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	<title>José Eduardo MartinsJEM &#187; José Eduardo Martins</title>
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		<title>“Gratidão” de Oliver Sacks (1933-2015)</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Oct 2026 02:05:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Agradecimento à vida na certeza da morte próxima Não consigo fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é a gratidão. &#8230; Agora estou face a face com a morte, mas isso não quer dizer que não quero mais nada com a vida. Oliver Sacks Oliver Sacks, neurologista e escritor anglo-americano, foi igualmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Agradecimento à vida na certeza da morte próxima</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1041.Sacks-big.jpg" target="_blank"><img title="Oliver Sacks. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1041.Sacks-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Não consigo fingir que não estou com medo.<br />
</em><em>Mas meu sentimento predominante é a gratidão.<br />
</em><em>&#8230; Agora estou face a face com a morte,<br />
</em><em>mas isso não quer dizer que não quero mais nada com a vida.<br />
</em>Oliver Sacks</p>
<p><span style="text-align: justify;">Oliver Sacks, neurologista e escritor anglo-americano, foi igualmente professor de neurologia e psiquiatria. Sua expressiva obra literária, multidirecionada, granjeou-lhe grande projeção, apesar das poucas críticas contrárias ao seu pensar. Li, bem anteriormente, “Alucinações Musicais” (Musicaphilia, 2007), não resenhado em meus blogs que nasciam naquele ano. Penso fazê-lo oportunamente, pois a leitura de “Gratidão” me remeteu ao livro mencionado, que estuda aspectos profundos da mente humana com a música.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Oliver Sacks escreveu “Gratidão” (São Paulo, Companhia das Letras, 2015, tradução Laura Teixeira Motta) cônscio de que sua vida se escoava, mercê de um câncer metastático. Estava no início da fase octogenária. Expressa-se com naturalidade sobre tema espinhoso, mas igualmente a proporcionar uma razão existencial ao leitor, mormente se esse estiver avançado na terceira idade e doente grave. Não se trata de mensagem de esperança, mas a de entender como enfrentar a certeza de um fim próximo. Suas considerações em “Gratidão” complementam sua autobiografia “Sempre em Movimento” (Cia. Das Letras, 2015). Gratidão é um livro de síntese da realidade que se apresentava e Sacks aprende a conviver interativamente com o inexorável. Frisa que a gratidão é pela vida, sabedor de que soube vivê-la: granjeou amizades, realizando-se nos estudos, nos ramos escolhidos da ciência e nos inúmeros livros, cujos temas são bem variados.</p>
<p style="text-align: justify;">“Gratidão” está distribuído em quatro capítulos que se completam: <em>Mercúrio, My Own Life, Minha tabela periódica </em>e<em> Shabat, </em>capítulos esses que foram paulatinamente publicados no New York Times entre 2013 e 2015. No capítulo inicial, Sacks, no peristilo dos 80 anos, detentor de uma mente brilhante, escreve: “(&#8230; lamento ser tão angustiantemente tímido aos oitenta quanto era aos vinte; lamento não falar outra língua além da materna e não ter viajado ou vivenciado outras culturas de modo tão produtivo quanto deveria”. Não acreditando em uma vida após a morte, teria, contudo, o desejo de que seus livros “possam falar às pessoas depois que eu morrer”.</p>
<p style="text-align: justify;">Oliver Sacks faz uma síntese da sua situação, máxime ao adentrar a oitava década da existência “Aos oitenta paira o espectro da demência ou do derrame. Um terço dos meus contemporâneos está morto e vários outros, com graves problemas mentais ou físicos, vivem presos numa existência trágica e mínima. Aos oitenta, as marcas da decadência são demasiado visíveis. Nossas reações são um tanto mais lentas, os nomes nos fogem mais amiúde, e cumpre administrar melhor as energias, mas ainda assim é possível nos sentirmos muitas vezes cheios de vigor e nem um pouco velhos”. Realidade. Aos 88 anos, sempre grato pela existência, testemunho sistematicamente a visita da morte a vários pianistas pátrios. Só na minha área essencial, a música-piano-pesquisa, oito pianistas da minha geração, com os quais mantive sempre relações cordiais, já partiram: Jacques Klein (1930-1982), Gilberto Tinetti (1932-2022), Ney Salgado (1935-2015), Fernando Lopes (1935-2019), Arthur Moreira Lima (1940-2024), Roberto Szidon (1941-2011), Antônio Guedes Barbosa (1943-1993), e Nelson Freire (1944-2021). Faço minhas as palavras de Sakcs: “Já faz uns dez anos que ando cada vez mais consciente de mortes entre meus contemporâneos. Minha geração está na reta final, e sinto cada morte como uma ruptura, como uma parte de mim que é arrancada”.</p>
<p style="text-align: justify;">É admirável, no livro de Oliver Sacks, o sentido de gratidão para com a existência e o convívio: “Amei e fui amado, recebi muito e dei algo em troca, li, viajei, pensei, escrevi”. Acrescenta: “Embora tenha tido amores e amizades e nenhuma verdadeira inimizade, não posso dizer (e ninguém que me conhece dirá) que sou um homem de índole branda. Ao contrário, sou um homem de temperamento impetuoso, com entusiasmos violentos e extrema imoderação em todas as minhas paixões”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em “My Own Life” (Minha própria vida), inicia a pontuar que aos 81 anos ainda nadava um quilômetro e meio por dia, até saber que o mal invadira seu fígado. “Sou grato porque me foram concedidos nove anos de boa saúde e produtividade desde o primeiro diagnóstico, mas agora estou face a face com a morte”. Parcela de portadores de câncer se entregam, com resignação ou não, ao mal. Sacks, no entanto, continuou a sua trajetória normalmente e a sua relação costumeira com aqueles do seu entorno. É admirável a antevisão da morte, admitindo-a, fato que acelera as suas considerações sobre a vida: “Agora devo escolher como viver durante os meses que me restam. Tenho de viver do modo mais rico, profundo e produtivo que puder”. Uma das colocações de Sacks sobre como vislumbrava o seu passado: “Nesses últimos anos tenho sido capaz de ver minha vida como que de uma grande altitude, como uma espécie de paisagem, e com uma noção crescente da conexão entre todas as suas partes”. Faz-me lembrar uma das considerações sobre o tema, emanada por um grande mestre francês com quem estudei em França nos meus vinte anos. Jean Doyen (1907-1982), emérito pianista e professor, dizia que fazemos uma primeira leitura de uma obra e, após estudos, memorizamos. A seguir, sobrevoamos a criação do compositor, tendo captado os seus aspectos essenciais. Tem relevância uma outra colocação de Sacks sobre a concentração após a evolução do mal que o acometia; “Devo me concentrar em mim mesmo, no meu trabalho e nos meus amigos. Não assistirei mais ao noticiário toda noite. Não vou mais prestar atenção em política ou em discussões sobre o aquecimento global”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1041.Sacks2-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title=" Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1041.Sacks2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">No capítulo “Minha tabela periódica”, salientaria sua percepção ao observar o firmamento: “Algumas semanas atrás, no campo, longe das luzes da cidade, vi o céu inteiro ‘polvilhado de estrelas’ (palavras de Milton), eu imaginava que só seria possível ver um céu assim em platôs altos e áridos como o de Atacama, no Chile (onde ficam alguns dos telescópios mais potentes do mundo). Foi esse esplendor celeste que de súbito me fez perceber o pouco tempo, a curta vida que me resta. Minha ideia de beleza celeste, de eternidade, ficou inseparavelmente mesclada a uma ideia de transitoriedade – e de morte&#8230; Gostaria de ver de novo um céu como esse quando estiver morrendo”.</p>
<p>Clique para ouvir de J.S.Bach-Kempff, Coral: Awake, the voice is sounding, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0nQUzeqdu4s">Bach-Kempff &#8211; Awake, the Voice is Sounding &#8211; José Eduardo Martins &#8211; piano</a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">No último capítulo, “Shabat”, Oliver Sacks narra com precisão a sua formação, em que seus pais e toda uma comunidade judaica seguiam à risca todos os preceitos ligados ao Shabat desde o anoitecer de sexta-feira até sábado pouco após o pôr do sol. Visita à Sinagoga, preparação das refeições próprias para a data e mais a devoção dos seus pais, tudo ficaria na memória de Sacks. Contudo, seus pais, ao saberem da sua homossexualidade, proferiram severas críticas, máxime sua mãe, o que o fez, no momento oportuno, imigrar para os Estados Unidos, onde desenvolveu uma carreira brilhante como neurologista e escritor.</span></p>
<p style="text-align: justify;">“Gratidão”, título que remete a tantas figuras com as quais Sachs conviveu ao longo da existência, tem um fim voltado à paz interior: “E agora fraco, sem fôlego, os músculos antes firmes derretidos pelo câncer, encontro meus pensamentos, cada vez mais, não no âmbito sobrenatural ou espiritual, e sim no que se quer dizer com levar uma vida boa, que valha a pena – alcançar a sensação de paz dentro de si mesmo. Encontro meus pensamentos rumando em direção ao Shabat, o dia de descanso, o sétimo dia da semana, e talvez o sétimo dia da nossa vida também, quando podemos sentir que nosso trabalho está feito e, com a consciência em paz, descansar”.<em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Written while he was battling cancer, neurologist and writer Oliver Sacks’s book “Gratitude” is a poignant farewell to life and the friendships dear to him.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Wolfgang von Goethe (1749-1832) e a música</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/10/24/wolfgang-von-goethe-1749-1832-e-a-musica/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2026 02:05:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Algumas decorrências Sinto que, por mais que tenha acumulado em mim todos os tesouros do espírito humano&#8230; quando finalmente quero descansar um pouco, nenhuma força nova brota do meu coração; e não consigo crescer nem o fio de um cabelo, nem me aproximar um pouco do infinito. Goethe “Fausto” Fausto a dialogar com Mefistófoles Estava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Algumas decorrências</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1040.Goethe4-big.jpg" target="_blank"><img title="Goethe. Pintura a óleo de Joseph Karl Stieler (1828). Fonte Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1040.Goethe4-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Sinto que, por mais que tenha acumulado em mim<br />
