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	<title>José Eduardo MartinsPersonalidades &#187; José Eduardo Martins</title>
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		<title>Aurora Fornoni Bernardini</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2026 03:05:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[A arte da tradução Porém, a arte só beija quem por ela almeja ser beijado. Miguel Real (escritor, ensaísta e filósofo português) O presente blog é dedicado à notável Aurora Fornoni Bernardini. Através da competente jornalista Leila Kyomura, do Jornal da USP, fui convidado a escrever o texto que segue sobre a professora da Universidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A arte da tradução</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/2007.Aurora.JE-big.jpg" target="_blank"><img title="Aurora Bernardini e J.E.M. Foto: Valteir Vaz. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/2007.Aurora.JE-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Porém, a arte só beija quem por ela almeja ser beijado.<br />
</em>Miguel Real (escritor, ensaísta e filósofo português)</p>
<p style="text-align: justify;">O presente blog é dedicado à notável Aurora Fornoni Bernardini. Através da competente jornalista Leila Kyomura, do Jornal da USP, fui convidado a escrever o texto que segue sobre a professora da Universidade de São Paulo e minha dileta amiga. Publicado aos 2 de Março no relevante Jornal, transcrevo-o na íntegra neste espaço. Agradeço ao ex-aluno de Aurora Bernardini, Valteir Vaz, que gravou a enriquecedora conversa que mantive com sua mestra.</p>
<p style="text-align: justify;">“Um encontro com Aurora Fornoni Bernardini é sempre estimulante. Ilustre tradutora, romancista, pesquisadora, professora aposentada e sênior da FFLECH-USP, tendo lecionado nos programas de Pós-Graduação em Literatura e Cultura Russa e em Teoria Literária e Literatura Comparada, Aurora é dotada de uma cultura abrangente nos campos literários e artísticos, sendo em acréscimo poliglota, todos esses domínios essenciais bafejados pela vocação autêntica.  Aurora Bernardini tem no seu currículo traduções de obras basilares originalmente escritas em italiano, russo e inglês. Entre as suas traduções tem-se ‘O nome da Rosa’, de Humberto Eco (1980), versão saudada pela crítica, um marco no gênero e que contou com a colaboração de Homero Freitas de Andrade. Destacaria ainda, entre inúmeras outras traduções, ‘O deserto dos tártaros’, de Dino Buzzati, ‘Os sonhos seus vão acabar comigo’, de Daniil Kharms, ‘O exército de cavalaria’, de Isaac Babel, que contou também com a cooperação de Freitas de Andrade, ‘Cartas a Suvórin’, de Anton Tchékhov, ‘Indícios Flutuantes’, ‘Vivendo sob o fogo’ e ‘O Diabo”, de Marina Tsvetaieva’ autora em que é especialista, tema de sua livre-docência em 1978.</p>
<p style="text-align: justify;">Aurora Bernardini é detentora de várias láureas literárias, entre as quais da APCA, Paulo Ronái e diversos prêmios Jabuti.</p>
<p style="text-align: justify;">No substancioso depoimento que colhi recentemente, o transcurso da notável literata, dos primórdios em seu país natal, a Itália, ao desenvolvimento em nossas terras ainda na juventude, ao posterior conhecimento da literatura russa, influenciada por Boris Schnaiderman, que corroborou futuramente na verdadeira atração pela tradução de preciosidades literárias advindas do vasto país eslavo e, posteriormente, as consequentes ações junto à FFLECH-USP, capta-se a excepcional abrangência de Aurora Bernardini. A versão para outra língua é um veio literário complexo se atentarmos à fidelidade ao texto original. Daqueles primórdios voltados à sólida formação, Aurora desvelou no depoimento a sua brilhante trajetória.</p>
<p style="text-align: justify;">Nascida no norte da Itália, Aurora Bernardini iniciou na infância, logo após a Segunda Guerra, estudos bem orientados perto de Bérgamo, na Lombardia, numa época em que esse ensino era considerado o melhor do mundo. Lembra-se que cada criança na escola era responsável por uma determinada planta, que o interesse pelos livros era realidade, os miúdos os trocavam num ambiente salutar e a professora dirigia-se regularmente a Bérgamo em busca de novos livros. Tempo integral das oito às cinco da tarde e no horário do almoço, com suas marmitas, as crianças dirigiam-se aos campos na montanha e realizavam desenhos ao ar livre. Durante o curso ginasial, numa escola dirigida por freiras e padres, os professores eram leigos e a que ministrava latim, a fazer parte do seu método, orientava diariamente os alunos a decorar dez termos latinos, fator essencial para o desenvolvimento da memória segundo Aurora.</p>
<p style="text-align: justify;">Adolescente, chega ao Brasil aos 14 anos e já dominando duas línguas, a nativa e a francesa, sentiu de imediato a brutal diferença no ensino. Apesar da qualidade de alguns professores, a metodologia de aprendizado era totalmente diferente, as classes abrigavam muitos alunos, quando estava habituada na Itália às salas de aula com não mais de 20 alunos. No depoimento, um fato essencial, o presente dado por sua mãe, ‘O Livro da Jângal’, de Rudyard Kipling, na tradução de Monteiro Lobato. Lembrar-se dessa versão não teria sido, conscientemente ou não, uma orientação na sua rica trajetória como tradutora?</p>
<p style="text-align: justify;">Ao ingressar na USP, Aurora fez primeiramente o curso de línguas anglo-germânicas e, posteriormente, o curso voltado à língua russa. Encontraria seus caminhos definitivos. Tendo interesse pela literatura russa, adquiriu uma gramática. Coincidentemente, uma sua vizinha era russa, o que motivou frequentá-la durante anos apreendendo a sua língua, fator que a levou a frequentar o Curso Livre de Língua Russa na USP, ministrado por Boris Schnaiderman (1917-2016), que a seguir convidou-a para ser sua assistente. Uma frase jocosa do professor respondeu a uma observação da aluna. ‘Não sou nativa’, disse ela àquela altura e a resposta foi imediata ‘Nem todo nativo é inteligente’.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1007.Boris-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Boris Schnaiderman. Fonte: FAPESP. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1007.Boris-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Dando prosseguimento, a mostrar interesse pleno pela literatura russa, Aurora Bernardini estudaria em Moscou na Universidade da Amizade dos Povos Patrice Lumumba, curso frequentado por alunos de todos os rincões do mundo (1973). Trouxe na bagagem quantidade de apostilas, manuais e livros, que foram a seguir importantes no curso de literatura que ministrou na USP. Se autores consagrados da literatura russa, como Dostoiévsky, Tolstoi e Pushkin foram importantes em sua trajetória, o olhar para escritores e poetas menos ventilados tem sido uma constante nas traduções de Aurora Bernardini, casos de Iuri Tyniánov, Isaac Bábel, Velímir <em>Khlébnikov</em>, Marina Tsvetaieva, entre outros nomes caros à tradutora. Uma sua frase datada de 2012 traduz esse entusiasmo: ‘As novas experiências estéticas são apaixonantes, mas eu também começo por procurar no novo as sementes do velho’<strong>. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Um fator essencial nos cursos de literatura da professora e pesquisadora é a transmissão do conhecimento do livro a ser percorrido pelo leitor não apenas seguindo a sequência, mas retornando a ler passagens que deixaram dúvidas, anotando essencialidades que corroboram a captação do estilo de um autor. Aurora entende que a leitura de um texto depende e muito da cultura do leitor. Insiste na lembrança do seu aprendizado no norte da Itália, corroborando a importância da fixação na mente das obras percorridas pelo aficionado pela leitura. Todos esses ensinamentos, transmitidos nos cursos de literatura, estavam sedimentados em metodologia aprendida, mas aprimorada por Aurora.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto à tradução, deve aquele que se propõe ao mister não se desviar dessa aproximação do estilo do autor. ‘O nome da Rosa’, de Humberto Eco, é exemplo significativo. Tradução trabalhosa, apresentou um problema relacionado às citações em latim, respeitadas a pedido do autor, que considerou a tradução brasileira mais fidedigna se comparada àquela editada em Portugal. A visão ampla interlinguística, a mais próxima possível do estilo de um autor, diferencia a dimensão cultural de tradutores. Poder-se-ia considerar que uma ótima tradução deve conter 90% da estrutura do texto original. Aurora Bernardini entende que o conhecimento aprofundado de várias línguas confere ao tradutor culto a possibilidade da captação mais arguta do texto a ser traduzido. Compete ao tradutor ‘cativar as palavras’, o que pressupõe a qualidade inalienável, o talento. Quanto às suas traduções da literatura russa, Aurora observa ser mais complexa quando se trata da poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos exemplos sensíveis trazidos por Aurora abordou a transcriação, uma das categorias estilísticas de seu saudoso amigo e coparticipante em vários projetos, Haroldo de Campos (1929-2003). Ele observou que, não sendo <em>expert </em>em determinadas línguas, como hebraico, japonês, italiano e grego, foi assistido nas empreitadas por especialistas das áreas específicas. Em uma obra que Aurora considera referencial sob vários aspectos, ‘Poesia russa moderna’, a tradução ficou a cargo de três literatos: Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Boris Schnaiderman, nascido na Ucrânia.</p>
<p style="text-align: justify;">Aurora recebe quantidade de livros, muitos apresentando incontáveis inovações linguísticas de toda ordem, máxime nesses últimos tempos, ação quase impensável tempos atrás, segundo a professora.</p>
<p style="text-align: justify;">Antolha-se-me alguns aspectos fulcrais na personalidade singular de Aurora Bernardini: curiosidade, generosidade e gratidão. A simples menção à memorização de termos latinos ainda na adolescência não indicaria, já na juventude, a curiosidade em conhecer outros idiomas? Ao longo do caminho, o conhecimento de outras línguas lhe foi essencial, enriquecendo seu poliglotismo: italiano, francês, inglês, russo, português, espanhol e alemão! No depoimento, reiterou de suma importância o conhecimento de línguas, fator a desbravar novos horizontes, inclusive comparativos. Um dom necessário, a fazer parte da personalidade de Aurora, é a generosidade na transmissão do conhecimento. Não se furta em transmitir com bom humor a sabedoria adquirida a todos os que a procuram. Quanto à gratidão, ficou transparente no depoimento, o tributo a professores e literatos que cruzaram o seu caminho na Universidade de São Paulo. Refere-se com reverência aos que foram fundamentais em sua formação, assim como a outros lembrados com respeito e simpatia. Aos já mencionados anteriormente, acrescento os de Kenneth Buthlay (1926-2009), Paulo Vizioli (1934-1999) e Antônio Cândido de Mello e Souza (1918-2017).</p>
