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	<title>José Eduardo MartinsCotidiano &#187; José Eduardo Martins</title>
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		<title>Segurança, um dos desafios fundamentais do país</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Sep 2026 03:05:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma população refém do descaso A violência é o último refúgio da incompetência. Isaac Asimov (1920-1992) O tema veio à mente após conversa com amigos durante um café descontraído. Que estamos vivendo tempos difíceis quanto à segurança é unanimidade. Sem interrupção, a palavra foi progressivamente perdendo o seu sentido essencial nessas últimas décadas. A insegurança [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Uma população refém do descaso</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1034.Segurança2-big.jpg" target="_blank"><img title="Segurança à deriva. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1034.Segurança2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>A violência é o último refúgio da incompetência.</em></p>
<p>Isaac Asimov (1920-1992)</p>
<p style="text-align: justify;">O tema veio à mente após conversa com amigos durante um café descontraído. Que estamos vivendo tempos difíceis quanto à segurança é unanimidade. Sem interrupção, a palavra foi progressivamente perdendo o seu sentido essencial nessas últimas décadas. A insegurança reina no país. Logicamente, temos de nos adaptar às transformações que, de maneira cada vez mais acelerada, ocorrem em todas as áreas. Aos leitores mais jovens, rememorar fatos vividos muitas décadas atrás estabelece comparações. Desapareceu a descontração que nos fazia caminhar pelas vias públicas sem quaisquer preocupações quanto à segurança. As conversas informais com amigos nos portões das casas, em qualquer hora do dia, eram comuns; roubos e sequestros existiam de maneira esporádica; o golpe via o antigo telefone era quase nulo, assim como tantas outras situações nas quais a segurança não era prioridade em decorrência da delinquência bem menos acentuada.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou a me lembrar dos anos 1950. Estudávamos, João Carlos e eu, no excelente Liceu Pasteur, período matutino. Quando ainda adolescentes, o referencial professor de piano José Kliass convenceu  nosso Pai a que, durante um ano letivo, estudássemos no período noturno, a fim de termos mais tempo – 5 ou 6 horas – de estudos pianísticos diários em uma fase fundamental. João Carlos estudou naquele período no Colégio Ipiranga e eu, no Liceu Eduardo Prado, que ficava na Alameda Pamplona com a Avenida Paulista. Após esse ano regressei ao Liceu Pasteur para finalizar o curso Clássico.</p>
<p style="text-align: justify;">A menção ao ensino noturno tem significado expresso pelo fato de que, entre 16 e 17 anos de idade, após as aulas que findavam quinze minutos antes da meia-noite, caminhava solitário até as portas do Instituto Pasteur na Av. Paulista (algumas centenas de metros de distância) para pegar o bonde que subia a Brigadeiro Luís Antônio vindo do centro, virava à esquerda, parava em frente ao Instituto e me deixava na confluência da Av. Domingos de Morais com o início da Av. Rodrigues Alves. Daí, descia até o nº 984, nossa morada, onde chegava por volta das 0:30. Jamais fui importunado nessas caminhadas solitárias e nunca tive receio algum de ser assaltado.</p>
<p style="text-align: justify;">Já no final do primeiro lustro dos anos 1960, a convite do notável pianista Jacques Klein (1930-1982), Regina e eu fomos jantar em casa de um de seus amigos nos morros do Rio, não distante do Outeiro da Glória. Subimos e descemos a pé sem qualquer receio, na maior descontração.</p>
<p style="text-align: justify;">A explosão da violência no país se deu máxime nestas últimas décadas, em que em determinadas regiões o Estado brasileiro deixou de ter soberania, pois impossível de se entrar nesses enclaves de maneira desavisada, regiões estas nas quais as populações vivem subjugadas àqueles que comandam as comunidades. Já houve diversas mortes de incautos que, de carro ou a pé, entraram nesses territórios que proliferam em várias regiões do Brasil, perdendo suas vidas atingidos por armas de fogo dos “vigilantes”. Se cerca de 1.500 comunidades no Rio de Janeiro, e tantas outras espalhadas pelo país, hoje vivem sob os olhares permanentes dos que praticam toda espécie de ilícitos, o que esperar de um país nessas condições? Na realidade, a nossa soberania é relativa.</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente, quantos não foram aqueles que, ao reagirem ao roubo de celulares, são abatidos, sendo que os malfeitores, a seguir, vão tomar cervejinha com gosto de sangue? Só em São Paulo, segundo a Secretaria de Segurança Pública, mais de 500 aparelhos são roubados diariamente, o que significa um a cada três minutos.</p>
<p style="text-align: justify;">Décadas atrás, saíamos, Regina e filhas, nos fins de semana, frequentando com certa regularidade a mesma pizzaria de amigos, distante algumas quadras de nossa antiga morada. Atitude quase impossível na atualidade, pois os riscos durante o retorno podem ser altos. Recentemente, uma neta, seu marido e quatro bisnetos, ao saírem da missa em pleno meio-dia, sofreram assalto diante de inúmeros fiéis. Furtaram-lhes celulares e alianças. Incrédulos, os cidadãos em torno nada puderam fazer, pois os assaltantes estavam armados.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma de nossas filhas, assim como uma neta, tiveram recentemente seus carros roubados. Em blog bem anterior descrevi um assalto à mão armada que sofri, ocasião em que meliantes levaram o meu veículo (blog: “A outra face da Polícia”, 23/08/2008). Iniciava o post com palavras retratando o ocorrido “Que vivemos numa espécie de guerra civil neste país que pouco faz para a segurança, é fato. Sofrer assalto a mão armada é assustador. Meliantes levaram o meu carro, instantes após balearem um ancião e um policial”. Infelizmente, após quase vinte anos desse episódio, a delinquência se agigantou de maneira avassaladora. Bastaria a consulta aos órgãos especializados.</p>
<p style="text-align: justify;">O que esperar num país em que 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025 (dados oficiais divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP – e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública) e com mais de 40.000 assassinatos, sem que haja uma legislação implacável com penas elevadíssimas para os autores desses crimes?<strong> </strong>Quanto ao roubo de celulares, alianças, cartões e outros pertences, a justiça tem sido branda, mormente pelo fato de muitos autores desses atos serem soltos após a audiência de custódia, segundo noticiários, e acatados por parte da população e de partidos políticos como vítimas da sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente, a excelente violinista Elisa Fukuda sofreu assalto em sua morada. Dois violinos valiosos e de autores renomados, mais um arco precioso, assim como celulares dela e de seus irmãos músicos, foram furtados. Há uma campanha, bem difundida pelos aficionados, no sentido de recuperarem esses instrumentos indispensáveis à violinista. Em 1987, gravamos para o selo Funarte, a Sonata em Mi Maior op.36 para violino e piano, assim como o trio em sol menor op.9 para violino, violoncelo e piano de Henrique Oswald (1852-1931), deste participando o renomado celista Antônio Del Claro.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1033.Capa-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="LP Oswald, 1987. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1033.Capa-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Certamente muitos dos meus leitores já sentiram a ação dos malfeitores. Estamos às portas das eleições. Segurança, Economia, Saúde, Educação, assim como a chaga aberta da corrupção praticada largamente sem pejo, deverão ser os temas essenciais abordados nos meios de comunicação a partir das propostas dos candidatos.</p>
<p style="text-align: justify;">Oxalá cheguemos a acreditar em um futuro em que esses quatro pilares básicos possam ser a razão de um próximo governante e que a endêmica corrupção seja tratada com o maior rigor. Neste país tão conturbado, há ainda a possibilidade de se sonhar por dias melhores&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de François Servenière, <em>Promenade dans la Voie Lactée</em>, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JQDkWn1HcpQ">https://www.youtube.com/watch?v=JQDkWn1HcpQ</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Security, the economy, health, education, as well as the festering scourge of corruption—these should be the key issues covered by the media based on the candidates’ proposals.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Considerações tardias sobre a Copa do Mundo</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Aug 2026 03:05:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Sem luz no fim do túnel? Sou especialista da curiosidade não especializada. Agostinho da Silva (1906-1994) (“Espólio”) Deixei passar algumas semanas para tecer observações que tiveram comprovação transparente no que concerne aos jogadores da nossa seleção frente aos desafios da Copa tão almejada pelo povo brasileiro. Ficou evidente o desempenho pífio da seleção em todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Sem luz no fim do túnel?</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1028.Dorinho-big.jpg" target="_blank"><img title="Arte do renomado cartunista e professor da USP, Dorinho Bastos, meu dileto amigo, para o blog em pauta. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1028.Dorinho-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Sou especialista da curiosidade não especializada</em>.<br />
Agostinho da Silva (1906-1994)<br />
(“Espólio”)</p>
<p style="text-align: justify;">Deixei passar algumas semanas para tecer observações que tiveram comprovação transparente no que concerne aos jogadores da nossa seleção frente aos desafios da Copa tão almejada pelo povo brasileiro. Ficou evidente o desempenho pífio da seleção em todos os cinco jogos que a levaram à melancólica eliminação. Contrariando a maioria dos meus próximos, não tinha nenhuma esperança nessa seleção sem brio. Desconhecia a maioria dos jogadores, um dos fatos que me encaminhou para a incógnita. O anúncio da convocação, em festividade desproporcional a um ato de rotina, normalmente realizado de maneira protocolar mundo afora, já era um indicativo de interesses outros a se acoplarem à essência do futebol.</p>
