
<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>José Eduardo Martins</title>
	<atom:link href="http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://blog.joseeduardomartins.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sat, 06 Jun 2026 03:05:59 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=</generator>
		<item>
		<title>Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908)</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/06/06/nikolai-rimsky-korsakov-1844-1908/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/06/06/nikolai-rimsky-korsakov-1844-1908/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2026 03:05:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.joseeduardomartins.com/?p=15999</guid>
		<description><![CDATA[Rimsky-Korsakov (1844-1908) Não gosto da tristeza, do luto, das missas em memória. Quando já não estiver aqui, se algum dia quiserem lembrar-se de mim, basta ouvirem a minha música&#8230; Rimsky-Korsakov (carta à filha Sofia, tempos antes de morrer) Nicolay Andreyevitch Rimsky-Korsakov, integrante do Grupo dos Cinco, não apenas legou considerável produção musical e importantes trabalhos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Rimsky-Korsakov (1844-1908)</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Korsakov-big.jpg" target="_blank"><img title="Rimsky-Korsakov. Pintura de Illya Répine. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Korsakov-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Não gosto da tristeza, do luto, das missas em memória.<br />
</em><em>Quando já não estiver aqui,<br />
</em><em>se algum dia quiserem lembrar-se de mim,<br />
</em><em>basta ouvirem a minha música&#8230;<br />
</em>Rimsky-Korsakov<br />
(carta à filha Sofia, tempos antes de morrer)</p>
<p style="text-align: justify;">Nicolay Andreyevitch Rimsky-Korsakov, integrante do Grupo dos Cinco, não apenas legou considerável produção musical e importantes trabalhos teóricos, como foi atuante no ambiente musical de São Petersburgo. De família aristocrática, Korsakov, desde a infância demonstrou aptidão para a música e uma atração pela marinha, pois seu irmão a ela se dedicou. Estudando no Colégio Naval de S. Petersburgo, realizaria posteriormente cruzeiro em um navio-escola, que se estenderia de 1862 a 1865, aportando em países europeus e nas Américas, Nova York, Rio de Janeiro&#8230; O jovem não oblitera suas aspirações musicais iniciadas ainda na idade miúda, o que o fez se familiarizar com o violoncelo e o piano. Contudo, em 1861 iniciaria estudos teórico-musicais com Milly Balakirev (1837-1910),  compondo mesmo durante a fase em que orbitou na marinha.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1871 dois fatores fundamentais em sua vida, pois é nomeado professor de Composição e Instrumentação do Conservatório de S. Petersburgo, demitindo-se da marinha, porém assumindo o cargo de inspetor das bandas. Tem interesse o fato de que, nesse ano, Korsakov dividiu um quarto com Moussorgsky num pequeno espaço alugado pelo diretor do Conservatório, onde havia um piano que era utilizado em períodos distintos pelos dois músicos. O crítico musical e grande amigo de ambos, Vladimir Stassov (1824-1906), escreve: “Às vezes, ia a casa deles de manhã bem cedo; encontrava-os dormindo, acordava-os e obrigava-os a levantarem-se. Depois, tomávamos chá com torradas com queijo <em>gruyère</em>; Rimsky e eu gostávamos particularmente disso. Logo a seguir, abordávamos o tema que nos apaixonava, a música. Um sentava-se ao piano, o outro cantava: ambos cheios de entusiasmo, mostravam-me o que tinham composto na véspera ou na véspera da véspera. Tudo isto era juvenil, belo e comovente&#8230;». No ano seguinte, Rimsky se casa com uma jovem pianista, Nadejda Purgold.</p>
<p style="text-align: justify;">Tem importância o seu caminho musical após não mais ter aconselhamentos de Balakirev. Vêmo-lo direcionar-se aos estudos individuais aprofundados, visando ao desiderato essencial, a composição. Contraponto, fuga, harmonia foram as ferramentas às quais se dedicaria com a finalidade de um embasamento maior para as suas criações. Essa dedicação levou-o a escrever um importante <em>Tratado de Harmonia prática </em>e mais <em>Princípios de orquestração</em>. Na composição, progressivamente distancia-se, na estética, de alguns dos princípios professados pelo grupo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sob o aspecto humano, Korsakov estimulou seus colegas em torno do Grupo dos Cinco. Como professor orientou músicos e alguns deles se tornariam compositores de mérito: Ippolitoff-Ivanov (1859-1935), Anatoli Liadov (1855-1914), Alexandre Glasunov (1865-1936), Igor Stravinsky (1882-1971).</p>
<p style="text-align: justify;">Entre as criações basilares de Korsakov, salientem-se as óperas <em>A rapariga de Pskov, Noite de Maio, Mlada, A história do Czar Saltan</em> e outras; a obra sinfônica: três Sinfonias e várias consagradas criações, como <em>A Grande Páscoa Russa, Sadko, Sheherazade</em>, <em>Capricho Espanhol, </em>assim como suítes sinfônicas extraídas de diversas óperas; música de câmara; peças para piano e música vocal&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Rimsky-Korsakov, “O voo do besouro”, extraído da ópera <em>A história do Czar Saltan</em>, na interpretação da Filarmônica de Berlin sob a regência de Zubin Mehta:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7pt8JpOzGv4">https://www.youtube.com/watch?v=7pt8JpOzGv4</a></p>
<p style="text-align: justify;">Rimsky-Korsakov compõe como um ourives, devido possivelmente à sua índole voltada ao aprofundamento, mas não deixa de retrabalhar obras anteriores. Difere da escrita mais espontânea de seu amigo Mussorgsky. Duas composições fulcrais do repertório operístico russo e mundial tiveram a colaboração direta de Rimsky-Korsakov: de Alexandre Borodine, <em>O Príncipe Igor</em>, após a morte súbita do compositor em 1887. Estando inacabada, Korsakov e Alexandre Glazunov (1865-1936) finalizaram, orquestraram e fizeram-na editar. Após a morte de Mussorgsky em 1881, Korsakov fez a revisão e reoquestrou <em>Boris Godounov</em>. Presentemente, mercê da pormenorizada pesquisa em torno da ópera, que resultou na restauração dos originais de Mussorgsky, <em>Boris Godounov </em>tem sido apresentada na sua autenticidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Rimsky2-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Rimsky-Korsakov. Pintura de Valentin Serov (1898). Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Rimsky2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Tem interesse o depoimento de sua filha Sofia sobre a personalidade de seu ilustre pai: “Não gosto de nenhum dos retratos do meu pai; ele parece demasiado severo, demasiado austero, demasiado rígido, quando na verdade era a própria doçura e um homem de infinita bondade. Nunca, nem uma única vez, ouvi-o levantar a voz para nos repreender, e Deus sabe que por vezes nos ‘descontrolávamos’&#8230; Maravilhoso pai de família, ele próprio tratava de todos os pormenores da nossa vida quotidiana. No dia da partida para as férias, levantava-se às 4 da manhã, desmontava as nossas camas de criança, indo registrá-las na estação, onde depois nos esperava para nos levar até a ‘dacha’, apesar de estar cansado, tendo de dar aulas no Conservatório”.</p>
<p style="text-align: justify;">Rimsky Korsakov permanece como um grande mestre da composição, na qual predominam um domínio absoluto quanto à orquestração e um melodismo que fascina, entre outras qualidades.</p>
<p style="text-align: justify;">O musicólogo Michel-Rostislav Hofmann (1915-1975) escreve sobre o hipnótico <em>Capricho Espanhol</em>: “Em nenhum outro lugar se manifesta melhor essa &#8216;euforia sonora&#8217; do que no <em>Capricho Espanhol, </em>que constitui a essência da personalidade musical de Rimsky: os diversos instrumentos da orquestra são realçados, sucessivamente, por breves cadências; as combinações de timbres são felizes e, muitas vezes, inovadoras para a época (encontram-se ecos disso na <em>Rapsódia Espanhola </em>de Ravel). Em suma, no ensaio, toda a orquestra se levantou para aplaudir o compositor e, na estreia, foi necessário tocar a obra duas vezes seguidas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Rimsky-Korsakov, <em>Capricho Espanhol</em>, com a Filarmônica de Berlin sob a regência de Zubin Mehta:</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Lh6mDL-VwYw">https://www.youtube.com/watch?v=Lh6mDL-VwYw</a></p>
<p>No próximo blog, a pedido de leitores e a completar os posts dedicados ao Grupo dos Cinco compositores russos, abordarei Milly Balakirev e César Cui.</p>
<p><em>Nikolai Rimsky-Korsakov was one of the leading members of The Five, a group of  19<sup>th</sup> century Russian composers. A distinguished composer, music theorist and teacher, he left behind a substantial body of work, some of which is performed annually by major orchestras around the world.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/06/06/nikolai-rimsky-korsakov-1844-1908/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Alexandre Borodine (1833-1887)</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/30/alexandre-borodine-1833-1887/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/30/alexandre-borodine-1833-1887/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 03:05:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.joseeduardomartins.com/?p=15988</guid>
		<description><![CDATA[Compositor, médico e químico A minha paixão pela música é puramente russa. Tem origem no meu amor pela Igreja e nas minhas memórias da música militar e das canções das ruas da minha infância. Alexandre Borodine Leitores atentos sugeriram a ampliação do tema sobre o assim denominado Grupo dos Cinco, referente aos cinco compositores russos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Compositor, médico e químico</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1019.Borodine-big.jpg" target="_blank"><img title="Alexandre Borodine. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1019.Borodine-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>A minha paixão pela música é puramente russa.<br />
</em><em>Tem origem no meu amor pela Igreja<br />
</em><em>e nas minhas memórias da música militar<br />
</em><em>e das canções das ruas da minha infância.<br />
</em>Alexandre Borodine</p>