<p style="text-align: justify;">A destacar o permanente entusiasmo voltado à tradução, vocação primordial, mas também a todas as manifestações artísticas. Pela minha área específica, música, Aurora é uma apaixonada e tenho o privilégio de tê-la como ouvinte nos recitais que realizo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em homenagem à minha querida amiga Aurora Bernardini, insiro a ‘Valsa op. 38’ do compositor russo Alexandre Scriabine (1872-1915), gravada em Mullen, na Bélgica flamenga, para o selo De Rode Pomp em 2006.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=97MoXq2KWig&amp;t=23s">https://www.youtube.com/watch?v=97MoXq2KWig&amp;t=23s</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>I transcribe in this blog a text I wrote about the remarkable translator, critic and essayist Aurora Bernardini, published in Jornal da USP on 2 March of<strong> </strong> this year.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>O jurista Ives Gandra Martins em entrevista basilar</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Feb 2026 03:05:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Serenas e precisas considerações sobre o momento atual do STF Quando meu filho, Ives Gandra da Silva Martins Filho, tornou-se ministro do Tribunal Superior do Trabalho, afirmei que jamais voltaria a atuar em questões trabalhistas, visando manter a impessoalidade que a Constituição Federal impõe a todos os que exercem o poder. Ives Gandra da Silva [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Serenas e precisas considerações sobre o momento atual do STF</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1003.Ives-big.jpg" target="_blank"><img title="Ives e J.E. Foto: Maria Fernanda. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1003.Ives-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Quando meu filho, Ives Gandra da Silva Martins Filho,<br />
tornou-se ministro do Tribunal Superior do Trabalho,<br />
</em><em>afirmei que jamais voltaria a atuar em questões trabalhistas,<br />
</em><em>visando manter a impessoalidade que a Constituição Federal impõe<br />
</em><em>a todos os que exercem o poder.<br />
</em>Ives Gandra da Silva Martins</p>
<p style="text-align: justify;">A publicação de uma entrevista bem conduzida por Roseann Kennedy e publicada no Estadão do dia 2 de Fevereiro, a ter como convidado o tributarista e constitucionalista Ives Gandra Martins, meu dileto irmão, ao focalizar a crise a envolver o Supremo Tribunal Federal, expõe, obedecendo à ética tão característica de Ives Gandra, o seu conhecimento absoluto da nossa Carta Magna. Ele e o advogado Celso Bastos (1938-2003), igualmente tributarista e constitucionalista, analisaram em 15 livros a Constituição promulgada em 5 de outubro de 1988.</p>
<p style="text-align: justify;">Chamou-me a atenção a plena consciência de Ives Gandra no que concerne à nossa mais Alta Corte e os seus melhores votos para que ela retome sua postura tão respeitada décadas atrás. A entrevista do constitucionalista revela, aos 91 anos, a serenidade nas respostas e, se Ministros que ele respeita entenderem as mensagens de quem advoga a mais de sete décadas, algo salutar poderá advir. As 11 respostas às questões inteligentemente formuladas expõem a dimensão do entrevistado frente aos tumultuados tempos que atravessamos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como o sr. avalia este momento no STF, que enfrenta uma série de questionamentos à atuação de seus ministros?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Veja a situação. Eles, que são defensores da democracia, têm que sair com segurança na rua. Não podem usar aviões de carreira porque são hostilizados. E o povo, que é antidemocrático, enche as ruas. Antigamente, nenhum ministro precisava dizer que defendia a democracia e era admirado. Todo mundo admirava o Moreira Alves (ministro do STF de 1975 a 2003), ainda hoje ele é um símbolo de ministro. Mas hoje você tem cerceamento de liberdade de expressão. Tem que tomar cuidado. Tudo que você fala contra o ministro passa a ser contra o Estado Democrático.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong style="text-align: center;">Como o STF pode fazer esse caminho de volta?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Um código de conduta é positivo. O que eu acho fundamental é que, se houver um código e um ministro não seguir, daí ele estará se expondo ao Senado. E deverá ser um Senado muito mais conservador nessas próximas eleições. Quero ressaltar que sou contra o impeachment de ministros do Supremo (da forma como seria hoje), porque abre um precedente perigoso. Então, vai ser mais do que um código moral, será um instrumento que o Senado terá de poder. Eu considero que isso é bom para eles (ministros do STF) e é bom para o Legislativo. Porque assim, na verdade, eles terão que voltar a fazer o que o Supremo era no passado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O sr. acredita que o ministro Edson Fachin vai conseguir fazer o código de ética?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim. Fachin pode conseguir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O sr. se lembra de outro momento tão crítico em relação ao Supremo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Indiscutivelmente, o que o STF vive hoje é uma crise. Eu acho que esse momento está sendo ruim para o Brasil, mas bom para as vozes se levantarem e fazer com que eles retornem a ser o Supremo do passado. Por exemplo, São Paulo representa 40% da advocacia do Brasil. As três maiores instituições de advogados e juristas no Estado — OAB, Iasp e Aasp — se manifestaram em defesa do código de conduta. Então você tem unanimidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E quais são as críticas à conduta do STF que unem essas instituições?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">As instituições criticam as decisões monocráticas e as sessões virtuais. É evidente que sessão virtual não é sessão. Você manda uma sustentação oral, 48 horas antes. Você acha que eles vão ouvir? Não tem uma sustentação. Amesquinharam o trabalho da advocacia. Quando eu fazia a sustentação do Supremo, eu olhava os ministros de frente. Muitas vezes eu mudei o argumento na hora, observando as expressões dos ministros e virei votos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1003.IvesSTF-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Ives Gandra Martins durante sustentação oral no STF. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1003.IvesSTF-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Quais pontos o código precisa incluir? Primeiro, sessões virtuais não podem existir. Decisão monocrática tem que ser exceção em caso urgente e imediatamente levada ao plenário, na semana seguinte. Parentes dos ministros não têm que atuar em processos na Corte, e não haver qualquer possibilidade de advocacia administrativa. Os magistrados também não podem participar de congressos patrocinados por empresas com causas a serem julgadas no STF. E não pode haver sigilo. A transparência nós consideramos o mais importante. O povo tem que saber de tudo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual é sua avaliação sobre o inquérito das fake news, que já dura 7 anos e continua em sigilo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Como é que pode permanecer um inquérito interno sigiloso? Você tem cinco princípios na Constituição, que são fundamentais para a administração. Estão no artigo 37: moralidade, legalidade, publicidade, que é a transparência, impessoalidade e eficiência. Transparência não tem, tudo é sigiloso. Não existe eficiência. O Supremo precisa voltar a ser o que era.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Outra crítica frequente é que o STF invade competências. Qual é sua avaliação?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Supremo tem de voltar a ser apenas o guardião da Constituição, não um legislador. O que o STF está fazendo hoje é reconstruindo a Constituição. Reescreveram o artigo 53, no caso Daniel Silveira. Também reescreveram o artigo 19 sobre liberdade de expressão.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O caso Master deixou explícitas relações de ministros e parentes com pessoas ligadas a casos no STF. O que pode ser feito?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se colocar impessoalidade, não pode haver parentesco, nepotismo direto. Por isso nós estamos pedindo que seja feito um código de ética. E estamos fazendo mais, entrando em uma PEC, um princípio constitucional, para definir o que é transparência do Supremo Tribunal Federal.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1003.IvesJE-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Ives e J.E. Foto: Maria Fernanda. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1003.IvesJE-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><strong>Agora vocês estão sendo ouvidos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pelo menos estamos gritando. Agora as nossas vozes vão ter que ser ouvidas pela crise que se  está criando. Mas eu entendo que, de novo, a nossa voz está sendo ouvida. Ela foi ouvida na democratização. Vocês (imprensa) tinham censura, mas nós pudemos falar. Então nós voltamos a falar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E vai funcionar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tem uma história que eu gosto de contar. O comandante de um voo chega com óculos escuros e braços dados com a aeromoça. O passageiro pergunta o motivo e descobre que o piloto é cego. Mas dizem que é o melhor comandante. Chega o copiloto, da mesma forma, também cego, mas dizem que é o melhor copiloto. Todos ficam em pânico. O avião é taxiado até a cabeceira da pista, começa a tremer e, de repente é aquela gritaria e, finalmente, o avião levanta o voo. O piloto, que é um filósofo, vira para o copiloto e diz: ‘no dia em que eles não gritarem, eu não sei o que vai ser de nós. Nós temos que gritar’.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>An interview with jurist Ives Gandra Martins, my dear brother, published in O Estado de São Paulo on 2 February, highlights the current crisis in the Federal Supreme Court and suggests a return to the way the STF operated decades ago.</em></p>