<p style="text-align: justify;">Recordo-me dos anos a estudar piano em Paris com mestres extraordinários (fins de 1958-1961), sem ter retornado ao Brasil nesse período. Ao regressar e após recital em São Paulo, fui entrevistado pela renomada atriz Bibi Ferreira (1922-2019) em um programa televisivo. A certa altura, ela observou que eu mantinha um sotaque afrancesado. A ponderação de Bibi Ferreira calou-me fundo durante um certo tempo. Confesso que no regresso, durante um período razoável, meus pensamentos estavam voltados à cultura e ao <em>modus vivendi </em>europeu: repertório pianístico alargado, apresentações e concursos internacionais, intensa leitura dos grandes escritores, amizades preferencialmente ligadas à cultura musical e literária da França, conjunto que me foi fundamental durante o passar dos anos. Sempre a conservar uma admiração plena pela cultura europeia, passei a admirar progressivamente nossos valores culturais e, à minha dedicação contínua ao maiúsculo repertório europeu, agregaram-se paulatinamente criações de compositores brasileiros, que estariam intensamente presentes doravante entre os meus eleitos.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse prólogo se faz necessário para que as deduções sobre o desempenho do futebol brasileiro nestes últimos lustros tenham alguma racionalidade, frise-se, totalmente desprovida de quaisquer outras intenções neste espaço.</p>
<p style="text-align: justify;">Se pensarmos em alguns dos maiores ídolos do futebol brasileiro que se transferiram para o futebol europeu, como Julinho (Júlio Botelho – 1929-2003) e Careca (Antônio de Oliveira Filho &#8211; 1960), suas mudanças deram-se tardiamente, em 1955 e 1987, respectivamente, ou seja, após os 25 anos de idade.  Roberto Carlos (1973), após brilhar no Palmeiras, transferiu-se para a Europa aos 22 anos para jogar na Internazionale e no Real Madrid. Pelé (Edson Arantes do Nascimento (1940-2022), o atleta do século pelo Comité Olímpico Internacional (2000), só se transferiu para o New York Kosmos em 1975, um ano após se aposentar do seu time eleito, o Santos. Qualidades inalienáveis que estavam nas raízes do futebol brasileiro, como o drible, as improvisações desconcertantes e a alegria de jogar corroboraram essas contratações. Retornaram ao país de origem e vários prosseguiram suas brilhantes carreiras. O passar dos anos afunilou a precocidade das transferências. Romário (1966-), Ronaldo “Fenômeno” (1976-), Ronaldinho Gaúcho (1980-) e Adriano “Imperador” (1982-), nas fronteiras dos 20 anos, firmaram contratos com times da Europa e o retorno ao país se deu a fim de encerrarem suas atividades.</p>
<p style="text-align: justify;">Considere-se que as transações eram imensamente menos custosas para os times compradores. Naquela época dizia-se “prata da casa”. As somas vultosas atuais poderiam alterar a designação para “diamantes da casa”, máxime para determinadas contratações a preços estratosféricos.</p>
<p style="text-align: justify;">Presentemente, há casos em que, ainda imberbes, jogadores talentosos assinam pré-contratos a partir da idade mínima permitida na Europa para essas transações, documentos baseados na esperança do vir a ser do atleta saído da adolescência. Partem, majoritariamente sem um nível educacional sedimentado, para centros futebolísticos avançados, resultando no deslumbramento ou na decepção.</p>
<p style="text-align: justify;">Transferência realizada, esses jovens jogadores recebem altos salários, inimagináveis em termos brasileiros se considerarmos os correspondentes décadas atrás. Sim, há uma plêiade de ótimos jogadores pátrios atuando, máxime na Europa. Permanecerão, tudo leva a crer, muitos anos no Exterior e, por vezes, serão transferidos para outros clubes igualmente qualificados. Esse é um processo bem natural, os ganhos continuarão elevados e os que, ao longo dos contratos, não corresponderem ao que deles se esperava, normalmente retornarão ao futebol pátrio ou serão transferidos para clubes menores da Europa ou da Ásia.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que esse grupo de jogadores atuando no Exterior perde, com o tempo e o sucesso, aquilo que sobejamente sobra nos atletas argentinos, a garra, atributo este que faltou na decisão contra a Espanha devido, é possível, ao cansaço pelas prorrogações anteriores, mas certamente pela enorme qualidade técnica e tática superior da seleção espanhola. Aquele apego ao Brasil, tão presente nas seleções vencedoras em 1958, 1962, 1970, 1994, 2002, esvaiu-se. Tive a sensação plena do não comprometimento dos nossos badalados jogadores, inicialmente nos quatro jogos iniciais e, a seguir, na contenda em que o Brasil foi derrotado pela Noruega. A seleção evidenciou nitidamente o não comprometimento pleno. Perdíamos por um gol, os atletas noruegueses ficavam a trocar bolas no centro do campo e os nossos jogadores não lhe davam combate. Excepcionalmente, diante de uma seleção historicamente inferior, mas que lutou bravamente, a Noruega teve 66% de posse de bola e o Brasil, 34%. Foi a menor porcentagem de posse de bola desde 1966 ao longo das Copas. Contrariamente, a seleção da Argentina, ao sofrer os gols do Egito e da Inglaterra, não mais deixou os oponentes respirarem. A todo instante um jogador argentino dava combate àquele adversário que estava com a bola.</p>
<p style="text-align: justify;">A ratificar o apreço menor ao país, após a derrota diante da brava Noruega, o avião fretado para a delegação brasileira retornou ao país com apenas um jogador. Uns foram paras suas moradas na Europa, outros mais para gozarem as férias, e aquele proclamado anos antes como o salvador da pátria, um ex-jogador em atividade, segundo jornalistas não comprometidos, poucos dias após o fracasso estava em torneio de carteado em um cassino dos Estados Unidos. Esses distanciamentos não são a evidência cabal do não comprometimento? Sob outra égide, o treinador preferiu se refugiar em sua propriedade no Canadá ao invés de, ao menos, regressar ao Brasil e se pronunciar. Acúmulo de erros, desinteresse transparente da maioria dos jogadores, evitando explicações em entrevistas, silêncio da CBF&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Não mais acredito em uma verdadeira seleção imbuída dos valores nacionais, com “o sangue nos olhos”, como o jargão professa. Uma CBF plena de interesses, patrocinadores poderosos e influentes gerindo paulatinamente os clubes nacionais e a consequente perda da identidade dos nossos jogadores, que passam a ser, apenas, mercadoria valiosa nas mãos de dirigentes e empresários. A alegria, a espontaneidade, o drible, marca registrada dos atletas de antanho, como os de Pelé, Garrincha, Ronaldo e Ronaldinho, ficaram na memória daqueles que tiveram o privilégio de vê-los atuando.</p>
<p style="text-align: justify;">Sob outro aspecto, já não somos há tempos o país do futebol. Ásia e África evoluíram muito no que tange ao esporte bretão. Marrocos, Cabo Verde, Costa do Marfim, Egito e Japão evidenciaram progressos expressivos, mormente planejamento. A Europa recebe anualmente a talentosa “safra” de jogadores bem jovens da América do Sul e da África como um todo. Em termos sul-americanos, a Argentina demonstrou, na Copa anterior ao se sagrar campeã e, de maneira implacável na última eliminatória para o maiúsculo certame, uma superioridade enorme comparada à nossa desorganizada e sem <em>anima </em>seleção.</p>
<p style="text-align: justify;">No presente só exportamos jovens saídos da puberdade. Essa atitude, mais a consequente perda de identidade desses talentos promissores, só levarão nossas aspirações em termos de Copa do Mundo ao impasse. Não será em quatro anos, até a próxima Copa, que se estruturará uma seleção, partindo hoje da estaca zero, pois é desta<strong> </strong>situação que teremos de partir, ainda mais sob a direção de um técnico estrangeiro com contrato firmado até 2030, extraordinário treinador em clubes expressivos europeus, mas que tomou decisões equivocadas não apenas na convocação dos jogadores, como também na escalação para os jogos. Tem histórico comprovado para realizar uma restruturação total da nossa seleção.</p>
<p style="text-align: justify;">Poderia parecer absurdo, mas creio que, neste imenso país com tantos times relevantes, uma seleção apenas com os que estão a disputar jogos no Brasil não poderia ser uma solução? O amor à camisa canarinho não estaria preservado? CBF, patrocinadores e empresários permitiriam?</p>
<p style="text-align: justify;">Comentei a temática do post com o dileto amigo Dorinho Bastos, renomado cartunista e professor doutor da ECA-USP. Dias após, Dorinho me enviou o sugestivo cartoon que ilustra o blog.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>My belated reflections on our national team’s dismal performance in the World Cup and the loss of a sense of national identity among our players, who almost always leave Brazil as soon as they reach puberty, moving to European teams with astronomical salaries. Sponsors, agents, and the governing body of Brazilian soccer itself, the CBF, have a lot to explain regarding the causes of such a disjointed national team</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ecos de “Coletores de resíduos frente à árdua atividade”</title>
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		<pubDate>Sat, 16 May 2026 03:05:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Quatro mensagens significativas Seria preciso não viver para negar que o mundo seja mau; mas é nessa mesma maldade que devemos procurar o apoio em que nos firmamos para sermos nós próprios melhores e, como tal, melhorarmos os outros. Agostinho da Silva (1906-1994) Tardiamente insiro no blog hebdomadário quatro dentre as diversas mensagens recebidas sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Quatro mensagens significativas</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1014.detritos-big.jpg" target="_blank"><img title="Caminhão preparado para a recolha de detritos. Foto: Maria Fernanda. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1014.detritos-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Seria preciso não viver para negar que o mundo seja mau;<br />
</em><em>mas é nessa mesma maldade que devemos procurar<br />
</em><em>o apoio em que nos firmamos<br />
</em><em>para sermos nós próprios melhores<br />
</em><em>e, como tal, melhorarmos os outros.<br />
</em>Agostinho da Silva (1906-1994)</p>
