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	<title>José Eduardo Martins</title>
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		<title>Outras considerações sobre a terceira idade</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Aug 2026 03:05:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[O olhar diferenciado de Saint-Exupéry Os quarenta primeiros anos da existência nos dão o texto; os trinta seguintes, o comentário. Arthur Schopenhauer (1788-1860) A juventude é o tempo de aprender sabedoria, a velhice de praticá-la. Jean-Jacques Rousseau (1712-778) O tempo te constrói raízes. Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) O post precedente, ao abordar as reflexões de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O olhar diferenciado de Saint-Exupéry</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/686.SaintEx1-big.jpg" target="_blank"><img title="Antoine de Saint-Exupéry. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/686.SaintEx1-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Os quarenta primeiros anos da existência nos dão o texto;<br />
os trinta seguintes, o comentário.<br />
</em>Arthur Schopenhauer (1788-1860)</p>
<p><em>A juventude é o tempo de aprender sabedoria,<br />
</em><em>a velhice de praticá-la.<br />
</em>Jean-Jacques Rousseau (1712-778)</p>
<p><em>O tempo te constrói raízes.<br />
</em>Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944)</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">O post precedente, ao abordar as reflexões de La Rochefoucauld sobre as fases derradeiras do ser humano, suscitou uma série de posicionamentos de leitores interessados na temática e até sugerindo estender as considerações. Nem todos apreendem a velhice como uma transição que deveria ser vivenciada como um caminho natural para o inexorável. Eliane Ghigonetto Mendes, viúva do meu saudoso amigo e notável compositor Gilberto Mendes (1922-2016), enviou-me uma mensagem da qual extraio uma preciosa frase: “Cada vez mais vejo amigos envelhecerem tão mal, tão amargos, por se deixarem escravizar pelo Ego, que não foi domesticado a tempo&#8230;”. Veio-me à mente Citadelle, de Saint Exupéry (1900-1944), várias vezes presente nos posts semanais desde a sua origem, que remonta a Março de 2007. Uma frase vinda de sua irmã, Simone de Saint Exupéry, pesquisadora que colaborou na elaboração de Citadelle, define a importância da obra. Afirma: “É impossível esgotar as riquezas dessa obra densa e profunda, que aborda todos os problemas do destino humano e do condicionamento do homem”.</span></p>
<p style="text-align: justify;">As considerações a respeito da velhice em Citadelle têm aplicação na atualidade. Relembrando, o personagem principal da obra em pauta é um senhor do deserto, à semelhança de um rei. Nas narrativas na primeira pessoa do singular, Saint-Exupéry tece suas considerações sobre os mais variados temas que permeiam a humanidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Gilberto Mendes: Sonatina à la Mozart (1951), na interpretação de J.E.M.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZO0-u5kU5c4">https://www.youtube.com/watch?v=ZO0-u5kU5c4</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZO0-u5kU5c4"></a><span style="text-align: justify;">“Naquela noite, ao descer da minha montanha pela encosta onde já não conhecia mais ninguém, como um homem já levado para a terra por anjos silenciosos, senti o consolo de envelhecer. E de ser uma árvore pesada com seus galhos, já toda endurecida por protuberâncias e rugas, e já como embalsamada pelo tempo no pergaminho dos meus dedos, e tão difícil de ferir, como se já tivesse me tornado eu mesmo. E eu tecia minhas reflexões: ‘Aquele que já envelheceu assim, como poderia o tirano aterrorizá-lo com o odor dos suplícios — que é aquele do leite azedo — e mudar nele qualquer coisa, já que sua vida ele a mantém no passado, como um manto desamarrado que só permanece preso por um cordão?’ Será que já estou assim guardado na memória dos homens? E nenhuma renegação da minha parte teria mais sentido. Também senti o consolo de estar livre das minhas amarras, como se tivesse trocado toda essa carne enrugada pelo invisível, assim como as asas. Como se eu estivesse finalmente caminhando por conta própria, na companhia daquele arcanjo que tanto havia procurado. Como se, ao abandonar meu velho invólucro, eu me descobrisse extraordinariamente jovem. E essa juventude não era feita de entusiasmo, nem de desejo, mas de uma serenidade extraordinária. Essa juventude era daquelas que se aproximam da eternidade, não daquelas que, ao amanhecer, enfrentam os tumultos da vida. Era de espaço e de tempo. Parecia-me que, ao ter concluído meu processo de formação, eu estava me tornando eterno”.