</em><em>todos os tesouros do espírito humano&#8230;<br />
</em><em>quando finalmente quero descansar um pouco,<br />
</em><em>nenhuma força nova brota do meu coração;<br />
</em><em>e não consigo crescer nem o fio de um cabelo,<br />
</em><em>nem me aproximar um pouco do infinito.<br />
</em>Goethe<em><br />
</em>“Fausto”<br />
Fausto a dialogar com Mefistófoles</p>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">Estava a estudar em Paris (1958-1961) quando, sob a sugestão de Antoine Robert, dileto amigo, que me introduziu a tantas obras literárias importantes europeias, fui presenteado com a extraordinária criação de Goethe, “Fausto”, seguido do segundo “Fausto” (Paris, Le Livre Club du Libraire, s.d.), na magnífica tradução do poeta Gérard de Nerval (1808-1885). Se a obra “Os sofrimentos do jovem Werther” (1774) granjeou-lhe notoriedade na Europa, seria contudo a tragédia “Fausto”, entre tantos outros escritos de Goethe, a sua obra maior a inspirar alguns dos mais ilustres compositores do período, na qual Fausto faz um pacto com Mefisto, o diabo, no desiderato de se livrar de seus tormentos. Lembremos que, bem anteriormente a Goethe, autores da Inglaterra e da Alemanha já haviam se debruçado  sobre a temática de Fausto.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Tendo o conhecimento das duas correntes totalizantes, classicismo e romantismo, Goethe teria uma inclinação maior pela primeira, mercê de vários atributos voltados às regras preestabelecidas. Daquela leitura, que me marcaria para sempre, lembro-me de um pormenor que foi motivo de diálogos proveitosos com Antoine, fortemente versado em literatura e música. Um dos temas se encaminhou para a relevância do número três desde a Grécia Antiga, simbolizado por vários debruçamentos dos pensadores gregos e fundamental no cristianismo, “Deus, Filho e Espírito Santo”. Repassamos a exemplificação clara, na primeira parte de “Fausto”, no segmento “Gabinete de estudo”</p>
<p style="text-align: center;">“Fausto<br />
Batem à porta? Entre! Quem é que vem incomodar-me outra vez?</p>
<p style="text-align: center;">Mefistófeles<br />
Sou eu.</p>
<p style="text-align: center;">Fausto<br />
Entre!</p>
<p style="text-align: center;">Mefistófeles<br />
Tens de o dizer três vezes.</p>
<p style="text-align: center;">Fausto<br />
Entre, pois!”</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das inúmeras “regras” no período clássico musical era a apresentação de determinado motivo duas vezes, sendo que a resolução se daria na terceira vez. J.S.Bach (1685-1750) se utiliza do processo e um exemplo transparente é o início da fuga em dó menor do primeiro volume do Cravo Bem Temperado. Jean-Philippe Rameau (1683-1764), Mozart (1756-1791), Beethoven (1770-1827) e tantos outros seguiram essa “regra”.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Jean-Philippe Rameau, “Les Cyclopes”, na interpretação de J.E.M. (na apresentação do tema, Rameau resolve na terceira exposição):</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xdKjHjNx700">https://www.youtube.com/watch?v=xdKjHjNx700</a></p>
<p style="text-align: justify;">Goethe, apesar de suas preferências, teve inúmeras de suas criações como fonte inspiradora para compositores que permanecem na história. Admirava Mozart desde o momento em que o ouviu tocar aos 7 anos de idade, tendo-o como um dos que mantinham valores voltados às normas clássicas. Entendia-o como um gênio, “um fenômeno, um milagre inexplicável”, comparando-o com outros grandes mestres das artes pictóricas do passado. A canção datada de 1785,  <em>Das Veilchen,</em> “A violeta”, é a única na qual Mozart se utiliza de um poema de Goethe.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Mozart, o <em>lied</em> “Das Veilchen” (A Violeta), na interpretação da soprano Barbara Bonney, tendo ao piano Geoffrey Parssons:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zDSSLo0OSMw">https://www.youtube.com/watch?v=zDSSLo0OSMw</a></p>
<p style="text-align: justify;">Em relação a Beethoven, data de 1812 o encontro com Goethe, amistoso no início, pois o poeta se encantou com as qualidades do compositor e pianista, a ponto de escrever à sua esposa: “nunca vi um artista mais concentrado, mais enérgico e fervoroso”. De sua parte, Beethoven considerava Goethe o grande pensador da língua alemã. A surdez do compositor, a influenciar seu temperamento, foi um dos motivos a distanciá-los para sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">Beethoven compôs várias obras, como <em>lieder</em> e outras mais a partir de poemas de Goethe, destacando-se <em>Egmont</em>,<strong> </strong>música de cena constituída de uma <em>abertura</em> e nove outras partes em que participam soprano, recitante e grande orquestra. A abertura é muito frequentada pelas orquestras em todo o mundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1040.Goethe1-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Goethe. Pintura a óleo de Johann Heinrich Wilhelm Tischbein. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1040.Goethe1-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Beethoven, a abertura de “Egmont” (drama de Goethe), com a orquestra Gewandhaus sob a regência de Kurt Masur:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0oaazxCPNwU">https://www.youtube.com/watch?v=0oaazxCPNwU</a></p>
<p style="text-align: justify;">Franz Schubert (1797-1828) criou 72 <em><span style="text-decoration: underline;">lieder</span> </em>a partir de poemas de Goethe. Fazem parte referencial do repertório para canto e piano.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Schubert, “Der Erkönig” (O Rei dos Elfos), na interpretação excelsa do barítono Hermann Prey, tendo ao piano Karl Engel:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QeIw7Y4UEHY">https://www.youtube.com/watch?v=QeIw7Y4UEHY</a></p>
<p style="text-align: justify;">Franz Liszt (1811-1886) igualmente cultuou a obra literária de Goethe e sua “Sinfonia Fausto” é pujante exemplo. Comporia igualmente <em><span style="text-decoration: underline;">lieder</span> <strong>―</strong></em> estes, tributários às criações literárias do poeta alemão. A primeira e mais conhecida das quatro valsas Mefisto de Liszt decorre da lembrança do personagem de Goethe em seu “Fausto”.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Franz Liszt, “Valsa Mefisto”, na interpretação maiúscula de Geörgy Cziffra:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Cy9Cwrwea9U">https://www.youtube.com/watch?v=Cy9Cwrwea9U</a></p>
<p style="text-align: justify;">Uma das composições mais importantes de Hector Berlioz (1803-1869) é <em>La Damnation de Faust</em> (A Danação de Fausto), drama em quatro partes, no qual o compositor tardiamente retrabalha determinadas cenas compostas décadas atrás sobre o tema extraído da obra de Goethe.</p>
<p style="text-align: justify;">Charles Gounod (1818-1893) escreveria uma ópera em cinco atos, “Fausto”, cujo libreto tem a origem originária no poema de Goethe.</p>
<p style="text-align: justify;">Significativo o fato de que compositores, desde aqueles mais representativos, e outros tantos sem a mesma dimensão, terem se interessado não apenas pelo drama “Fausto” de Goethe, como também pela quantidade de poemas esparsos, testemunhando a importância transcendental de Wolfgang von Goethe.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>How &#8220;Wolfgang von Goethe’s tragic masterpiece, &#8216;Faust&#8217;, profoundly influenced countless prominent composers across the late 18th and 19th centuries.&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Romancinho&#8221;, de Vera Albers</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 03:05:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Leva a pensar Não tinha ainda aprendido a desconfiar do futuro. Vera Albers “Romancinho” Recebi, de uma dileta amiga, livro que a partir do título, “Romancinho”, delimita a sua dimensão. A autora relata, na primeira pessoa, a saga de uma personagem da primeira infância à mocidade, na sequência da própria transformação física e mental. Nas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Leva a pensar</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1039.Capa-big.jpg" target="_blank"><img title=" Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1039.Capa-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Não tinha ainda aprendido a desconfiar do futuro.</em><br />
Vera Albers<br />
“Romancinho”</p>
<p><span style="text-align: justify;">Recebi, de uma dileta amiga, livro que a partir do título, “Romancinho”, delimita a sua dimensão. A autora relata, na primeira pessoa, a saga de uma personagem da primeira infância à mocidade, na sequência da própria transformação física e mental. Nas 49 páginas, o enredo traduz com precisão histórica e geográfica o desenrolar da trama, sobretudo vivida no norte da Itália.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Os curtíssimos capítulos fazem jus à fugacidade dos episódios retidos na memória de uma menina em seus aspectos fulcrais. Na narrativa, as conclusões exaradas pela personagem são curtas e diretas, contendo o resultado do seu pensar, tantas vezes reflexivos para a idade. Os primeiros anos da infância vividos no Piemonte, ao norte da Itália, sem o pai convocado para a guerra, a resultar em “0 mundo era feito de mulheres e de espera”. Nesses tempos sombrios, mãe e filhas partem para a casa dos avós, “a casa de Domodossola era feita de espera, a de Nembro era feita de presença. Tudo ali acontecia ao mesmo tempo”. O arquivamento, na mente da criança, de circunstâncias do cotidiano será fundamental para a sua formação. São elementos estabelecidos pela autora que, centrando nos <em>flashes</em> do pensar da miúda, não despreza o entorno, e a existência dos anos belicosos não passaria ao largo, substanciando aquele pensar e a torná-lo menos otimista.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1039.meninas-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Ilustração extraída do livro em pauta. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1039.meninas-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Como não lembrar da igreja próxima à casa dos avós: “Dela vinha o sino, a missa interminável, o latim que não compreendia, mas me hipnotizava. O cheiro do incenso me dava vertigem. Eu resistia. Resistir era uma forma de estar”. Desse cotidiano, recordações das andanças, descobrindo a natureza, árvores, frutos, folhas, resíduos pelo caminho: “pequenas coisas inúteis que para nós eram provas de existência. Eu não sabia que aquilo era felicidade. Sabia apenas que aquilo era o mundo”. Ao envenenarem um gato que amava, observaria <em>sur le tard</em>: “Não sabia ainda que morrer em partes seria uma constante”.</p>