<p style="text-align: justify;">Tardiamente insiro no blog hebdomadário quatro dentre as diversas mensagens recebidas sobre os coletores de resíduos, orgânicos ou não. Elas apreendem o âmago da árdua profissão, fundamental em todas as cidades, independentemente do tamanho. Transcrevo-as, pois não apenas captam a função do coletor como expandem o tema para os não oficiais, representados pelos catadores que, puxando suas pequenas carroças ou em velhos veículos motorizados, recolhem igualmente caixotes, garrafas e outros descartáveis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> Maria Stella Orsini, </strong>professora titular jubilada da Eca-USP, escreve: “Confesso que tenho grande preocupação com o lixo que se acumula na nossa cidade. Quando estudante, eu e minhas colegas da Caetano de Campos fazíamos longas caminhadas pela famosa rua Barão de Itapetininga. Hoje, além de muito suja, essa rua tem cheiro insuportável. Tenho o hábito de doar o material que pode ser aproveitado para os que empurram esses carrinhos superpesados. Frequento um supermercado que tem ótimas embalagens. Não uso mais plásticos, mas eles podem ser aproveitados pelos que não possuem nenhuma embalagem. Ainda coloco um pacotinho de Miojo. Não gosto e nem como, mas para eles o sal desse alimento pode ser o único que estão comendo nesse dia. Felizmente o curso de Ciências Sociais permitiu que eu e meus colegas recebêssemos<strong> </strong>uma ótima formação em Política. Na verdade, nosso país é muito mal administrado. Presenciei em inúmeras cidades europeias a lavagem das cidades, ao raiar o dia. Como as cidades japonesas são impecavelmente limpas?”</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1017.carroceiro4-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Carroceiro em plena atividade. Fonte&gt; Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1017.carroceiro4-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Marisa de Jesus Martins da Costa </strong>envia-me um poema inserido em seu livro “A menina que consertava o mundo”:</p>
<p style="text-align: center;">“<strong>O carroceiro</strong></p>
<p style="text-align: center;">- Bom dia, senhor carroceiro!<br />
- Bom dia, menina bonita!<br />
- O que carrega aí?<br />
- Carrego reciclável.<br />
- O que é reciclável?<br />
- É latinha, papelão, madeira, vidro&#8230;<br />
- O que vai fazer com isso?<br />
- Vou vender! Comprar comida pra distrair o estômago.<br />
- Cadê o cavalo?<br />
- Não necessito, não! Tenho pernas e braços fortes e Deus na cabeça.<br />
- Minha mãe mistura tudo. Comida com o tal reciclável.<br />
- Ensina pra ela, então! &#8211; Outro dia achei um livro no lixo.<br />
- Livro não se joga no lixo, não!<br />
- Quem faz isso?<br />
- É o homem que não gosta das letras.<br />
- Eu sei ler e escrever. Escrevo pra minha família em Massarandupió.<br />
- Massarandupió? Onde fica?<br />
- É longe. Fica atrás do mapa. Um dia volto pra lá.<br />
- Vou perder meu amigo carroceiro?<br />
- Perde, não! Amigo é para sempre. Esteja onde estiver”.</p>
<p style="text-align: justify;">O Professor titular jubilado da FFLECH-USP, <strong>Gildo Magalhães</strong>, presente em tantos posts, o que muito me alegra, envia a mensagem:</p>
<p style="text-align: justify;">“Ainda sob o impacto agradável da sua execução brilhante de música russa, concordo integralmente com suas observações sobre os trabalhadores da coleta de lixo. Quando vivi na Alemanha, na década de 1980, só os imigrantes se sujeitavam a esse trabalho árduo e ao salário,  mas com uma atenuante: era facilitado pela mecanização, que obrigava todos a usarem o mesmo modelo de lata de lixo, que era pega por braços mecânicos, despejada e devolvida automaticamente. Idem para a varrição de ruas, completamente mecanizada. Enfim, coisas de sociedade mais desenvolvida&#8230;”</p>
<p style="text-align: justify;">Em um outro contexto, diria “oficial”, recebi mensagem substanciosa e esclarecedora da minha dileta sobrinha <strong>Ângela Gandra Martins</strong>, advogada, jurista, com Doutorado e Pós-Doutorado em Filosofia do Direito pelas Universidade Presbiteriana Mackenzie e Universidade Federal do Rio Grande do Sul, respectivamente, sendo hoje Secretária de Assuntos Internacionais da Prefeitura de São Paulo, possivelmente convidada, <em>in addendum</em>, por dominar sete idiomas.</p>
<p style="text-align: justify;">“A cidade de São Paulo possui uma das maiores estruturas públicas de gestão de resíduos sólidos da América Latina, combinando coleta seletiva, infraestrutura urbana e inclusão produtiva de cooperativas de catadores. Nos últimos anos, a Prefeitura ampliou significativamente a cobertura da coleta seletiva porta a porta, alcançando atendimento em todos os 96 distritos da capital. Atualmente, são recolhidas diariamente cerca de 324 toneladas de materiais recicláveis, encaminhadas para uma rede de 29 cooperativas habilitadas pelo município, envolvendo mais de 1.500 cooperados diretamente vinculados ao sistema público de reciclagem. Além disso, a cidade opera duas modernas centrais mecanizadas de triagem – Carolina Maria de Jesus e Ponte Pequena – com capacidade conjunta para processar aproximadamente 500 toneladas de resíduos recicláveis por dia, consolidando São Paulo como referência em infraestrutura de reciclagem urbana na América do Sul.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro eixo estratégico da política municipal é a ampliação dos equipamentos de descarte voluntário e logística reversa. A cidade conta com mais de 100 ecopontos distribuídos pelo território, além de milhares de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), contêineres verdes e equipamentos específicos para vidro, óleo e resíduos recicláveis. Esses espaços permitem que a população descarte corretamente resíduos da construção civil, móveis, eletrodomésticos, recicláveis secos e outros materiais que normalmente acabariam em vias públicas, córregos ou áreas ambientalmente vulneráveis. Paralelamente, programas de compostagem e aproveitamento de resíduos orgânicos de feiras livres vêm sendo utilizados para transformar resíduos alimentares em adubo, reduzindo a pressão sobre os aterros sanitários e incentivando práticas alinhadas à economia circular e à mitigação das mudanças climáticas.</p>
<p style="text-align: justify;">No campo da inclusão produtiva, a Prefeitura também, vem fortalecendo programas voltados ao cooperativismo e à profissionalização dos catadores. Por meio do programa SO Coopera, coordenado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, o município promove oficinas, capacitações, mapeamento de cooperativas e articulação com parceiros públicos e privados para ampliar oportunidades econômicas no setor de reciclagem. Outro destaque é o programa “Reciclar para capacitar”, que já profissionalizou mais de mil catadores na cidade, oferecendo cursos, apoio operacional e incentivo à organização produtiva das cooperativas. Além das políticas estruturantes, ações temporárias como o ‘Bloco de Reciclagem’, realizado durante o carnaval paulistano, demonstram o impacto econômico e ambiental da atuação dos catadores: somente na edição de 2026 foram recuperadas mais de 32 toneladas de recicláveis, movimentando cerca de R$120 mil em renda para cooperativas participantes. Essas iniciativas reforçam como a política de resíduos sólidos de São Paulo vai além da limpeza urbana, atuando também como ferramenta de geração de renda, redução das desigualdades e promoção da sustentabilidade nas cidades”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1017.carroceiro5-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Carroceiro em árdua atividade. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1017.carroceiro5-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>I have selected four messages among many received about the blog dedicated to the so-called refuse collectors, indispensable figures who are sorely undervalued.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Coletores de resíduos frente à árdua atividade</title>
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		<pubDate>Sat, 02 May 2026 03:05:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Trabalho extenuante realizado com dedicação Escuta, escuta, tenho ainda uma coisa a dizer. Não é importante, eu sei, não vai salvar o mundo, não mudará a vida de ninguém – mas quem é hoje capaz de salvar o mundo ou apenas mudar o sentido da vida de alguém? Eugénio de Andrade, notável poeta português (1923-2005) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Trabalho extenuante realizado com dedicação</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1015.coleta-big.jpg" target="_blank"><img title="Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1015.coleta-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Escuta, escuta, tenho ainda<br />
uma coisa a dizer.<br />
Não é importante, eu sei, não vai<br />
salvar o mundo, não mudará<br />
a vida de ninguém – mas quem<br />
é hoje capaz de salvar o mundo<br />
ou apenas mudar o sentido<br />
da vida de alguém?</em><br />
Eugénio de Andrade, notável poeta português (1923-2005)</p>
<p style="text-align: justify;">Desde o início da publicação dos blogs, vários posts foram dedicados àqueles que ou ficaram à deriva na sociedade ou em atividades laboriosas exaustivas. Uma das mais importantes funções na organização das cidades, a coleta de resíduos, não merece por parte dos governos a atenção desejável. Trata-se de um serviço público, contudo majoritariamente é realizada por empresas terceirizadas, logicamente contratadas pelas prefeituras. Os salários daqueles responsáveis pela coleta são baixos, mas eles são figuras fulcrais na manutenção da limpeza das cidades, pois têm de manter para a difícil atividade, em acréscimo, preparo físico, disposição para a função e redobrada atenção com o material coletado, inclusive com a possibilidade de contaminação. Na realidade, são eles os responsáveis para que inúmeras pragas sejam minimizadas, que produtos químicos, material descartado de hospitais e outros mais sejam retirados, assim como corroboram para a limpeza das áreas públicas, dando finalmente destino ao imenso material coletado.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1014.carroção4-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Fonte: Google. Foto do livro 'Vila Prudente, do Bonde a Burro ao Metrô', Zadra, Newton. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1014.carroção4-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Estou a me lembrar da infância vivida na Vila Mariana. Coletores de resíduos recolhiam os dejetos das casas deixados nas calçadas em caixas de papelão ou latões grandes com tampas, estes não descartáveis. Os catadores jogavam esse material nas caçambas grandes de um carroção puxado por dois cavalos ou burros e devolviam o recipiente. Nossa mãe por vezes distribuía café com pãezinhos aos trabalhadores. Após décadas morando em uma casa no Brooklin, por vezes igualmente interagi rapidamente com os coletores de detritos, pois o contato com esses profissionais nesse tipo de moradia torna-se mais direto e frequente. Quantas não foram as vezes em que, ao  esquecer de colocar os sacos de resíduos na calçada,  após ouvir o ruido do caminhão e as vozes dos coletores corria até o portão, chamava-os e sempre, cordialmente, eles voltavam e retiravam os sacos. Em outras oportunidades, ao lhes oferecer uma garrafa de refrigerante e um pacote de biscoitos, comovente era a recepção desses verdadeiros especialistas. Ao longo, sabia o nome de diversos.