<p>Leitores atentos sugeriram a ampliação do tema sobre o assim denominado Grupo dos Cinco, referente aos cinco compositores russos que, num espaço aproximado de dez anos, a partir de 1862, mantiveram relações amistosas e musicais. O crítico e musicólogo Vladimir Stassov (1824-1906), várias vezes mencionado no blog dedicado a Mussorgsky (1839-1881), após um concerto dirigido por Mily Balakirev (1837-1910) em 1867 e dedicado a anfitriões eslavos, escreveu: “Que Deus faça com que os nossos anfitriões eslavos nunca se esqueçam deste evento e que se lembrem sempre da inspiração, da poesia, do talento e da maestria demonstrados por um pequeno grupo de músicos russos, um grupo reduzido, mas já tão poderoso”!</p>
<p>Dos cinco compositores componentes do núcleo fundamental, Rimsky-Korsakov (1844-1908), Mussorgsky, Borodine, Balakirev e Cesar Cui (1835-1918), focalizarei presentemente a figura de Alexandre Borodine, que foi um dos compositores homenageados no <em>Oitavo Encontro Musical Privado</em>, através da <em>Petite Suite</em> para piano, belíssima composição que interpretei no Encontro. Incluí no blog do dia 9 de Maio a excelsa gravação dessa criação de Borodine, executada pela ilustre pianista russa Tatiana Nikolaieva.</p>
<p>Alexandre Porfirévitch Borodine nasceu em São Petersburgo e, ainda criança, estudou flauta, piano, violoncelo e oboé. Adolescente, já falava várias línguas: russa, alemã, francesa e inglesa. Obteria o diploma da Academia médico-cirúrgica e posteriormente, junto à Academia de Ciências, com seu trabalho acadêmico “Pesquisas sobre a constituição química da <em>hydrobenzamida </em>e da <em>amarina”</em>, receberia o título de Doutor em Ciências, tornando-se professor de química na Escola de Medicina. Não obstante esses talentos, ao conhecer Mussorgsky dedicar-se-ia prioritariamente à música, não descartando o empenho no tratamento de doentes e assistência a órfãos.</p>
<p>Para melhor entender a versatilidade de Borodine transcrevo um depoimento de seu “colega de armas” no “grupo dos cinco”, o compositor Rimsky-Korsakov – tema do próximo post –, que constata a sua dedicação aos infortunados, apesar de uma desorganização pessoal, mas a não interferir na competente criação musical. Surpreende o depoimento: “O seu apartamento, muito pouco prático, tinha à disposição um corredor: por isso, era-lhe impossível dizer que estava ausente ou mandar embora um visitante. Entravam como num moinho, a qualquer hora do dia, e o bom Borodine levantava-se da mesa antes de terminar de comer, recebia o visitante, ouvia-o, prometia intervir a seu favor ou ajudá-lo. Isso levava-lhe horas.  Acrescente-se ainda a isso o fato de sua esposa sofrer de asma, passar noites em claro e levantar-se às onze horas ou ao meio-dia. Alexandre Porfirévitch, que tinha passado sem dormir ao seu lado, era obrigado a sair muito cedo e sem ter tomado qualquer refeição. A sua vida doméstica estava, assim, marcada pela mais completa desordem. Certa vez, ao chegar em sua casa às onze da noite, encontrei-os a tomar o pequeno-almoço!&#8230; Sem contar os inúmeros órfãos que o casal recolhia em sua morada! O apartamento deles servia de refúgio ou de abrigo noturno para todo o tipo de pessoas, pobres ou de passagem, que ali adoeciam ou enlouqueciam — e Borodine deles cuidava, pedia para que fossem transportados para o hospital e ia visitá-los a seguir. Os quatro quartos da sua casa estavam cheios desses estrangeiros que dormiam nos sofás ou até mesmo no chão. Muitas vezes, era-lhe impossível tocar piano: havia alguém a dormir no quarto ao lado!&#8230;&#8221;. Não seguia Borodine um dos preceitos de Hipócrates (460 a.C -): “Consagrar sua vida a serviço da humanidade”?</p>
<p>Clique para ouvir, de Alexandre Borodine, a canção <em>A Rainha do mar</em>, na interpretação do Barítono Alexander Vedernikov:</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=z6bwWu7ed78">https://www.youtube.com/watch?v=z6bwWu7ed78</a></p>
<p style="text-align: justify;">A versatilidade de Borodine fez-se perene através do legado musical. Para orquestra compôs três sinfonias ― a última inacabada ―; o poema sinfônico <em>Nas estepes da Ásia Central</em>; vasta música de câmara; canções; poucas peças para piano, entre as quais se sobressai a <em>Petite Suite</em>, e diversas outras composições. Contudo, a ópera <em>O Príncipe Igor</em>, uma das grandes obras operísticas russas e mundiais, consagrou-o definitivamente. Foi longa a sua gestação e o compositor escreveria sobre suas intenções: “<em>O Príncipe Igor” </em>é, essencialmente, uma ópera nacional que só pode despertar verdadeiro interesse em nós, russos, que gostamos de reavivar nosso patriotismo nas origens da nossa história e de reviver em cena as origens da nossa nação”. Após sua morte em 1887, Nikolai Rimsky- Korsakof e Alexandre Glazounov  (1865-1936) atenderam ao pedido do editor Mitrofan Bélaïév e finalizaram a ópera.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Borodin-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Alexandre Borodine. Pintura de Illya Répine. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Borodin-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Alexandre Borodine, relativamente pouco frequentado nas salas de concerto, infelizmente, foi um dos mais notáveis compositores russos. Algumas qualidades lhe são inalienáveis: um gerador de melodias contagiantes, cultor de harmonias inusitadas e absoluta criatividade quanto à orquestração.</p>
<p>Clique para ouvir, de Alexandre Borodine, as <em>Danças Polovtianas</em>, extraídas da ópera <em>O Principe Igor</em>. Regente: Valery Gergiev.</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FsTVF0Fu5_c">https://www.youtube.com/watch?v=FsTVF0Fu5_c</a></p>
<p><em>Alexander Borodin was one of the most important members of the famous Group of Five, a prominent circle<strong> </strong>of Russian composers who, in the second half of the 19th century, made it one of their fundamental goals to honor the basic sources of the Russian music.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/30/alexandre-borodine-1833-1887/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title></title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/30/15985/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/30/15985/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 03:05:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.joseeduardomartins.com/?p=15985</guid>
		<description><![CDATA[Alexandre Borodine (1833-1887) compositor, médico e químico A minha paixão pela música é puramente russa. Tem origem no meu amor pela Igreja e nas minhas memórias da música militar e das canções das ruas da minha infância. Alexandre Borodine Leitores atentos sugeriram a ampliação do tema sobre o assim denominado Grupo dos Cinco, referente aos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alexandre Borodine (1833-1887) compositor, médico e químico</p>
<p>A minha paixão pela música é puramente russa.<br />
Tem origem no meu amor pela Igreja<br />
e nas minhas memórias da música militar<br />
e das canções das ruas da minha infância.<br />
Alexandre Borodine</p>
<p>Leitores atentos sugeriram a ampliação do tema sobre o assim denominado Grupo dos Cinco, referente aos cinco compositores russos que, num espaço aproximado de dez anos, a partir de 1862, mantiveram relações amistosas e musicais. O crítico e musicólogo Vladimir Stassov (1824-1906), várias vezes mencionado no blog dedicado a Mussorgsky (1839-1881), após um concerto dirigido por Mily Balakirev (1837-1910) em 1867 e dedicado a anfitriões eslavos, escreveu: “Que Deus faça com que os nossos anfitriões eslavos nunca se esqueçam deste evento e que se lembrem sempre da inspiração, da poesia, do talento e da maestria demonstrados por um pequeno grupo de músicos russos, um grupo reduzido, mas já tão poderoso”! Esse grupo teve outros músicos transitórios e, nos estertores dessa “união” dos cinco, Mussorgsky escreve: “«O nosso pequeno e poderoso grupo não passa agora de um bando de lacaios sem alma!»<br />
Dos cinco compositores componentes do núcleo fundamental, Rimsky-Korsakov (1844-1908), Mussorgsky, Borodine, Balakirev e Cesar Cui (1835-1918), focalizarei presentemente a figura de Alexandre Borodine, que foi um dos compositores homenageados no Oitavo Encontro Musical Privado, através da Petite Suite para piano, belíssima composição que interpretei no Encontro. Incluí no blog do dia 9 de Maio a excelsa gravação dessa criação de Borodine, executada pela ilustre pianista russa Tatiana Nikolaieva.<br />
Alexandre Porfirévitch Borodine nasceu em São Petersburgo e, ainda criança, estudou flauta, piano, violoncelo e oboé. Adolescente, já falava várias línguas: russa, alemã, francesa e inglesa. Obteria o diploma da Academia médico-cirúrgica e posteriormente, junto à Academia de Ciências, com seu trabalho acadêmico “Pesquisas sobre a constituição química da hydrobenzamida e da amarina”, receberia o título de Doutor em Ciências, tornando-se professor de química na Escola de Medicina. Não obstante esses talentos, ao conhecer Mussorgsky dedicar-se-ia prioritariamente à música, não descartando o empenho no tratamento de doentes e assistência a órfãos.<br />
Para melhor entender a versatilidade de Borodine transcrevo um depoimento de seu “colega de armas” no “grupo dos cinco”, o compositor Rimsky-Korsakov – tema do próximo post –, que constata a sua dedicação aos infortunados, apesar de uma desorganização pessoal, mas a não interferir na competente criação musical. Surpreende o depoimento: “O seu apartamento, muito pouco prático, tinha a disposição um corredor: por isso, era-lhe impossível dizer que estava ausente ou mandar embora um visitante. Entravam como num moinho, a qualquer hora do dia, e o bom Borodine levantava-se da mesa antes de terminar de comer, recebia o visitante, ouvia-o, prometia intervir a seu favor ou ajudá-lo. Isso levava-lhe horas.  Acrescente-se ainda a isso o fato de sua esposa sofrer de asma, passar noites em claro e levantar-se às onze horas ou ao meio-dia. Alexandre Porfirévitch, que tinha passado sem dormir ao seu lado, era obrigado a sair muito cedo e sem ter tomado qualquer refeição. A sua vida doméstica estava, assim, marcada pela mais completa desordem. Certa vez, ao chegar em sua casa às onze da noite, encontrei-os a tomar o pequeno-almoço!&#8230; Sem contar os inúmeros órfãos que o casal recolhia em sua morada! O apartamento deles servia de refúgio ou de abrigo noturno para todo o tipo de pessoas, pobres ou de passagem, que ali adoeciam ou enlouqueciam — e Borodine deles cuidava, pedia para que fossem transportados para o hospital e ia visitá-los a seguir. Os quatro quartos da sua casa estavam cheios desses estrangeiros que dormiam nos sofás ou até mesmo no chão. Muitas vezes, era-lhe impossível tocar piano: havia alguém a dormir no quarto ao lado!&#8230;&#8221;. Não seguia Borodine um dos preceitos de Hipócrates (460 a.C -): “Consagrar sua vida a serviço da humanidade”?<br />