<p style="text-align: justify;">Finda a guerra, o pai volta ileso: “Não chegou como alguém que retorna, mas como alguém que se instala”. Brincava com a filha nos seus quatro anos, mas mostraria severidade. A mudança para perto de Carrara, em uma casa maior com jardim espaçoso, fica registrada na memória em seus aspectos oscilantes, com brincadeiras, mas a ter episódio que marcaria a segunda infância: “Era um exame. Disseram depois. Para mim, foi outra coisa”. A autora conduz o leitor a imaginar. Mistério.</p>
<p style="text-align: justify;">Encontrar tênues alegrias foi um refúgio para a realidade. O regresso da escola é um desses momentos retidos: “Ao voltar, caminhava pelos campos. Catava violetas. Observava fungos estranhos, ocos como pequenas arquiteturas sem função. Eram meus momentos de acordo com o mundo. Antes de voltar para a casa”.</p>
<p style="text-align: justify;">Milão, etapa seguinte, mercê do esgotamento nervoso do pai. As mulheres retornam à morada dos avós em Nembro. Aos nove anos, a percepção da casa faz-se outra. Mergulha doravante na leitura: “Li tudo. Li sem critério. Li como quem constrói uma casa invisível”. Estabelece a relação com a simetria, “&#8230;uma forma de calma”.</p>
<p style="text-align: justify;">Tem interesse a empatia que terá com uma boneca de pano. Não apenas cuidava das suas roupas, mas entendia o seu silêncio: “A boneca não reclamava. Não invadia. Não exigia explicações”. A autora reitera a tendência da personagem pela simetria.</p>
<p style="text-align: justify;">Adolescente, entende olhares em sua direção e de um menino da sua faixa recebe mensagem a dizer que ela “era bonita e ajuizada”. Sente que “havia momentos em que algo se agitava em mim sem pedir permissão”.</p>
<p style="text-align: justify;">A autora muda o cenário. A mocinha personagem viaja com a família para o Brasil, pois o pai assinara contrato por alguns anos com empresa do país. Santos, São Paulo. Hotel e, finalmente, uma casa: “Tudo parecia uma cópia imperfeita de algo que eu perdera”. Menina-moça doravante e a infalibilidade a atingir todas as outras meninas-moças em período certo: “Eu não sentia orgulho, nem curiosidade, nem alívio. Assentia apenas uma espécie de condenação silenciosa. O corpo tinha decidido por mim”.</p>
<p style="text-align: justify;">Aprende com facilidade a nova língua e, na escola, a leitura, já presente na infância, sofre aceleração maior: “A biblioteca tornou-se território”. Confessaria: “Se eu sobrevivi, foi lendo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Transcrevo o curtíssimo capítulo final:</p>
<p style="text-align: justify;">“Anos depois, já fora daquela casa, chorei por horas seguidas-não de tristeza, mas de alívio.</p>
<p style="text-align: justify;">Livre.</p>
<p style="text-align: justify;">O sal ficou. O gosto do mar. O corpo que aprende tarde demais e cedo demais. A memória que ainda volta, às vezes, como um cheiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas agora eu tinha palavras.</p>
<p style="text-align: justify;">E com elas, sobrevivi”.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto ao texto, é admirável o sentido de concisão de Vera Albers. As frases de síntese apreendem não apenas um domínio absoluto da nossa língua, como contêm em tantas situações, apesar da faixa etária da personagem, o sentido pleno de máximas sobre a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Recomendo vivamente a leitura de “Romancinho”.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>In her first-person novel *Romancinho*, Vera Albers recounts the journey of a girl born in northern Italy during World War II, from early childhood through puberty — which she experiences in Brazil. The narrative moves from her initial childlike observations to her transformation into a young woman who, despite both positive and negative experiences, survives. </em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Continuam os ecos sobre o romantismo musical</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2026 03:05:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Tema inesgotável Porém, a arte só beija quem por ela almeja ser beijado. A arte exige uma liturgia, um ritual, que se prende com a fonte da dádiva e a aproximação do amor. A arte atravessa a nossa mente com pés de pomba à mínima tempestade torna-se invisível, substituída pelos apelos do cotidiano. Miguel Real (1953-) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Tema inesgotável</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/610.Aivazovsky-big.jpg" target="_blank"><img title="Pintura de Ivan Konstantinovich Aivazóvsky (1817-1900). Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/610.Aivazovsky-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Porém, a arte só beija quem por ela almeja ser beijado.<br />
</em><em>A arte exige uma liturgia, um ritual,<br />
</em><em>que se prende com a fonte da dádiva e a aproximação do amor.<br />
</em><em>A arte atravessa a nossa mente com pés de pomba<br />
</em><em>à mínima tempestade torna-se invisível,<br />
</em><em>substituída pelos apelos do cotidiano.<br />
</em>Miguel Real (1953-)</p>
<p style="text-align: justify;">A partir do blog publicado aos 12/09, “Nono Encontro <em>Privé</em>”, foram muitas as mensagens recebidas, e o post publicado no dia 26 foi o resultado das reflexões apreendidas, o que muito me alegra. Geralmente breves, os envios tem, contudo, aspectos de profundo interesse, pois multidirecionados num tema tão abrangente como o romantismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Dentre os recebimentos, um se estendeu e captou essencialidades que merecem outras considerações. Gildo Magalhães, professor titular aposentado da FFLECH-USP, especialista em História da Ciência, tece seus comentários: “Muito oportuno o blog sobre o ‘Nono Encontro <em>Privé</em>’. Para além da importância de Henrique Oswald, descortinada por você de forma cabal e emocionante, surge a questão do romantismo. Para muitos, romântico acaba sendo sinônimo de sentimental. Sempre desconfio de rótulos peremptórios, porque Bach expressa sentimentos tão fortemente quanto Beethoven. E Shostakovich tem composições que apelam fortemente para nossos sentimentos, e vamos por aí afora. Naturalmente há a circunstância histórica, como você bem lembra, ligada ao desenvolvimento político das nações, e que, com as revoluções americana e francesa, vem se desenrolando, porque não se completa, testemunhado mesmo até na preocupante era em que vivemos. Mas a rígida compartimentação temporal não basta, porque é extrapolada sem parar, e extravasa para outras artes, como a literatura, a pintura, etc. Sabemos que a essência da arte escapa à divisão em escolas &#8211; tenho para mim que isso atrapalha mais do que ajuda. Enfim, é tema para muitas incursões e você faz muito bem em voltar a um assunto que não termina e &#8211; ainda bem &#8211; não deve terminar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Há ampla literatura a respeito do romantismo nas artes como um todo e na literatura. Particularmente sobre a música, há igualmente livros de grande interesse que apreendem particularidades, a depender de cada autor <strong>―</strong> musicólogo, historiador ou músico atuante ―, muitas delas abordadas de maneira inédita, fato que enriquece o conhecimento sobre o período. Como afirma o professor Gildo Magalhães em sua mensagem sobre a diversidade temática no que concerne ao romantismo, “&#8230; um assunto que não termina e ainda bem-não deve terminar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Que os compositores dos períodos barroco e clássico exprimiam sentimentos em incontáveis criações é fato notório, como atestam as obras do período. Tendo o professor Magalhães citado J.S.Bach a expressar sentimentos, mencionaria um fato ocorrido em 2004.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma semana após o falecimento do meu saudoso genro, José Rinaldo Lazarini, estava a gravar na Bélgica um CD para o selo De Rode Pomp daquele país, dele a constar Estudos para piano de dez relevantes compositores contemporâneos belgas. Três longas noites de gravação, que se prolongavam até o alvorecer. Findo os registros fonográficos, solicitei ao notável engenheiro de som Johan Kennivé que apagasse todas as luzes e deixasse apenas uma pequena iluminação sobre o teclado. Veio-me à mente o coral “Jesus alegria dos homens”, de J.S.Bach, transcrito para piano por Myra Hess. Ao finalizar, estava bem emocionado com o tributo a José Rinaldo, máxime por ter ele partido aos 39 anos.</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Bach-Hess, Jesus, alegria dos homens, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=flrkpW5L4KQ">https://www.youtube.com/watch?v=flrkpW5L4KQ</a></p>
<p style="text-align: justify;">A eclosão dos sentimentos no romantismo musical se dá, entre vários fatores libertários, às vivências dos compositores, resultando na fixação nas partituras das intenções interpretativas indispensáveis aos executantes, como inseri no post anterior, máxime termos como <em>rubato, </em>assim como tantos outros. A rica sinalização corroborou as intenções dos compositores no que concerne à interpretação do extraordinário repertório composto para o piano no período romântico.</p>