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente tivemos de mudar da casa para um apartamento &#8211; fato inserido em blogs no início de 2025 &#8211; devido à sanha avassaladora das construtoras, que estão a demolir determinados bairros para a edificação de prédios, Brooklin e Campo Belo numa lista prioritária. A minha percepção da atividade dos coletores de resíduos teve um outro <em>approach</em> que, na realidade, só ampliou a minha admiração pelos laboriosos cidadãos. Vejo-os do apartamento, no início da noite, em posição logicamente distinta daquela visão tão próxima quando na residência anterior. Funcionários dos prédios colocam os enormes sacos de resíduos nas calçadas ou em pequenos recintos nas laterais das edificações. Os caminhões param por pouquíssimo tempo, o necessário para esses coletores, numa rapidez que impressiona, segurarem um ou dois sacos pesados, arremessando-os com precisão na caçamba do veículo. Este, finda a coleta do volumoso material, roda os metros necessários para a continuação da saga. Certamente são centenas de sacos arremessados e os dois ou três coletores incumbidos da tarefa ainda têm de dar pequenas corridas a fim de acompanhar o caminhão de recolha. Faça frio ou calor, chuvisco ou chuva forte, esses coletores desempenham exemplarmente a função. Infelizmente, eles têm de ouvir buzinadas de motoristas de carros impacientes, que sequer entendem que o sacrifício evidente dessa atividade fulcral na sociedade mereceria acima de tudo o respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Num país onde os absurdos proliferam, a função desses coletores de resíduos, figurantes basicamente inexistentes no cotidiano das narrativas, sofre com a omissão da sociedade e o termo abjeto, lixeiro, é habitualmente propalado. Sob outra égide, há a perplexidade do cidadão cumpridor de seu labor diário, seja nas mais diversas atividades, seja na vida familiar, ao se deparar com a discussão sobre tema que deveria ter sido abortado sumariamente na origem, o penduricalho, algo que persiste e se avoluma nos três poderes e nas inúmeras instituições estatais. Esses membros dos três poderes teriam a devida atenção a determinadas profissões “subalternas”, mas que, sob outra égide, são igualmente essenciais para a sociedade? Com baixíssimos salários, os coletores de toda espécie de detritos estão a mostrar diuturnamente que, sem eles, no passar de poucos dias as cidades estariam expostas ao caos absoluto.</p>
<p style="text-align: justify;">Considero-os verdadeiros heróis. Nem as homenagens a eles consagradas sensibilizam os poderosos: 1º de Março – Dia Mundial dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis; 7 de Junho – Dia Nacional de Luta dos Catadores de Materiais Recicláveis; 21 de Outubro – Dia Nacional do Coletor de Lixo, 22 de Novembro – Dia do Reciclador e da Reciclagem do Lixo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>The work of waste pickers – also pejoratively referred to as ‘scavengers’ – is just critical for a city. They are true environmental workers, playing a vital role in maintaining urban cleanliness.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Reflexões sobre compositores do passado, suas missivas e a atualidade (VIII)</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/04/25/15911/</link>
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		<pubDate>Sat, 25 Apr 2026 03:05:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Da permanência ao efêmero, um caminho sem volta? Um mundo arrumado é apenas o palco para o grande espetáculo, de que até hoje tivemos apenas um ou outro raro exemplo, da plena criação em todos os domínios, arte, ciência, filosofia, porventura vida também. Agostinho da Silva (1906-1994) “Só Ajustamentos” Ao longo das décadas realizei a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Da permanência ao efêmero, um caminho sem volta?</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.joseeduardomartins.com/839.Rodin-big.jpg" target="_blank"><img title="Auguste Rodin (1840-1917), O Pensador. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/839.Rodin-small.jpg" alt="" /></a></strong></p>
<p><em>Um mundo arrumado é apenas o palco para o grande espetáculo,<br />
</em><em>de que até hoje tivemos apenas um ou outro raro exemplo,<br />
</em><em>da plena criação em todos os domínios,<br />
</em><em>arte, ciência, filosofia, porventura vida também.<br />
</em>Agostinho da Silva (1906-1994)<br />
“Só Ajustamentos”</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo das décadas realizei a leitura parcial da atividade epistolar de alguns dos mais conceituados compositores, apreendendo essencialidades que vão além da própria composição, abrangendo igualmente o cotidiano, os afetos e as dificuldades frente à vida e seus desdobramentos, saúde, finanças, esperanças ou desalento. Graças à carta manuscrita, preservou-se o pensar do compositor, essa interioridade não revelada em escritos teóricos no caso específico de Jean-Philippe Rameau (1683-1764), compositor e teórico, magistral nas duas atividades.</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Jean-Philippe Rameau, “Air pour Borée et la Rose”, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kYHMbUAw8sUA">https://www.youtube.com/watch?v=kYHMbUAw8sUA</a></p>
<p style="text-align: justify;">O vastíssimo patrimônio da música com várias designações, clássica, erudita ou de concerto, permanece através dos séculos, é executado pelas gerações de intérpretes e integra o vasto universo da Cultura Humanística. Tardiamente penetrou no Extremo-Oriente e hoje alguns dos mais relevantes pianistas são oriundos dos Conservatórios do Japão, China, Coréia do Sul&#8230;, evidência clara, apesar de culturas distantes das ocidentais sob tantos aspectos, da aceitação da música clássica em seus múltiplos modelos. No 19º Concurso Internacional Frederic Chopin (2025), em Varsóvia, os três primeiros  colocados eram orientais ou descendentes e os dois outros prêmios foram outorgados <em>ex-aequo </em>(empatados), tendo igualmente orientais.</p>
<p style="text-align: justify;">Mormente neste século, de maneira mais acentuada verifica-se uma diminuição sensível da divulgação mais exequível da atividade musical erudita em nossas terras. Observei em blogs, anos atrás, o papel da imprensa relacionada à música de concerto. Rememoro que São Paulo, na década de 1950, tinha uma população de aproximadamente 3 milhões de habitantes. Os concertos nos vários teatros, máxime o Teatro Municipal, tinham frequência quase sempre plena.  Quando nos visitavam nomes referenciais do piano, violino, violoncelo ou canto, filas de jovens aguardavam a abertura das galerias – preços irrisórios – para não perderem os eventos. Após uma determinada apresentação, leitores tomavam conhecimento de críticas em vários jornais. Mencionaria O Estado de São Paulo, Folha da Manhã, Folha da Tarde, Folha da Noite, Diário de São Paulo, Diário da Noite, A Gazeta, O Tempo, Correio Paulistano, Jornal Alemão, Fanfulla, Giornali degli italiani, Shopping News. Todos esses periódicos tinham críticos, a maioria deles com pleno conhecimento musical.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/800.Cáustico-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Cáustico. Desenho de Luca Vitali (1940-2013). Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/800.Cáustico-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Apesar das muitas diferenças entre a música clássica e a música não compromissada com a forma e destinada às multidões, máxime na atualidade, considerações podem ser feitas a partir da efemeridade da música voltada aos shows e pertencente a várias modalidades, megashows vindos do Exterior, eventos outros no Brasil direcionados ao axé, funk e ao sertanejo, totalmente descaracterizado se comparado às duplas que se apresentavam muitas décadas atrás &#8211; Tonico e Tinoco, Cascatinha e Inhana e alguns outros, sem esquecer Inezita Barroso -, que buscavam traduzir autênticos sentimentos e anseios do homem do campo. Mercê do marketing bem estruturado, hodiernamente não mais é a qualidade que importa, mas a popularidade dos eleitos por n razões.</p>
<p style="text-align: justify;">Menções da imprensa testemunham somas rigorosamente elevadas repassadas pelos governos a personagens bem conhecidos da denominada música de cunho popular. É um fato que se repete nas várias esferas oficiais, do poder central às prefeituras de cidades pequenas, que inúmeras vezes dão maior atenção à essas apresentações do que àquela destinada aos serviços básicos das cidades ou, então, à segurança e à educação. Mormente nos megashows, a mudança de repertório se dá virtualmente a cada temporada e as músicas antes apresentadas estiolam-se em pouco tempo, basicamente esquecidas para sempre nas turnês vindouras. Os meios de comunicação, quase como um todo, divulgam <em>ad extremum es</em>sas apresentações, amparadas por publicidade de peso.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesses posts dedicados às cartas de compositores que se eternizaram através dos séculos, veio-me à mente a perenidade frente ao efêmero. Numa elucubração, se considerarmos compositores que morreram pobres ou com problemas financeiros graves, mas que tiveram suas obras glorificadas, e atentando, sob outra égide, ao que um <em>pop star</em> recebe num único megashow, cantando músicas de valor bem discutível, não estaria distante da realidade afirmar que o cachê desse <em>pop star</em> internacional para uma única apresentação, frise-se, é infinitamente superior ao que compositores sacralizados sequer puderam amealhar durante toda a existência, guardando-se as proporções monetárias históricas. Antônio Vivaldi (1678-1741) morreu pobre, assim como Mozart (1756-1791) e Schubert (1797-1828).</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Franz Schubert, Fantasia em fá menor, na interpretação de Paul Badura-Skoda (1927-2019) e Jörg Demus (1928-2019). Infezimente essa gravação realizada na Sala Gaveau, em Paris, é interrompida no minuto 8:56:</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Dp8W7pSTBmw">Paul Badura-Skoda et Jörg Demus, pianos | Fantaisie en fa mineur, D.940 de Franz Schubert</a></p>
<p style="text-align: justify;">Richard Wagner (1813-1883) teria falido não fosse o apoio incondicional de Luís II da Baviera (1845-1886). Modest Mussorgsky (1839-1881) é o exemplo tipificado do compositor que faleceria no completo infortúnio. O <em>robe de chambre</em> que Mussorgsky veste poucos dias antes da morte, na magnífica pintura de Ilia Répine, foi-lhe dado por Rimsky Korsakov (1844-1908) para a famosa tela.  Claude Debussy (1862-1918) morreu em situação financeira difícil, mercê sobretudo causada por câncer que o acometera anos antes. Outros tantos faleceram beirando a pobreza.</p>
