistem em destruir o glorioso passado. Viu-se ultimamente o que ocorreu com o extraordinário templo romano na cidade de Palmira (Agosto de 2015), com cerca de 2.000 anos, explodido pelos jihadistas do Estado Islâmico. No caso das magníficas catedrais de Reims, bombas alemãs destruíram parte do templo durante a 1ª Grande Guerra. Quanto à Notre Dame de Paris, poderia ter desaparecido não fosse a instantânea ação dos bombeiros e, mesmo assim, permaneceria cinco anos em constante e eficaz restauração.</p>
<p style="text-align: justify;">Antoine de Saint-Exupéry, em “Citadelle”, tece considerações sobre a diferença do criador daquele que usufruirá a criação: “O prazer de formar uma flor, de vencer uma tempestade, de construir um templo se distingue de possuir uma flor já feita, uma tempestade vencida ou um templo construído”.  Usufruir do legado é um privilégio, tê-lo construído é criação que se situa em outra categoria.</p>
<p style="text-align: justify;">Que legado permaneceu da São Paulo de outrora? O crescimento da cidade veio acompanhado, nessas últimas décadas, pela sanha sem limites das construtoras. Vestígios apenas permaneceram da cidade fundada em 1554. Não por um acaso, a pesquisa do site internacional For Travel Advice Lovers elegeu São Paulo como a 5ª cidade mais feia do mundo pela falta de um planejamento que poderia resultar num consequente visual homogêneo. Cada prédio erguido é antecedido pela propaganda a considerá-lo &#8220;singular&#8221; por seu projeto “inovador”. Claramente, outros fatores habitacionais foram considerados nessa avaliação. Às gerações futuras restará um legado rigorosamente heterogêneo, pois não há na cidade o mínimo de harmonia arquitetônica na mais populosa cidade da América do Sul.</p>
<p style="text-align: justify;">O notável compositor português Eurico Carrapatoso (1962-) faz crítica incisiva às palavras de Woody Allen, não obstante realçar as qualidades inalienáveis do cineasta: “Há pessoas tão azedas! Ele quer, lá no fundo, que não deitem os seus filmes no mar. <em>Eu não sou uma pessoa muito ligada a legados. Sempre que faço um filme, nunca mais o vejo novamente</em>. Não acredito numa palavra que este sujeito diz. Afirmações parabólicas a significar a afirmação de um ego gigante, em deriva narcisística. Freud bocejaria a analisar esta mente de um criador que, e isso sim, a única coisa que interessa, legou ao mundo filmes tão geniais que alçaram a 7ª arte ao púlpito do cânone das artes maiores. Como acontece em Wagner, criatura e criador são coisas distintas”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/947.WA2-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Woody Allen dirigindo 'Meia noite em Paris'. Fonte Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/947.WA2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Gildo Magalhães, professor titular da Ciência de Comunicação da FFLECH-USP, comenta: “Creio que você acertou em cheio. Trata-se de pura blague. Woody não deve acreditar nisso, porque sabe que sua obra se tornou imortal. O cancelamento político que o atingiu decorreu do patrulhamento ideológico, supostamente ‘de esquerda’, nos EUA. Mas ele é um fino e engraçado psicólogo, conhecedor da alma humana, um humanista que leu seriamente Dostoievsky e Freud. Mia Farrow contou muitas mentiras, até que um dos filhos adotivos confessou a tramoia&#8230; De resto, há sim o problema da herança intelectual. Mas não estão os musicólogos revolvendo partituras do século XVII e XVIII, trazendo novas e ótimas obras de compositores esquecidos? O tempo dirá, não há como prever, a não ser coisas como: Anitta e o funk desaparecerão no pó&#8230;. Um mundo sem beleza não subsiste!, ‘a beleza salvará o mundo’&#8230;”.</p>
<p style="text-align: justify;">A ilustre professora e tradutora Aurora Bernardini envia uma frase do escritor, poeta e dramaturgo português José Luís Peixoto (1974-): “Tudo é definitivo, nada é eterno”.</p>
<p style="text-align: justify;">As rápidas transformações por que passa o mundo, num processo jamais visto, poderão alterar de maneira decisiva a noção de legado. Em termos da música clássica, erudita ou culta, as gravações sofreram constantes modificações, do vinil com pouca duração, mercê das rotações rápidas que com o tempo se tornaram mais lentas, ao CD e, presentemente, todas no universo virtual. A perda do contato físico com o objeto que contém a gravação poderá interferir na memória do apreciador graças à sua imaterialidade, pois durante décadas discos de vinil e CDs preencheram as estantes do ouvinte. Legados etéreos permanecerão?</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto a Woody Allen, o “jogar ao mar” a <em>opera omnia</em> não ocorrerá. Os filmes de Wood Allen já pertencem ao acervo cultural da humanidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Among the various messages on a segment of Woody Allen&#8217;s interview with a Brazilian journalist, I have selected three with details about his legacy.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Novas observações sobre o legado</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2025/01/11/novas-observacoes-sobre-o-legado/</link>