<p style="text-align: justify;">Importa saber que, no romantismo, há a exaltação da individualidade frente às amarras da convenção. A clara eclosão do sentimento, que existia e era expresso no classicismo, mas de maneira mais contida, não encontra limites em incontáveis criações românticas. Sob o aspecto da apresentação, o recital público eclodiu em pleno romantismo, nessa fase da execução individual em que a exacerbação emotiva e a virtuosidade plena se propagaram rapidamente, tendo como destinação um público ávido do espetáculo não apenas da exibição do artista, mas da obra a ser executada. Notáveis virtuoses e compositores se destacaram, tendo, como protagonista-mor, o compositor e extraordinário pianista Franz Liszt (1811-1886), assim como Fréderic Chopin (1810-1849) e Sigismond Thalberg (1812-1871), mas também o grande violinista e compositor Niccolò Paganini (1782-1840).</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" title="Pianista Guiomar Novaes (1894-1979). Desenho de Carlos Oswald (1882-1971). Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/701.GN3a-small.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Franz Liszt, Liebestraume nº3, na interpretação da notável Guiomar Novaes (1894-1979):</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Jl_WikZqeXg">Guiomar Novaes plays Liszt Liebestraume No. 3 in A flat</a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">Se considerada for a presença de elementos que serão vitais no romantismo, a preponderar a eclosão dos sentimentos e, nesse aspecto, a individualidade é crucial, contrastando com o espírito clássico, que tenderia ao universal, a fonte criativa do compositor romântico se estruturou numa certa tendência à instabilidade, apesar de determinados princípios formais e estruturais do classicismo serem aceitos parcialmente. A ter em mente o que se ouve nos centros mais conhecidos do mundo, largamente voltado ao repertório clássico-romântico e àquele que, adentrando o século XX na sua quase extensão, preservou o técnico-pianístico sem maculá-lo na essência, apesar de determinadas criações sob formas diferenciadas.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Ao nomear Dmitri Shostakovich (1906-1975), Gildo Magalhães evidencia que o sentimento romântico não deixou de estar presente na obra dos mais variados compositores pertencentes às tendências composicionais que, iniciadas na primeira metade do século XX, proliferaram a seguir numa abertura em forma de leque. Alguns, por vezes, em suas criações vanguardistas revisitaram ideais românticos em suas obras, caso do próprio Shostakovich. Mais recentemente, são inúmeras as correntes composicionais, sendo difícil compartimentá-las.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Among the countless messages received regarding musical Romanticism, I would like to highlight the one from Professor Gildo Magalhães, which delves into some fundamental aspects.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Flexibilizações da frase musical no romantismo</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/10/03/flexibilizacoes-da-frase-musical-no-romantismo/</link>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2026 03:05:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Transformações musicais inovadoras no período romântico O músico romântico será naturalmente levado a procurar formas sonoras que traduzam o instável e o mutável — a captar as imagens musicais do devir. Roland-Manuel (1891-1966) A respeito do blog a focalizar o “Nono Encontro privé” (12/09), recebi mensagens de grande interesse sobre o romantismo. Três delas sugerem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Transformações musicais inovadoras no período romântico</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/839.Rodin-big.jpg" target="_blank"><img title="Escultura de Auguste Rodin. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/839.Rodin-small.jpg" alt="" /></a><em> </em></p>
<p><em>O músico romântico será naturalmente levado<br />
</em><em>a procurar formas sonoras que traduzam o instável e o mutável —<br />
</em><em>a captar as imagens musicais do devir.<br />
</em>Roland-Manuel (1891-1966)</p>
<p style="text-align: justify;">A respeito do blog a focalizar o “Nono Encontro privé” (12/09), recebi mensagens de grande interesse sobre o romantismo. Três delas sugerem a abordagem dos efeitos decorrentes da produção romântica musical em termos da interpretação instrumental. A simpática provocação me leva prazerosamente a expor algumas dessas consequências que, ao longo de dois séculos, tornaram-se efetivas em basicamente todas as interpretações correspondentes ao romantismo, efeitos esses que muitos dos intérpretes aplicam erroneamente nas criações do repertório do período clássico. Este fato, entendido de maneira arbitrária e individualmente praticado por tantos músicos consagrados, leva a essência essencial dessa produção clássica ao impasse, mercê de visões pessoais de executantes frente à obra interpretada.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a composição musical no romantismo, sob o aspecto formal, ampliou a concepção de determinadas formas, como a Sonata executada ao cravo, que sofreria transformações na sua estrutura, mormente a partir das primeiras décadas do século XIX, através do pianoforte e do piano a seguir, tendo como protagonistas maiores, Haydn (1732-1809), Mozart (1756-1791), Beethoven (1770-1827), mormente nas últimas Sonatas, Schubert (1897-1828), encontraria na Sonata em si menor de Liszt (1811-1886) dedicada a Schumann (1810-1856) um definitivo divisor de águas. A forma, já bem alterada, seria incorporada às aspirações de compositores eslavos e de outras nacionalidades. E é no romantismo que claramente eclodem determinadas categorias de peças musicais curtas, expressivas ou voltadas à virtuosidade, sem necessariamente estarem ligadas ao rigor formal, entre elas: <em>Noturno, Estudo, Balada, Scherzo, Rapsódia, Improviso</em> e tantas mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1038.Sanson-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Sanson François. Fonte Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1038.Sanson-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Chopin, Balada nº 1 em sol menor, na interpretação de Sanson François:</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YpWIiLfhaD4">https://www.youtube.com/watch?v=YpWIiLfhaD4</a></p>
<p style="text-align: justify;">E, nessas formas, o compositor se sente liberto da maioria das amarras. Enfatize-se que a criação romântica se distancia da composta no classicismo, pois esta se fundamenta em limites, num respeito preferencial às normas pré-estabelecidas, contrariamente ao compositor romântico, que se sente menos dependente ao criar.</p>
<p style="text-align: justify;">Um fator determinante se deu com as formas reestruturadas ou novas em pleno romantismo, verdadeira ampliação nas formulações, máxime igualmente pela evolução do piano, instrumento que sofreu influência com as conquistas da Revolução Industrial. Em pleno século XIX, a indústria do aço foi responsável pelo aperfeiçoamento do piano, que passou a ter uma tábua harmônica de aço, doravante muitíssimo mais resistente do que a de madeira, possibilitando suportar a tensão das cordas mais robustas e dispostas diversamente às dos pianos anteriores. Ampliou-se a sonoridade. Esse avanço surgiu simultaneamente num período em que as salas de concerto ficaram maiores. Composições voltadas à ampla virtuosidade tornaram-se desafios para compositores e intérpretes.</p>
<p style="text-align: justify;">No romantismo, o discurso musical adquire maior flexibilidade devido, entre outras causas, ao culto à flutuação de andamentos. Para tanto, uma terminologia abrangente, utilizada pelos compositores a partir do romantismo, corrobora uma adequada compreensão do intérprete frente à partitura. O entendimento padrão desses termos não impede a interpretação pessoal, pois o intérprete consciente não é um robô. Não obstante, termos como <em>rubato</em>, <em>accelerando</em>, <em>ritenuto</em> ou <em>ritardando</em>, <em>agitato</em>, ou mesmo frases dos compositores orientando o intérprete <strong>―</strong> <em>três doux avec langueur, avec une élégance grave et lente</em>; <em>mouvement de Habanera – avec des brusques oppositions d’extrême violence et de passionnée douceur</em>; <em>dans um sentiment intime</em>; <em>avec une certaine pompe</em>; <em>dolce graziosamente</em>; <em>con eleganza</em>, <em>con fidúcia </em><em>―</em> e incontáveis outras indicações, basicamente inexistentes nos períodos anteriores ao romantismo, serviam de um guia, sinalizando o pensar do compositor no ato da criação, ideias a complementar o pensamento do músico executante.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1038.Fauré-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Gabriel Fauré. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1038.Fauré-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Clique para ouvir, de Gabriel Fauré, Nocturne nº 4, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=X1MnLY21eAo&amp;t=371s">https://www.youtube.com/watch?v=X1MnLY21eAo&amp;t=371s</a></p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a compreensão da frase musical, o <em>rubato</em>, termo italiano a indicar uma flexibilização durante uma ou mais frases do discurso musical, propagou-se no romantismo. O verbete no Dicionário de Música, elaborado por Tomás Borba e Fernando Lopes-Graça (Lisboa, Cosmos, ed., 1958), reza: “Modo de execução em que, sobretudo em passagens expressivas, se adopta uma grande liberdade de movimento sem que, porém, se destrua o essencial do ritmo.  Parece ter sido Tosi quem, em 1723, introduziu na música esta expressão”. Seria, contudo, no romantismo musical que a palavra se tornaria amplamente utilizada, máxime nos andamentos mais lentos. Por vezes encontramos o <em>molto rubato</em>, aviso de que determinado segmento musical deve ser ainda mais expressivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou a me lembrar de um comentário do meu professor de piano (1954-1958), o notável José Kliass (1895-1970), que de imediato me fez entender o processo. Comparava o <em>rubato</em> a um bêbado que executa passos laterais em aceleração, equilibra-se por vezes sobre uma perna e retorna aos passos em aceleração para novo equilíbrio.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos leitores que me propuseram abordar os efeitos da produção romântica na interpretação instrumental, convém lembrar que palavras-chave, como timbre e flutuação dos andamentos, são preocupações que não estavam a vigorar conscientemente no pensar criativo dos compositores do período clássico, ao menos na escrita.</p>
<p style="text-align: justify;">Frequentado pela grande maioria de pianistas, o repertório romântico continua a ser uma das preferências dos ouvintes e um desafio constante à interpretação ao piano, mercê dos seus atributos inalienáveis.</p>
