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	<title>José Eduardo Martinsacademia &#187; José Eduardo Martins</title>
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		<title>Encontro Oportuno</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Aug 2011 03:05:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[academia]]></category>
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		<category><![CDATA[teses]]></category>

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		<description><![CDATA[Temas Recorrentes O homem tem preguiça, em geral, de pensar todo o pensável e contenta-se com fragmentos de ideias, recusa-se a uma coerência absoluta. Não leva até o fim o esforço de entender. E, exatamente porque não o faz, toma, em relação à sua capacidade de inteligência, uma absurda posição de orgulho. Compara o pouco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span><strong>Temas Recorrentes</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/244.boring-big.jpg" target="_blank"><img title="Boring class. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/244.boring-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>O homem tem preguiça, em geral, </em><em>de pensar todo o pensável<br />
</em><em>e contenta-se com fragmentos de ideias,<br />
</em><em>recusa-se a uma coerência absoluta.<br />
</em><em>Não leva até o fim o esforço de entender.<br />
</em><em>E, exatamente porque não o faz, toma,<br />
</em><em>em relação à sua capacidade de inteligência,<br />
</em><em>uma absurda posição de orgulho.<br />
</em><em>Compara o pouco que entendeu<br />
</em><em>com o menos que outros entenderam,<br />
</em><em>jamais com o muito que os mais raros puderam perceber.<br />
</em>Agostinho da Silva</p>
<p style="text-align: justify;">Supermercado pode ser ponto de encontro fortuito ou oportuno. Tantas vezes vizinhos ou então amizades, que se distanciaram pelos decênios, repentinamente surgem por detrás de uma estante. Minha cidade-bairro, Brooklin-Campo Belo, sempre a surpreender. Maior consciência tive eu do fato quando peguei uma carona com Magnus, a fim de comemorar, em casa de uma das filhas em Perdizes, o aniversário da neta primogênita. No trajeto percorrido pelo amigo resolveu ele cortar caminho e passamos pelo populoso bairro de Vila Madalena, pleno de belos prédios e de infindáveis bares e restaurantes, sem contar subidas e descidas, algumas íngrimes. Tive a nítida sensação de estar em outra cidade, tão diferente da minha, pois diversos o panorama e o pulsar das pessoas que se aglomeravam em alguns desses locais de encontro. A premissa apenas para ratificar ainda mais minha condição de morador de cidade-bairro que, sinceramente, me dá um tipo de segurança mental nessa insegurança com a qual estamos habituados a conviver diariamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Após tantos anos reencontro velho conhecido ao contornar uma estante em supermercado. Carlos hoje mora em São Paulo, mas conheci-o em Uberaba, quando lá estive algumas vezes para recitais. Dedicou-se à música durante algum tempo, mas o curso de Medicina levou-o a outros caminhos e presentemente atende a dois hospitais. Houve a possibilidade de um bom <em>curto</em> e de conversa agradável.</p>
<p style="text-align: justify;">Carlos não perdeu contato com a música, pois frequenta uma série de recitais e concertos que são oferecidos diariamente na cidade. Sabia de minha trajetória pianística e acadêmica, esta finda após a aposentadoria da USP, mas vivificada hoje através de visitas constantes a universidades d’além-mar. Uma pergunta intrigou-me: “escritos acadêmicos são chatos?”. Perguntei-lhe pela origem da questão. Afirmou-me evasivamente que lera a instigante consideração em texto publicado recentemente.</p>
<p style="text-align: justify;">Disse-lhe que realmente há textos acadêmicos chatos, chatíssimos até. São eles majoritariamente escritos por “falsos” futuros mestres e doutores, que escrevem por obrigação universitária. Seus trabalhos sem originalidade são defendidos sem brilho pela ausência de conteúdo. Chatice a imperar. Quando a relação não é plena, o texto acadêmico  torna-se fatalmente enfadonho por falta de embasamento e até de relação amorosa com o tema. Não obstante esse lamentável fato, dissertações e teses de valor passam ao largo da palavra pejorativa, pois escritos por pesquisadores competentes. Mais um texto universitário é inovador ou ratificador de teorias que tendam ao alargamento do conhecimento e das mentes, mais ele se torna interessante. Em todas as áreas. Lógico seria supor que aquele(a) que generaliza um texto acadêmico, normatizando-o como sendo chato, não tem certamente a menor condição de compreender o trabalho competente feito para a Academia,  pois deve ter escolhido, entre tantos, o texto errado, certamente chato e, a agravar ainda mais a situação, aquela dissertação ou tese que mergulhará nas profundezas dos arquivos da universidade por falta de consistência.</p>
<p style="text-align: justify;">A chatice não se coaduna com a competência. Patamares distintos situam os textos nessas condições, o primeiro a ser esquecido no rés do chão, o segundo, nas alturas, a servir de referência. Trocamos ideias, ele a considerar as condições de quem escreve e que assim se pronuncia, a lançar anátema aos textos acadêmicos, generalizando-os. Considerei que somente poderá avaliar uma dissertação ou tese em sua plenitude, e a vaticinar sua qualidade, aquele que se encontra instaurado na área, através do conhecimento. Na Academia, será o médico especialista; o engenheiro em sua especificidade; o músico compositor, intérprete, teórico; o doutor em direito, todos esses que estarão plenamente prontos a decifrar conteúdos inerentes às inúmeras áreas do conhecimento. Seria claro igualmente que poderá esse texto ser ininteligível para o leigo ou <em>soi disant</em>, daí também o pretexto para que este leitor rotule de chata a produção acadêmica de alto nível.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, inexpressivas ou competentes, dissertações ou teses poderão não ser compreendidas pelo leigo. Contudo, se este tiver uma cultura abrangente, discernimento e a mente aberta ao desvelamento, certamente encontrará o maravilhamento em trabalhos acadêmicos relevantes. Há que se considerar também, que a tese competente sofre determinadas modificações quando publicada no formato livro. Deve-se o fato à necessidade de abreviá-la tanto em seu texto essencial, como no consequente número de notas de rodapé. Todavia, nas duas formatações, livro e tese serão relevantes para o entendido na matéria. Acredito, pois, que a chatice alegada ou é pela palavra mesma aplicada à inconsistência e, nesse caso, a aplicação é corretíssima, ou pela falta de alcance do leitor quando se depara com dissertação ou tese de alto mérito. Neste caso, pouco a fazer.</p>
<p style="text-align: justify;">Perguntou-me sobre quais livros sobre música procurar. Respondi-lhe que, ao buscar um bom livro sobre a matéria, seu paraíso eterno, primeiramente deveria inteirar-se da origem de quem escreve. Aquele sem o embasamento sólido na área musical estará sujeito a tantos pecados, que se estendem do  desconhecimento àquilo que é bem mais grave, ao livre arbítrio, ou então à simples repetição, com outras palavras, de textos lidos em quantidade incalculável de livros escolhidos sobre a área. Porém, “obras” escritas nessas condições não serão referenciais.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu amigo regressará à sua Uberaba. Afirmei-lhe que teria imenso gosto em voltar a me apresentar nessa bela cidade do triângulo mineiro. Despedimo-nos, pois Carlos teria de dar plantão em hospital próximo. Ainda brinquei a dizer que esperava que a noite não tivesse a chatice enunciada no tal artigo que lera há dias.</p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial; font-size: x-small;"> </span></p>
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<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>On the difficulties of finding a wider audience for academic theses, which I divide basically into two categories: the second-hand ones, written by bad researchers and that no one will ever read, and those written by serious researchers, a result of rigorous investigation methods, but relevant only to those who work in the same field and not to the layman.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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