Clique para ouvir, de Alexandre Borodine, a canção A Rainha do mar, na interpretação do Barítono Alexander Vedernikov:</p>
<p>https://www.youtube.com/watch?v=z6bwWu7ed78</p>
<p>A versatilidade de Borodine fez-se perene através do legado musical. Para orquestra compôs três sinfonias ― a última inacabada ―; o poema sinfônico Nas estepes da Ásia Central; vasta música de câmara; canções; poucas peças para piano, entre as quais se sobressai a Petite Suite, e diversas outras composições. Contudo, a ópera O Príncipe Igor, uma das grandes obras operísticas russas e mundiais, consagrou-o definitivamente. Foi longa a sua gestação e o compositor escreveria sobre suas intenções: “O Príncipe Igor” é, essencialmente, uma ópera nacional que só pode despertar verdadeiro interesse em nós, russos, que gostamos de reavivar nosso patriotismo nas origens da nossa história e de reviver em cena as origens da nossa nação”. Após sua morte em 1887, Nikolai Rimsky- Korsakof e Alexandre Glazounov  (1865-1936) atenderam ao pedido do editor Mitrofan Bélaïév e finalizaram a ópera.<br />
Alexandre Borodine, relativamente pouco frequentado nas salas de concerto, infelizmente, foi um dos mais notáveis compositores russos. Algumas qualidades lhe são inalienáveis: um gerador de melodias contagiantes, cultor de harmonias inusitadas e absoluta criatividade quanto à orquestração.<br />
Clique para ouvir, de Alexandre Borodine, as Danças Polovtianas, extraídas da ópera O Principe Igor. Regente: Valery Gergiev.</p>
<p>https://www.youtube.com/watch?v=FsTVF0Fu5_c</p>
<p>Alexander Borodin was one of the most important members of the famous Group of Five, a prominent circle of Russian composers who, in the second half of the 19th century, made it one of their fundamental goals to honor the basic sources of the Russian music.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/30/15985/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>&#8220;O Polonês&#8221; de J.M.Coetzee</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/23/o-polones-de-j-m-coetzee/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/23/o-polones-de-j-m-coetzee/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 03:05:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.joseeduardomartins.com/?p=15974</guid>
		<description><![CDATA[Um romance que merece reflexões Ainda hoje, a música de Chopin continua a ser o elixir mais inebriante que a Musa dos sons alguma vez derramou, para embriagar, nos lábios dos homens. Com isso, Chopin oferece um exemplo inigualável na era romântica, da qual ele é a flor mais iridescente. Jean Chantavoine – J. Gaudefroy-Demombynes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Um romance que merece reflexões</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1018.Polonês-big.jpg" target="_blank"><img title=" Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1018.Polonês-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Ainda hoje, a música de Chopin continua a ser o elixir mais inebriante<br />
</em><em>que a Musa dos sons alguma vez derramou, para embriagar,<br />
</em><em>nos lábios dos homens.</em><em> Com isso, Chopin oferece<br />
</em><em>um exemplo inigualável na era romântica,<br />
</em><em>da qual ele é a flor mais iridescente.<br />
</em>Jean Chantavoine – J. Gaudefroy-Demombynes<br />
“Le romantisme dans la musique européenne”<br />
(Paris, Ed. Albin Michel -1955)</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">Recebi do meu dileto amigo, ilustre neurocirurgião Edson Amâncio, o livro “O Polonês” (São Paulo, Companhia das Letras, 2025), de J.M. Coetzee, renomado escritor nascido da cidade do Cabo, na África do Sul (1940). O autor recebeu o Prêmio Nobel de literatura em 2003. Anteriormente escrevi um post sobre o romance de Thomas Bernhard, “O Náufrago” (vide blog: 10/01/2026). Qual a possível relação entre os dois livros? Ambos têm pianistas</span><strong style="text-align: justify;"> </strong><span style="text-align: justify;">como figuras fulcrais dos romances: “O Náufrago”, a partir da presença, romantizada pelo escritor, da figura do notável pianista Glenn Gould (1932-1983); “O Polonês”, inteiramente fictício, voltado ao pianista Witold Walczykiewicz, intérprete de Fréderic Chopin (1810-1849). O romance está centrado em dois personagens. Witold “É polonês,  com seus setenta anos,  pianista mais conhecido como intérprete de Chopin, mas um intérprete controverso: seu Chopin não é nada romântico, pelo contrário, é um tanto austero, Chopin como herdeiro de Bach”, e uma senhora espanhola de nível social elevado e nos seus quarenta anos: “Ela é alta e elegante; pode não ser considerada uma beleza para os padrões convencionais, mas seus traços – cabelo e olhos escuros, malares salientes, boca carnuda – são marcantes e a voz, um contralto grave, tem um suave poder de atração. Sexy? Não, ela não é sexy e certamente nem sedutora”. Beatriz é o seu nome, casada e com filhos, integra o conselho de um Círculo que organiza apresentações na Sala Mompou, em Barcelona. Convidado para um recital pela organização, mercê do seu renome como chopiniano, Witold se apresenta e é aplaudido, não feericamente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1018.Chopin-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Fréderic Chopin. Pintura de Eugène Delacroix (1798-1863). Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1018.Chopin-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Considere-se a presença do narrador onisciente que comenta, por vezes longamente, todo o transcorrer das ações. Essa interpretação não indica preconceito, tampouco parcialidade, apenas acompanha o desenrolar de uma inusitada relação, sensível e apaixonada por parte do pianista septuagenário, sem envolvimento emotivo por parte de Beatriz, o que não impede de intimamente sentir-se lisonjeada. Não se descarte a associação da figura feminina com a  Beatriz de Dante em “A Divina Comédia”. O pianista Witold, ao longo do enredo, escreve poesias.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir de uma primeira aproximação, o jantar pós-recital, Witold se encanta com Beatriz sem que nada ocorra de especial. Comunicam-se, com limitações, na língua inglesa. O narrador já enfatizara não ser Beatriz nem sexy, tampouco sedutora. Pouco após, Witold, ao retornar à Espanha para <em>master classes</em> em Girona, convida Beatriz para ter com ele, o que de fato ocorre sem consequências mais íntimas. O convite incisivo para que o acompanhe ao Brasil durante sua turnê ao país é por ela recusado, sem mais. O país é várias vezes mencionado. Cartas inflamadas por parte de Witold e respostas longe de serem efusivas. Contudo, o pianista aceita o convite do casal para visitar a propriedade em Sóller, município de Maiorca. Tendo o marido de Beatriz de se ausentar por uns dias, haverá um estreitamento nessa relação que surge sem açodamento, precedida por passeios, restaurantes e convívio a dois e que só foi mais íntima, mas breve, durante três dias. Ligação efusiva ao extremo por parte do septuagenário, simplesmente permissiva, sem entusiasmo, da parte de Beatriz. O “polonês” se declara de maneira plena. Tem interesse uma declaração de Witold: “O que é o tempo? O tempo não é nada. Temos nossa memória. Na memória não há tempo. Eu vou te guardar na minha memória. E você, talvez você também lembre de mim”. “Claro que vou me lembrar de você, seu homem estranho”, escreve Beatriz. O narrador comenta: “Ela pronuncia as palavras sem premeditação, ouve-as ecoar surpreendentemente em seu pensamento. O que está dizendo? Como pode prometer lembrar-se dele, quando tem todos os motivos para acreditar que o episódio do músico polonês que a visitou em Sóller vai desaparecer e desaparecer até que, em seu leito de morte, seja menos que uma partícula de poeira?”</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1018.Sóller-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Sóller, Município de Maiorca. Fonte Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1018.Sóller-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Em outro segmento, o narrador pressupõe: “O homem parece confiar nos poderes da memória. Ela gostaria de contar a ele sobre o poder do esquecimento. O quanto ela esqueceu! E ela é uma pessoa normal, uma pessoa comum, não uma exceção. O que ela esqueceu? Não faz ideia. Foi-se, desapareceu da face da terra como se nunca tivesse existido”.</p>
<p style="text-align: justify;">Um telefonema da filha de Witold a Beatriz comunica que o pianista falecera e uma caixa deveria lhe ser entregue. A destinatária viaja à Polônia, retira a caixa contendo 84 poemas, todos a ela dedicados, e mais um livro sobre Chopin. Beatriz obtém a tradução de alguns poemas e, posteriormente, de todos.</p>
<p style="text-align: justify;">A derradeira secção do romance considera as dúvidas de Beatriz quanto ao endereçamento final desses poemas: museu na Polônia, queimá-las, gaveta de baixo da escrivaninha? O narrador onisciente sobre os poemas nesse exíguo espaço: “Eles queimam ali como fogo lento”. Continua: “A resposta: porque, através de seus poemas, ele aspira à comunicação com ela do além-túmulo. Ele quer falar com ela, cortejá-la, para que ela o ame e o mantenha vivo em seu coração”. Sob outra ótica, observa sobre uma das razões dos poemas: “Ela o convidou para sua cama, depois o expulsou. A vingança dele: congelá-la, estetizá-la, transformá-la em objeto de arte, uma Beatrice, uma santa de gesso a ser venerada em procissão pelas ruas. <em>Mãe de misericórdia</em>”. Após a leitura de todos os poemas traduzidos, Beatrice compreende serem os poemas um registro de amor. Não obstante, só de pensar que, em um <em>post mortem ,</em> Witold estaria a esperá-la, estremece. Os poemas traduzem essa aspiração do pianista, vê-la novamente numa outra esfera.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais de uma vez o narrador se refere ao pianista fictício Witold Walczykiewicz como um especialista na obra pianística de Fréderic Chopin, igualmente polonês, entendendo-o como “um intérprete nada romântico e um pouco austero”.  Seria possível entender que J.M.Coetzee, não sendo pianista, confira ao fictício Witold o vaticínio apontado. Chopin, assim como Robert Schumann (1810-1856) e Franz Liszt (1811-1886), românticos na acepção mais ampla, quando frequentados amplamente por pianistas sobejamente especialistas, só ali se instalam se interpretam suas obras penetrados nessa plena subjetividade emotiva. Alfred Cortot (1877-1962), Arthur Rubinstein (1887-1982), Vladimir Horowitz (1903-1989), Claudio Arrau (1903-1991), Maurizio Pollini (1942-2024),  os nossos Guiomar Novaes (1895-1979) e Arthur Moreira Lima (1940-2024), entre outros relevantes executantes que mantiveram sempre em seus repertórios inúmeras obras de Chopin, todos notabilizados nesse mister da transmissão totalizante. Em sendo um especialista na obra de Chopin, caso específico do personagem criado pelo renomado J.M. Coetzee, Witold Walczykiewicz dificilmente alcançaria renome maior sem a penetração plena no romantismo de Chopin, fator a ser considerado. Contudo, o narrador  observa: “O Chopin emergente e historicamente autêntico tem tons suaves e italianados. A leitura revisionista que o Polonês faz de Chopin, mesmo que um pouco intelectualizada demais, merece ser elogiada”.  Considere-se um dos atributos essenciais nas criações dos três compositores românticos acima mencionados, o <em>rubato </em>(termo italiano), mormente utilizado em passagens plenas de expressividade, quando a liberdade do movimento não aniquila a essencialidade do ritmo. Não obstante, Witold interpreta um “Chopin nada romântico, pelo contrário, é um tanto austero, Chopin como herdeiro de Bach”. Rigorosamente Impossível sê-lo a partir dessa comparação. Soa estranho.</p>