<p><em>In response to messages I have received regarding certain characteristics of Romanticism in music, I address several significant aspects related to the interpretation of works from this important period in music.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ecos do &#8220;Nono Encontro privé&#8221;</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/09/26/16240/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/09/26/16240/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 03:05:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[O culto aos preceitos românticos O romantismo, para além das dicotomias que pesam sobre o homem moderno, procurou apaixonadamente a indissociação entre o bem e o mal, entre a liberdade e a necessidade, entre a consciência e a natureza. Vladimir Jankélevitch (1903-1985) (“Le Nocturne&#8221;) Tem interesse a quase unanimidade dos leitores que captaram os eflúvios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O culto aos preceitos românticos</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1037.FChopin-big.jpg" target="_blank"><img title="Fréderic Chopin. Pintura de Eugène Delacroix. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1037.FChopin-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>O romantismo, para além das dicotomias<br />
</em><em>que pesam sobre o homem moderno,<br />
</em><em>procurou apaixonadamente a indissociação<br />
</em><em>entre o bem e o mal,<br />
</em><em>entre a liberdade e a necessidade,<br />
</em><em>entre a consciência e a natureza.<br />
</em>Vladimir Jankélevitch (1903-1985)<br />
(“Le Nocturne&#8221;)</p>
<p style="text-align: justify;">Tem interesse a quase unanimidade dos leitores que captaram os eflúvios românticos que se depreendem das composições de Henrique Oswald. Vários me escreveram sobre esse culto prolongado ao romantismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo dos 19 anos e meio de blogs ininterruptos, foram diversos os posts que dediquei a esse período tão rico não apenas para a música, como para a literatura e outras manifestações artísticas. Compositores do período barroco e da época do classicismo professaram formas preestabelecidas, que lhes proporcionavam uma segurança na criação de suas músicas. Apesar do engessamento formal, foi imensa a produção que, atravessando os séculos, continua a ser reverenciada por musicólogos e intérpretes. Retornar ao tema do romantismo musical é sempre prazeroso, mercê da qualidade de tantos compositores que durante o romantismo se “libertaram” de uma rigidez formal vigente durante séculos.</p>
<p style="text-align: justify;">A Revolução Francesa (1789-1799) foi uma das causadoras da eclosão romântica, que se expandiria a partir do início do século XIX. Anteriormente, vemos considerável número de compositores que viviam sob as benesses da nobreza ou sob o manto das ordens religiosas. O grito libertário, emanado nos tempos revolucionários, teria sido uma das causas da busca de caminhos novos. Os primórdios do romantismo foram fixados nesse período pós-revolução. Foi na Alemanha, nas fronteiras dos séculos XVIII e XIX, que o movimento, que englobaria a literatura, a música e as artes, “Sturm und Drang” (Tempestade e ímpeto), teve influência que se espalharia pela Europa. O compositor, pouco a pouco, “transformaria” formas rígidas, dando-lhes maior abertura e criando outras mais. Acrescente-se ao período uma noção cultural mais abrangente por parte de compositores, escritores, poetas e pintores – libertária, na realidade -, a corroborar o dirigismo das novas concepções criativas.  A arte teria como fonte indelével a mensagem da expressão do sentimento individual e não a do coletivo. Na música, exemplos claros foram professados por Karl Maria von Weber (1786-1826), Beethoven (1770-1827) e Schubert (1797-1828). É justamente a presença do sentimento, tantas vezes da maneira mais explícita, a atingir limites extremos, que compositores, máxime Chopin (1810-1849), Schumann (1810-1856), Liszt (1811-1886), Brahms (1833-1897), Berlioz (1803-1869) e Wagner (1813-1883), para citar alguns dos mais representativos, propiciaram a fixação romântica durante um vasto período.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1037.Wagner-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Richard Wagner. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1037.Wagner-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Clique para ouvir,  de Wagner-Liszt, a transcrição para piano de A Morte de Isolda, extraída da ópera Tristão e Isolda, na interpretação de Arthur Moreira Lima:</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L4wWsaSJ4tw">https://www.youtube.com/watch?v=L4wWsaSJ4tw</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1037.Liszt-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Franz Liszt. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1037.Liszt-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Creio que o ilustre compositor, regente e escritor português Fernando Lopes-Graça traduz com precisão o entendimento do romantismo musical: “Sentindo-se libertado de tutelas religiosas e aristocráticas, sentindo-se uma <em>pessoa social</em>, o compositor, na exaltação da sua personalidade moral e espiritual conquistada e reconhecida, começa a fazer do seu eu o motivo e o agente da sua obra. Quer cantar-se a si mesmo, nas suas dores, nas suas ilusões, nas suas ideias, nas suas aspirações. Pretende levar aos outros homens o calor da sua mensagem, de uma mensagem de beleza e de humanismo, para que se sente eleito. É poeta e apóstolo. Supõe-se o centro do mundo, e daí o ver a realidade deformada ou reduzida a termos do seu próprio eu. É ao mesmo tempo um idealista. Cria para si a sua própria lei e fé mas, do mesmo passo, por um excesso de orgulho e hipertrofia do eu, quer levar aos outros essa lei e essa fé.” (“Obras Literárias – Opúsculos 2”. Lisboa, Caminho, 1984).</p>
<p style="text-align: justify;">Diversos especialistas fixam um período romântico musical que iria até Wagner e Liszt e, como continuação, compreendem como pós-romantismo. Entendo que o termo romantismo sem prefixo já se basta, pois há uma linha única, caudaloso rio com afluentes, a depender dos estilos dos compositores pós Wagner, mas que teria fim com a morte de Serguei Rachmaninoff (1873-1943), pois o notável compositor russo permaneceu fiel à linha romântica &#8211; com raras exceções em sua profícua produção, contrariamente ao seu exato contemporâneo, Alexandre Scriabine (1872-1915), nascido um ano antes e que, de um romantismo exacerbado se direcionaria, em sua breve existência, a uma linguagem distanciada, personalíssima, a qual recebe imensa influência do seu pensar místico. Como não considerar tantas das criações de Camille Saint-Saëns (1835-1921) ou de Gabriel Fauré (1845-1824) como plenas de romantismo?</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1037.Rachmaninov-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Sergei Rachmaninov. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1037.Rachmaninov-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Rachmaninov, Étude Tableau op. 39 nº 8, na interpretação de J.E.M. (gravação ao vivo durante o Concurso Tchaikovsky em Moscou, 1962):</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fBwvQq9sj9g">https://www.youtube.com/watch?v=fBwvQq9sj9g</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fBwvQq9sj9g"></a><span style="text-align: center;">É bem possível que as tendências que surgiram nas fronteiras dos séculos XIX-XX tenham, em contrapartida, determinado a compreensão desse </span><em style="text-align: center;">pós, </em><span style="text-align: center;">agregado ao termo romântico.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Impressionismo, dodecafonismo e seus desdobramentos, até a atual fase em que há múltiplas tendências composicionais, explicam a individualização, pois a maioria dos compositores de hoje tem técnica personalizada. Não a tendo, e seguindo princípios precedentes, esse músico tende a ser anatematizado por muitos dos seus pares, que professam tendências em constante ebulição. Assim como o classicismo está fixado no passado, igualmente o romantismo já está instalado em seu período histórico. Entretanto, permanece como fonte da extraordinária criação musical sempre visitada pelos intérpretes.</p>
<p style="text-align: justify;">O nosso maior romântico, Henrique Oswald (1852-1931), manteve-se sempre fiel à sua linha estética voltada ao romantismo. O seu “redescobrimento” relativamente recente, na segunda metade do século XX, não o apresenta como um inovador, mas um compositor que foi fiel à tradição recebida por seus mestres da Itália durante os cerca de trinta anos vividos no país.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>In earlier posts, I discussed the topic of Romanticism. Having received several messages regarding Romanticism in the work of Henrique Oswald, I return to the subject with a different approach.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Bom dia, Inverno&#8221; Tamara Klink</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2026 03:05:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma aventura que ficará na história O maior desafio da minha carreira foi aceitar minha filha fazer coisas piores do que eu fazia. Amyr Klink “documentário” Para meu pai. Quando eu era pequena, você me contava histórias do seu inverno no mar gelado. Eu tinha muitas perguntas. Essa viagem começou ali. Tamara Klink “Bom dia, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Uma aventura que ficará na história</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1035.Tamara2-big.jpg" target="_blank"><img title=" Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1035.Tamara2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O maior desafio da minha carreira foi aceitar</em><br />
<em> minha filha fazer coisas piores do que eu fazia.</em><br />
Amyr Klink<br />
“documentário”</p>
<p>Para meu pai.<br />
<em>Quando eu era pequena,</em><br />
<em> você me contava histórias do seu inverno no mar gelado.</em><br />
<em> Eu tinha muitas perguntas. Essa viagem começou ali.</em><br />
Tamara Klink<br />
“Bom dia, inverno”</p>
<p style="text-align: justify;">No dia dos pais, uma das filhas me presenteou com o relato personalíssimo de Tamara Klink, “Bom dia, Inverno” (São Paulo, Companhia das Letras, 2026), sabedora de que aprecio igualmente livros de aventura. Desde a adolescência, admiro as ousadias humanas que estimulavam a imaginação. Estou a me lembrar da leitura da “Expedição Kon-Tiki”, de Thor Heyerdahl (1914-2002), nos anos 50, a integral de Saint-Exupéry (1900-1944) durante o período em que estudei na França, e as bem posteriores sobre as incursões no Himalaia de vários autores, tanto sobre o Everest como o K2. Do aventureiro francês Sylvain Tesson (1972-), ao longo dos blogs, cerca de dez livros foram resenhados</p>