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		<title>Série &#8220;Vidas em Paralelo&#8221;, precioso Podcast</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Jan 2026 03:05:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[João Gouveia Monteiro diante de relevante programação Ignorar as vidas dos homens mais ilustres da antiguidade é continuar sempre na infância. Plutarco (46 d.C. – 120 d.C.) Recebi do meu dileto amigo João Gouveia Monteiro, professor Catedrático Jubilado da Universidade de Coimbra e um dos maiores especialistas em História Medieval, a comunicação alvissareira de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>João Gouveia Monteiro diante de relevante programação</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/998.Condestável-big.jpg" target="_blank"><img title="Nuno Álvares Pereira (1360-1431). Gravura. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/998.Condestável-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Ignorar as vidas dos homens mais ilustres da antiguidade<br />
é continuar sempre na infância.</em><br />
Plutarco (46 d.C. – 120 d.C.)</p>
<p style="text-align: justify;">Recebi do meu dileto amigo João Gouveia Monteiro, professor Catedrático Jubilado da Universidade de Coimbra e um dos maiores especialistas em História Medieval, a comunicação alvissareira de uma série de <em>podcasts </em>voltada a personagens do mundo antigo. Gouveia Monteiro tem nesse belo projeto a colaboração do jornalista Ricardo Venâncio.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem anteriormente, a produção histórico-literária de Gouveia Monteiro já me despertava vivo interesse. Vários foram os blogs sobre a sua obra individual, máxime “Crónicas da História, Cultura e Cidadania” (23/12/2011) e “Nuno Álvares Pereira – Guerreiro, Senhor Feudal, Santo &#8211; Os três rostos do Condestável” (05 e 12/11/, 2022), assim como sobre  livros em que foi um dos coordenadores, sempre a focalizar a sua área de atuação.</p>
<p style="text-align: justify;">Gouveia Monteiro, em “Vidas em Paralelo”, presta homenagem a Plutarco, referencial historiador, pensador e biógrafo grego. Entre suas obras, destaca-se “Vidas Paralelas”, na qual, nos 23 pares biográficos, rende preito às figuras notáveis da Grécia e Roma Antigas.  Estou a me lembrar de que nosso Pai conservava um volumoso “Vidas Paralelas” e os quatro filhos tiveram o prazer de ler na juventude algumas dessas duplas biografias.</p>
<p style="text-align: justify;">No plano inicial, dele a constar 10 <em>podcasts</em>, estão assinalados os já disponíveis. Em alguns participa a historiadora Leonor Pontes. João Gouveia Monteiro, por vezes, é questionado pelo jornalista Ricardo Venâncio, momento em que cada intervenção poderia certamente ser a de um ouvinte da série. Essas criteriosas perguntas, prontamente respondidos por Gouveia Monteiro, tornam-se relevantes, ressaltando outros pormenores acrescidos à exposição planejada.<br />
<em></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>1. Alexandre Magno e Júlio César. (já disponível, Partes I e II). 2. Buda e Confúcio. (já disponível, Partes I e II). 3. D. João I e Nuno Álvares Pereira. (já disponível, Partes I, II e III). 4. Leonor Teles e Filipa de Lencastre (com Leonor Pontes). (já disponível, Partes I e II). 5. Jesus e Maomé. (já disponível, Partes I e II). 6. Fernão Lopes e Pero López de Ayala.  7. Justiniano e Carlos Magno. 8. Cristina de Pisano e Joana d’Arc. 9. D. Dinis e a Rainha Santa (com Leonor Pontes). 10. Carlos Seixas e Beethoven (com Paulo da Nazaré Santos).</em></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/vidas-em-paralelo-um-podcast-com-hist%C3%B3ria/id1843058148">https://podcasts.apple.com/us/podcast/vidas-em-paralelo-um-podcast-com-hist%C3%B3ria/id1843058148</a></p>
<p style="text-align: justify;">Acessado o link, o leitor poderá ouvir a apresentação do tema escolhido. Dois aspectos se me afiguram como fundamentais, a competência insofismável de Gouveia Monteiro traduzida pela serenidade da sua narração, assim como o método empregado para a trama expositiva, tornando o todo do <em>podcast</em> selecionado extremamente agradável e instrutivo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/998.DJoãoI-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="D. João I, O Mestre de Aviz (1357-1433) Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/998.DJoãoI-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Divulgá-los no Brasil adquire importância, pois os temas, com exceções, são pouco debatidos no país. Paulatinamente estou a ouvir os <em>podcasts</em>, entre eles um dos programas dedicados a D. João I (1357-1433) e Nuno Álvares Pereira (1360-1431) e o primeiro a focalizar Jesus e Maomé. Após as leituras de dois livros referenciais sobre Nuno Álvares Pereira de autoria de  J.P. de Oliveira Martins (1845-1894), e o já mencionado livro de Gouveia Monteiro, a narrativa deste nessa programação indispensável traduz de maneira clara e sucinta duas das mais relevantes figuras da História em Portugal. Poder-se-ia afirmar que, no espaço de aproximadamente uma hora fixado para cada programa, tem-se outros fatos essenciais de personagens marcantes de um heroico passado histórico de Portugal, assim como da Antiguidade: Alexandre Magno e Júlio César, Justiniano e Carlos Magno, Cristina de Pisano e Joana D&#8217;Arc&#8230; Quanto aos dois <em>podcasts</em> referentes a Jesus e Maomé, eles adquirem uma complexa, mas vital importância na atualidade, pois abordam as duas religiões mais professadas no mundo. No que concerne a este último tema, assim como Buda e Confúcio, <em>podcasts </em>que visitarei  brevemente, Gouveia Monteiro já coordenara a fundamental edição “História Concisa das Grandes Religiões” (Lisboa, Manuscrito, 2022).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/998.Religiões-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title=" Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/998.Religiões-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Próximo do milésimo post (998), incontáveis vezes salientei a triste derrocada da Cultura Humanística, no Brasil de maneira avassaladora. Mario Vargas Llosa (1936-2025), em “La Civilización del espetáculo”, já apregoava essa decadência em termos mundiais. Personagens em nosso país, sem a estrutura cultural ao menos envernizada, proliferam nos meios de comunicação como <em>influencers</em>, o infeliz termo da moda, e o resultado está a ser notado na formação das novas gerações. “Notabilizados”, esses <em>influencers</em> ocupam espaços avantajados na mídia, e temas culturais relevantes tornaram-se escassos. Preocupação maior dos meios de comunicação do país é a divulgação dos que vivem sob os holofotes, e a Cultura Humanística, não tendo interesse para a grande “clientela” devido a tantos entraves, oficiais ou não, por que com ela se importar?</p>
<p style="text-align: justify;">Convido meus leitores, muitos deles me acompanhando desde 2 de Março de 2007, a paulatinamente ouvirem os <em>podcasts</em>. Uma bela e empolgante viagem pela História.</p>
<p>Clique para ouvir, de Carlos Seixas (1704-1742) a Sonata em Si bemol Maior (nº 78), na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E8GX3qIjfLI">https://www.youtube.com/watch?v=E8GX3qIjfLI</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>‘Vidas em Paralelo’ (Parallel Lives), divided into 10 podcasts, is a programme dedicated to illustrious figures in human history. Presented by João Gouveia Monteiro, retired professor of the University of Coimbra, the series features the collaboration of journalist Ricardo Venâncio.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Data maior da cristandade</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Dec 2025 03:05:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Natal deste ano em período complexo no país De todas as histórias que nos contava guardei apenas uma vaga e imperfeita lembrança. Porém, uma delas ficou tão nitidamente gravada em minha memória, que sou capaz de repeti-la a qualquer momento – a pequena história do nascimento de Jesus. Selma Laferlöf (1858-1940)  Prêmio Nobel de Literatura [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Natal deste ano em período complexo no país</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/996.Marfim-big.jpg" target="_blank"><img title="Nª Senhora com menino Jesus. Marfim. Arte sino-portuguesa, século XVII.  Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/996.Marfim-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>De todas as histórias que nos contava<br />
</em><em>guardei apenas uma vaga e imperfeita lembrança.<br />
</em><em>Porém, uma delas ficou tão nitidamente gravada em minha memória,<br />
</em><em>que sou capaz de repeti-la a qualquer momento<br />
</em><em>– a pequena história do nascimento de Jesus.<br />
</em>Selma Laferlöf (1858-1940)  Prêmio Nobel de Literatura (1909)<br />
(“Lendas Cristãs”)</p>