<p style="text-align: justify;">Creio que a comparação estabelecida poderia parecer dicotômica quanto aos gêneros. Não obstante, transcende uma simples apreciação. As transformações tecnológicas necessárias, mas, sob outra égide, verdadeiros tsunamis, têm acarretado uma série de desvirtuamentos dos princípios “outrora” consagrados: costumes, moralidade, lhaneza, honestidade, gostos e educação. Inversamente à perenidade mencionada acima, mercê da qualidade insofismável das obras de compositores perenizados, os montantes aferidos nas hodiernas apresentações para multidões, com astros superventilados pela mídia, evidenciam, na área musical, a aparência da verdade, pelo sentido efêmero do que é revelado. Mencionei recentemente que, ao auscultar jovens frequentadores dos megashows com personagens estrangeiros ou nacionais a respeito de músicas apresentadas um ou dois anos antes, não mais se lembravam, mas sim as do último show a que assistiram.</p>
<p style="text-align: justify;">As transformações sociais têm sido avassaladoras. Certamente, dentro de algumas décadas os compositores mencionados acima estarão presentes nas programações musicais pelo mundo, com público específico, é certo, se comparado aos gêneros outros mencionados. Para estes, a efemeridade é dramática. Quem será lembrado futuramente dessa plêiade de <em>pop stars</em> que são glorificados por multidões? Que músicas ficarão na memória dos que frequentam esses megashows? O legado só acolhe a criação musical qualitativa.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Just some reflections on the legacy left by the great composers of the past, and the overwhelming presence today of mega-concerts that draw crowds to glorify names that are hyped up by the media.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ecos de blogs recentes</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/01/24/ecos-de-blogs-recentes/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Jan 2026 03:05:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[A recepção prazerosa das opiniões dos leitores Uma ação que tenha o pensamento por origem será sábia e justa se este pensamento se fundou sobre realidades e não sobre erros. Curuppumullage Jinarajadasa (1875-1953) As festividades de fim do ano impediram-me de salientar mensagens que corroboram o estímulo que persiste há quase duas décadas. Da recepção dos inúmeros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A recepção prazerosa das opiniões dos leitores</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/709.PCL3-big.jpg" target="_blank"><img title="J.E.M. Desenho do artista belga Jan de Wachter (1960-). Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/709.PCL3-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Uma ação que tenha o pensamento por origem será sábia e justa<br />
</em><em>se este pensamento se fundou sobre realidades e não sobre erros.<br />
</em>Curuppumullage Jinarajadasa (1875-1953)</p>
<p style="text-align: justify;">As festividades de fim do ano impediram-me de salientar mensagens que corroboram o estímulo que persiste há quase duas décadas. Da recepção dos inúmeros e-mails e whatsapps à inserção no segmento Ecos tenho de fazer escolhas, pois a maioria dos envios é bem curta, resumindo-se tantas vezes em uma só frase ou uma ou duas palavras. Todas, insisto, são recebidas com enorme prazer. Selecionei algumas mais extensas que recebi desde Dezembro, abordando individualmente os temas publicados.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Data maior da cristandade </strong>(20/12/2025)</p>
<p style="text-align: justify;">Não só o conceito do Natal está indo embora, como também a perspectiva de um ano novo renovado, pois, como dizia Krishnamurti, estamos aqui na Terra para realizar uma viagem com nós mesmos, em busca do aperfeiçoamento e da evolução interior. Mas como vemos no materialismo crescente, essa missão está cada vez mais distante do ser humano, pois na busca da satisfação do corpo, o espírito é esquecido, empurrando a consciência humana para áreas cada vez mais densas, obscurecidas pela escuridão de uma crescente ignorância. Mas como essa viagem interior é individual e não coletiva, façamos essa viagem com nós mesmos, pois ela se realiza dentro de nós, independente do mundo lá fora.<br />
<strong>Eliane Ghigonetto Mendes </strong>(Viúva do notável compositor, Gilberto Mendes) &#8211; Santos</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Um ano que se anuncia preocupante </strong>(27/12,2025)</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente será uma realidade preocupante. A gula, a ambição vampiresca, o ódio e o poder material, alcançado à custa do empobrecimento da grande maioria de quem lhes proporciona a riqueza, irão continuar a fomentar guerras, mortes, feridos e sem abrigo. Obrigada pelos seus contactos musicais e fraternos.<br />
<strong>Maria Celestina Leão Gomes </strong>(Portugal)</p>
<p style="text-align: center;"><strong style="text-align: center;">Série “Vidas em paralelo”, Precioso Podcast </strong><span style="text-align: center;">(03/01/2026)</span></p>
<p>Querido Amigo,<br />
Muitíssimo obrigado, já vi e está excelente, como sempre. Muito bem construído e apelativo. Adorei re-ouvir a sua sonata de Carlos Seixas! É bom ter esta nossa viagem pela História divulgada no país irmão. Acredito que muitos se interessarão! Consequência ou não do seu blogue, o último podcast arrancou muito bem e já acusa 1,3 mil visionamentos longos, só no Youtube. De novo, agradeço muito a sua gentileza e grande ajuda.<br />
<strong>João Gouveia Monteiro, </strong>professor catedrático de História Medieval (Universidade de Coimbra)</p>
<p style="text-align: center;"><strong>“O Náufrago” </strong>(10/01/2026)</p>
<p>Não li o livro, mas, após sua instigante resenha, gostaria de lê-lo. Bernhard me parece mais um pessimista à Schopenhauer do que um niilista <em>à la </em>Nietzsche. Teve uma vida pessoal e familiar muito negativas, e estudou violino, de onde possivelmente veio sua visão sobre músicos e intérpretes.<br />
<strong>Gildo Magalhães, </strong>professor titular de História da Ciência, (USP)</p>
<p>Variações Goldberg maravilhosas: iluminaram meu domingo!<br />
<strong>Aurora Bernardini, </strong>professora titular de literatura (USP).</p>
<p style="text-align: justify;">Professor  querido, ler sua crônica sobre o livro “O Náufrago”, de  Thomas Bernhard, nos leva à dimensão da vida e dos sonhos. Incrível, mas as suas reflexões  sensíveis vão além  da resenha. E quando sugere ouvir seu irmão &#8220;João Carlos Martins&#8217; Bach &#8211; Variações Goldberg”, o leitor transcende&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Seu blog é  um  espaço de buscas e encontros. Uma lição de vida. E também  de reflexão  sobre o cotidiano, como em &#8220;Um ano que se anuncia preocupante&#8221;, onde o senhor, quase como um jornalista / repórter,  observa e ouve a dedicada moça  do supermercado, fazendo considerações que tecem com profundidade  e conhecimento  a atual situação política do País.</p>
<p style="text-align: justify;">Professor, o senhor nem pode imaginar como as lições de vida e arte que transmite em seu blog são importantes, ainda mais neste momento conturbado, onde é  difícil ler e ouvir comentários  com sensatez e sem ideologias políticas.<br />
<strong>Leila Kyomura, </strong>jornalista do Jornal da USP.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/848.JE1-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Mãos de J.E.M. Desenho de Maria Fernanda. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/848.JE1-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>1.000 blogs publicados aos sábados, ininterruptamente</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Entre as muitas facetas que você mencionou ontem, há uma que poderia ser um subconjunto daquela de &#8220;observador&#8221;, mas que eu gostaria de realçar: a de cronista. Quando você fez crônicas do bairro e de personagens que nele habitam ou transitam, tenho a convicção de que você foi um ótimo escritor dessa difícil e sutil arte da crônica, com alta qualidade literária e profunda empatia pelo ser humano e aquilo que o cerca. Cada pessoa tem o potencial de ser muitos, e se você já não excelesse na arte do piano, sei que teríamos um literato de vulto.<br />
<strong>Gildo Magalhães</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quase citando-te, “eu, leitor, estou convidado a realizar essa viagem. Que sejamos cúmplices. Bem  haja”!<br />
E<strong>urico Carrapatoso</strong>, compositor (Portugal)</p>
<p style="text-align: justify;">Que simpática esta mensagem do Gildo para você. É a pura verdade. Está ao lado de meu cronista favorito, Fernando Sabino<br />
<strong>Maria Beatriz Martins Lazarini </strong>(filha – posição suspeita)</p>
<p style="text-align: justify;">Neste espaço deixo minha profunda gratidão aos leitores seletivos (<em>circa </em>3.500 semanais). As suas visitas aos blogs, sensibilizam-me profundamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>I appreciated the numerous messages from readers regarding the latest blogs. Due to space constraints, I have selected only a few, but I am happy to receive comments and suggestions for topics that will certainly be converted into future posts.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>1.000 blogs publicados aos sábados, sem interrupção</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jan 2026 03:05:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando a escrita se torna respiração Porque ser fiel, em primeiro lugar, é ser fiel a si mesmo. Saint Éxupéry (1900-1944) &#8220;Citadelle&#8221; (cap. CLXXV) Foi aos 2 de Março de 2007 que, após uma conversa na qual relatava alguma lembrança de décadas passadas, meu ex-aluno e amigo Magnus Bardela me perguntou qual a razão de eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Quando a escrita se torna respiração</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1000.Parker-big.jpg" target="_blank"><img title="Caneta tinteiro Parker Junior. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1000.Parker-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Porque ser fiel, em primeiro lugar, é ser fiel a si mesmo.<br />
</em>Saint Éxupéry (1900-1944)<br />
&#8220;Citadelle&#8221; (cap. CLXXV)</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">Foi aos 2 de Março de 2007 que, após uma conversa na qual relatava alguma lembrança de décadas passadas, meu ex-aluno e amigo Magnus Bardela me perguntou qual a razão de eu não ter um blog. Frequentador de nossa casa àquela altura, Magnus foi ao computador a fim de verificar algo e me chamou logo após. “Criei um blog em seu nome e é só começar a escrever”, disse ele. Atônito, sem conhecer nada desse “mecanismo”, escrevi um curto texto que nomeei “Preambulum”, a pensar na introdução da </span><em style="text-align: justify;">Partita </em><span style="text-align: justify;">nº 5, de J.S.Bach, que integrava meu repertório. Como ilustração, coloquei a foto da primeira caneta tinteiro que ganhei de meus pais quando completei 14 anos, uma Parker Júnior. Finalizava o primeiro </span><em style="text-align: justify;">post </em><span style="text-align: justify;">com uma frase que se tornou grata realidade: “Doravante, você leitor está convidado a realizar essa viagem. Que sejamos cúmplices. Bem haja”!</span></p>