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Estou a me lembrar do meu saudoso Pai, que morreu dias antes de completar 102 anos (1898-2000). Entendia a velhice como uma dádiva concedida por um Poder Maior. No prefácio do seu último livro, escreveu: “Finalizo esta minha pequena biografia declarando que em 31 de maio de 1999 partiu para a Pátria Celeste aquela que durante 67 anos iluminou minha alma e encheu de infinito amor meu coração. Na prece diária que consagro a Deus, repito o apelo que Ana Madalena Bach fazia a Deus, mudando o nome de Sebastian por santa Alá, porque era por Alá que eu carinhosamente a chamava” (José da Silva Martins, “Breviário de Meditação”, São Paulo, Martin Claret, 2000).</p>
<p style="text-align: justify;">Aos 88 anos acredito firmemente na denominada juventude da idade madura, que pode ser prolongada desde que haja a permanente motivação mental, apesar de esta ser em ritmo menos acentuado. A lendária pianista e professora francesa, Marguerite Long (1874-1966), com quem tive o privilégio de estudar (1958-59), afirmava acreditar que “quem é jovem é para sempre”, e ela o era em suas atitudes.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/697.ML-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Marguerite Long. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/697.ML-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Gabriel Fauré, 4ème Nocturne, na interpretação da insigne Marguerite Long. Gravação realizada em 1937:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UAL-FojZ6z8&amp;t=35s">Marguerite Long plays Fauré Nocturne no. 4 in E flat major</a></p>
<p><em style="text-align: justify;">Readers requested a second post on old age following my previous one based on the writings of La Rochefoulcald. For this one, I have chosen to focus on the reflections on old age found in Saint -Exupéry’s *Citadelle*.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>La Rochefoucald (II)</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Aug 2026 03:05:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Réfléxions diverses – De La Retraite” Nossos inimigos se aproximam mais da verdade em seus julgamentos sobre nós do que nós mesmos. A velhice é um tirano que proíbe, sob pena de morte, a juventude de todos os prazeres. Poucas pessoas sabem ser velhos. La Rochefoucauld (1613-1680) “De la Retraite” não faz parte da primeira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Réfléxions diverses – De La Retraite”</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1030.idosos-big.jpg" target="_blank"><img title="Casal de idosos. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1030.idosos-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Nossos inimigos se aproximam mais da verdade<br />
</em><em>em seus julgamentos sobre nós do que nós mesmos.</em></p>
<p><em>A velhice é um tirano que proíbe, sob pena de morte,<br />
</em><em>a juventude de todos os prazeres.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Poucas pessoas sabem ser velhos.</em><br />
La Rochefoucauld (1613-1680)</p>
<p style="text-align: justify;">“De la Retraite” não faz parte da primeira edição das “Maximes”, datada de 1665, mas integra edições posteriores num conjunto denominado “Réfléxions diverses”. Nessas, La Rochefoucauld, contrariamente aos breves aforismos das “Maximes”, estende os textos numa linha reflexiva e, por vezes, filosófica. Selecionei um em especial, que aborda tema fulcral da existência, a denominada terceira idade (<em>Retraite</em>), fase derradeira do ser humano, cuja duração depende de inúmeros fatores a preceder o final irreversível. Mercê da atualidade das reflexões e do aumento substancioso de idosos no nosso país, transcrevo-o na íntegra, não sem antes inserir um precioso comentário de J.-F. Thénard, autor do prefácio e das inúmeras notas de rodapé da edição de 1937 das “Máximas”. Escreve: “Se La Rochefoucauld fosse um poeta na acepção do termo, nós diríamos que essa reflexão expressa o <em>canto do cisne</em>, como se o filósofo e grande escritor exprimisse o seu adeus à vida ativa; mas falaria ele para si mesmo? Ele captava os modismos, ou melhor, aquilo que ele observava ao seu redor; pois um espírito dessa envergadura seria incapaz de languidez numa inatividade contemplativa”.</p>
<p style="text-align: justify;">La Rochefoucauld – “De la retraite”</p>