<p style="text-align: justify;">O ano conturbado que se escoa não propiciou o clima natalino de tempos passados.<strong> </strong>Vê-se inclusive num pormenor, a diminuição sensível da iluminação natalina nos prédios da cidade, apesar dos esforços da Prefeitura de São Paulo, através da Secretaria Municipal de Cultura e da Secretaria de Relações Internacionais, no que concerne ao Centro Histórico da capital do Estado. Sob aspecto outro, noticiários televisivos e jornalísticos se concentram nas disputas ideológicas exacerbadas no Brasil, o relacionamento difícil entre os Poderes e, talvez, a maior chaga que acomete o país na atualidade, a insegurança do cidadão frente à<strong> </strong>violência que se instalou em todos os recantos do imenso território, sem que ações decisivas sejam tomadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Décadas atrás, consagrava-se<strong> </strong>majoritariamente, neste período a anteceder o Natal, noticiário à própria relevância do nascimento de Cristo e à confraternização a festejá-lo, nela contidos os presentes aos miúdos e a ceia a unir as pessoas. Ouve-se e lê-se, neste período tão caro para a cristandade, noticiário a contrapor as mazelas políticas, a contenda acentuada entre os Poderes e as posições antagônicas de jornalistas, a depender dos canais de comunicação. Está a parecer que o Natal, com toda a sua mística e significado para milhões de brasileiros, passou a ser um pormenor na mídia. Se mais acentuadamente o Natal é invocado neste exato período pelos meios de comunicação, é-o mercê do comércio, que recebe um número acentuado de compradores.  Acrescente-se que, nas comunidades religiosas, igrejas, capelas e sobretudo nos lares cristãos, a chama natalina está presente, mas o pensamento da mídia volta-se polarizado para essa disputa ideológica interminável e insana. Mormente neste Natal tem ficado transparente a opção da maioria<strong> </strong>da imprensa escrita e falada. Contenda traz audiência e a mídia atenta a tem como sustentáculo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/735.Pèlerins-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Peregrinos. Catedral Saint-Lazare, Autun, França, séc. XII. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/735.Pèlerins-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Sob outra égide, o quase que absoluto desaparecimento da troca de cartões de Natal assinala uma realidade. Mensagens de paz vinham acompanhadas de figuras pertencentes ao universo natalino. Tantos desses cartãoes continham votos de Natal redigidos a mão e assinados, diferentes daqueles das inúmeras empresas que também enviavam cartões, esses impessoais, com frases padronizadas e rubricadas pelas organizações. Pondere-se que a internet é uma das responsáveis pela descontinuidade dos cartões, assim como os Correios em pleno declínio.</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir,<strong> </strong>de J.S.Bach-Kempff, o coral “Acorde, a voz está soando”, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0nQUzeqdu4s">https://www.youtube.com/watch?v=0nQUzeqdu4s</a></p>
<p style="text-align: justify;">Independentemente dessa situação, os que professam a fé cristã nas suas diversas ramificações cultuam com intensidade o período natalino. Certamente a Praça de São Pedro, no Vaticano, estará lotada durante a célebre Missa do Galo. Catedrais, igrejas e capelas em todo o mundo cristão deverão receber os fiéis. Templos evangélicos receberão os seus seguidores, que cultuarão a data. Todavia, será no interior dos lares que, singelamente, o nascimento de Jesus será celebrado, a partir, na realidade, do que reza o versículo 20 do capítulo 18 do Evangelho segundo São Mateus: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles”.<strong> </strong>Creio ser este um dos mais expressivos versículos dos evangelhos, a dar a dimensão da presença do Cristo, do berço à maturidade, acompanhando a saga humana&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/996.Sagrada-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title=" Catedral Saint-Lazare em Autun, França, séc. XII. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/996.Sagrada-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Na Catedral de Autun (séc. XII), em França, há em uma das magníficas esculturas, a representação da oferenda dos três Reis Magos à Sagrada Família, na qual São José está com a mão direita apoiada no queixo e o cotovelo sobre a perna dobrada (<em>Saint Joseph pensif</em>). Em 1974, encontrei, em uma feira popular em Minas Gerais, a Sagrada Família em terracota. São José está com o punho direito a sustentar o queixo. Surpreendi-me ao lembrar de <em>Saint Joseph Pensif</em>, quando visitei a Catedral francesa em 1959. Era a segunda e última vez que presenciava a mesma postura.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/996.Presépio-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Sagrada Família. Terracota. Arte popular do Sul de Minas Gerais. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/996.Presépio-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de J.S.Bach-Myra Hess, o coral “Jesus alegria dos homens”, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=flrkpW5L4KQ">https://www.youtube.com/watch?v=flrkpW5L4KQ</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>The most important date in Christianity, due to the insane ideological polarisation prevailing in the country, received little coverage in the media in general. However, authentic Christians celebrate the birth of Christ with faith, intensity and hope.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Jurista Ives Gandra Martins, 90 anos</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Nov 2025 03:05:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Comovente homenagem a ele prestada Deus é nosso último refúgio. Que tudo façamos para poder contemplá-lo, Pedindo-lhe misericórdia, mas com certeza de que lutamos. Ives Gandra Martins Aos 10 de Novembro, na Estação Motiva Cultural, no amplo espaço onde se encontra igualmente a Sala São Paulo, houve uma cerimônia singular com mais de 500 pessoas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Comovente homenagem a ele prestada</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/992.Crupo-big.jpg" target="_blank"><img title="Participantes da homenagem ao jurista Ives Gandra. 10/11/2025. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/992.Crupo-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Deus é nosso último refúgio.<br />
Que tudo façamos para poder contemplá-lo,<br />
</em><em>Pedindo-lhe misericórdia, mas com certeza de que lutamos.<br />
</em>Ives Gandra Martins</p>
<p style="text-align: justify;">Aos 10 de Novembro, na Estação Motiva Cultural, no amplo espaço onde se encontra igualmente a Sala São Paulo, houve uma cerimônia singular com mais de 500 pessoas, na qual o advogado e professor Ives Gandra Martins, meu dileto irmão, foi homenageado efusivamente por figuras ilustres da nossa sociedade, entre eles governantes, advogados, representantes destacados da religião, da atividade empresarial, assim como numerosos amigos e admiradores. Várias entidades relevantes apoiaram a homenagem: Associação Comercial de São Paulo, Fecomercio-SP, FAC Faculdade da Associação Comercial, Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, Associação Paulista de Imprensa e o Deputado Estadual Lucas Bove. O neto do homenageado, <span style="text-align: center;">Guilherme Gandra Martins Couto, foi o mestre de cerimônias, colaborando com a organização do evento juntamente com Wilson Victorio Rodrigues.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone aligncenter" title="Pronunciamento do ex-Presidente Michel Temer. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/992.MTemer-small.jpg" alt="" />Testemunhos calorosos expuseram as muitas facetas de Ives Gandra Martins. Destacaria algumas das inúmeras abordagens: o Cardeal Dom Odilo Scherer se pronunciou sobre “Ives, Católico”; o Ex-Presidente Michel Temer a respeito do “Ives, Jurista”; o Governador do Estado, Tarcísio de Freitas, evidenciou o “Ives Humanista”; o Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, expôs as muitas qualidades do homenageado; Gilberto Kassab fez relato preciso de outras tantas qualidades de Ives Gandra; Ângela Gandra, Secretária Municipal de Assuntos Internacionais e filha do renomado jurista, relembrou episódios voltados à sua formação sob os olhares de seu pai em “Ives, Homem de Família”; o Maestro Júlio Medaglia encontrou na poesia uma das qualidades do “Ives, Poeta”; o jurista Luiz Flávio D’Urso traçou, com pormenores, “Ives, Advogado”; Julio Casares, Presidente do São Paulo, desenvolveu uma das paixões do “Ives, São-Paulino”; Wilson Victorio Rodrigues abordou “Ives, Amigo”. Outros depoimentos marcantes de personalidades enriqueceram a sessão, que sensibilizou os presentes com a justa homenagem ao Dr. Ives Gandra Martins. A cantora lírica Carmen Monarcha abrilhantou o evento com canções do seu repertório, acompanhada ao piano e pelo coral da FAC.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" title="Regina, J.E.M. e o Governador Tarcísio de Freitas. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/992.Tarcísio-small.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">Ives e a sua saudosa Ruth viveram um casamento exemplar durante 62 anos, comungando os mesmos valores morais, religiosos e culturais, transmitindo-os aos seus seis filhos num ambiente de paz. De uma cultura enciclopédica, recebeu ao longo das décadas títulos e honrarias. Apesar da idade e das limitações físicas, continua a ser, através de seu exemplo cívico, um arauto que sabiamente propaga conceitos e conselhos pela imprensa, nas redes sociais e através de suas publicações. Democrata puro, autor de dezenas de livros, foi, juntamente com o notável jurista Celso Bastos (1938-2003), autor dos “Comentários à Constituição do Brasil” num hercúleo debruçar em 15 volumes. Magna Carta que, na última década, tem recebido algumas interpretações daqueles que deveriam apenas ser Guardiões da nossa Constituição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/992.IvesJE-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="J.E.M. interpretando Franz Liszt. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/992.IvesJE-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Participei da homenagem executando uma obra para piano voltada à fé, essência essencial do meu irmão. Escolhi a segunda das <em>Légendes</em> de Franz Liszt (1811-1886), <em>São Francisco de Paula </em>(1416-)<em> caminhando sobre as ondas</em>”. Ter pensado nessa magnífica e sugestiva criação lisztiana propiciou-me evidenciar “Ives, Homem de Fé”, pois o que fez o Santo atravessar o estreito de Messina  com dois outros frades, em dia de mar revolto,  estendendo seu manto sobre o mar, com seu cajado como mastro e os outros dois mantos como velas, foi a fé intensa, sendo que a lenda atravessa os séculos.  Frequentando Missa diária desde outros tempos, Ives não apenas professa os ensinamentos contidos nos livros sacros, como transmite com serenidade os seus conhecimentos nas várias áreas do saber. Na Missa em homenagem aos 100 anos de nosso saudoso Pai, José da Silva Martins (1898-2000), Ives regeu um coral que apresentou a <em>Aleluia </em>de Haendel, mostra da dimensão do seu saber.</p>