<p style="text-align: justify;">Conheci Amyr Klink, pai da autora de “Bom dia, inverno”, em um restaurante árabe no Campo Belo, bairro da zona sul de São Paulo. Em uma segunda oportunidade entreguei-lhe um CD com composições do notável Francisco de Lacerda (1869-1934), pois Klink iria permanecer longo tempo na Antártida. As “Trente-six histoires pour amuser les enfants d’un artiste” focalizam a fauna terrestre e aquática. Toda a extraordinária coletânea está no Youtube divididas em três blocos. Na terceira, Lacerda apresenta vários animais que frequentam as águas e as terras, inclusive “Les Pingouins” (nº34), que vivem na Antártida. Meses após, reencontro Amyr Klink no mesmo restaurante e ele me afirmou que em momentos de absoluta solidão ouvia o referido CD, fato que me alegrou ao saber que as obras do ilustre compositor açoriano estavam a ser ouvidas em circunstâncias tão especiais.</p>
<p style="text-align: justify;">“Bom dia, inverno”materializa um dos anseios da autora, que já havia anteriormente atravessado o Atlântico vinda do continente africano, mas almejava feito mais absoluto, que se tornou realidade após os oito meses passados no Ártico. Deslocou-se em seu pequeno veleiro, Sardinha2, até a Groenlândia e, durante longos 8 meses, permaneceu num fiorde, pois tinha como desiderato viver o pleno inverno ártico, a ausência da luz externa sem a presença do sol e no mais absoluto solilóquio, salvo a presença brevíssima de pescadores ou caçadores pela região que chegou a conhecer.</p>
<p style="text-align: justify;">“Bom dia, inverno” distancia-se da grande maioria dos relatos de aventuras excepcionais. Dir-se-ia, uma absoluta confissão do de profundis de Tamara, mas igualmente a vivência em circunstâncias meteorológicas quase extremas, sem quaisquer barreiras, externando os mínimos pormenores do seu cotidiano, como alimentação, higiene, afazeres domésticos realizados na precariedade do seu veleiro Sardinha2, assim como incursões fora da embarcação, não apenas passeios solitários para conhecer entornos, a fauna, observar o firmamento e o fenômeno da aurora boreal. Naqueles oito meses deparou-se com as transformações das noites intermináveis à volta solar progressiva.</p>
<p style="text-align: justify;">A necessidade imperiosa de vivenciar a solidão em seu veleiro, apesar de saber de todas as possibilidades reais e imponderáveis, atravessa a narrativa de maneira coloquial, sem pretensões outras a não ser transmitir o que sente. Em uma circunstância mais aguda quase morreu ao pisar no gelo frágil e ficar por instantes numa temperatura de 26º graus negativos.  Lição aprendida. Compensa o isolamento humano com “fraterna” interação com pássaros, máxime raposas, nomeando algumas, apesar de nenhum contato físico. Inúmeras vezes   seu barco recebeu a visita dessas raposas do Ártico.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1035.Tamara-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Tamara Klink. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1035.Tamara-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Tem interesse desvelamentos de Tamara: “Quanto mais cansada, mais sonho e realidade se confundem”; “Os sonos curtos são eficazes, mas têm pequenos efeitos colaterais, como a perda da memória e de lucidez. Como desconfio da minha cabeça, sigo a lista de instruções que criei para não perder energia tomando decisões: a cada vinte minutos, verificar se há barcos ao redor e se as velas estão bem reguladas: a cada quatro horas, verificar se há algo estranho no cockpit, se tem água entrando debaixo do piso, comer, beber água, ir ao banheiro (ou ao balde azul), sempre pôr o colete e me amarrar do lado de fora, anotar todos os eventos no diário de bordo”. Um outro parágrafo tem efeito essencial para aqueles que realmente amam a solidão como Tamara: “Enquanto procurarmos o amor no outro, faremos da solidão nossa rival. Veremos apenas o que ela tem de escuro: silêncio, sombras, vazio, imensidão, segredos, medo. Tentaremos combatê-la nos cercando de gente estranha, de vozes intrometidas, de luzes que piscam. Tentaremos afogá-la com bebidas e poções, esquecê-la com distrações. Tentaremos explodi-la e explodiremos a nós mesmos. Porque somos feitos de solidão: enquanto procuramos o amor no outro, perdemos a chance de fazer da solidão nossa aliada, dando ao outro a chave do nosso prazer”. Não poucas vezes, e é necessário frisar, Tamara se sente imensamente feliz durante a longa solidão Ártica.</p>
<p style="text-align: justify;">Na narrativa de Tamara a família não se ausenta. A avó é permanente interlocutora, mãe e pai são citados, e as citações a este são frequentes: “Criança, sonhei ser muitas coisas. Quando pedi para meu pai me ajudar a aprender a navegar como ele, ele responder que sua ajuda seria não me ajudar”. Sabedor de todas as adversidades possíveis nessas navegações solitárias, um pai responsável só poderia dar essa resposta precisa. Em outro segmento: “&#8230; se um dia eu for mãe, provavelmente não poderei fazer o que meu pai fez sendo pai. O pai que corre riscos recebe prêmios. A mãe que corre riscos recebe críticas”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Bom dia, inverno” é um diário pleno de alternativas centradas sempre num arguto senso de observação de Tamara. Majoritariamente, revela suas sensações frente à solidão e se, por vezes, tem contato com pescadores, caçadores e, quando ancorada em porto frequentado por outros barcos e veleiros, com personagens diversificados, esses encontros são fortuitos e desaparecem do relato.</p>
<p style="text-align: justify;">Um feito absolutamente excepcional realizado por uma jovem aos 26-27 anos, nessa passagem para a idade madura, numa região inóspita sob tantos aspectos, mas com a certeza de que era um objetivo a ser alcançado.</p>
<p style="text-align: justify;">Presentemente, Tamara empreende uma outra viagem admirável, a travessia solitária e plena de riscos, no seu Sardinha2, pela ligação dos Oceanos Pacífico e Atlântico, tendo já cruzado o icônico Mar de Bering. Nossos pensamentos positivos para a brava aventureira.</p>
<p style="text-align: justify;">A recepção ao livro tem sido imensa e plena de merecimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>The book “Good Morning, Winter”, by Tamara Klink, is a fascinating read that recounts the adventure of a young sailor who spent eight long months anchored in a fjord in Greenland aboard her sailboat “Sardinha2,” bravely weathering</em></p>
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		<title>Nono Encontro privé</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/09/12/16219/</link>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2026 03:05:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Em torno de Henrique Oswald (1852-1931) Não sou um optimista. O que sou é determinado naquilo em que me apetece ser determinado, e continuo convicto até entender que a convicção estava errada e tenho de mudar. Mas isso não tem acontecido muito. Agostinho da Silva (1906-1994) “Entrevista” Após dedicarmos vários Encontros a notáveis compositores acima [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Em torno de Henrique Oswald (1852-1931)</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/856.HO-big.jpg" target="_blank"><img title="Henrique Oswald. Gravura em metal de Carlos Oswald (1882-1971), filho do compositor e pioneiro da gravura em metal no Brasil. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/856.HO-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Não sou um optimista. O que sou é determinado<br />
</em><em>naquilo em que me apetece ser determinado,<br />
</em><em>e continuo convicto até entender<br />
</em><em>que a convicção estava errada e tenho de mudar.<br />
</em><em>Mas isso não tem acontecido muito.<br />
</em>Agostinho da Silva (1906-1994)<br />
“Entrevista”</p>
<p>Após dedicarmos vários Encontros a notáveis compositores acima do equador, o Nono Encontro <em>privé h</em>omenageia quatro compositores pátrios, mormente Henrique Oswald.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre Oswald, dediquei vários blogs ao longo dos anos. Certamente o nosso mais importante compositor romântico e um dos nomes referenciais da nossa música através dos séculos. As minhas pesquisas tiveram início em 1978, mercê da colaboração extraordinária de Maria Isabel Oswald Monteiro, neta do notável músico. Durante alguns anos, mensalmente ia ao Rio de Janeiro e ficava hospedado na morada do casal Mário e Maria Isabel (vide blog: Maria Isabel Oswald Monteiro, 1919-2012).  O precioso arquivo, cuidadosamente preservado pela anfitriã, dele constando partituras manuscritas autografadas, riquíssimos diários e outros mais documentos relevantes, foram paulatinamente estudados. Logicamente, as pesquisas se davam também junto à Biblioteca Nacional, ao Arquivo Nacional e à Escola Superior de Música do Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/854.MIOM-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Maria Isabel Oswald Monteiro e J.E.M. 1995. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/854.MIOM-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Meu doutorado em 1988 foi pioneiro. Presentemente já foram defendidos mais de dez doutorados no Brasil e no Exterior (Estados Unidos, França e Itália), e que venham outros mais é o que se espera. No concurso para professor titular (1992) prossegui na temática oswaldiana, sendo que, posteriormente, houve a publicação do livro no qual concentrei as duas teses, “Henrique Oswald, músico de uma saga romântica” (São Paulo, Edusp, 1995). Prazer indizível se deu durante as gravações de três LPs (Funarte) e quatro CDs, estes gravados na Bélgica, unicamente com composições de Henrique Oswald para piano solo, assim como música de câmara com piano.</p>
<p>Clique para ouvir, de Henrique Oswald, “Tre Piccoli Pezzi”, na interpretação de J.E.M:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NjmXusZY8F0">https://www.youtube.com/watch?v=NjmXusZY8F0</a></p>