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		<pubDate>Sat, 11 Jan 2025 03:05:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>

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		<description><![CDATA[Discordâncias que fazem pensar Acho que estamos passando por tempos excepcionalmente terríveis. Eles sempre são terríveis, mas, no momento estão muito terríveis. Estão piores que o habitual. Há guerras acontecendo por todos os lados, líderes autoritários surgiram em vários países nos últimos anos. Woody Allen (&#8220;Entrevista&#8221;) Encontrei o amigo Marcelo na feira de sábado no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Discordâncias que fazem pensar</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/945.WAlen-big.jpg" target="_blank"><img title="Woody Alen. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/945.WAlen-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Acho que estamos passando por tempos excepcionalmente terríveis.<br />
</em><em>Eles sempre são terríveis, mas, no momento estão muito terríveis.<br />
</em><em>Estão piores que o habitual.<br />
</em><em>Há guerras acontecendo por todos os lados,<br />
</em><em>líderes autoritários surgiram em vários países nos últimos anos.<br />
</em>Woody Allen<br />
(&#8220;Entrevista&#8221;)</p>
<p style="text-align: justify;">Encontrei o amigo Marcelo na feira de sábado no Brooklin-Campo Belo. O prazer de encontrá-lo se prolongou num <em>curto</em> em uma das cafeterias do bairro. Sabedor das minhas gravações no Exterior lançadas em CDs europeus e do desaparecimento progressivo desse veículo, considerou as transformações dos vários outros processos fonográficos que foram desativados, à medida que um novo surgia no mercado. E veio a pergunta: legados permanecem? A simples observação me fez explanar alguns aspectos, que transmito neste <em>post</em> ao leitor.</p>
<p style="text-align: justify;">Em blog bem anterior publiquei um <em>post </em>sobre “A problemática do legado” (27/04/2019), no qual o notável filósofo português Eduardo Lourenço (1923-2020) dialogava com o arquiteto Álvaro Siza Vieira (1933-) a respeito do legado e a sua permanência histórica ou não. Na amistosa conversa, Eduardo Lourenço observa: “O problema é que, consciente ou inconscientemente, escrevemos como se fôssemos eternos. Sem essa ilusão de eternidade como coisa nossa, nós não escreveríamos nada de realmente grandioso. O que os homens querem é que aquilo se transfigure numa espécie de estátua, que se pode tocar, viver e permanecer através dos séculos. Hiroshima existia e foi destruída em nove segundos. É como se fossem feridas que a Humanidade faz a si mesma, não é? E essas sem reparação. Porque foram destruídas e não podem ser reconstruídas de nenhuma maneira. Aquilo que de mais belo há na humanidade é que nós somos submetidos às mesmas forças que regem realmente o mundo, porque é que nós escaparíamos, quando tudo o que foi criado está condenado a desaparecer?”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/945.Diana-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Templo Romano de Évora (séc. I d.C.), Portugal. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/945.Diana-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente li uma entrevista de Woody Allen a Alessandra Monterastelli (Folha ilustrada, 9/9/2024) sob o título “Quando eu morrer, podem jogar meus filmes no mar, diz Woody Allen, aos 88 anos”. O cineasta tece comentários a respeito do seu quinquagésimo filme, “Golpe de Sorte em Paris”. Durante a entrevista desfaz o mito do legado: “Eu não sou uma pessoa muito ligada a legados. Sempre que faço um filme, nunca mais o vejo novamente. Fiz meu primeiro filme em 1968 e desde então, nunca mais o vi”. O nosso grande pianista Nelson Freire (1944-2021) admitiria em entrevista, décadas atrás, que após um disco seu ser lançado, nunca mais o ouvia. Continua o cineasta: “Depois que termino meus filmes, não me importo mais com eles. E tenho 88 anos, logo estarei morto, então não me importo nem um pouco com meu legado, ele não significa nada para mim. Se, quando eu morrer, pegarem meus filmes e os jogarem no oceano, ou queimarem, não me importa. Estarei morto. Quando você está morto, nada importa. Um legado é uma fantasia que as pessoas têm, é como os religiosos que acreditam na vida após a morte. Mas você não existe, então quem se importa com meus filmes? Eu não”. O comentário de Woody Allen faz-me lembrar do “Prefácio à segunda edição” de “A velhice do Padre Eterno”, do notável escritor português Guerra Junqueiro (1850-1923): “Um livro atirado ao público equivale a um filho atirado à roda. Entrego-o ao destino, abandono-o à sorte. Que seja feliz é o que eu lhe desejo; mas, se o não for, também não verterei uma lágrima”.</p>