<p>Ives Gandra Martins, último a se pronunciar, elencou momentos de uma trajetória singular. O evento ficará na mente daqueles que lá estiveram, cônscios de que o querido irmão ficará na história deste país como uma das suas mais importantes figuras jurídicas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A fitting tribute was paid to the distinguished jurist Ives Gandra Martins. Brazilian authorities, distinguished colleagues from the legal and business worlds were present at Sala São Paulo, along with around five hundred admirers of the jurist. As his brother, I played a composition by Franz Liszt, the legend of Saint Francis of Paola walking on the waves.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Maurice Ravel e o Concerto em sol maior para piano e orquestra</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Sep 2025 03:05:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma história bem documentada A música escapa a qualquer existência permanente e só a interpretação pode dar-lhe vida, uma vida deliciosamente e desesperadamente efêmera. Marguerite Long (1874-1966) (“Au piano avec Maurice Ravel”) Um dos concertos para piano e orquestra mais executados no mundo é certamente o Concerto em sol maior para piano e orquestra, de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Uma história bem documentada</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/697.ML1a-big.jpg" target="_blank"><img title="Marguerite Long e Ravel em Berlim. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/697.ML1a-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>A música escapa a qualquer existência permanente<br />
</em><em>e só a interpretação pode dar-lhe vida,<br />
</em><em> uma vida deliciosamente e desesperadamente efêmera.<br />
</em>Marguerite Long (1874-1966)<br />
(“Au piano avec Maurice Ravel”)</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos concertos para piano e orquestra mais executados no mundo é certamente o <em>Concerto em sol maior </em>para piano e orquestra, de Maurice Ravel (1875-1937). Após muitos anos, voltei a ouvir, agora via Youtube, uma gravação histórica do referido <em>Concerto </em>para piano com a dedicatária da obra, a lendária pianista Marguerite Long, ao piano e o autor Maurice Ravel a reger a orquestra sinfônica. Realmente uma interpretação excelsa. A gravação foi realizada em 1932 e a tomada de som, longe da qualidade atual, não impede que se depreenda o mérito da interpretação da solista. Em 1952, o <em>Concerto</em> seria regravado com outros recursos sonoros, sendo que Marguerite Long teve a orquestra Lamoureux conduzida por Georges Tzipine (1907-1987), regente da Orquestra Colonne, com quem que tive o privilégio de tocar o Concerto nº 3 de Beethoven em Março de 1960 em Paris.</p>
<p style="text-align: justify;">Na bibliografia de Maurice Ravel, intérpretes renomadas que foram dedicatárias de obras fundamentais do compositor, a saber, a violinista Hélène Jourdan-Morhange (1888-1961), <em>Sonata para violino nº </em>2, e Marguerite Long, <em>Concerto em sol maior</em> para piano e orquestra, deixaram testemunhos valiosos do convívio com o notável músico. O livro “Marguerite Long au piano avec Maurice Ravel” (Paris, Julliard, 1971) revela a intimidade da pianista com a obra para piano do compositor, máxime sobre o <em>Concerto em sol maior</em>. Marguerite Long aponta as palavras primeiras de Ravel a ela reveladas: “Uma noite, em um jantar na morada de Mme de Saint-Marceaux, cujo salão era ‘um bastão de intimidade artística’, segundo Colette, Ravel me disse à queima roupa: ‘estou no momento compondo um <em>Concerto</em> para você. Se importaria que eu o terminasse em pianíssimo e com trinados?’ Mas certamente, respondi-lhe, muito feliz de realizar o sonho de tantos virtuoses”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ravel, após compor o célebre <em>Bolero</em> (1928), passa longo tempo sem criar outras obras.  Apesar de pensados em 1929, somente em 1931 nasceriam os dois <em>Concertos</em> para piano e orquestra,  bem antagônicos, o <em>Concerto em sol maior</em> e o <em>Concerto para a mão esquerda</em>. Alguns traços comuns, contudo, são evidentes nos dois <em>Concerto</em>s, entre os quais lembranças de sua estada nos Estados Unidos concernentes ao <em>jazz</em> e à vida mais agitada, se comparada à sua vivência em França. A um correspondente do <em>Daily Telegraph</em>, Ravel narra a “epopeia” de escrever os dois <em>Concertos</em> tão diferentes: “Foi uma experiência interessante conceber e realizar dois <em>Concertos</em> ao mesmo tempo. O primeiro, no qual participarei como intérprete (na realidade Marguerite Long foi a pianista), é um <em>Concerto</em> no sentido mais exato do termo, escrito no espírito dos <em>Concertos</em> de Mozart e Saint-Saëns. De fato, penso que a música de um <em>Concerto</em> pode ser alegre e brilhante, e que não é necessário que pretenda ter profundidade ou que vise a efeitos dramáticos. Diz-se de alguns grandes músicos clássicos que os seus <em>Concertos</em> são concebidos não <em>para</em> o piano, mas <em>contra</em> ele. De minha parte, considero este julgamento perfeitamente justificado. Inicialmente, tive a intenção de denominá-lo <em>Divertimento</em>.  Então refleti que não era necessário, considerando que o título <em>Concerto </em>é suficientemente explícito no que diz respeito ao caráter da música que o compõe. Em certos pontos, o meu <em>Concerto </em>não deixa de apresentar algumas semelhanças com a minha <em>Sonata para violino</em>; traz alguns elementos emprestados do <em>jazz</em>, mas com moderação” (in Alfred Cortot, “La musique française de piano”, deuxième série, Paris, Presses Universitaires de France, 1948).</p>
<p style="text-align: justify;">Mercê de problemas de saúde, Ravel tardou a terminar o <em>Concerto em sol maior</em>, declarando ao seu amigo Zogheb: “Resolvi não mais dormir um segundo sequer. Finda a obra, então repousarei neste mundo&#8230; ou em outro”. Ravel, pianista, gostaria de ser o primeiro intérprete, mas, devido às dificuldades técnico-pianísticas reais do <em>Concerto em sol</em>, convidou Marguerite Long para estreá-lo e ela se expressa: “compreenderão qual não foi a minha intensa emoção ao receber o telefonema de Ravel, aos 11 de novembro de 1931, a anunciar a sua vinda imediata à minha casa com o seu manuscrito do <em>Concerto</em>. Estava a me ajeitar quando Ravel chegou repentinamente com as preciosas folhas do <em>Concerto</em>. Confesso que fui diretamente à última página: o pianíssimo e os trinados foram transformados em fortíssimo e percutantes nonas! A obra é árdua, mas o movimento que me deu mais trabalho foi o segundo, aparentemente sem armadilhas”. Estudei com Mme Long o <em>Concerto em sol maior</em>. Disse-me ela que, graças à lenta evolução do segundo movimento e à sua métrica, a possibilidade de falha de memória do pianista ocorre com frequência.</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/697.ML1-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Marguerite Long. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/697.ML-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A primeira apresentação mundial se deu em Paris, na Salle Pleyel, aos 14 de Janeiro de 1932. Nessa estreia, Ravel regeu a <em>Pavane</em>, o <em>Boléro</em> e acompanhou o <em>Concerto</em>. Marguerite Long afirma “que não estava tão orgulhosa pelo fato, infelizmente, da sua regência ter sido realizada com a partitura do piano, resultando em uma condução incerta”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mme Long escreve: “A Salle Pleyel estava completamente lotada. Tudo correu bem e o sucesso foi considerável, a ponto de termos de repetir o terceiro movimento. Tendo muitas vezes solado o Concerto em sol em França e no estrangeiro, sempre, sem exceção, tivemos de bisar o terceiro movimento”.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Maurice Ravel, o <em>Concerto em sol maior </em>para piano e orquestra sinfônica, na interpretação de Marguerite Long, sob a regência do compositor (1932):</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WSA_MR2Gw_s">https://www.youtube.com/watch?v=WSA_MR2Gw_s</a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">Tem interesse o testemunho da pianista ao avaliar o <em>Concerto em sol maior</em>: “Obra-prima  autêntica onde a fantasia, o humor, o pitoresco cravam uma das mais tocantes cantilenas que o coração humano jamais sussurrou. Talvez o seu maior encanto resida num conjunto de qualidades que fazem esta obra essencialmente nossa. Colocar as descobertas harmônicas, rítmicas e melódicas mais originais no quadro mais tradicional, despertar os múltiplos setores da nossa sensibilidade com um toque discreto e reservado, falar uma linguagem nova na sombra tutelar de Mozart e Bach, evocar e sugerir sem nunca impor, esconder sempre com pudor a sua própria personalidade e construir tudo com uma perfeição constante e surpreendente foi dar à música uma obra absolutamente francesa”.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Após a grande acolhida pública do<em> Concerto em sol</em>, Maurice Ravel e Marguerite Long partiram em viagem a vários países europeus e as apresentações foram inteiramente dedicadas às  criações do compositor. Bélgica, Áustria, Romênia, Hungria, Checoslováquia, Polônia, Alemanha e Holanda aclamaram com o maior entusiasmo as interpretações.</p>
<p style="text-align: justify;">Sob outra égide, no livro mencionado, Marguerite Long escreve sobre os esquecimentos de Ravel no que concerne ao cotidiano nessas viagens pela Europa. “Eu começava, então, a verdadeiramente tomar conhecimento da legendária distração de Ravel, cujo bom humor, a sua melhor característica, contrastava com as consequências às vezes catastróficas de suas imprudências. Juntamente com o cansaço das viagens de comboio, dos concertos, das recepções e das angústias que Ravel me causava frequentemente durante a regência das orquestras,  esses incidentes me esgotaram e eu realmente achei que voltaria caquética dessa digressão”! São inúmeros os casos relembrados por Mme Long com boa dose de humor, como esquecer objetos em hotéis, confundir-se com cartas e bilhetes colocados nos bolsos, assim como tantos outros percalços ocasionados também pela distração.</p>