<p style="text-align: justify;">O romance, nessa presença de dois personagens, Witold e Beatriz, com o narrador invisível que acompanha Beatriz em suas dúvidas e concessões sem entusiasmo, e o ocaso de um pianista a ter Chopin como compositor eleito e um coração apaixonado por Beatriz, expõe a maestria de Coetzee em saber “manuseá-los” numa relação com faixas etárias distintas, personalidades e propósitos diferenciados. “O Polonês”, por sua originalidade, é um livro a ser vivamente recomendado.</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Fréderic Chopin, Balada em fá menor, op. 52 nº 4, na  interpretação da notável pianista Guiomar Novaes:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VDHJWsWFTg4">https://www.youtube.com/watch?v=VDHJWsWFTg4</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>J.M. Coetzee’s novel *The Pole* explores the relationship between a septuagenarian Polish pianist, a specialist in Chopin, and a married Spanish woman, one of the patrons of a musical society in Barcelona. Letters, encounters and a fundamental difference in outlook on life and emotion. </em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/23/o-polones-de-j-m-coetzee/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ecos de “Coletores de resíduos frente à árdua atividade”</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/16/ecos-de-%e2%80%9ccoletores-de-residuos-frente-a-ardua-atividade%e2%80%9d/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/16/ecos-de-%e2%80%9ccoletores-de-residuos-frente-a-ardua-atividade%e2%80%9d/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 03:05:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.joseeduardomartins.com/?p=15962</guid>
		<description><![CDATA[Quatro mensagens significativas Seria preciso não viver para negar que o mundo seja mau; mas é nessa mesma maldade que devemos procurar o apoio em que nos firmamos para sermos nós próprios melhores e, como tal, melhorarmos os outros. Agostinho da Silva (1906-1994) Tardiamente insiro no blog hebdomadário quatro dentre as diversas mensagens recebidas sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Quatro mensagens significativas</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1014.detritos-big.jpg" target="_blank"><img title="Caminhão preparado para a recolha de detritos. Foto: Maria Fernanda. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1014.detritos-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Seria preciso não viver para negar que o mundo seja mau;<br />
</em><em>mas é nessa mesma maldade que devemos procurar<br />
</em><em>o apoio em que nos firmamos<br />
</em><em>para sermos nós próprios melhores<br />
</em><em>e, como tal, melhorarmos os outros.<br />
</em>Agostinho da Silva (1906-1994)</p>
<p style="text-align: justify;">Tardiamente insiro no blog hebdomadário quatro dentre as diversas mensagens recebidas sobre os coletores de resíduos, orgânicos ou não. Elas apreendem o âmago da árdua profissão, fundamental em todas as cidades, independentemente do tamanho. Transcrevo-as, pois não apenas captam a função do coletor como expandem o tema para os não oficiais, representados pelos catadores que, puxando suas pequenas carroças ou em velhos veículos motorizados, recolhem igualmente caixotes, garrafas e outros descartáveis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> Maria Stella Orsini, </strong>professora titular jubilada da Eca-USP, escreve: “Confesso que tenho grande preocupação com o lixo que se acumula na nossa cidade. Quando estudante, eu e minhas colegas da Caetano de Campos fazíamos longas caminhadas pela famosa rua Barão de Itapetininga. Hoje, além de muito suja, essa rua tem cheiro insuportável. Tenho o hábito de doar o material que pode ser aproveitado para os que empurram esses carrinhos superpesados. Frequento um supermercado que tem ótimas embalagens. Não uso mais plásticos, mas eles podem ser aproveitados pelos que não possuem nenhuma embalagem. Ainda coloco um pacotinho de Miojo. Não gosto e nem como, mas para eles o sal desse alimento pode ser o único que estão comendo nesse dia. Felizmente o curso de Ciências Sociais permitiu que eu e meus colegas recebêssemos<strong> </strong>uma ótima formação em Política. Na verdade, nosso país é muito mal administrado. Presenciei em inúmeras cidades europeias a lavagem das cidades, ao raiar o dia. Como as cidades japonesas são impecavelmente limpas?”</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1017.carroceiro4-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Carroceiro em plena atividade. Fonte&gt; Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1017.carroceiro4-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Marisa de Jesus Martins da Costa </strong>envia-me um poema inserido em seu livro “A menina que consertava o mundo”:</p>
<p style="text-align: center;">“<strong>O carroceiro</strong></p>
<p style="text-align: center;">- Bom dia, senhor carroceiro!<br />
- Bom dia, menina bonita!<br />
- O que carrega aí?<br />
- Carrego reciclável.<br />
- O que é reciclável?<br />
- É latinha, papelão, madeira, vidro&#8230;<br />
- O que vai fazer com isso?<br />
- Vou vender! Comprar comida pra distrair o estômago.<br />
- Cadê o cavalo?<br />
- Não necessito, não! Tenho pernas e braços fortes e Deus na cabeça.<br />
- Minha mãe mistura tudo. Comida com o tal reciclável.<br />
- Ensina pra ela, então! &#8211; Outro dia achei um livro no lixo.<br />
- Livro não se joga no lixo, não!<br />
- Quem faz isso?<br />
- É o homem que não gosta das letras.<br />
- Eu sei ler e escrever. Escrevo pra minha família em Massarandupió.<br />
- Massarandupió? Onde fica?<br />
- É longe. Fica atrás do mapa. Um dia volto pra lá.<br />
- Vou perder meu amigo carroceiro?<br />
- Perde, não! Amigo é para sempre. Esteja onde estiver”.</p>
<p style="text-align: justify;">O Professor titular jubilado da FFLECH-USP, <strong>Gildo Magalhães</strong>, presente em tantos posts, o que muito me alegra, envia a mensagem:</p>
<p style="text-align: justify;">“Ainda sob o impacto agradável da sua execução brilhante de música russa, concordo integralmente com suas observações sobre os trabalhadores da coleta de lixo. Quando vivi na Alemanha, na década de 1980, só os imigrantes se sujeitavam a esse trabalho árduo e ao salário,  mas com uma atenuante: era facilitado pela mecanização, que obrigava todos a usarem o mesmo modelo de lata de lixo, que era pega por braços mecânicos, despejada e devolvida automaticamente. Idem para a varrição de ruas, completamente mecanizada. Enfim, coisas de sociedade mais desenvolvida&#8230;”</p>
<p style="text-align: justify;">Em um outro contexto, diria “oficial”, recebi mensagem substanciosa e esclarecedora da minha dileta sobrinha <strong>Ângela Gandra Martins</strong>, advogada, jurista, com Doutorado e Pós-Doutorado em Filosofia do Direito pelas Universidade Presbiteriana Mackenzie e Universidade Federal do Rio Grande do Sul, respectivamente, sendo hoje Secretária de Assuntos Internacionais da Prefeitura de São Paulo, possivelmente convidada, <em>in addendum</em>, por dominar sete idiomas.</p>
<p style="text-align: justify;">“A cidade de São Paulo possui uma das maiores estruturas públicas de gestão de resíduos sólidos da América Latina, combinando coleta seletiva, infraestrutura urbana e inclusão produtiva de cooperativas de catadores. Nos últimos anos, a Prefeitura ampliou significativamente a cobertura da coleta seletiva porta a porta, alcançando atendimento em todos os 96 distritos da capital. Atualmente, são recolhidas diariamente cerca de 324 toneladas de materiais recicláveis, encaminhadas para uma rede de 29 cooperativas habilitadas pelo município, envolvendo mais de 1.500 cooperados diretamente vinculados ao sistema público de reciclagem. Além disso, a cidade opera duas modernas centrais mecanizadas de triagem – Carolina Maria de Jesus e Ponte Pequena – com capacidade conjunta para processar aproximadamente 500 toneladas de resíduos recicláveis por dia, consolidando São Paulo como referência em infraestrutura de reciclagem urbana na América do Sul.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro eixo estratégico da política municipal é a ampliação dos equipamentos de descarte voluntário e logística reversa. A cidade conta com mais de 100 ecopontos distribuídos pelo território, além de milhares de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), contêineres verdes e equipamentos específicos para vidro, óleo e resíduos recicláveis. Esses espaços permitem que a população descarte corretamente resíduos da construção civil, móveis, eletrodomésticos, recicláveis secos e outros materiais que normalmente acabariam em vias públicas, córregos ou áreas ambientalmente vulneráveis. Paralelamente, programas de compostagem e aproveitamento de resíduos orgânicos de feiras livres vêm sendo utilizados para transformar resíduos alimentares em adubo, reduzindo a pressão sobre os aterros sanitários e incentivando práticas alinhadas à economia circular e à mitigação das mudanças climáticas.</p>