<p style="text-align: justify;">Antolha-se-me que a posição de Woody Allen é ambígua, mormente pela enxurrada noticiosa a envolver o cineasta em um possível estupro de uma menina de sete anos, sua enteada, filha da atriz Mia Farrow. A investigação concluiria que não houve abuso, sendo que Woody Allen sempre negou a ocorrência. Deu-se, a partir dos noticiários que estavam em curso durante as investigações, o cancelamento do cineasta por parte de considerável parcela dos cinéfilos e da opinião pública em geral. A irreverência em tantos filmes de Wood Allen, somada ao desinteresse da indústria cinematográfica para com ele pelo caso, levou-o a considerar: “Se é para ser cancelado por uma cultura, esta é a cultura”.</p>
<p style="text-align: justify;">Artistas, literatos, cientistas que constroem um legado de valor habitualmente o fazem sabedores de que o <em>post mortem</em> preservará a <em>opera omnia</em> construída ao longo e que, na realidade, é uma das razões primordiais das suas existências. Para o significativo cineasta ficaria a mágoa desse olvido, motivado pela repercussão do rumoroso processo e da mínima afluência ao seu último filme, “Golpe de sorte em Paris”, fato que deve ter calado fundo. &#8220;Jogar no mar” não elimina os efeitos junto à opinião pública, sempre ávida de notícias a envolver personalidades. Edificação e destruição de Mitos têm efeitos bombásticos na mente do povo. Desprezar o rico legado é uma forma de protesto e Woody Allen possivelmente se equivoca, pois mesmo jogada ao oceano a criação de valor tem o poder de navegar até um porto seguro.</p>
<p style="text-align: justify;">O desdém, acredito que aparente, para com a obra cinematográfica completa, sob aspecto outro, demonstra algo preocupante em se tratando do brilhantismo incontestável de Woody Allen. Artilharia contra tudo e contra todos, destruindo aquilo que foi essencial em sua vida e que o levou à glória, pode tê-lo desviado do essencial. A luta solitária do homem contra parte da sociedade que o denegriu, embate solitário, só dele, deveria poupar a obra, pois essa tem a aura intocável. “Jogar no mar” não teria o mesmo significado da célebre frase francesa “après moi, le déluge?&#8221; O crítico de arte e poeta norte-americano Peter Schjeldahl (1942-2022) já não apregoava que “A morte não é uma escultura, que se olha de todos os lados. É uma pintura, tem de ser encarada de frente porque o avesso nos é vedado”. Tanto as criações do notável Guerra Junqueiro “não foram jogadas à roda” e o escritor continua a ser visitado pelos leitores e pesquisadores, assim também a filmografia de Woody Allen não morrerá afogada. Ela já figura no panteão das grandes criações do gênero.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto à duração dos legados, nada sabemos. Eduardo Lourenço tem lá suas razões.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>On the legacy. Cultivate it or despise it. Reflections after an interview with the illustrious filmmaker Woody Allen.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Série &#8220;Vidas em Paralelo&#8221;, precioso Podcast</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2025/01/03/serie-vidas-em-paralelo-precioso-podcast-2/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Jan 2025 03:05:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[João Gouveia Monteiro diante de relevante programação Ignorar as vidas dos homens mais ilustres da antiguidade é continuar sempre na infância. Plutarco (46 d.C. – 120 d.C.) Recebi do meu dileto amigo João Gouveia Monteiro, professor Catedrático Jubilado da Universidade de Coimbra e um dos maiores especialistas em História Medieval, a comunicação alvissareira de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Gouveia Monteiro diante de relevante programação</p>
<p>Ignorar as vidas dos homens mais ilustres da antiguidade<br />
é continuar sempre na infância.<br />
Plutarco (46 d.C. – 120 d.C.)<br />
Recebi do meu dileto amigo João Gouveia Monteiro, professor Catedrático Jubilado da Universidade de Coimbra e um dos maiores especialistas em História Medieval, a comunicação alvissareira de uma série de podcasts voltados a personagens do mundo antigo. Gouveia Monteiro tem nesse belo projeto a colaboração do jornalista Ricardo Venâncio.<br />