<p style="text-align: justify;">No próximo blog focalizarei o <em>Concerto para a mão esquerda</em>, criação bem contrastante se comparada ao <em>Concerto em sol maior.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>After listening to a historic recording of Maurice Ravel&#8217;s Concerto in G major for piano and orchestra recorded in 1932, with Marguerite Long, the dedicatee of the work, as pianist and Ravel himself conducting the orchestra, I revisited the book “Au piano avec Maurice Ravel,” written by the legendary pianist.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ives Gandra Martins nonagenário (12/02/1935)</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Feb 2025 03:05:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma existência exemplar em todos os níveis O melhor tesouro que o homem pode acumular é a reputação imaculada. William Shakespeare (1564-1616) Quantos são aqueles que, ao atingirem a maturidade plena, mantêm a aura impoluta? Como irmão, acompanhei a brilhante carreira do jurista respeitado em todos os cantos do país. Com a esposa Ruth, falecida em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Uma existência exemplar em todos os níveis</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/949.casal-big.jpg" target="_blank"><img title="Ives e Ruth. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/949.casal-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>O melhor tesouro que o homem pode acumular é a reputação imaculada.<br />
</em>William Shakespeare (1564-1616)</p>
<p style="text-align: justify;">Quantos são aqueles que, ao atingirem a maturidade plena, mantêm a aura impoluta? Como irmão, acompanhei a brilhante carreira do jurista respeitado em todos os cantos do país. Com a esposa Ruth, falecida em 2021, formaram um casal sem máculas e criaram seus seis filhos em plena harmonia. Verdadeiramente um exemplo para os seus três irmãos e para todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo em seu combate infatigável contra a corrupção e a favor da Democracia no seu sentido real, assim como  da Constituição, sobre a qual, juntamente com o notável jurista Celso Bastos, legou comentários fidedignos em inúmeros volumes, sem quaisquer artifícios que possibilitem interpretações outras que levem a desvios da nossa Magna Carta, distorções, <em>hélas</em>, vigentes nos dias atuais. Quantos outros embates Ives não enfrentou, sempre a favor da moralidade e dos costumes! Figura de fé católica intensa, tem a admiração plena daqueles pertencentes às diversas religiões, assim como ateus e agnósticos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/949.irmãos1a-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Os quatro irmãos: José Paulo, JE, João Carlos e Ives. Foto: nosso Pai, José da Silva Martins. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/949.irmãos1a-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Ives é igualmente poeta e contista. Quanto à poesia, máxime os sonetos, só para a dedicada esposa Ruth, falecida em 2021, escreveu mais de mil poemas. Digo sempre a ele que o seu nome deveria estar no livro dos recordes absolutos nesse quesito.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/949.lendas-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title=" Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/949.lendas-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Para lembrar os 90 anos, Ives lançou livro de versos, “Tempo de Lendas” (Anápolis, Chafariz, 2025). À primeira orelha, a síntese da síntese do seu pensamento voltado aos princípios que o nortearam pela vida: “Em época e país em que os valores culturais são substituídos pelo despotismo dos governantes, pela massificação dos meios de comunicação e pela falta de patriotismo das elites, retorno ao porto seguro da poesia para respirar o ar não poluído dos campos permanentes da esperança e da ilusão. E recuperando as forças necessárias, volto à luta contra aqueles que teimam em não respeitar a nossa pátria e a nossa gente”. No prefácio, Ives comenta que reedita poesias inspiradas em cinco mulheres lendárias, Gul-nazar, Dido, Eurídice, Marabá e Circe, que alimentaram o imaginário através dos séculos. Não obstante, acrescenta que dedica esses poemas à “lenda das lendas, a mulher dos meus sonhos e de meus amores, a eterna Ruth”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ives sempre cultivou o poema desde a juventude. Aos 21 anos apresentou seu primeiro livro de poesia, “Pelos caminhos do silêncio” (1956) e, em um dos capítulos, “Pelo caminho da tarde”, Ruth já surge como definição:</p>
<p style="text-align: center;"><em>Teu olhar tem o brilho amortecido,<br />
O merencório lume infinital<br />
das eternas buscas.<br />
Teu olhar tem a palidez ebúrnea,<br />
</em><em>Dos crepúsculos cinzentos,<br />
</em><em>Das noites desvanecidas.<br />
</em><em>Teu olhar me tem.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Revisitar mulheres lendárias, que já faziam parte da sua veia poética, é um tributo a Ruth e regresso aos anos em que a poesia era para Ives o contraponto aos estudos do Direito, a resultar na harmonia interpretativa entre o rigor das leis e o livre pensamento voltado ao poema. Reimprimir as poesias que ora integram “Tempo de Lendas” representaria, creio eu, para o dileto irmão, distanciar-se, pelo menos por momentos, do quadro atual do país, respirar e regressar majorado para continuar o bom combate frente às incúrias de toda ordem que nos assolam.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou a me lembrar de uma nítida atração de Ives por dois itens que corroboraram a sua formação, a oratória e a mitologia. Da primeira, ainda bem jovem costumava, após leitura dos sermões do Padre Antônio Vieira (1608-1697), reinterpretar conteúdos neles contidos. Foi essa oratória “caseira”, frente aos nossos saudosos pais, que o preparou para a oratória embasada como notável debatedor. Da segunda, a literatura da Grécia Antiga o fascinava. Ter em tempos idos homenageado cinco figuras femininas lendárias foi um processo que estava em pleno amadurecimento e que o levou, entre outros temas, a dominar a poesia rimada, da qual se tornou um exímio cultor.</p>
<p style="text-align: justify;">A data é, pois, motivo para que familiares e todos os que o admiram nessa luta diuturna por um país mais digno e justo saúdem Ives Gandra, figura exemplar.</p>
<p style="text-align: justify;">Este testemunho está acompanhado por uma das músicas preferidas de Ives.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Alexandre Scriabine, &#8220;Estudo Patético&#8221;, op. 8 nº12, na interpretação de J.E.M:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6H_T5I4BYn0">https://www.youtube.com/watch?v=6H_T5I4BYn0</a></p>
<p style="text-align: center;"><a style="text-align: justify;" href="http://www.joseeduardomartins.com/949.irmãos2-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="João Carlos, José Paulo, Ives e JE. Ives completava 85 anos. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/949.irmãos2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ives Gandra Martins turns 90. One of the most important figures in Brazilian law, he is respected for his irreproachable behaviour when it comes to obeying our Magna Carta. In other spheres, a fighter in favour of morals and customs and, in addition, a poet of merit. It is a source of pride to have him as a brother.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Série &#8220;Vidas em Paralelo&#8221;, precioso Podcast</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Jan 2025 03:05:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[João Gouveia Monteiro diante de relevante programação Ignorar as vidas dos homens mais ilustres da antiguidade é continuar sempre na infância. Plutarco (46 d.C. – 120 d.C.) Recebi do meu dileto amigo João Gouveia Monteiro, professor Catedrático Jubilado da Universidade de Coimbra e um dos maiores especialistas em História Medieval, a comunicação alvissareira de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>João Gouveia Monteiro diante de relevante programação</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/998.Condestável-big.jpg" target="_blank"><img title="Nuno Álvares Pereira. Gravura. Clique para ampliar."src="http://www.joseeduardomartins.com/998.Condestável-small.jpg" alt="" /></a><br />
<strong> </strong><em>Ignorar as vidas dos homens mais ilustres da antiguidade<br />
</em><em>é continuar sempre na infância.<br />
</em>Plutarco (46 d.C. – 120 d.C.)</p>
<p>Recebi do meu dileto amigo João Gouveia Monteiro, professor Catedrático Jubilado da Universidade de Coimbra e um dos maiores especialistas em História Medieval, a comunicação alvissareira de uma série de <em>podcasts</em> voltados a personagens do mundo antigo. Gouveia Monteiro tem nesse belo projeto a colaboração do jornalista Ricardo Venâncio.</p>
<p>Bem anteriormente, a produção histórico-literária de Gouveia Monteira já me despertava vivo interesse. Vários foram os blogs sobre a sua obra individual, máxime “Crónicas da História, Cultura e Cidadania” (23/12/2011) e “Nuno Álvares Pereira – Guerreiro, Senhor Feudal, Santo Os três rostos do Condestável” (05 e 12/11/, 2022), assim como sobre  livros em que foi um dos coordenadores, sempre a focalizar a sua área de atuação.</p>
<p>Gouveia Monteiro, em “Vidas em Paralelo”, presta homenagem a Plutarco, referencial historiador, pensador e biógrafo grego<strong><span style="text-decoration: line-through;">. </span></strong>Entre suas obras, destaca-se “Vidas Paralelas”, na qual, nos 23 pares biográficos, rende preito às figuras notáveis da Grécia e Roma Antigas.  Estou a me lembrar de que nosso Pai conservava um volumoso “Vidas Paralelas” e os quatro filhos tiveram o prazer de ler na juventude algumas dessas duplas biografias.</p>
<p>No plano inicial, dele a constar 10 <em>podcasts</em>, estão assinalados os já disponíveis. Em alguns participa a historiadora Leonor Pontes. João Gouveia Monteiro, por vezes, é questionado pelo jornalista Ricardo Venâncio, momento em que cada intervenção poderia certamente ser a de um ouvinte da série. Essas criteriosas perguntas, prontamente respondidos por Gouveia Monteiro, tornam-se relevantes, ressaltando outros pormenores acrescidos à exposição planejada.</p>
<p><em>1. Alexandre Magno e Júlio César. (já disponível, Partes I e II). 2. Buda e Confúcio. (já disponível, Partes I e II). 3. D. João I e Nuno Álvares Pereira. (já disponível, Partes I, II e III). 4. Leonor Teles e Filipa de Lencastre (com Leonor Pontes). (já disponível, Partes I e II). 5. Jesus e Maomé. (já disponível, Partes I e II). 6. Fernão Lopes e Pero López de Ayala.  7. Justiniano e Carlos Magno. 8. Cristina de Pisano e Joana d’Arc. 9. D. Dinis e a Rainha Santa (com Leonor Pontes). 10. Carlos Seixas e Beethoven (com Paulo da Nazaré Santos).</em></p>
<p>https://podcasts.apple.com/us/podcast/vidas-em-paralelo-um-podcast-com-hist%C3%B3ria/id1843058148</p>
<p>Acessado o link, o leitor poderá ouvir a apresentação do tema escolhido. Dois aspectos se me afiguram como fundamentais, a competência insofismável de Gouveia Monteiro traduzida pela serenidade da sua narração, assim como o método empregado para a trama expositiva, tornando o todo do <em>podcast</em> selecionado extremamente agradável e instrutivo.</p>