<p style="text-align: justify;">Menciono o histórico pelo fato de que as escolhas repertoriais deveriam sempre ter uma relação de pleno envolvimento. Como executar as músicas de um compositor sem que as suas mensagens penetrem no <em>de profundis</em> do intérprete? Os mais notáveis pianistas, mormente do passado, fizeram suas escolhas entre inúmeros compositores integrantes dos seus repertórios. Arthur Schnabel (1882-1951), Beethoven e Schubert; Edwin Fischer (1886-1960), J.S.Bach e Beethoven; Wilhelm Kempff (1895-1991), J.S.Bach&#8230;; Arthur Rubinstein (1887-1982), compositores românticos; Guiomar Novaes (1894-1979), Chopin, Schumann e Debussy; Walter Gieseking (1895-1956), Mozart e Debussy; Clara Haskil (1895-1960), Mozart e Chopin; Vladimir Horowitz (1903-1989), Liszt, Scriabine, Rachmaninov&#8230;; György Cziffra (1921-1994), Liszt preferencialmente. As indicações repertoriais estão ratificadas nos inúmeros documentos críticos e fonográficos. Opinando sobre colegas, Horowitz afirmava que ninguém tocava Chopin como Alfred Cortot (1877-1962) e os compositores espanhóis como Alicia de Larrocha (1923-2009).</p>
<p style="text-align: justify;">Henrique Oswald é um dos meus eleitos e homenageá-lo em um Encontro <em>privé</em> faz-se necessário. As obras escolhidas são de raro encanto, pois não apenas a escrita do compositor é de extrema clareza, a partir de preceitos aos quais sempre foi fiel, como se mostra admirável no aspecto melódico.</p>
<p style="text-align: justify;">Regina interpreta inicialmente uma criação emblemática de Villa-Lobos (1887-1959), “Alma brasileira”,  e algumas criações de Francisco Mignone (1897-1986), sendo que “Il Neige encore” é o tributo de Mignone a “Il Neige” de Oswald, peça que obteve o 1º prêmio no concurso promovido pelo jornal Le Figaro de Paris (1902), certame esse que recebeu 647 composições vindas de tantos países, tendo no júri luminares da música em França: Gabriel Fauré (1845-1924), Camille Saint-Saëns (1835-1921) e Louis Diémer (1843-1919).</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre “Il Neige”, gravei-a em 1979 para um LP em um andamento mais rápido. Quando de um recital na Sala Cecília Meirelles, toquei-a como peça extraprograma. O notável compositor Francisco Mignone, presente ao evento, disse-me após o recital que Oswald tocava “Il Neige” bem mais lentamente. “Bem mais lentamente?”, indaguei. “Muito mais”, retrucou o dileto Mignone. Em 1995, ao gravar um CD na Bélgica com a integral para violino e piano do compositor, tendo o excelente Paul Klinck ao violino, houve espaço para “Il Neige” no andamento vivenciado por Mignone.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Henrique Oswald, “Il Neige”, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NjmXusZY8F0">https://www.youtube.com/watch?v=NjmXusZY8F0</a></p>
<p style="text-align: justify;">Caderno contendo oito composições em homenagem a Henrique Oswald. Universidade de São Paulo, 1985.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1034.HO-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Caderno a conter oito composições em homenagem a Henrique Oswald. Publicação da USP, 1985. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1034.HO-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Inicio a minha parte interpretando a criação minimalista do notável Gilberto Mendes (1922-2016), “Il Neige de nouveau”, igualmente uma homenagem a Henrique Oswald e, em seguida, a célebre “Il Neige”. Na sequência, apresento composições que me são caras e que fizeram parte do meu repertório ao longo da atividade pianística pública. As “Tre Piccolli Pezzi”, compostas em Florença (1885), nunca foram publicadas e são encantadoras. Os “Six Morceaux” op. 4 (1887) é um dos vários conjuntos de peças no catálogo do compositor. O “Estudo” e a “Valse-Caprice” op. 11 nº1 são criações envolventes e de virtuosidade.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NjmXusZY8F0">https://www.youtube.com/watch?v=NjmXusZY8F0</a></p>
<p style="text-align: justify;">As novas gerações de músicos deveriam cultuar os nossos relevantes compositores que, no presente, não têm divulgação à altura. Henrique Oswald deveria ser visitado permanentemente, não apenas as suas composições para piano, mas igualmente a sua obra de câmara, sinfônica e vocal.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>The Ninth private recital will focus on the piano works of Brazilian composers, particularly Henrique Oswald.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Segurança, um dos desafios fundamentais do país</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/09/05/seguranca-um-dos-desafios-fundamentais-do-pais/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Sep 2026 03:05:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma população refém do descaso A violência é o último refúgio da incompetência. Isaac Asimov (1920-1992) O tema veio à mente após conversa com amigos durante um café descontraído. Que estamos vivendo tempos difíceis quanto à segurança é unanimidade. Sem interrupção, a palavra foi progressivamente perdendo o seu sentido essencial nessas últimas décadas. A insegurança [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Uma população refém do descaso</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1034.Segurança2-big.jpg" target="_blank"><img title="Segurança à deriva. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1034.Segurança2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>A violência é o último refúgio da incompetência.</em></p>
<p>Isaac Asimov (1920-1992)</p>
<p style="text-align: justify;">O tema veio à mente após conversa com amigos durante um café descontraído. Que estamos vivendo tempos difíceis quanto à segurança é unanimidade. Sem interrupção, a palavra foi progressivamente perdendo o seu sentido essencial nessas últimas décadas. A insegurança reina no país. Logicamente, temos de nos adaptar às transformações que, de maneira cada vez mais acelerada, ocorrem em todas as áreas. Aos leitores mais jovens, rememorar fatos vividos muitas décadas atrás estabelece comparações. Desapareceu a descontração que nos fazia caminhar pelas vias públicas sem quaisquer preocupações quanto à segurança. As conversas informais com amigos nos portões das casas, em qualquer hora do dia, eram comuns; roubos e sequestros existiam de maneira esporádica; o golpe via o antigo telefone era quase nulo, assim como tantas outras situações nas quais a segurança não era prioridade em decorrência da delinquência bem menos acentuada.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou a me lembrar dos anos 1950. Estudávamos, João Carlos e eu, no excelente Liceu Pasteur, período matutino. Quando ainda adolescentes, o referencial professor de piano José Kliass convenceu  nosso Pai a que, durante um ano letivo, estudássemos no período noturno, a fim de termos mais tempo – 5 ou 6 horas – de estudos pianísticos diários em uma fase fundamental. João Carlos estudou naquele período no Colégio Ipiranga e eu, no Liceu Eduardo Prado, que ficava na Alameda Pamplona com a Avenida Paulista. Após esse ano regressei ao Liceu Pasteur para finalizar o curso Clássico.</p>
<p style="text-align: justify;">A menção ao ensino noturno tem significado expresso pelo fato de que, entre 16 e 17 anos de idade, após as aulas que findavam quinze minutos antes da meia-noite, caminhava solitário até as portas do Instituto Pasteur na Av. Paulista (algumas centenas de metros de distância) para pegar o bonde que subia a Brigadeiro Luís Antônio vindo do centro, virava à esquerda, parava em frente ao Instituto e me deixava na confluência da Av. Domingos de Morais com o início da Av. Rodrigues Alves. Daí, descia até o nº 984, nossa morada, onde chegava por volta das 0:30. Jamais fui importunado nessas caminhadas solitárias e nunca tive receio algum de ser assaltado.</p>
<p style="text-align: justify;">Já no final do primeiro lustro dos anos 1960, a convite do notável pianista Jacques Klein (1930-1982), Regina e eu fomos jantar em casa de um de seus amigos nos morros do Rio, não distante do Outeiro da Glória. Subimos e descemos a pé sem qualquer receio, na maior descontração.</p>
<p style="text-align: justify;">A explosão da violência no país se deu máxime nestas últimas décadas, em que em determinadas regiões o Estado brasileiro deixou de ter soberania, pois impossível de se entrar nesses enclaves de maneira desavisada, regiões estas nas quais as populações vivem subjugadas àqueles que comandam as comunidades. Já houve diversas mortes de incautos que, de carro ou a pé, entraram nesses territórios que proliferam em várias regiões do Brasil, perdendo suas vidas atingidos por armas de fogo dos “vigilantes”. Se cerca de 1.500 comunidades no Rio de Janeiro, e tantas outras espalhadas pelo país, hoje vivem sob os olhares permanentes dos que praticam toda espécie de ilícitos, o que esperar de um país nessas condições? Na realidade, a nossa soberania é relativa.</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente, quantos não foram aqueles que, ao reagirem ao roubo de celulares, são abatidos, sendo que os malfeitores, a seguir, vão tomar cervejinha com gosto de sangue? Só em São Paulo, segundo a Secretaria de Segurança Pública, mais de 500 aparelhos são roubados diariamente, o que significa um a cada três minutos.</p>
<p style="text-align: justify;">Décadas atrás, saíamos, Regina e filhas, nos fins de semana, frequentando com certa regularidade a mesma pizzaria de amigos, distante algumas quadras de nossa antiga morada. Atitude quase impossível na atualidade, pois os riscos durante o retorno podem ser altos. Recentemente, uma neta, seu marido e quatro bisnetos, ao saírem da missa em pleno meio-dia, sofreram assalto diante de inúmeros fiéis. Furtaram-lhes celulares e alianças. Incrédulos, os cidadãos em torno nada puderam fazer, pois os assaltantes estavam armados.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma de nossas filhas, assim como uma neta, tiveram recentemente seus carros roubados. Em blog bem anterior descrevi um assalto à mão armada que sofri, ocasião em que meliantes levaram o meu veículo (blog: “A outra face da Polícia”, 23/08/2008). Iniciava o post com palavras retratando o ocorrido “Que vivemos numa espécie de guerra civil neste país que pouco faz para a segurança, é fato. Sofrer assalto a mão armada é assustador. Meliantes levaram o meu carro, instantes após balearem um ancião e um policial”. Infelizmente, após quase vinte anos desse episódio, a delinquência se agigantou de maneira avassaladora. Bastaria a consulta aos órgãos especializados.</p>