Bem anteriormente, a produção histórico-literária de Gouveia Monteira já me despertava vivo interesse. Vários foram os blogs sobre a sua obra individual, máxime “Crónicas da História, Cultura e Cidadania” (23/12/2011) e “Nuno Álvares Pereira – Guerreiro, Senhor Feudal, Santo Os três rostos do Condestável” (05 e 12/11/, 2022), assim como sobre  livros em que foi um dos coordenadores, sempre a focalizar a sua área de atuação.<br />
Gouveia Monteiro, em “Vidas em Paralelo”, presta homenagem a Plutarco, referencial historiador, pensador e biógrafo grego. Entre suas obras, destaca-se “Vidas Paralelas”, na qual, nos 23 pares biográficos, rende preito às figuras notáveis da Grécia e Roma Antigas.  Estou a me lembrar de que nosso Pai conservava um volumoso “Vidas Paralelas” e os quatro filhos tiveram o prazer de ler na juventude algumas dessas duplas biografias.<br />
No plano inicial, dele a constar 10 podcasts, estão assinalados os já disponíveis. Em alguns participa a historiadora Leonor Pontes. João Gouveia Monteiro, por vezes, é questionado pelo jornalista Ricardo Venâncio, momento em que cada intervenção poderia certamente ser a de um ouvinte da série. Essas criteriosas perguntas, prontamente respondidos por Gouveia Monteiro, tornam-se relevantes, ressaltando outros pormenores acrescidos à exposição planejada.<br />
1. Alexandre Magno e Júlio César. (já disponível, Partes I e II). 2. Buda e Confúcio. (já disponível, Partes I e II). 3. D. João I e Nuno Álvares Pereira. (já disponível, Partes I, II e III). 4. Leonor Teles e Filipa de Lencastre (com Leonor Pontes). (já disponível, Partes I e II). 5. Jesus e Maomé. (já disponível, Partes I e II). 6. Fernão Lopes e Pero López de Ayala.  7. Justiniano e Carlos Magno. 8. Cristina de Pisano e Joana d’Arc. 9. D. Dinis e a Rainha Santa (com Leonor Pontes). 10. Carlos Seixas e Beethoven (com Paulo da Nazaré Santos).</p>
<p>https://podcasts.apple.com/us/podcast/vidas-em-paralelo-um-podcast-com-hist%C3%B3ria/id1843058148</p>
<p>Acessado o link, o leitor poderá ouvir a apresentação do tema escolhido. Dois aspectos se me afiguram como fundamentais, a competência insofismável de Gouveia Monteiro traduzida pela serenidade da sua narração, assim como o método empregado para a trama expositiva, tornando o todo do podcast selecionado extremamente agradável e instrutivo.</p>
<p>Divulgá-los no Brasil adquire importância, pois os temas, com exceções, são pouco estudados e, por consequência, minimamente ventilados no país. Paulatinamente estou a ouvir os podcasts, entre eles um dos programas dedicados a D. João I e Nuno Álvares Pereira e o primeiro a focalizar Jesus e Maomé. Após as leituras, no segundo lustro dos anos  1950, de dois livros referenciais sobre Nuno Álvares Pereira de autoria de  J.P. Oliveira Martins, e o já mencionado livro de Gouveia Monteiro, a narrativa deste nessa programação indispensável traduz de maneira clara e sucinta duas das mais relevantes figuras da História em Portugal. Poder-se-ia afirmar que, no espaço de aproximadamente uma hora fixado para cada programa, tem-se outros fatos essenciais de figuras marcantes de um heroico passado histórico de Portugal. Quanto aos dois podcasts referentes a Jesus e Maomé, eles adquirem uma complexa, mas vital importância na atualidade, pois abordam as duas religiões mais professadas no mundo. No que concerne a este último tema, assim como Buda e Confúcio, podcast que visitarei  brevemente, Gouveia Monteiro já coordenara a fundamental edição “História Concisa das Grandes Religiões” (Lisboa, Manuscrito, 2022).<br />
Próximo do milésimo post (998), incontáveis vezes salientei a triste derrocada da Cultura Humanística, no Brasil de maneira avassaladora. Mario Vargas Llosa (1936-2025), em “La Civilización del espetáculo”, já apregoava essa decadência em termos mundiais. Personagens em nosso país, sem a estrutura cultural ao menos envernizada, proliferam nos meios de comunicação como influencers, o infeliz termo da moda, e o resultado está a ser notado na formação das novas gerações. “Notabilizados”, esses influencers ocupam espaços avantajados na mídia, e temas culturais relevantes tornaram-se escassos. Preocupação maior desses meios é a divulgação dos que vivem sob os holofotes, e a Cultura Humanística, não tendo interesse para a grande “clientela” devido a tantos entraves, oficiais ou não, por que com ela se importar?<br />
Convido meus leitores, muitos deles me acompanhando desde 2 de Março de 2007, a paulatinamente ouvirem os podcasts. Uma bela viagem pela História.<br />
‘Vidas em Paralelo’ (Parallel Lives), divided into 10 podcasts, is a programme dedicated to illustrious figures in human history. Presented by João Gouveia Monteiro, retired professor of the University of Coimbra, the series features the collaboration of journalist Ricardo Venâncio.  </p>
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