<p style="text-align: justify;">No campo da inclusão produtiva, a Prefeitura também, vem fortalecendo programas voltados ao cooperativismo e à profissionalização dos catadores. Por meio do programa SO Coopera, coordenado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, o município promove oficinas, capacitações, mapeamento de cooperativas e articulação com parceiros públicos e privados para ampliar oportunidades econômicas no setor de reciclagem. Outro destaque é o programa “Reciclar para capacitar”, que já profissionalizou mais de mil catadores na cidade, oferecendo cursos, apoio operacional e incentivo à organização produtiva das cooperativas. Além das políticas estruturantes, ações temporárias como o ‘Bloco de Reciclagem’, realizado durante o carnaval paulistano, demonstram o impacto econômico e ambiental da atuação dos catadores: somente na edição de 2026 foram recuperadas mais de 32 toneladas de recicláveis, movimentando cerca de R$120 mil em renda para cooperativas participantes. Essas iniciativas reforçam como a política de resíduos sólidos de São Paulo vai além da limpeza urbana, atuando também como ferramenta de geração de renda, redução das desigualdades e promoção da sustentabilidade nas cidades”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1017.carroceiro5-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Carroceiro em árdua atividade. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1017.carroceiro5-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>I have selected four messages among many received about the blog dedicated to the so-called refuse collectors, indispensable figures who are sorely undervalued.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/16/ecos-de-%e2%80%9ccoletores-de-residuos-frente-a-ardua-atividade%e2%80%9d/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Oitavo Encontro Musical Privado</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/09/oitavo-encontro-musical-prive/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/09/oitavo-encontro-musical-prive/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 09 May 2026 03:05:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.joseeduardomartins.com/?p=15935</guid>
		<description><![CDATA[Um repertório diferenciado É preciso ter, em relação à obra que se ouve, que se interpreta ou que se compõe, um profundo respeito, como se estivéssemos diante da própria existência. Como se fosse uma questão de vida ou morte. Pierre Boulez (1925-2016) E mar vai em voo aberto,  já pássaro aventureiro para as descobertas. Maria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Um repertório diferenciado</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Oitavo-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title=" Oitavo Encontro Musical. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Oitavo-small.jpg" alt="" /></a> <em> </em> <em> </em></p>
<p><em>É preciso ter, em relação à obra que se ouve, que se interpreta ou que se compõe,<br />
</em><em>um profundo respeito, </em><em>como se estivéssemos diante da própria existência.<br />
Como se fosse uma questão de vida ou morte.<br />
</em>Pierre Boulez (1925-2016)</p>
<p><em>E mar vai em voo aberto,  já pássaro aventureiro para as descobertas.<br />
</em>Maria Isabel Oswald Monteiro (1919-2012)</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">Após o encerramento da minha atividade pianística pública em 2023, os Encontros Musicais Privados possibilitam a continuação dos estudos, uma das razões essenciais da devoção à literatura composta para piano e da ininterrupta frequência amorosa a ela dedicada. Minha mulher Regina, pianista igualmente, enriquece a programação com autores que lhe são caros desde a infância.</span></p>
<p style="text-align: justify;">O Oitavo Encontro Privado<em> </em>destaca inicialmente Valsas de Francisco Mignone (1897-1986), compositor que compõe, juntamente com Villa-Lobos (1887-1959) e Camargo Guarnieri (1907-1993), a tríade nos nossos mais relevantes compositores nacionalistas. As Valsas de Mignone, muitas delas designadas Valsas de Esquina, referência à criação mais urbana, são encantadoras, plenas de naturalidade e lirismo. Regina mantém em seu repertório inúmeras criações de Mignone e era uma de suas intérpretes eleitas. Interpretará nos Encontros cinco Valsas do ilustre compositor.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Mignone-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Francisco Mignone. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Mignone-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Francisco Mignone, <em>Valse élégante</em>, na interpretação do saudoso pianista Nelson Freire (1944-2021):</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=54p8zHIhPtM">https://www.youtube.com/watch?v=54p8zHIhPtM</a></p>
<p style="text-align: justify;">Do Grupo dos Cinco, formado pelos compositores russos Alexandre Borodine (1833-1887), Modest Mussorgsky (1839-1881), Rimsky-Korsakov (1844-1908), Mily Balakirev (1837-1910) e Cesar Cui (1835-1918), escolhi criações dos três primeiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente estudei as criações de Borodine e de Rimsky Korsakov, estreando-as neste Oitavo Encontro entre amigos. Quanto aos “Quadros de uma Exposição”, de Mussorgsky, a magnífica obra faz parte do meu repertório há décadas, tendo-os gravado para o selo belga De Rode Pomp.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Borodin-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Alexandre Borodine. Pintura: Ilya Répine. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Borodin-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A “Pequena Suíte”, de Alexandre Borodine, compositor, médico e químico, foi composta em 1870, sendo constituída de sete peças intimistas de sensível lirismo. Borodine organiza engenhosamente as criações, contrastando-as, e as duas mazurcas inseridas disso dão provas. O compositor Alexandre Glausonov (1865-1936) orquestrou a “Pequena Suíte”.</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Alexandre Borodine, a “Petite Suite”, na interpretação da notável pianista russa Tatiana Nicolaïeva (1824-1993):</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MTkq4QoTNI0">https://www.youtube.com/watch?v=MTkq4QoTNI0</a></p>
<p style="text-align: justify;">“O voo do besouro”, de Rimsky-Korsakov, é um interlúdio orquestral da ópera “O conto do tsar Saltan” e há as mais variadas versões para outros instrumentos, sobremaneira o piano.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Rimsky2-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Rimsky Korsakov. Pintura: Valentin Serov. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Rimsky2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">Foram diversos </span><em style="text-align: justify;">posts</em><span style="text-align: justify;"> dedicados aos “Quadros de uma Exposição” ao longo desses 19 anos de blogs ininterruptos. Uma das composições que mais aprecio, não apenas pela circunstância que motivou a criação, como pela originalidade da concepção da obra. Após forte impacto sofrido por Mussorgsky ao visitar a exposição de aquarelas de um dileto amigo recentemente falecido, o pintor e arquiteto Victor Hartmann (1834-1873), o compositor, tendo memorizado algumas das pinturas, compõe sobre forte impacto os magníficos “Quadros&#8230;”. Em autorreclusão, concentrou-se e, em cerca de duas semanas, completou a criação. Escreveria que os “Quadros&#8230;” ferviam como anteriormente ocorrera com a ópera “Boris Godounov”. Se Hartmann está presente através da “interpretação musical” das aquarelas, o compositor também se instala nos episódios da obra e o tema da “Promenade”, alterado durante a sua caminhada pela significativa mostra, poderia indicar um derradeiro tributo. Nesse transcurso, Mussorgsky se funde ao homenageado. Das dezesseis seções do “Quadros&#8230;”, dez referem-se às aquarelas e seis outras às “Promenades”. Na &#8220;Porta de Kiev&#8221;, há uma derradeira menção à &#8220;Promenade&#8221;. Das pinturas de Hartmann que inspiraram o compositor, apenas seis subsistem, pois na exposição dedicada ao pranteado muitos dos trabalhos foram vendidos. Diversos compositores transcreveram para orquestra os “Quadros de uma Exposição&#8221;, destacando-se Maurice Ravel (1875-1937) – a versão mais largamente difundida –, Dmitri Shostakovich (1906-1975) e Francisco Mignone, fidelíssimo ao texto de Mussorgsky. Transcrições outras foram realizadas para instrumentos solo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/2016.Mussorgsky-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Modest Mussorgsky. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/2016.Mussorgsky-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/2016.GoldbergSchmuyle-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Goldenberg e Schmuyle. Aquarela de Viktor Hartmann. Sexta peça dos Quadros de uma Exposição. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/2016.GoldbergSchmuyle-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Rimsky-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Rimsky Korsakov. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1016.Rimsky-small.jpg" alt="" /></a><span style="text-align: justify;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;">Sob a égide da interpretação, algo tem se afigurado de maneira acentuada com relação aos andamentos. Nesta “Civilização do Espetáculo” em que infelizmente vivemos, como bem definiu Mario Vargas Llosa, em determinadas obras interpretadas por pianistas, indicações de andamentos propostas pelos autores têm sido progressivamente aceleradas para gáudio da maioria dos ouvintes. Essa descaracterização das recomendações dos compositores provoca a sedimentação temporária da escuta e haverá fatalmente uma outra percepção do conteúdo intrínseco de uma obra. Uma pianista superventilada mundialmente não teria dito que, em determinada composição rápida que apresenta extraprograma, o público pede sempre que a execução seja ainda mais acelerada para o deslumbramento da plateia e a “pirotecnia” da intérprete?</p>
<p style="text-align: justify;">Os três compositores do “Grupo dos Cinco”, tendo como fundamento o culto às raízes da música russa, legaram criações que perduram pela originalidade e claros objetivos.</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Modest Mussorgsky, “Quadros de uma Exposição”, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dDr75RcRNDw">https://www.youtube.com/watch?v=dDr75RcRNDw</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>The Eighth Private Recital, following five beautiful waltzes by Francisco Mignone performed by Regina, features three composers that I have selected  from the Group of Five: Borodine, Rimsky-Korsakov, and Mussorgsky.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/09/oitavo-encontro-musical-prive/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Coletores de resíduos frente à árdua atividade</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/02/coletores-de-residuos-frente-a-ardua-atividade/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/02/coletores-de-residuos-frente-a-ardua-atividade/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 03:05:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.joseeduardomartins.com/?p=15919</guid>