<p>Divulgá-los no Brasil adquire importância, pois os temas, com exceções, são pouco estudados e, por consequência, minimamente ventilados no país. Paulatinamente estou a ouvir os <em>podcasts</em>, entre eles um dos programas dedicados a D. João I e Nuno Álvares Pereira e o primeiro a focalizar Jesus e Maomé. Após as leituras, no segundo lustro dos anos  1950, de dois livros referenciais sobre Nuno Álvares Pereira de autoria de  J.P. Oliveira Martins, e o já mencionado livro de Gouveia Monteiro, a narrativa deste nessa programação indispensável traduz de maneira clara e sucinta duas das mais relevantes figuras da História em Portugal. Poder-se-ia afirmar que, no espaço de aproximadamente uma hora fixado para cada programa, tem-se outros fatos essenciais de figuras marcantes de um heroico passado histórico de Portugal. Quanto aos dois podcasts referentes a Jesus e Maomé, eles adquirem uma complexa, mas vital importância na atualidade, pois abordam as duas religiões mais professadas no mundo. No que concerne a este último tema, assim como Buda e Confúcio, podcast que visitarei  brevemente, Gouveia Monteiro já coordenara a fundamental edição “História Concisa das Grandes Religiões” (Lisboa, Manuscrito, 2022).</p>
<p>Próximo do milésimo post (998), incontáveis vezes salientei a triste derrocada da Cultura Humanística, no Brasil de maneira avassaladora. Mario Vargas Llosa (1936-2025), em “La Civilización del espetáculo”, já apregoava essa decadência em termos mundiais. Personagens em nosso país, sem a estrutura cultural ao menos envernizada, proliferam nos meios de comunicação como <em>influencers</em>, o infeliz termo da moda, e o resultado está a ser notado na formação das novas gerações. “Notabilizados”, esses <em>influencers </em>ocupam espaços avantajados na mídia, e temas culturais relevantes tornaram-se escassos. Preocupação maior desses meios é a divulgação dos que vivem sob os holofotes, e a Cultura Humanística, não tendo interesse para a grande “clientela” devido a tantos entraves, oficiais ou não, por que com ela se importar?</p>
<p>Convido meus leitores, muitos deles me acompanhando desde 2 de Março de 2007, a paulatinamente ouvirem os <em>podcasts</em>. Uma bela viagem pela História.</p>
<p><em>‘Vidas em Paralelo’ (Parallel Lives), divided into 10 podcasts, is a programme dedicated to illustrious figures in human history. </em><em>Presented by João Gouveia Monteiro, retired professor of<strong> </strong>the University of Coimbra, the series features the collaboration of journalist Ricardo Venâncio. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Amigo do rei&#8221;</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2024/10/19/amigo-do-rei/</link>
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		<pubDate>Sat, 19 Oct 2024 03:05:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Ives Gandra Martins em artigo basilar Dou muito mais valor a um juiz de primeira instância, seja federal ou estadual, que passa por um concurso exaustivo, do que magistrados que, por melhores que sejam, precisam fazer campanha de amizade e contar com excelente relacionamento com o presidente da República. Ives Gandra Martins “Blog do Fausto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ives Gandra Martins em artigo basilar</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/933.IvesJE-big.jpg" target="_blank"><img title="Ives e JE. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/933.IvesJE-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Dou muito mais valor a um juiz de primeira instância,<br />
</em><em>seja federal ou estadual, que passa por um concurso exaustivo,<br />
</em><em>do que magistrados que, por melhores que sejam,<br />
</em><em>precisam fazer campanha de amizade<br />
</em><em>e contar com excelente relacionamento com o presidente da República.<br />
</em>Ives Gandra Martins<br />
“Blog do Fausto Macedo” (Estadão, 08/10/2024)</p>
<p style="text-align: justify;">Inúmeras vezes comentei que, nos mais de 900 posts, nunca abordei temas relacionados à política e aos Três Poderes, em conjunto ou separadamente. Meus temas são essencialmente culturais, máxime a Música e, por vezes, escrevo sobre fatos do cotidiano que me surpreendem. Ao ler artigo do meu irmão Ives, notável jurista, a respeito da constituição do Poder Judiciário, decorrente da apresentação de um trabalho do economista José Pastore, “Custo da insegurança jurídica”, entendi o alcance do seu pensamento quanto às escolhas dos membros dos Tribunais Superiores. Partindo da atual composição do Tribunal Superior do Trabalho, estende-se ao Supremo Tribunal Federal.</p>
<p style="text-align: justify;">Entende Ives Gandra Martins que escolhas para as Cortes Superiores deveriam  contemplar aqueles que passaram por concursos complexos e que têm a experiência adquirida nas várias instâncias jurídicas. Seriam estas que amadurecem o futuro ungido aos Tribunais Superiores.</p>
<p style="text-align: justify;">É tão fácil deduzir que, para a carreira acadêmica em universidade pública, no caso a Universidade de São Paulo, há degraus e eles são percorridos através dos anos ou décadas. A categoria básica é a do Auxiliar de Ensino detentor do curso de graduação. A progressão passa por etapas, Mestrado, Doutorado, Livre Docência e Titulação. Integrei durante alguns anos o Concelho Universitário da USP. Quanto à escolha do Reitor, a Comunidade universitária opina, a Assembleia Universitária seleciona e dela fazem parte: Concelho Universitário, Concelhos Centrais, Congregações das Unidades, Concelhos Deliberativos dos Museus e Institutos Especializados. Há toda uma tramitação que pressupõe debate público entre os postulantes, consulta à comunidade, eleição para composição da lista tríplice, votação e apuração, nomeação do novo Reitor e seu vice pelo Governador. Esse rigor, que deveria existir na escolha de um Ministro dos Tribunais Superiores, inexiste. Um professor bacharel não seria escolhido Reitor da USP, mas um advogado pode ser ungido para o STF após indicação do presidente de plantão e a aprovação pelo Senado, que na realidade – assistindo-se ao histórico — apenas ratifica a escolha presidencial.  Ives Gandra Martins, nesse artigo basilar, comenta: “Hoje, no Supremo Tribunal Federal, temos três Ministros que vieram da magistratura e oito que não vieram. São profissionais competentes, mas amigos do presidente. Apesar de eu respeitar e admirar esses Ministros, com alguns dos quais escrevi livros, essa mentalidade tomou conta do nosso Poder Judiciário, gerando a insegurança jurídica e as distorções que constatamos na excelente apresentação do professor José Pastore, que não serão facilmente reformadas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em outro segmento de “Amigo do rei”, o jurista Ives Gandra Martins escreve: “Vemos a campanha feita pelo governo no sentido de reestatização de determinadas empresas e, ao mesmo tempo, a forma como cargos de empresas estatais, principalmente a Petrobras, têm sido novamente loteados, como eram no passado. Sabemos perfeitamente que, quando a empresa não pertence aos donos, nem aos acionistas, ou a ninguém em particular, torna-se campo fértil para a corrupção”.  Assistimos, durante a extinta Lava Jato, figuras “importantes” nas Estatais e nas Empresas Privadas devolverem rios de dinheiro. Hoje todos gozam da plena liberdade. Sem mais comentários.</p>
<p style="text-align: justify;">Ives Gandra Martins, após historiar o Velho Testamento, conclui “que o pior período de Israel foi quando governado por juízes. É<strong> </strong>que os juízes não têm contato com o povo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que a rejeição de considerável parcela do povo a respeito dos membros do STF advém da preponderância até abusiva em tantas decisões. Estou a me lembrar de apenas dois Ministros do STF que tive o prazer de conhecer, Ministro Eros Grau (2004-2010) e Ministro Carlos Mário Velloso (1990-2006). Visitei Eros Grau em sua morada em Tiradentes (MG) após recital de órgão que dei na magnífica Igreja Matriz de Santo Antônio, e durante um período fomos membros do Conselho Universitário da USP. Em missão especial chefiada pelo Ministro Carlos Mário Velloso, Ives, João Carlos e eu viajamos à Romênia. Entre reuniões oficiais, João Carlos e eu demos recitais de piano em várias cidades romenas. Ambos os Ministros podiam andar pelas ruas brasileiras sem jamais serem molestados, muito pelo contrário, eram saudados.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/933-big.jpg" target="_blank"><img title=" Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/933-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Creio fulcral o término do artigo de Ives Gandra Martins: “O trabalho nas faculdades e escolas é crucial para que uma nova geração enfrente esse desafio. Aos 89 anos, essa luta não é mais minha, mas de vocês. Este é o grande drama do Brasil e a verdadeira batalha que enfrentamos. A essa altura, uma batalha que não será fácil. Há de termos, entretanto, uma democracia com harmonia e independência dos Poderes, cada um nos limites constitucionais que lhe foram concedidos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho grande orgulho de tê-lo como irmão. Independentemente do grande jurista que é, autor de mais de uma centena de livros, Ives é uma figura irretocável sob todos os aspectos, fato raríssimo na atualidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/933.ivesje1a-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Ives e JE. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/933.ivesje1a-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Clique para ouvir, de Tchaikovsky, Doumka. A gravação ao vivo foi realizada pela Rádio Central de Moscou em 1962. É um pequeno tributo ao querido irmão, pois uma de suas músicas preferidas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S1IQtIpZCJA&amp;t=5s">Tchaikovsky &#8211; Dumka &#8211; José Eduardo Martins &#8211; piano (youtube.com)</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>After reading a fundamental article by my brother Ives Gandra Martins, a noted jurist, I decided to comment on some of his positions stated in his post “The king’s friend”, published on Fausto Macedo&#8217;s blog (’Estadão’, 2024, 10/10).</em></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Tania Achot-Haroutounian (1937-2022)</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2023/03/18/13083/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2023/03/18/13083/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 18 Mar 2023 03:05:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Pianista e professora de reais méritos É um inútil desperdício de tempo celebrar a memória dos mortos se não nos esforçamos em exaltar as obras que deixaram. Monteiro Lobato Soube recentemente da morte de Tania Achot-Haraoutunian, ocorrida em Janeiro de 2022 na cidade de Lisboa. Tânia Achot, assim conhecida, foi uma das pianistas que me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pianista e professora de reais méritos</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong><a href="http://www.joseeduardomartins.com/850-Tania-big.jpg" target="_blank"><img title="Tânia Achot. Fonte Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/850.Tania-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>É um inútil desperdício de tempo celebrar a memória dos mortos<br />