<p style="text-align: justify;">“Eu me envolveria em um discurso muito longo se relatasse aqui, em detalhes, todas as razões naturais que levam os idosos a se afastar da vida social: a mudança em seu temperamento, em sua aparência e o enfraquecimento dos órgãos os levam imperceptivelmente, assim como a maioria dos outros animais, a se afastar da convivência com seus semelhantes. O orgulho, que é inseparável do amor-próprio, passa então a servir-lhes de razão: eles já não se deixam lisonjear por muitas coisas que adulam os outros; a experiência lhes revelou o valor de tudo o que os homens desejam na juventude e a impossibilidade de desfrutar disso por mais tempo; os diversos caminhos que parecem abertos aos jovens para alcançar a grandeza, os prazeres, a reputação e tudo o que dignifica os seres humanos lhes são fechados, ou pela fortuna, ou pela conduta ou, ainda, pela inveja e a injustiça dos outros; o caminho para se reencontrar é muito longo e penoso; quando alguém já se perdeu uma vez, as dificuldades parecem insuperáveis, e a idade já não lhes permite mais tentar superá-las. Eles se tornam insensíveis à amizade, não apenas porque talvez nunca tenham encontrado uma verdadeira, mas porque viram morrer um grande número de seus amigos que ainda não tinham tido tempo nem oportunidades de decepcioná-los, e se convencem facilmente de que teriam sido mais fiéis do que aqueles que lhes restam. Eles já não têm mais parte nos primeiros bens que inicialmente preencheram sua imaginação; eles quase não têm mais parte na glória: aquela que conquistaram já foi desbotada pelo tempo, e muitas vezes os homens mais perdem do que ganham à medida que envelhecem.  Cada dia lhes tira uma parte de si mesmos; não têm mais vida suficiente para desfrutar do que possuem, e muito menos ainda para alcançar o que desejam; eles não veem mais à sua frente senão tristezas, doenças e humilhação; tudo já foi visto, e nada pode ter para eles o encanto da novidade; o tempo os afasta imperceptivelmente do ponto de vista de onde lhes convêm ver as coisas, e de onde elas devem ser vistas. Os mais felizes ainda são aturados, os demais são desprezados; a única saída que lhes resta é esconder do mundo aquilo que talvez já tenham mostrado demais. Seu gosto, desiludido dos desejos inúteis, volta-se então para objetos mudos e insensíveis: os edifícios, a agricultura, a economia, o estudo; todas essas coisas estão sujeitas à sua vontade; eles se aproximam ou se afastam delas como bem entendem; são senhores de seus projetos e de suas ocupações; tudo o que desejam está ao seu alcance e, tendo-se libertado da dependência do mundo, eles fazem com que tudo dependa deles. Os mais sábios sabem empregar o tempo que lhes resta para a própria salvação e, tendo apenas uma parcela tão pequena nesta vida, tornam-se dignos de uma vida melhor. Os demais têm, pelo menos, apenas a si mesmos como testemunhas de sua miséria; suas próprias fraquezas os divertem; o menor descanso lhes serve de felicidade; a natureza, falha e mais sábia do que eles, muitas vezes lhes poupa o sofrimento de desejar; enfim, esquecem o mundo, que está tão disposto a esquecê-los; até mesmo sua vaidade é consolada por seu retiro e, com muitos aborrecimentos, incertezas e fraquezas, ora por piedade, ora pela razão, e na maioria das vezes por hábito, suportam o peso de uma vida insípida e lânguida”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1030.Réflexion-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="La Rochefoucauld. Selo comemorativo do tricentenário das Máximas. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1030.Réflexion-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">“De la Retraite”, último texto das “Réflexions diverses”, foi escrito bem antes do desenlace do autor aos 66 anos, no início da terceira idade, segundo os parâmetros atuais. Como bem observa J.-F Thénard, Rochefoucauld estaria a pensar na sua atual posição quando escreve: “Seu gosto, desiludido dos desejos inúteis, volta-se então para objetos mudos e insensíveis: os edifícios, a agricultura, a economia, o estudo; todas essas coisas estão sujeitas à sua vontade”, mormente no segmento: “Os mais sábios sabem empregar o tempo que lhes resta para a própria salvação e, tendo apenas uma parcela tão pequena nesta vida, tornam-se dignos de uma vida melhor. Os demais têm, pelo menos, apenas a si mesmos como testemunhas de sua miséria”.</p>
<p style="text-align: justify;">As “Máximas” e as “Diversas Reflexões”, escritas há mais de três séculos e meio e reeditadas inúmeras vezes, têm fundamental importância em vários particulares, pois não apenas traduzem o que se processa no cotidiano através da história, como eleva a um grau de excelência a importância do fragmento, este expresso nas “Máximas”, assim como em textos como “De la Retraite”, no qual condensa aspectos fulcrais de sua personalidade, sendo que um deles, o ceticismo, não está descartado.</p>