		<description><![CDATA[Trabalho extenuante realizado com dedicação Escuta, escuta, tenho ainda uma coisa a dizer. Não é importante, eu sei, não vai salvar o mundo, não mudará a vida de ninguém – mas quem é hoje capaz de salvar o mundo ou apenas mudar o sentido da vida de alguém? Eugénio de Andrade, notável poeta português (1923-2005) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Trabalho extenuante realizado com dedicação</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1015.coleta-big.jpg" target="_blank"><img title="Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1015.coleta-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Escuta, escuta, tenho ainda<br />
uma coisa a dizer.<br />
Não é importante, eu sei, não vai<br />
salvar o mundo, não mudará<br />
a vida de ninguém – mas quem<br />
é hoje capaz de salvar o mundo<br />
ou apenas mudar o sentido<br />
da vida de alguém?</em><br />
Eugénio de Andrade, notável poeta português (1923-2005)</p>
<p style="text-align: justify;">Desde o início da publicação dos blogs, vários posts foram dedicados àqueles que ou ficaram à deriva na sociedade ou em atividades laboriosas exaustivas. Uma das mais importantes funções na organização das cidades, a coleta de resíduos, não merece por parte dos governos a atenção desejável. Trata-se de um serviço público, contudo majoritariamente é realizada por empresas terceirizadas, logicamente contratadas pelas prefeituras. Os salários daqueles responsáveis pela coleta são baixos, mas eles são figuras fulcrais na manutenção da limpeza das cidades, pois têm de manter para a difícil atividade, em acréscimo, preparo físico, disposição para a função e redobrada atenção com o material coletado, inclusive com a possibilidade de contaminação. Na realidade, são eles os responsáveis para que inúmeras pragas sejam minimizadas, que produtos químicos, material descartado de hospitais e outros mais sejam retirados, assim como corroboram para a limpeza das áreas públicas, dando finalmente destino ao imenso material coletado.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1014.carroção4-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Fonte: Google. Foto do livro 'Vila Prudente, do Bonde a Burro ao Metrô', Zadra, Newton. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1014.carroção4-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Estou a me lembrar da infância vivida na Vila Mariana. Coletores de resíduos recolhiam os dejetos das casas deixados nas calçadas em caixas de papelão ou latões grandes com tampas, estes não descartáveis. Os catadores jogavam esse material nas caçambas grandes de um carroção puxado por dois cavalos ou burros e devolviam o recipiente. Nossa mãe por vezes distribuía café com pãezinhos aos trabalhadores. Após décadas morando em uma casa no Brooklin, por vezes igualmente interagi rapidamente com os coletores de detritos, pois o contato com esses profissionais nesse tipo de moradia torna-se mais direto e frequente. Quantas não foram as vezes em que, ao  esquecer de colocar os sacos de resíduos na calçada,  após ouvir o ruido do caminhão e as vozes dos coletores corria até o portão, chamava-os e sempre, cordialmente, eles voltavam e retiravam os sacos. Em outras oportunidades, ao lhes oferecer uma garrafa de refrigerante e um pacote de biscoitos, comovente era a recepção desses verdadeiros especialistas. Ao longo, sabia o nome de diversos.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente tivemos de mudar da casa para um apartamento &#8211; fato inserido em blogs no início de 2025 &#8211; devido à sanha avassaladora das construtoras, que estão a demolir determinados bairros para a edificação de prédios, Brooklin e Campo Belo numa lista prioritária. A minha percepção da atividade dos coletores de resíduos teve um outro <em>approach</em> que, na realidade, só ampliou a minha admiração pelos laboriosos cidadãos. Vejo-os do apartamento, no início da noite, em posição logicamente distinta daquela visão tão próxima quando na residência anterior. Funcionários dos prédios colocam os enormes sacos de resíduos nas calçadas ou em pequenos recintos nas laterais das edificações. Os caminhões param por pouquíssimo tempo, o necessário para esses coletores, numa rapidez que impressiona, segurarem um ou dois sacos pesados, arremessando-os com precisão na caçamba do veículo. Este, finda a coleta do volumoso material, roda os metros necessários para a continuação da saga. Certamente são centenas de sacos arremessados e os dois ou três coletores incumbidos da tarefa ainda têm de dar pequenas corridas a fim de acompanhar o caminhão de recolha. Faça frio ou calor, chuvisco ou chuva forte, esses coletores desempenham exemplarmente a função. Infelizmente, eles têm de ouvir buzinadas de motoristas de carros impacientes, que sequer entendem que o sacrifício evidente dessa atividade fulcral na sociedade mereceria acima de tudo o respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Num país onde os absurdos proliferam, a função desses coletores de resíduos, figurantes basicamente inexistentes no cotidiano das narrativas, sofre com a omissão da sociedade e o termo abjeto, lixeiro, é habitualmente propalado. Sob outra égide, há a perplexidade do cidadão cumpridor de seu labor diário, seja nas mais diversas atividades, seja na vida familiar, ao se deparar com a discussão sobre tema que deveria ter sido abortado sumariamente na origem, o penduricalho, algo que persiste e se avoluma nos três poderes e nas inúmeras instituições estatais. Esses membros dos três poderes teriam a devida atenção a determinadas profissões “subalternas”, mas que, sob outra égide, são igualmente essenciais para a sociedade? Com baixíssimos salários, os coletores de toda espécie de detritos estão a mostrar diuturnamente que, sem eles, no passar de poucos dias as cidades estariam expostas ao caos absoluto.</p>
<p style="text-align: justify;">Considero-os verdadeiros heróis. Nem as homenagens a eles consagradas sensibilizam os poderosos: 1º de Março – Dia Mundial dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis; 7 de Junho – Dia Nacional de Luta dos Catadores de Materiais Recicláveis; 21 de Outubro – Dia Nacional do Coletor de Lixo, 22 de Novembro – Dia do Reciclador e da Reciclagem do Lixo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>The work of waste pickers – also pejoratively referred to as ‘scavengers’ – is just critical for a city. They are true environmental workers, playing a vital role in maintaining urban cleanliness.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/05/02/coletores-de-residuos-frente-a-ardua-atividade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Reflexões sobre compositores do passado, suas missivas e a atualidade (VIII)</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/04/25/15911/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/04/25/15911/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2026 03:05:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.joseeduardomartins.com/?p=15911</guid>
		<description><![CDATA[Da permanência ao efêmero, um caminho sem volta? Um mundo arrumado é apenas o palco para o grande espetáculo, de que até hoje tivemos apenas um ou outro raro exemplo, da plena criação em todos os domínios, arte, ciência, filosofia, porventura vida também. Agostinho da Silva (1906-1994) “Só Ajustamentos” Ao longo das décadas realizei a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Da permanência ao efêmero, um caminho sem volta?</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.joseeduardomartins.com/839.Rodin-big.jpg" target="_blank"><img title="Auguste Rodin (1840-1917), O Pensador. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/839.Rodin-small.jpg" alt="" /></a></strong></p>
<p><em>Um mundo arrumado é apenas o palco para o grande espetáculo,<br />
</em><em>de que até hoje tivemos apenas um ou outro raro exemplo,<br />
</em><em>da plena criação em todos os domínios,<br />
</em><em>arte, ciência, filosofia, porventura vida também.<br />
</em>Agostinho da Silva (1906-1994)<br />
“Só Ajustamentos”</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo das décadas realizei a leitura parcial da atividade epistolar de alguns dos mais conceituados compositores, apreendendo essencialidades que vão além da própria composição, abrangendo igualmente o cotidiano, os afetos e as dificuldades frente à vida e seus desdobramentos, saúde, finanças, esperanças ou desalento. Graças à carta manuscrita, preservou-se o pensar do compositor, essa interioridade não revelada em escritos teóricos no caso específico de Jean-Philippe Rameau (1683-1764), compositor e teórico, magistral nas duas atividades.</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Jean-Philippe Rameau, “Air pour Borée et la Rose”, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kYHMbUAw8sUA">https://www.youtube.com/watch?v=kYHMbUAw8sUA</a></p>
<p style="text-align: justify;">O vastíssimo patrimônio da música com várias designações, clássica, erudita ou de concerto, permanece através dos séculos, é executado pelas gerações de intérpretes e integra o vasto universo da Cultura Humanística. Tardiamente penetrou no Extremo-Oriente e hoje alguns dos mais relevantes pianistas são oriundos dos Conservatórios do Japão, China, Coréia do Sul&#8230;, evidência clara, apesar de culturas distantes das ocidentais sob tantos aspectos, da aceitação da música clássica em seus múltiplos modelos. No 19º Concurso Internacional Frederic Chopin (2025), em Varsóvia, os três primeiros  colocados eram orientais ou descendentes e os dois outros prêmios foram outorgados <em>ex-aequo </em>(empatados), tendo igualmente orientais.</p>