se não nos esforçamos em exaltar as obras que deixaram.<br />
</em>Monteiro Lobato</p>
<p style="text-align: justify;">Soube recentemente da morte de Tania Achot-Haraoutunian, ocorrida em Janeiro de 2022 na cidade de Lisboa. Tânia Achot, assim conhecida, foi uma das pianistas que me causou mais impacto durante os estudos que realizei em Paris. Após aquele efervescente período de aprofundamento pianístico, tardiamente a encontrei duas vezes na sua morada em Lisboa e tivemos vários contatos amistosos por telefone.</p>
<p style="text-align: justify;">Tânia Achot foi pianista singular. Foi através do extraordinário pianista português Sequeira Costa (1929-2019) que tive o prazer de conviver com os dois artistas na capital da França (vide blog “Sequeira Costa”, 02/03/2019). Tânia vivia com o pianista em uma casa na Porte Dauphine, junto com sua mãe, Madame Achot, e sua irmã Natascha. Frequentei muitas vezes a morada, pois durante aquele período quis estudar os 24 Estudos de Chopin e algumas Sonatas de Beethoven com o pianista, exímio executante dessas obras, pois intérprete da integral dos Estudos do criador polonês e também das 32 Sonatas do compositor alemão. Mais tarde, Tânia se casaria com Sequeira Costa, com quem teve duas filhas. Em Julho de 1959 viajamos os cinco de Paris a Lisboa num Simca Chambord sob a condução de Sequeira Costa. Inesquecível viagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" title=" Sequeira Costa e JEM. Av. Champs Elysée, Paris, 1959. Foto: Tânia Achot. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/850.TAA3-small.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Tânia nasceu em Teerão, no Irã. Seu pai era armênio e sua mãe, russa.  Emigraram para o Irã em 1920, após a eclosão da Revolução de 1917. Tânia estudaria em França no Conservatório de Paris, mas sua formação essencial se daria em Moscou, no Conservatório Tchaikovsky, sob a direção de Lev Oborin, notável pianista e pedagogo russo (1907-1974). Confessava-me Tânia, àquela altura de nosso convívio, que devia essencialmente à Escola russa de piano a sua interpretação.  Receberia vários prêmios relevantes: menção honrosa na ARD International Music Competition em Munique; láurea no Marguerite Long-Jacques Thibaud em Paris; mormente o terceiro lugar no Concurso Internacional de Piano Frédéric Chopin em Varsóvia, 1960.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Frédéric Chopin, Estudo op. 10 nº 8, na interpretação de Tânia Achot (1960):</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hcbUtC5smoo">https://www.youtube.com/watch?v=hcbUtC5smoo</a></p>
<p style="text-align: justify;">Tânia Achot passaria a residir em Lisboa ainda na década de 1960, tornando-se professora da Escola Superior de Música de Lisboa. Continuaria a se apresentar com êxito em carreira internacional, bem como participando na formação de jovens pianistas portugueses, entre os quais Nuno Vieira de Almeida, Antônio Toscano, Carla Seixas, Joana Gama, Paulo Santiago, Paulo Oliveira&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir de, Frédéric Chopin, Noturno em Sol Maior, op. 37, nº 2, na interpretação de Tânia Achot (1960):</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=o-9MwnMhh1k">https://www.youtube.com/watch?v=o-9MwnMhh1k</a></p>
<p style="text-align: justify;">Com certeza Tânia Achot trouxe uma enorme contribuição à arte pianística em Portugal, onde buscou implementar essencialidades assimiladas da Escola Russa. Considere-se que, no período em que Tânia esteve a estudar na então União Soviética, a Escola Russa de piano era modelo indiscutível aos ouvidos do Ocidente. Essa renovação conceitual do ensino do piano em Portugal também despertaria, em oposição, reações adversas. Estou a me lembrar das posições convictas de Tânia, naquele início dos anos 1960, tanto dela como de Sequeira Costa, a respeito da interpretação penetrante, do culto ao legato, à pedalização generosa quando se faz mister, da busca incessante à condução da frase musical, da dinâmica, da acentuação, da rítmica e da flutuação dos andamentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Admiradora incondicional do repertório romântico, de Chopin a Rachmaninov, Tânia Achot se destacaria como excelente intérprete das obras desses compositores.  Devo a  ela e a Sequeira Costa o início do meu apreço à obra de Alexandre Scriabine, que me levaria a gravar, décadas após, a integral dos Estudos e outras mais composições relevantes do excepcional músico russo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/850-TAA2-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Tânia Achot e JEM em uma das praias de Deauville, na Normandia. 1960. Foto: Sequeira Costa. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/850.TAA2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Tânia Achot, na longa entrevista concedida a Ana Sousa Dias para a RTP, Rádio Televisão Portuguesa (Arquivo 15/06/2002), tece comentários de raro interesse sobre sua formação, preferências e atitude frente à interpretação. Apesar da admiração por pianistas como Alfred Brendel (1931- ), Alfred Cortot (vide blog: Alfred Cortot – 1877-1962, 29/02/2020), Sanson François (1924-1970) e outros mais, faz elogios rasgados à escola russa, preponderando Emil Gilels (vide blog: Emil Gilels – 1916-1985, 20/06/2020), Grigory Sokolov (1950- ) e Evgeny Kissin (1971- ). Considera que há poucos pianistas na acepção, existindo legiões de outros que tocam bem, gostam do que fazem, mas não são luminares.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfatiza determinados conceitos consagrados ao se referir ao <em>approach</em> interpretativo, sendo que o executante russo dá “corpo e alma à arte” e o ocidental, “pensamento, raciocínio, lógica”. De não menos interesse sua visão após ter perpassado várias escolas pianísticas. Da escola francesa, tendo estudado no Conservatório Nacional em Paris, observa que há a perfeita leitura através do solfejo, observância de cada detalhe em seu devido lugar, articulação digital. A alemã se caracterizaria, segundo Tânia, pela forma, estrutura, conhecimento. Da russa, acrescentaria o culto ao <em>legato</em> e ao <em>molto cantabile</em>. Todavia, acrescenta que nenhuma Escola fornece o inalienável talento.</p>
<p>Clique para ouvir, de Franz Liszt, “La Leggierezza” na interpretação de Tania Achot:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=owmaZmXfroc">(134) Tania Achot-Haroutounian Plays Liszt &#8220;La Leggierezza&#8221; &#8211; Étude de Concert &#8211; YouTube</a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">Na década de 1990, nossa ilustre pianista Iara Bernette (vide blog “Iara Bernette – 1920-2002, 12/12/2020), que durante décadas morou em Hamburgo, tendo a cátedra de piano da Escola Superior de Música da Universidade de Hamburgo, dizia que o recital de piano convencional, como o conhecemos,  estava pouco a pouco a perder importância. Na entrevista de 2002, Tânia Achot também tem o mesmo posicionamento e explica que a causa disso são interesses outros e a forte pressão de  manifestações musicais de toda espécie.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo dos meus blogs tenho salientado que os holofotes não são determinantes à qualidade de um intérprete. Elementos extramusicais não necessariamente seduzem grandes executantes. Quantos não foram os pianistas de altíssimo nível que ouvi na Europa e que não tinham uma carreira avassaladora? A essência essencial da Música atuando sobre um pianista de alta qualidade independe do holofote. Estou a me lembrar de dois casos em especial, o grande pianista e mestre Jean Doyen (vide blog: Jean Doyen &#8211; 1907-1982, 31/03/2007) e François-René Duchâble (vide blog: François-René Duchâble &#8211; 1952, 30/01/2021). A uma pergunta que formulei ao meu professor Doyen, excepcional pianista, sobre o porquê de sua carreira não o ter levado aos longínquos recantos do planeta, respondeu-me que nem todos amam viagens, incensos e a vida nômade. Duchâble confessou detestar viagens de avião, fato que o impede de aceitar determinados convites.</p>
<p style="text-align: justify;">Tânia Achot poderia com toda a certeza ter uma carreira de imensa abrangência. No seu caso, a vida professoral e o temperamento cotidiano singular fizeram-na mais fixada a Lisboa. Não obstante, suas interpretações são de extrema qualidade e paixão, pois é pleno o envolvimento com a obra escolhida. Dom inalienável. Será lembrada também pelas gravações excelsas.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Rachmaninov, sete “Prelúdios”, na interpretação de Tânia Achot:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.bing.com/videos/search?q=youtube+Rachmaninov+7+Preludes+Tania+Achot&amp;view=detail&amp;mid=FA5CAEBC225235F80CFEFA5CAEBC225235F80CFE&amp;FORM=VIRE">Tania Achot-Haroutounian | Rachmaninov 7 Preludes &#8211; Bing video</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em style="text-align: justify;">Tania Achot-Haraoutunian was an important Iranian-Russian pianist and pedagogue, having received relevant awards in her glorious career. She lived her last decades in Lisbon, where she </em><em style="text-align: justify;">taught a myriad of young pianists, mainly teaching them fundamental precepts of the extraordinary Russian piano school. I met her in Paris in the late 1950s, during the period she was living with the remarkable Portuguese pianist Sequeira Costa, whom she would later marry. She left a beautiful legacy through exemplary recordings. She passed away in 2022 in Lisbon.</em></p>
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