<p style="text-align: justify;">Passaram-se quase 19 anos e com entusiasmo escrevi blogs publicados sempre no minuto cinco dos sábados e desde aquela data jamais deixei de inserir um <em>post </em>ao final da semana. Chegamos ao milésimo e o fato me faz rememorar. Ausente do país inúmeras vezes para atividades musicais, ainda nessas temporadas não deixava de publicar o blog, assim como logo após algumas cirurgias. Depois do primeiro ano tive a nítida sensação de que, instintivamente, o blog apreendia tema de qualquer ordem que me causara impressão maior. Sob outra égide, cerca de trezentos livros resenhados se tornaram parte natural das leituras que me marcaram (vide menu: Livros: Resenhas e comentários &#8211; lista). Reiteradas vezes mencionei em meus blogs que a respiração não pede férias, assim como minha prática pianística e os escritos.</p>
<p style="text-align: justify;">Os blogs, de Março de 2007 a Março de 2011, resultaram em três livros, “Crônicas de um observador”, publicados pela <em>Pax e Spes </em>do meu dileto amigo Claudio Giordano. Deixei de publicá-los por múltiplas razões. Hoje teríamos 16 livros. Alguns leitores fiéis me escreveram ao longo dos anos dizendo que imprimem e guardam em pastas os blogs publicados, fato que muito me sensibiliza.</p>
<p style="text-align: justify;">Relendo <em>posts </em>ao longo dos anos, verifiquei certas flutuações em termos de temática. A palavra “observador”, utilizada no conjunto de textos nos quatro primeiros anos e que se estenderia ainda por certo tempo, teve como motivo o olhar mais voltado a muitos episódios do cotidiano, tantos deles que me encantaram. Houve uma fase em que as altas montanhas, a pontificar a cordilheira do Himalaia, me fascinaram e sintetizei em <em>posts </em>uma série de livros sobre o assunto. Assim também o fiz ao ler mais de 10 livros do intrépido aventureiro francês Sylvain Tesson (1953-). Com o passar dos anos, o aumento das viagens ao Exterior, a fim de atividades musicais mais acentuadas, sem declinar do cotidiano, voltei-me às experiências vividas nessas turnês, aos músicos excelentes com quem tive o privilégio de conviver, à Música e à eterna leitura seletiva, sempre a pensar na transmissão ao meu leitor. Houve um período em que me pormenorizei na série de extraordinários pianistas do passado, muitos deles hoje pouco acessados no Youtube ou no Spotify, assinalando sempre que, sem o conhecimento de suas gravações históricas, pode se perder o fio condutor que nos leva, como prioridade, ao respeito à mensagem do compositor e à imaginação extraordinária daqueles intérpretes unicamente voltados à essência musical. Fazia a crítica a determinadas performances atuais, tantas delas excepcionais sob o aspecto técnico-pianístico, mas, em inúmeros casos, sem a aura poético-espiritual. Insisti em vários posts a respeito de outro fator dominante nos dias de hoje: holofotes possantes, indumentária inúmeras vezes chamativa, tudo a fazer parte do espetáculo, algo não existente no passado, quando o objetivo do intérprete era tão somente o conteúdo musical a ser transmitido. Se o leitor acessar gravações daqueles mestres excelsos do passado interpretando determinada obra, verificará o pouco número de ouvintes na atualidade, diferentemente dos efeitos de performances hodiernas que, chamativas, atingem visualizações elevadíssimas para certos intérpretes mais ventilados.</p>
<p style="text-align: justify;">Paradoxalmente, a quase absoluta ausência da crítica musical nos últimos tempos é uma trágica realidade. Por volta de 1955 havia em São Paulo (3 milhões de habitantes) 12 críticos que pautavam os concertos realizados na cidade, de celebridades ou daqueles que se apresentavam no início de suas trajetórias. Na maioria, os críticos eram músicos atuantes ou teóricos. Hoje, a cidade tem 12 milhões. Críticos desses eventos? Comentei ao longo dos anos essa situação de queda que se estende, diga-se, a outras áreas da Cultura.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1000.200acessos-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Arte do meu saudoso amigo, Luca Vitali (1940-2013), relativa aos 200.000 acessos do blog em 2012. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1000.200acessos-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Quanto aos Costumes, a temática se acentuou nos blogs publicados nesses últimos anos, pois não há mais barreiras para a divulgação de toda espécie de conteúdo adulto à disposição em sites de grande divulgação. Realmente, um total absurdo. Infelizmente, essa nefasta “abertura” não recebe o olhar mais atento das nossas autoridades.</p>
<p style="text-align: justify;">Após encerrar minhas atividades pianísticas públicas na Bélgica e em Portugal em 2023, assim como as gravações de CDs na região flamenga (1999-2019), finalizei no Brasil com um recital na cidade de Santos, na Pinacoteca Benedito Calixto, em Agosto do mesmo ano. Não obstante, continuo a praticar como sempre e sete foram os Encontros privados que Regina e eu realizamos desde o término das minhas apresentações oficiais. Continuo, pois, a comparar a prática diária pianística à respiração, que nunca esmorece. Não apenas rememoro repertório interpretado ao longo das décadas, como incorporo composições que sempre tive vontade de estudar e circunstâncias várias me impediram de fazê-lo. As récitas resultaram em blogs sobre os repertórios apresentados.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, a morte de tantas figuras ilustres e amigos fiéis fez parte dos meus escritos hebdomadários. Prestei um singelo tributo a mais aos que partiram: François Lesure (1923-2001), Serge Nigg (1924-2008), Álvaro Guimarães (1956-2009), Giovanne Aronne (1937-2009), Almeida Prado (1943-2010), Roberto Szidon (1941-2011), Luca Vitali (1940-2012), Maria Isabel Oswald Monteiro (1919-2012), Mario Ficarelli (1935-2014), Gilberto Mendes (1922-2016), Sequeira Costa (1929-2019), Fernando Lopes (1935-2019), Jorge Sampaio (1939-2021), José Maria Pedrosa Cardoso (1942-2021), Tânia Hachot (1937-2022). Nossos saudosos pais, de Regina e os meus, também foram lembrados com emoção. Inexorabilidade que deve ser cultuada.</p>
<p style="text-align: justify;">Este olhar o passado me fez considerar determinadas mutações, mercê da trajetória do país. O leitor que me segue desde os primeiros tempos bem sabe que eu me posicionava mais otimista, no que concerne ao Brasil, nos talvez dez primeiros anos de <em>posts </em>publicados. Sabe também que não penetro em temas sobre política, pois articulistas especializados e de ideologias diferenciadas o fazem com maior conhecimento. Todavia, não deixo de perceber o país à deriva em tantos aspectos. Verificamos, em vários índices mundiais abrangendo categorias diferenciadas, o nosso recuo, fato lamentável. Sob outra égide, o receio do cidadão comum de se pronunciar mais veementemente a defender suas convicções políticas, outrora amplamente livre, intensificou-se. A espontaneidade, típica do povo brasileiro, foi substituída pela cautela com palavras e textos. A charge de cunho político, tão comum nos meios de comunicação décadas atrás, estiolou-se. Esvaiu-se a espontaneidade e toda charge dos nossos dias tem de ser bem pensada antes de vir a público&#8230; O tão apregoado bordão “censura nunca mais” mereceria ser entendido na sua essência essencial.</p>
<p style="text-align: justify;">Há quase um ano tivemos uma abrupta mudança, após 60 anos morando na mesma casa. A sanha avassaladora de uma construtora nos levou a<strong> </strong>mudar. Continuamos na mesma rua, mas doravante em um apartamento e as relações humanas, fator fundamental, continuam. Página virada e a normalidade de volta.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho o hábito de redigir os blogs durante as madrugadas. Pela manhã realizo uma leitura pormenorizada e envio à minha amiga-irmã, Regina Maria, nossa vizinha desde os anos 1980, que desde o primeiro <em>post, </em>de Março de 2007, realiza uma revisão acurada, pois as denominadas gralhas acontecem: acentuações, falhas na digitação e outros pequenos tropeços. Faz-se necessária a revisão. Estou a me lembrar de um chiste do nosso mais relevante compositor romântico, Henrique Oswald (1852-1931), que, ao enviar ao ilustre organista Furio Franceschini (1880-1976) a sua Sonata para órgão, a fim de que o mestre a revisasse, escreveu que, entre os maus revisores, sentia-se o pior. Certamente um jocoso jogo de palavras, pois seus manuscritos contêm pouquíssimos equívocos<strong>. </strong></p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Henrique Oswald, &#8220;Il Neige!&#8221;, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n0RxYeQbBbo&amp;t=5s">https://www.youtube.com/watch?v=n0RxYeQbBbo&amp;t=5s</a></p>
<p style="text-align: justify;">Continuarei a escrever meus posts, embora os temas nascessem durante os meus treinos correndo. Aos 87 anos, infelizmente, não mais tenho esse prazer, a conselho do notável ortopedista Heitor Ulsson, convertendo as corridas em andadas, mas cumprindo basicamente as mesmas distâncias. A frase “o tempo insubornável”, do grande poeta Guerra Junqueiro (1850-1923), tem a amenizá-la o desenvolvimento de outras alegrias, entre elas o mavavilhamento de hoje, uma extensa família, lentamente acrescida nestes 62 anos de casamento, e curtida por Regina e por mim. Música, literatura e artes em geral se tornaram ainda mais frequentes e continuarão a impulsionar o blog, até quando a frase latina ser efetivada, “Mors certa, hora incerta”. Contudo, prezado leitor, continuo a ter esperanças.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>We have reached our thousandth consecutive post, published every Saturday since 2 March 2007. A significant milestone, since there has not been a single hiatus in this long period of almost 19 years.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Um ano que se anuncia preocupante</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Dec 2025 03:05:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando o pluralismo de ideias está a ser olvidado Cada um de nós emergirá, ao fim do Ano Novo, ou maior ou menor; ou então, absolutamente não teremos crescido, permanecendo em completa inércia, exatamente aquilo que agora somos. Porém, para aqueles dentre nós que sentem fervor, o que um Novo Ano representa? Não pode ter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Quando o pluralismo de ideias está a ser olvidado</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/997.NonaOnda2-big.jpg" target="_blank"><img title="Ivan Aivazovsky (1817), Nona Onda (1850). Museu Estatal - S. Petersburgo, Rússia. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/997.NonaOnda2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Cada um de nós emergirá, ao fim do Ano Novo, ou maior ou menor;</em><br />