<p style="text-align: justify;">Mormente neste século, de maneira mais acentuada verifica-se uma diminuição sensível da divulgação mais exequível da atividade musical erudita em nossas terras. Observei em blogs, anos atrás, o papel da imprensa relacionada à música de concerto. Rememoro que São Paulo, na década de 1950, tinha uma população de aproximadamente 3 milhões de habitantes. Os concertos nos vários teatros, máxime o Teatro Municipal, tinham frequência quase sempre plena.  Quando nos visitavam nomes referenciais do piano, violino, violoncelo ou canto, filas de jovens aguardavam a abertura das galerias – preços irrisórios – para não perderem os eventos. Após uma determinada apresentação, leitores tomavam conhecimento de críticas em vários jornais. Mencionaria O Estado de São Paulo, Folha da Manhã, Folha da Tarde, Folha da Noite, Diário de São Paulo, Diário da Noite, A Gazeta, O Tempo, Correio Paulistano, Jornal Alemão, Fanfulla, Giornali degli italiani, Shopping News. Todos esses periódicos tinham críticos, a maioria deles com pleno conhecimento musical.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/800.Cáustico-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Cáustico. Desenho de Luca Vitali (1940-2013). Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/800.Cáustico-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Apesar das muitas diferenças entre a música clássica e a música não compromissada com a forma e destinada às multidões, máxime na atualidade, considerações podem ser feitas a partir da efemeridade da música voltada aos shows e pertencente a várias modalidades, megashows vindos do Exterior, eventos outros no Brasil direcionados ao axé, funk e ao sertanejo, totalmente descaracterizado se comparado às duplas que se apresentavam muitas décadas atrás &#8211; Tonico e Tinoco, Cascatinha e Inhana e alguns outros, sem esquecer Inezita Barroso -, que buscavam traduzir autênticos sentimentos e anseios do homem do campo. Mercê do marketing bem estruturado, hodiernamente não mais é a qualidade que importa, mas a popularidade dos eleitos por n razões.</p>
<p style="text-align: justify;">Menções da imprensa testemunham somas rigorosamente elevadas repassadas pelos governos a personagens bem conhecidos da denominada música de cunho popular. É um fato que se repete nas várias esferas oficiais, do poder central às prefeituras de cidades pequenas, que inúmeras vezes dão maior atenção à essas apresentações do que àquela destinada aos serviços básicos das cidades ou, então, à segurança e à educação. Mormente nos megashows, a mudança de repertório se dá virtualmente a cada temporada e as músicas antes apresentadas estiolam-se em pouco tempo, basicamente esquecidas para sempre nas turnês vindouras. Os meios de comunicação, quase como um todo, divulgam <em>ad extremum es</em>sas apresentações, amparadas por publicidade de peso.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesses posts dedicados às cartas de compositores que se eternizaram através dos séculos, veio-me à mente a perenidade frente ao efêmero. Numa elucubração, se considerarmos compositores que morreram pobres ou com problemas financeiros graves, mas que tiveram suas obras glorificadas, e atentando, sob outra égide, ao que um <em>pop star</em> recebe num único megashow, cantando músicas de valor bem discutível, não estaria distante da realidade afirmar que o cachê desse <em>pop star</em> internacional para uma única apresentação, frise-se, é infinitamente superior ao que compositores sacralizados sequer puderam amealhar durante toda a existência, guardando-se as proporções monetárias históricas. Antônio Vivaldi (1678-1741) morreu pobre, assim como Mozart (1756-1791) e Schubert (1797-1828).</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Franz Schubert, Fantasia em fá menor, na interpretação de Paul Badura-Skoda (1927-2019) e Jörg Demus (1928-2019). Infezimente essa gravação realizada na Sala Gaveau, em Paris, é interrompida no minuto 8:56:</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Dp8W7pSTBmw">Paul Badura-Skoda et Jörg Demus, pianos | Fantaisie en fa mineur, D.940 de Franz Schubert</a></p>
<p style="text-align: justify;">Richard Wagner (1813-1883) teria falido não fosse o apoio incondicional de Luís II da Baviera (1845-1886). Modest Mussorgsky (1839-1881) é o exemplo tipificado do compositor que faleceria no completo infortúnio. O <em>robe de chambre</em> que Mussorgsky veste poucos dias antes da morte, na magnífica pintura de Ilia Répine, foi-lhe dado por Rimsky Korsakov (1844-1908) para a famosa tela.  Claude Debussy (1862-1918) morreu em situação financeira difícil, mercê sobretudo causada por câncer que o acometera anos antes. Outros tantos faleceram beirando a pobreza.</p>
<p style="text-align: justify;">Creio que a comparação estabelecida poderia parecer dicotômica quanto aos gêneros. Não obstante, transcende uma simples apreciação. As transformações tecnológicas necessárias, mas, sob outra égide, verdadeiros tsunamis, têm acarretado uma série de desvirtuamentos dos princípios “outrora” consagrados: costumes, moralidade, lhaneza, honestidade, gostos e educação. Inversamente à perenidade mencionada acima, mercê da qualidade insofismável das obras de compositores perenizados, os montantes aferidos nas hodiernas apresentações para multidões, com astros superventilados pela mídia, evidenciam, na área musical, a aparência da verdade, pelo sentido efêmero do que é revelado. Mencionei recentemente que, ao auscultar jovens frequentadores dos megashows com personagens estrangeiros ou nacionais a respeito de músicas apresentadas um ou dois anos antes, não mais se lembravam, mas sim as do último show a que assistiram.</p>
<p style="text-align: justify;">As transformações sociais têm sido avassaladoras. Certamente, dentro de algumas décadas os compositores mencionados acima estarão presentes nas programações musicais pelo mundo, com público específico, é certo, se comparado aos gêneros outros mencionados. Para estes, a efemeridade é dramática. Quem será lembrado futuramente dessa plêiade de <em>pop stars</em> que são glorificados por multidões? Que músicas ficarão na memória dos que frequentam esses megashows? O legado só acolhe a criação musical qualitativa.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Just some reflections on the legacy left by the great composers of the past, and the overwhelming presence today of mega-concerts that draw crowds to glorify names that are hyped up by the media.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/04/25/15911/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Uma carta manuscrita inusitada e inesperada (VII)</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/04/18/15898/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/04/18/15898/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 18 Apr 2026 03:05:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.joseeduardomartins.com/?p=15898</guid>
		<description><![CDATA[Missiva manuscrita vinda dos Países Baixos Qual não foi minha surpresa ao receber do dileto amigo Joep Huiskamp, professor jubilado da Universidade de Eindhoven, na Holanda, e artista plástico com inúmeras exposições em seu país, uma resposta, pelos Correios, aos blogs que têm sido direcionados à temática das cartas manuscritas, hoje em acentuado processo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Missiva manuscrita vinda dos Países Baixos</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1013.Joep2-big.jpg" target="_blank"><img title="Carta manuscrita de Joep Huiskamp. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1013.Joep2-small.jpg" alt="" /></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Qual não foi minha surpresa ao receber do dileto amigo Joep Huiskamp, professor jubilado da Universidade de Eindhoven, na Holanda, e artista plástico com inúmeras exposições em seu país, uma resposta, pelos Correios, aos blogs que têm sido direcionados à temática das cartas manuscritas, hoje em acentuado processo de extinção. Nossa amizade data do ano 2000, quando em Gent, na Bélgica, estivemos durante alguns dias hospedados em casa do dileto casal Tony e Tânia Herbert. Nos anos vindouros, Joep e sua esposa Jonneke compareceram aos meus recitais de piano em várias cidades da Bélgica e estiveram, inclusive, em uma apresentação que realizei em Lisboa. Nosso relacionamento, iniciado no início do século, prolongou-se. Amante incondicional do arquipélago português dos Açores e da cultura de Portugal, tendo, entre outras contribuições, traduzido para a língua holandesa “O Mandarim”, de Eça de Queirós, Joep tem, ao longo dos anos, viajado constantemente ao belíssimo arquipélago constituído por nove ilhas. Realizei em 1992 turnê por três ilhas açorianas, Terceira, Faial e São Miguel, e sendo admirador inconteste das obras para piano do compositor português Francisco de Lacerda (1869-1934), acabei interpretando a integral para piano e gravado muitas de suas criações, motivos determinantes para o estreitamente da amizade com Joep Huiskamp, igualmente um apreciador das criações do músico nascido nos Açores.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/746.JH2001-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Desenho de Joep Huiskamp no jardim dos amigos Tony e Tânia Herbert. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/746.JH2001-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A carta, aparentemente heteróclita, testemunha não apenas um tributo expresso ao ato de escrever correspondência à mão, mas igualmente um senso criativo com boa dose de humor. Joep mescla francês e português, as duas línguas com as quais nos comunicávamos. Desenha na folha da missiva três retratos coloridos, homenageando luminares da cultura açoriana: o escritor e poeta Antero de Quental (1842-1991), nascido em Ponta Delgada, capital da Ilha de São Miguel; Vitorino Nemésio (1901-1978), originário de Santa Cruz – Praia da Vitória, na Ilha Terceira, autor de um dos mais importantes romances portugueses, “Mau Tempo no Canal”; e Francisco de Lacerda, natural da  Ribeira Seca, Ilha de São Jorge.</p>
<p style="text-align: justify;">“Meu muito caro José Eduardo,</p>
<p style="text-align: justify;">Naturalmente, tens razão! Escrever cartas à mão, com tinta, isso se vê cada vez menos nesses dias. E, como consequência, a caligrafia de muitas pessoas fica em frangalhos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Menciona o equívoco ortográfico na palavra frangalhos na sua missiva manuscrita, tendo corrigido a segunda letra a e a última sílaba. Após, narra aspectos da vida cotidiana do casal, a sua aposentadoria e brevemente a da esposa, assim como os projetos tão caros para aqueles que sabem planejar as décadas subsequentes e a vida em família, no caso. No roteiro, um regresso à Ilha de São Jorge, a fim de pintar e escrever.</p>