<p style="text-align: justify;">O que esperar num país em que 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025 (dados oficiais divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP – e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública) e com mais de 40.000 assassinatos, sem que haja uma legislação implacável com penas elevadíssimas para os autores desses crimes?<strong> </strong>Quanto ao roubo de celulares, alianças, cartões e outros pertences, a justiça tem sido branda, mormente pelo fato de muitos autores desses atos serem soltos após a audiência de custódia, segundo noticiários, e acatados por parte da população e de partidos políticos como vítimas da sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente, a excelente violinista Elisa Fukuda sofreu assalto em sua morada. Dois violinos valiosos e de autores renomados, mais um arco precioso, assim como celulares dela e de seus irmãos músicos, foram furtados. Há uma campanha, bem difundida pelos aficionados, no sentido de recuperarem esses instrumentos indispensáveis à violinista. Em 1987, gravamos para o selo Funarte, a Sonata em Mi Maior op.36 para violino e piano, assim como o trio em sol menor op.9 para violino, violoncelo e piano de Henrique Oswald (1852-1931), deste participando o renomado celista Antônio Del Claro.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1033.Capa-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="LP Oswald, 1987. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1033.Capa-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Certamente muitos dos meus leitores já sentiram a ação dos malfeitores. Estamos às portas das eleições. Segurança, Economia, Saúde, Educação, assim como a chaga aberta da corrupção praticada largamente sem pejo, deverão ser os temas essenciais abordados nos meios de comunicação a partir das propostas dos candidatos.</p>
<p style="text-align: justify;">Oxalá cheguemos a acreditar em um futuro em que esses quatro pilares básicos possam ser a razão de um próximo governante e que a endêmica corrupção seja tratada com o maior rigor. Neste país tão conturbado, há ainda a possibilidade de se sonhar por dias melhores&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de François Servenière, <em>Promenade dans la Voie Lactée</em>, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JQDkWn1HcpQ">https://www.youtube.com/watch?v=JQDkWn1HcpQ</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Security, the economy, health, education, as well as the festering scourge of corruption—these should be the key issues covered by the media based on the candidates’ proposals.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Uma revisita a Jean-Philippe Rameau (1683-1764)</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Aug 2026 03:05:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[A partir de substancial diálogo Enquanto Rameau, entre os maiores, não ocupar todo o espaço a que tem direito, a História da Música do século XVIII e através dos tempos não terá a sua total orientação. Georges Migot (1891-1976) O ilustre pianista Arthur Rubinstein (1887-1982), após se “aposentar” da atividade frente ao público aos 89 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A partir de substancial diálogo</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/905.JPR-big.jpg" target="_blank"><img title="Jean-Philippe Rameau. Pintura atribuída a Aved (1702-1766). Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/905.JPR-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Enquanto Rameau, entre os maiores, </em><em>não ocupar todo o espaço a que tem direito,<br />
</em><em>a História da Música do século XVIII </em><em>e através dos tempos não terá a sua total orientação.<br />
</em>Georges Migot (1891-1976)</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">O ilustre pianista Arthur Rubinstein (1887-1982), após se “aposentar” da atividade frente ao público aos 89 anos, manteve em seu repertório algumas obras que lhe foram caras durante a existência. </span><em style="text-align: justify;">Mutatis mutandis</em><span style="text-align: justify;">, sem quaisquer intuitos comparativos, após encerrar minhas atividades pianísticas públicas em 2023, diariamente me dedico umas poucas horas aos estudos de piano, relendo criações que me impactaram e apresentando-as periodicamente em </span><em style="text-align: justify;">petit comité</em><span style="text-align: justify;"> com propósitos precisos: preservar a vocação iniciada aos 9 anos de idade, ter contato com amigos ouvintes possuidores da apreciação crítica e, finalmente, manter-me em atividade aos 88 anos, verdadeira dádiva. Minha mulher Regina realiza o mesmo caminho. Há um compositor que diariamente revisito, interpretando uma ou duas peças ao piano: Jean-Philippe Rameau (1683-1764). Há anos, um belo dia caminhava com meu caro amigo, pensador e compositor meritoso, Willy Corrêa de Oliveira (1938-). Repentinamente, ele para e me pergunta à “queima roupa” qual era meu compositor preferido e instantaneamente, sem pensar, respondo: Rameau. Retribuí a pergunta e a resposta de Willy foi também precisa, Chopin. Logicamente outras figuras essenciais da composição fazem parte das minhas preferências. A admiração pela obra de Rameau vem da juventude, quando aos 16 anos, após ouvir a integral para cravo interpretada ao piano (2 LPs) pela excelsa pianista francesa Marcelle Meyer (1887-1958), fiquei fascinado pelas obras, que desconhecia por completo. Meu Pai, ao sentir o meu entusiasmo, presenteou-me com o álbum.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1031.rameau-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Álbum de LPs com a integral. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1031.rameau-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Clique para ouvir, de Jean-Philippe Rameau, La Dauphine, na interpretação de Marcelle Meyer:</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4IrpvP2xXDY">https://www.youtube.com/watch?v=4IrpvP2xXDY</a></p>
<p><span style="text-align: justify;">De uma conversa fundamental entre duas figuras marcantes em França, o musicólogo Roland-Manuel (1891-1966) e a pianista franco-russa Nadia Tagrine (1917-2003), parte de um dos programas da série radiofônica e literária </span><em style="text-align: justify;">Plaisir de la Musique</em><span style="text-align: justify;">, na qual as duas relevantes personalidades dialogavam a respeito de aspectos fulcrais da música e das criações concebidas por luminares da composição, extraí as considerações sobre Jean-Philippe Rameau. Bem anteriormente, escrevera dois </span><em style="text-align: justify;">posts </em><span style="text-align: justify;">sobre temas contidos em </span><em style="text-align: justify;">Plaisir de la Musique</em><span style="text-align: justify;"> (25/08/2018 e 1/9/2018), abordando figuras fulcrais da história da música. Sobre Rameau foram vários blogs ao longo de mais de 19 anos de </span><em style="text-align: justify;">posts </em><span style="text-align: justify;">publicados sem interrupção.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Roland-Manuel insere no diálogo alguns dados pouco ventilados pelos biógrafos e que evidenciam traços da personalidade de Rameau:</p>
<p style="text-align: justify;">“Áspero, tanto no estado de espírito como fisicamente, fechado, triste, solitário. Dizia-se que o vazio que ele encontrava na sociedade o levava a afastar-se dela. Quanto à sua arte e aos interesses dela estava, pelo contrário, preocupado em não negligenciar nada, segundo as suas próprias palavras; a avareza era o reverso dessa moeda dura. Incapaz de fazer concessões e particularmente inexorável em matéria de música, pois esta estivera presente em toda a sua vida. O escritor Louis Petit Bachaumont (1690-1771) conta que, à beira da morte, quando o pároco de Saint-Eustache foi dar-lhe a extrema-unção, Rameau encontrou forças para interrompê-lo, dizendo-lhe: «Mas que raio vem cá cantar-me isso, Senhor Pároco? A sua voz está desafinada&#8230;».</p>
<p style="text-align: justify;">Rolland-Manuel enfatiza conceito que se tornaria uma constante nas avaliações feitas <em>a posteriori</em> sobre Rameau. A sua grandeza não apenas se fixou nas composições, exemplificada pelas suas magníficas óperas, que têm sido progressivamente apresentadas, como na profundidade dos seus tratados teóricos. Comenta: “«Não é tanto fruto do acaso, mas sim da Providência, que o maior teórico da música e o maior compositor francês do século XVIII se encontrem reunidos na mesma pessoa: a ciência e a experiência, a razão e a intuição apoiam-se e esclarecem-se mutuamente em Jean-Philippe Rameau».</p>
<p style="text-align: justify;">Através das décadas mais se consolidou a minha admiração pela obra de Rameau. Em suas inúmeras óperas, Rameau revela todo o seu domínio escritural, assim como o domínio dos endereçamentos no que concerne à ópera-balé ou à tragédia lírica. Roland-Manuel observa: “O que há de admirável em Rameau é que ele efetivamente não apenas estabelece a razão demonstrativa e a sensibilidade mais profunda, como também a sabedoria a mais rigorosa, sem deixar de ser o poeta mais afinado às solicitações do sonho”.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Jean-Philippe Rameau, <em>Tendre Amour, </em>da ópera-balé <em>Les Indes Galantes, </em>na interpretação do conjunto Les Arts Florissants sob a regência de William Christie:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MvRMfR2c1hY">https://www.youtube.com/watch?v=MvRMfR2c1hY</a></p>
<p style="text-align: justify;">Em contraste ao <em>Tendre Amour</em>, clique para ouvir, de Jean-Philippe Rameau, a Abertura da Tragédia Lírica <em>Zoroastre</em>, na interpretação do conjunto Le Concert des Nations sob a regência de Jordi Savall:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9br3o8MfUvI&amp;t=23s">https://www.youtube.com/watch?v=9br3o8MfUvI&amp;t=23s</a></p>
<p style="text-align: justify;">Quanto à obra para cravo interpretada ao piano, a criação de Rameau quantitativamente é menor às de François Couperin, J.S.Bach e Domenico Scarlatti. Todavia, tem-se o <em>multum in mínimo </em>e a excelência de suas composições comprova a assertiva.</p>
<p><span style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Jean-Philippe Rameau, </span><em style="text-align: justify;">Les Cyclopes</em><span style="text-align: justify;">, na interpretação de J.E.M.:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c7lyY0pBRkU&amp;t=4s">https://www.youtube.com/watch?v=c7lyY0pBRkU&amp;t=4s</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A fruitful dialogue between the French-Russian pianist Nadia Tagrine and the musicologist Roland-Manuel about Jean-Philippe Rameau is of interest because, although it took place in the mid-20th century, it remains highly relevant today.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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