<em> ou então, absolutamente não teremos crescido,</em><br />
<em> permanecendo em completa inércia, exatamente aquilo que agora somos.</em><br />
<em> Porém, para aqueles dentre nós que sentem fervor,</em><br />
<em> o que um Novo Ano representa? Não pode ter essa significação?</em><br />
<em> Somos semelhantes a viajantes, penetrando, em nossa longa jornada,</em><br />
<em> por um país novo e desconhecido,<br />
onde fados estranhos e estranhas aventuras nos esperam.<br />
Nesta terra, à medida que o peregrino observador a percorre,<br />
oportunidades se acumulam sob seus passos.<br />
Porém, para as utilizar, necessita ser sábio e estar alerta.<br />
Pois de uma coisa deve lembrar-se,</em><br />
<em> &#8211; que é um viajante e que o que lhe compete é, não se deter,<br />
mas passar adiante.</em><br />
Jiddu Krishnamurti (1895-1986)</p>
<p style="text-align: justify;">A volúpia voltada ao sufrágio deverá concentrar as atenções, máxime nas sedes dos três Poderes, território das decisões. Estas se expandem pelo país em processo rápido e por vezes avassalador. Não estou a me lembrar de um período tão conturbado pré-eleições entre as tantas das quais me lembro, desde os anos 1950. As mentes dos agentes políticos e algumas das decisões tão questionáveis advindas do nosso Judiciário configuraram um clima não propenso à serenidade, termo que deveria ser chave no ano que está para nascer, já contaminado pelo embate. A serenidade leva ao bom senso, dirime excessos, pacifica mentes conturbadas pelas disputas ideológicas conduzindo-as à tranquilidade, estimula a moderação, uma das grandes qualidades, hoje basicamente negligenciada.</p>
<p style="text-align: justify;">Rigorosamente certo é o roteiro político que se avizinha. Desgraçadamente ele impedirá o transcurso habitual de um ano. Tantos temas que afligem a população estarão esquecidos pela intensa polarização. Àqueles que têm outras preocupações, profissionais, do cotidiano salutar, da família a preponderar, as mazelas das disputas ideológicas preocupam, sem que nada individualmente possa ser feito para uma pacificação. A insistência do mandatário-mor, no sentido de que adversários jamais voltarão ao poder, evidencia uma posição, antítese da democracia. Nosso vizinho, o Chile, tem demonstrado salutarmente a alternância do poder. Infelizmente, o desinteresse, ou melhor, a certeza da impossibilidade de que roteiros sejam modificados a partir das decisões de dois Poderes bem afinados perpassa as mentes do cidadão laborioso.</p>
<p style="text-align: justify;">31 de Dezembro, fronteira final que separa a data festejada do incógnito ano a nascer, sem que as mínimas salvaguardas da serenidade sejam cumpridas. A delicada situação econômica do país, a insegurança mercê de um nascedouro ideológico que acarinha o malfeitor, a derrocada visível dos costumes, da moralidade e a permissividade presente anunciam dias cinzentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos estertores do ano fiz uma pergunta a uma dedicada moça que trabalha no caixa de um dos supermercados que frequento, repetindo a formulação que fizera 15 anos antes a uma outra funcionária que desempenhava as mesmas funções (vide blog: “Considerações sobre a Passagem do Ano – A esperança como estímulo”, 31/12/2010). A resposta de 2010 foi precisa, e estava focada na sua família. Redigi àquela altura: “a primeira felicidade será a de ver sua filhinha sem qualquer problema; a segunda relacionava-se à segurança de seu marido que trabalha em carro forte, o que a preocupa; a terceira, ver todos que a circundam em harmonia. Propósitos transcendentais na abrangência da essência do ser humano”. Indagada nesses últimos dias, a rapariga do caixa, logo após a finalização das compras, respondeu-me que pensava em sua mãe adoentada, rezava para que não fosse assaltada ao sair bem cedo para o trabalho e que gostaria que todos vivessem em harmonia, estas, as últimas palavras que ouvi em 2010.</p>
<p style="text-align: justify;">Busquei outros interlocutores nestas cercanias onde habitamos há mais de 60 anos, tempo necessário para se conhecer tantas pessoas amistosas. Muitos já partiram, mas a renovação estimulante é constante, o que é salutar. Há uma desesperança na maioria dessas figuras que deveras estimo. Acredito que, apesar da grave crise econômica do país, com uma dívida de vários trilhões e gastos excessivos que não dão trégua, assim como o problema insolúvel da segurança pública, o cidadão comum ao menos almejaria ter esperanças.</p>
<p style="text-align: justify;">Após ter encerrado a atividade pianística pública em 2023, continuo a estudar e a apresentar, nos recitais privados, programas que me acompanharam ao longo das décadas, introduzindo sempre obras que não estudei anteriormente. A revisita e o descortino trazem uma surda alegria e a certeza de que a música e a dedicação ao piano ao longo da existência sofreram forte influência da leitura dos livros percorridos na juventude, graças ao meu saudoso Pai. Entre esses, “Atitude Vitoriosa” e “A Alegria de Viver”, de Orison Swett Marden (1848-1924), escritor e médico, autor de inúmeros livros a estimular a autoconfiança. Meus três irmãos seguiram o mesmo roteiro e Marden foi um dos autores mais frequentados por nós quatro durante a adolescência.</p>
<p style="text-align: justify;">Na atualidade, o jovem pouco ou nada lê em se tratando de livros impressos. Ficam na penumbra obras essenciais que fazem parte da Cultura Humanística, hoje frequentada por uma minoria. Independentemente da invasiva disputa ideológica <em>ad nauseam</em>, o denominado “besteirol” domina segmento prioritário dos sites informativos, devassando intimidades dos propalados “famosos”. Busca-se uma notícia relevante e surge a imagem de um desses personagens. Até quando? Essa atualidade parece ter vindo para ficar e seus efeitos fatalmente já se apresentam irreversíveis. Milhões buscam, numa outra fonte, a telinha, as notícias que surgem sem o espírito crítico, mas pulverizadas e tendenciosas. A escrita é preferencialmente abreviada e mal redigida, pois a preocupação com a redação correta inexiste. Graves as consequências: a leitura imediata, descartável, não se fixa na memória, mas atinge algo sensível, o comportamento; a superficialidade destes textos contamina o pensar não reflexivo. O resultado só pode ser a alienação.</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Gabriel Fauré, Nocturne op. 63 nº 6, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JIWPoPmGrvw">Gabriel Fauré &#8211; Nocturne nª 6 Opus 63 &#8211; José Eduardo Martins &#8211; piano</a></p>
<p style="text-align: center;">Apesar da exposição sombria, auguro a todos os leitores um Ano Novo promissor.</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/997.Gaivota-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Gaivota sobre o Rio Douro, Portugal. Foto: Maria Fernanda. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/997.Gaivota-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>New Year. The country, divided by differing ideologies, faces numerous fundamental problems. The media either addresses this duality or delves into topics of extreme triviality. However, there is still a faint hope that the country will find a safe path to the future.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Data maior da cristandade</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Dec 2025 03:05:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Natal deste ano em período complexo no país De todas as histórias que nos contava guardei apenas uma vaga e imperfeita lembrança. Porém, uma delas ficou tão nitidamente gravada em minha memória, que sou capaz de repeti-la a qualquer momento – a pequena história do nascimento de Jesus. Selma Laferlöf (1858-1940)  Prêmio Nobel de Literatura [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Natal deste ano em período complexo no país</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/996.Marfim-big.jpg" target="_blank"><img title="Nª Senhora com menino Jesus. Marfim. Arte sino-portuguesa, século XVII.  Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/996.Marfim-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>De todas as histórias que nos contava<br />
</em><em>guardei apenas uma vaga e imperfeita lembrança.<br />
</em><em>Porém, uma delas ficou tão nitidamente gravada em minha memória,<br />
</em><em>que sou capaz de repeti-la a qualquer momento<br />
</em><em>– a pequena história do nascimento de Jesus.<br />
</em>Selma Laferlöf (1858-1940)  Prêmio Nobel de Literatura (1909)<br />
(“Lendas Cristãs”)</p>
<p style="text-align: justify;">O ano conturbado que se escoa não propiciou o clima natalino de tempos passados.<strong> </strong>Vê-se inclusive num pormenor, a diminuição sensível da iluminação natalina nos prédios da cidade, apesar dos esforços da Prefeitura de São Paulo, através da Secretaria Municipal de Cultura e da Secretaria de Relações Internacionais, no que concerne ao Centro Histórico da capital do Estado. Sob aspecto outro, noticiários televisivos e jornalísticos se concentram nas disputas ideológicas exacerbadas no Brasil, o relacionamento difícil entre os Poderes e, talvez, a maior chaga que acomete o país na atualidade, a insegurança do cidadão frente à<strong> </strong>violência que se instalou em todos os recantos do imenso território, sem que ações decisivas sejam tomadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Décadas atrás, consagrava-se<strong> </strong>majoritariamente, neste período a anteceder o Natal, noticiário à própria relevância do nascimento de Cristo e à confraternização a festejá-lo, nela contidos os presentes aos miúdos e a ceia a unir as pessoas. Ouve-se e lê-se, neste período tão caro para a cristandade, noticiário a contrapor as mazelas políticas, a contenda acentuada entre os Poderes e as posições antagônicas de jornalistas, a depender dos canais de comunicação. Está a parecer que o Natal, com toda a sua mística e significado para milhões de brasileiros, passou a ser um pormenor na mídia. Se mais acentuadamente o Natal é invocado neste exato período pelos meios de comunicação, é-o mercê do comércio, que recebe um número acentuado de compradores.  Acrescente-se que, nas comunidades religiosas, igrejas, capelas e sobretudo nos lares cristãos, a chama natalina está presente, mas o pensamento da mídia volta-se polarizado para essa disputa ideológica interminável e insana. Mormente neste Natal tem ficado transparente a opção da maioria<strong> </strong>da imprensa escrita e falada. Contenda traz audiência e a mídia atenta a tem como sustentáculo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/735.Pèlerins-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Peregrinos. Catedral Saint-Lazare, Autun, França, séc. XII. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/735.Pèlerins-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Sob outra égide, o quase que absoluto desaparecimento da troca de cartões de Natal assinala uma realidade. Mensagens de paz vinham acompanhadas de figuras pertencentes ao universo natalino. Tantos desses cartãoes continham votos de Natal redigidos a mão e assinados, diferentes daqueles das inúmeras empresas que também enviavam cartões, esses impessoais, com frases padronizadas e rubricadas pelas organizações. Pondere-se que a internet é uma das responsáveis pela descontinuidade dos cartões, assim como os Correios em pleno declínio.</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir,<strong> </strong>de J.S.Bach-Kempff, o coral “Acorde, a voz está soando”, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0nQUzeqdu4s">https://www.youtube.com/watch?v=0nQUzeqdu4s</a></p>