<p style="text-align: justify;">A missiva do meu dileto amigo holandês tem algo que faz pensar, pois merece diversas interpretações. Se, sob determinado aspecto, há um humor fino, até sarcástico, o que muito me alegrou, revela a mensagem ilustrada a realidade sombria que aponta para o crepúsculo da  correspondência manuscrita, motivo determinante para a elaboração da carta. As três ilustres figuras açorianas que tão bem ilustram o envio de Joep, personagens que fazem parte igualmente dos meus eleitos entre aqueles da extraordinária cultura lusíada, não significariam a necessidade de evidenciar a presença dos três desenhos originais e não de reproduções impressas?</p>
<p style="text-align: justify;">O vaticínio para a missiva escrita à mão já foi dado há poucas décadas atrás. Não obstante o fato irreversível, a simples lembrança das correspondências que subsistiram desde a Grécia Antiga leva-nos a deduzir que mais profundamente se está a penetrar na era da irreversibilidade do efêmero. <em>Mutatis mutandi</em>, se na música alguns compositores de mérito permanecem frequentados com dedicação pelos intérpretes, tendo a plena aceitação de um público bem menos vasto, mas fiel, a produção musical da atualidade, um leque de tendências composicionais com as mais variadas formas, estilos e destinações, tende a ser descartada em tempo exíguo, salvo exceções realmente meritórias.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1012.Portrait-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Auto retrato de Joep Huiskamp. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1012.Portrait-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Consultei inúmeras pessoas nesses últimos tempos a respeito dos <em>pendrives, </em>a diminuta peça onde armazenavam o que deveria ser preservado, missivas internéticas inclusas. A grande maioria nem mais os utiliza e a minha pergunta sobre a destinação desses dispositivos recebeu respostas contundentes: “não sei onde os guardei” ou “joguei-os fora”.</p>
<p>Retomarei oportunamente às cartas manuscritas de compositores que permaneceram na história, pois outros temas já estão a pedir passagem. Não obstante, a leitura através das décadas dessa literatura, essencial para o conhecimento mais aprofundado dos compositores pesquisados, levou-me a considerar oportuno o tema do próximo blog.</p>
<p>Clique para ouvir, de Francisco de Lacerda, “Papillons” e “Zara”, na interpretação de J.E.M.</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rOa_dEmQg30&amp;t=25s">https://www.youtube.com/watch?v=rOa_dEmQg30&amp;t=25s</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>My dear friend Joep Huiskamp, a retired professor from Eindhoven University in the Netherlands and also a painter, sent me a handwritten letter by post. A lover of the Azores, like myself, he included three of his own paintings depicting immortal figures born in the Azores archipelago.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/04/18/15898/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Carta de Robert Schumann à esposa Clara (VI)</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/04/11/carta-de-robert-schumann-a-esposa-clara-vi/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/04/11/carta-de-robert-schumann-a-esposa-clara-vi/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 03:05:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.joseeduardomartins.com/?p=15889</guid>
		<description><![CDATA[O compositor frente à constante inspiração Para mim, o homem e o músico sempre buscaram se expressar ao mesmo tempo. Só dou um título às minhas composições quando elas estão concluídas. Robert Schumann (1810-1856) O compositor Robert Schumann, um dos músicos luminares do romantismo alemão, autor de composições abrangendo uma extensa gama de destinações ― piano solo, lieds (melodias acompanhadas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O compositor frente à constante inspiração</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/779.RS2a-big.jpg" target="_blank"><img title="Clara e Robert Schumann. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/779.RS2a-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Para mim, o homem e o músico sempre buscaram se expressar ao mesmo tempo.<br />
</em><em>Só dou um título às minhas composições quando elas estão concluídas.<br />
</em>Robert Schumann (1810-1856)</p>
<p style="text-align: justify;">O compositor Robert Schumann, um dos músicos luminares do romantismo alemão, autor de composições abrangendo uma extensa gama de destinações ― piano solo, <em>lieds </em>(melodias acompanhadas pelo piano), sinfônico (quatro sinfonias) e camerístico<strong> </strong>―, externaria em suas criações, mormente pianísticas, o seu amor àquela que seria desde a juventude a fonte de inspiração, Clara Wieck, futura Clara Schumann (1818-1896), notável pianista e compositora de mérito. Schumann estudou com Friedrich Wieck (1785-1873), pai de Clara, que se opôs durante anos à união de sua filha com Robert, fato que ocorreria em 1840, após o futuro casal ter entrado na Justiça contra o professor que alegava não ter Schumann estabilidade financeira.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos 12 de Setembro de 1840, um dia após o aniversário de Clara, efetua-se o casamento e, nessa data, após as núpcias, Schumann escreve à “Minha jovem mulher bem-amada”, dando início a um diário mútuo que deveria doravante fazer parte das impressões na vida do casal. As anotações duraram três anos. Robert e Clara tiveram 8 filhos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/779.Clara-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Clara Schumann. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/779.Clara-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">“Deixa-me, antes de mais nada, dar-te um beijo muito carinhoso neste dia, o primeiro da tua vida de mulher, o primeiro do teu vigésimo segundo ano. O livrinho que começo hoje tem um significado muito profundo. Ele deve se tornar um diário, falando de tudo o que temos em comum em nosso lar e em nossa união. Nossos desejos e esperanças serão registrados nele. Deve ser também um livro que contenha os pedidos que precisamos fazer um ao outro, quando as palavras não forem suficientes.</p>
<p style="text-align: justify;">Se concordas comigo, querida esposa, prometa-me também que cumprirás rigorosamente o código deste vínculo conjugal, assim como eu mesmo te prometo aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">A cada oito dias, trocaremos a direção da correspondência. Todos os domingos (de preferência no café da manhã), ocorrerá a entrega do Diário, à qual não é proibido acrescentar um beijo. O que foi escrito será lido em seguida, em silêncio ou em voz alta, conforme as exigências do texto, acrescentando-se o que tiver sido esquecido.</p>
<p style="text-align: justify;">Os votos expressos serão ouvidos, os pedidos apresentados e aprovados e, de maneira geral, nossa existência durante toda a semana cuidadosamente examinada, seja ela cheia de mérito e ação, seja por termos aumentado nosso bem-estar exterior ou interiormente, seja ainda por termos nos aperfeiçoado na arte que nos é tão cara.</p>
<p style="text-align: justify;">As anotações de cada semana não devem ter menos de uma página. Quem descumprir essa regra receberá uma punição, ainda por definir.</p>
<p style="text-align: justify;">Se algum membro de nossa Ordem Conjugal se atrevesse a passar uma semana sem escrever nada, a punição seria muito mais grave. Situação, no entanto, que mal podemos imaginar, dada nossa elevada estima mútua e nosso senso de dever. Todos esses estatutos e leis serão observados também em viagem, e o Diário deverá sempre nos acompanhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos prazeres do nosso Diário será, como já foi dito, a crítica de nossa vida artística. Por exemplo, o que você gosta de estudar, o que você compõe e o que você pensa sobre isso. O mesmo se aplica a mim.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro ponto forte deste livro consistirá em descrições de personagens, por exemplo, de artistas de renome que tivermos conhecido, e em anedotas; os traços humorísticos serão muito bem-vindos. Mas o que há de mais belo e encantador neste livro, minha querida esposa, não quero chamá-lo pelo nome. Tuas belas esperanças e as minhas, que o Céu queira abençoar; teus cuidados e os meus, que o casamento traz consigo; enfim, todas as alegrias e todos os sofrimentos da vida em comum serão aqui fielmente descritos, o que nos reserva alegrias para nossa velhice.</p>
<p style="text-align: justify;">Se concordas comigo em todos os pontos, minha querida esposa, escreve então teu nome abaixo do meu e pronuncia, como um talismã, as três palavras nas quais repousa a felicidade da vida:</p>
<p style="text-align: center;">Trabalho, economia, fidelidade”.</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/779.RS1a-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Robert Schumann. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/779.RS1a-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Uma das obras para piano mais inspiradas de Schumann é a <em>Grande Humoresque</em> op. 20 (1839), composição finda um ano e meio antes do casamento,<strong> </strong>assim definida pelo notável pianista francês Alfred Cortot (1977-1962): “A <em>Humoresque </em>constitui um dos exemplos mais marcantes do gênio inovador de Schumann e ao qual não se pode atribuir qualquer precedente em toda a história da literatura pianística”. Schumann, durante a gestação da <em>Humoresque</em>, obra constituída de duas dezenas de improvisações contínuas e sem quaisquer amarras formais, pensa em Clara e, se a dedicatória não é a ela destinada, a inspiração esteve sob a égide da sua futura esposa. Escreve à Clara: “Durante toda a semana estive ao piano e compus, ri e chorei ao mesmo tempo. Encontrarás a marca de tudo isso na minha <em>Grande Humoresque</em>” (11/03/1839).</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Robert Schumann, a <em>Humoresque </em>op. 20, na interpretação de J.E.M.:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9QLA5sKqlrc">https://www.youtube.com/watch?v=9QLA5sKqlrc</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Robert Schumann’s letter to his wife Clara—a record preserved in a wedding journal and written on their wedding day—reveals a deep bond between them, as the two were to record their hopes, feelings, and daily lives in that marriage diary.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/04/11/carta-de-robert-schumann-a-esposa-clara-vi/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