<p style="text-align: justify;">Independentemente dessa situação, os que professam a fé cristã nas suas diversas ramificações cultuam com intensidade o período natalino. Certamente a Praça de São Pedro, no Vaticano, estará lotada durante a célebre Missa do Galo. Catedrais, igrejas e capelas em todo o mundo cristão deverão receber os fiéis. Templos evangélicos receberão os seus seguidores, que cultuarão a data. Todavia, será no interior dos lares que, singelamente, o nascimento de Jesus será celebrado, a partir, na realidade, do que reza o versículo 20 do capítulo 18 do Evangelho segundo São Mateus: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles”.<strong> </strong>Creio ser este um dos mais expressivos versículos dos evangelhos, a dar a dimensão da presença do Cristo, do berço à maturidade, acompanhando a saga humana&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/996.Sagrada-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title=" Catedral Saint-Lazare em Autun, França, séc. XII. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/996.Sagrada-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Na Catedral de Autun (séc. XII), em França, há em uma das magníficas esculturas, a representação da oferenda dos três Reis Magos à Sagrada Família, na qual São José está com a mão direita apoiada no queixo e o cotovelo sobre a perna dobrada (<em>Saint Joseph pensif</em>). Em 1974, encontrei, em uma feira popular em Minas Gerais, a Sagrada Família em terracota. São José está com o punho direito a sustentar o queixo. Surpreendi-me ao lembrar de <em>Saint Joseph Pensif</em>, quando visitei a Catedral francesa em 1959. Era a segunda e última vez que presenciava a mesma postura.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/996.Presépio-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Sagrada Família. Terracota. Arte popular do Sul de Minas Gerais. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/996.Presépio-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de J.S.Bach-Myra Hess, o coral “Jesus alegria dos homens”, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=flrkpW5L4KQ">https://www.youtube.com/watch?v=flrkpW5L4KQ</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>The most important date in Christianity, due to the insane ideological polarisation prevailing in the country, received little coverage in the media in general. However, authentic Christians celebrate the birth of Christ with faith, intensity and hope.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Um post que motivou outras abordagens preocupantes</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Dec 2025 03:05:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[A comunicação televisiva A degeneração de um povo, de uma nação ou raça, começa pelo desvirtuamento da própria língua. Ruy Barbosa (1849-1923) Saudaram o talento de Dori Caymmi. Alguns leitores não conheciam suas canções e foram buscá-las no Youtube. A concordância foi quase plena com a alienação de uma juventude presa ao “fascínio” dos megashows, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A comunicação televisiva</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/672.Luca1-big.jpg" target="_blank"><img title="Luca Vitali, 1940-2013. Les oiseaux qui s'en vont pour toujours. Esperanças que partem. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/672.Luca1-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>A degeneração de um povo, de uma nação ou raça,<br />
</em><em>começa pelo desvirtuamento da própria língua.<br />
</em>Ruy Barbosa (1849-1923)</p>
<p style="text-align: justify;">Saudaram o talento de Dori Caymmi. Alguns leitores não conheciam suas canções e foram buscá-las no Youtube. A concordância foi quase plena com a alienação de uma juventude presa ao “fascínio” dos megashows, seus decibéis elevadíssimos e o espetáculo que, sob o aspecto musical, é extremamente discutível.</p>
<p style="text-align: justify;">Quase todos os leitores concordaram com as nossas posições, uns poucos foram benevolentes quanto a essa juventude e, outros mais, partiram para a possibilidade de novas reflexões, máxime voltadas ao sistemático empobrecimento da nossa língua mater no cotidiano e, bem mais grave, em quase todos os meios de comunicação, assim como à deterioração sensível dos costumes.</p>
<p style="text-align: justify;">A maioria das mensagens foi curta, mas precisa. Eliane Ghigonetto Mendes, viúva do notável compositor Gilberto Mendes (1922-2016) se estende e capta com clareza a triste realidade atual: &#8220;Quando era criança eu já adorava o Dorival Caymmi, com toda a sua elegância e voz tão especial. Portanto, não é à toa que o Dori Caymmi tenha essa postura com relação à música popular. Mas, na realidade, o ser humano cada vez mais está mergulhado no vazio, obedecendo a mídia como gado que é conduzido ao matadouro da morte espiritual pela ausência total de valores maiores em contraposição a toda a pobreza de espírito e de intelectualidade tão presentes hoje em dia, em todas as áreas do convívio humano. E quanto mais mudamos nossos velhos valores mundanos, mais sensíveis nos tornamos a toda baixeza humana, da qual fizemos parte um dia, de alguma maneira, quando ainda estávamos tão fracos sujeitos à moda, aos velhos valores familiares herdados geneticamente, e aos tradicionais velhos valores materiais da sociedade. Mas, por outro lado, graças a essa compreensão nos dando uma visão mais alta da Vida, é que fazemos toda diferença, nos tornando o chamado &#8216;louco&#8217; do Aleph, com a sociedade julgando como &#8216;loucos&#8217; aqueles que não fazem parte da massa, assim como eles, quando, na realidade, loucos são eles.<br />
Com muita calma, paz, paciência e misericórdia&#8230;&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Fala-se mal, erros se acumulam e, se décadas atrás, a figura do ombudsman estava atenta aos equívocos linguísticos, televisivos e jornalísticos, verifica-se hoje que quase todos os canais de noticiários acumulam erros relativos à nossa língua portuguesa, sem que providências sejam tomadas. Alguns desses escorregões poderiam ser sanados com apenas uma observação àqueles que cometem sistematicamente os mesmos erros. Essas informalidades e abreviações penetraram decididamente na comunicação televisiva. Considere-se a avalanche dos celulares, hoje em todos os rincões abrangendo as mais variadas faixas etárias, presença hoje a simplificar para pior a escrita correta, assim como os pilares dos costumes.</p>
<p style="text-align: justify;">“Né” e “tá” substituíram, infelizmente, “não é” e “está”; “levar ela” é largamente empregada ao invés da norma culta “levá-la”, pois repetida <em>ad nauseam</em> por apresentadores. Uma outra palavra tem perdido o seu sentido etimológico, pois, após entrevistarem convidado, apresentadoras diversas agradecem não mais a dizer “obrigada”, mas apenas “brigada”, que, segundo o Diccionário Moraes da Língua Portuguesa (Rio de Janeiro, Lisboa, 1889), refere-se a “certo número de batalhões, ou esquadrões, dois, três, ou mais (conforme o reg. Mil.), comandados por um brigadeiro ou general de brigada: brigada de infantaria, de cavalaria”. Apresentadores dizem&#8221;brigado&#8221;, poder-se-ia acrescentar, &#8220;com quem&#8221;?</p>
<p style="text-align: justify;">Em blog bem anterior inseri o posicionamento do poeta açoriano Heitor Aghá Silva (1954-), que escrevera artigo a respeito da contaminação que se verificava na linguagem dos Açores, mercê das telenovelas brasileiras (Vide “A Voz e o Eco” captados além mar – Quando há irmanação no pensar”, (20/03/2010). Abordei naquele post a preocupação nítida do poeta com a degradação da língua portuguesa vinda d’além mar. Durante uns poucos anos colaborei para o Suplemento Cultural “Antília” de “O Telégrafo”, da Horta, capital da Ilha Faial do Arquipélago dos Açores.</p>
<p style="text-align: justify;">Creio que mais acentuadamente está a se viver no país um desmonte progressivo da língua portuguesa. Erros sem correções resultam em acomodação linguística e todo o mal está feito.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto aos costumes, objeto igualmente de ponderações de leitores que apreciaram o blog sobre Dori Caymmi, o cenário é grave, pois atinge o cerne da formação das novas gerações. Importante site apresenta em sua página primeira, sistematicamente, pequeno quadro explicitamente pornográfico (só para assinantes). A imagem já diz tudo e o aprofundamento dependerá de o leitor ser ou não assinante. Não é um pleno sinal de decadência moral e dos costumes? O fato de persistirem significa que há anuências inconfessáveis. Estaria o Judiciário empenhado com foco preciso nessas aberrações que estão levando a sociedade brasileira a confundir valores?</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/995.Sol2-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Nuvens encobrindo o espelho celeste. Foto: JEM. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/995.Sol2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que, aos 87 anos, jamais assisti a um esgarçamento tão pronunciado dos valores antes cultuados e que mereciam o respeito da sociedade. Hoje são preservados pelos que resistem a toda essa banalização. Resistência preserva, sinal tênue de esperança?</p>
<p style="text-align: justify;"><em>The previous post about singer-songwriter Dori Caymmi&#8217;s harsh criticism of tasteless, high-consumption music led readers to mention the progressive deterioration of the Portuguese language and decline of morals.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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