<p><em style="text-align: justify;">La Rochefoucauld’s reflections on old age, despite their skepticism, remain entirely relevant more than three and a half centuries later.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>La Rochefoucauld (1613-1680) (I)</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/08/08/16118/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/08/08/16118/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 08 Aug 2026 03:05:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Máximas morais É uma das obras que mais contribuiu para formar o gosto da nação e para lhe incutir um espírito de exatidão e precisão… Acostumou as pessoas a pensar e a expressar os seus pensamentos de forma ágil, precisa e delicada. Voltaire (1694-1778) (“Le siècle de Louis XIV”) Por que não se leem mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Máximas morais</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1029.DucFrançois-big.jpg" target="_blank"><img title="François de La Rochefoucauld. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1029.DucFrançois-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>É uma das obras que mais contribuiu para formar o gosto da nação<br />
</em><em>e para lhe incutir um espírito de exatidão e precisão…<br />
</em><em>Acostumou as pessoas a pensar e a expressar<br />
</em><em>os seus pensamentos de forma ágil, precisa e delicada.<br />
</em>Voltaire (1694-1778)<br />
(“Le siècle de Louis XIV”)</p>
<p><em>Por que não se leem mais<br />
</em><em>os grandes mestres da sentença psicológica?<br />
</em><em>– pois, sem qualquer exagero:<br />
</em><em>o homem culto que tenha lido La Rochefoucauld<br />
</em><em>e seus pares em espírito e arte é coisa rara na Europa;<br />
</em><em>e ainda mais raro aquele que os conheça e não os insulte.<br />
</em>Nietzsche (1844-1900)<br />
(“Humano, Demasiado Humano”)</p>
<p style="text-align: justify;">Há meses que não encontrava Marcelo na feira livre do Campo Belo. É um amigo que prezo e admiro, inúmeras vezes presente ao longo dos anos neste espaço. Leitor assíduo dos blogs hebdomadários, por vezes sugeria um tema que me fazia pensar e geralmente se transformava em blog. O encontro se deu nesse último sábado. Após a feira livre, como sempre fazemos nesses raros, mas agradáveis encontros, fomos tomar um <em>curto</em> nas cercanias, e a conversa se estendeu. Falou-me das epígrafes que insiro e de algumas que coloquei nos posts bem anteriores, entre as quais as do “Adagiário Açoriano”. Infelizmente, após a mudança de morada no ano passado não mais encontrei os dois volumes contendo as frases tão pitorescas e oriundas da tradição oral do povo do arquipélago dos Açores. Igualmente lhe agradaram inúmeras citações e pensamentos do pensador português Agostinho da Silva (1906-1994), que serviram de introdução a inúmeros <em>posts</em>. Disse-me que arquivou todos esses aforismos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao regressar da feira livre pensei nas “Máximas morais e reflexões diversas” de François de La Rochefoucauld, geradas por uma das mentes mais brilhantes em França no século dezessete e obra que influenciaria gerações futuras. De um livro que pertenceu ao meu Pai e que tive o prazer de ler na juventude, extraí algumas máximas relevantes (“Les Maximes de La Rochefoucauld”, Paris, Flammarion, 1937) a partir do texto da quinta edição (1678), sob o título: “Réflexions ou sentences et maximes morales”.</p>
<p style="text-align: justify;">O Duque François de La Rochefoucauld nasceu em Paris e descendia de família pertencente à nobreza. Foi uma ilustre figura do século dezessete, pois escritor, moralista e também militar.  Teve atritos com os cardeais Richelieu e Mazarin, assim como com Luíz XIV. Como militar, participou das revoltas da Fronde (1648-1653). Em uma escaramuça no <em>faubourg Saint-Antoine</em>, foi gravemente ferido com um tiro de mosquete no rosto. Posteriormente exilou-se em seus domínios. As Máximas de La Rochefoucauld, pela amplitude de seus propósitos, imortalizaram o autor.</p>
<p style="text-align: justify;">O autor do longo prefácio do livro mencionado, J.-F. Thénard, sintetiza os efeitos da escolha literária de La Rochefoucauld: “Ele viveu neste mundo, mais como um espírito brilhante do que como um erudito, mas nasceu pensador e escritor de gênio — quero dizer, por instinto. Tendo surgido em uma época conturbada e frívola, dedicou-se a reproduzir as reflexões suscitadas pelo ambiente em que se encontrava. Se o autor das Máximas tivesse sido alimentado por profundos estudos históricos e filosóficos, se, ao pegar na caneta, tivesse podido evocar em seu pensamento os homens e as coisas dos antigos anais dos diversos povos, juntamente com os julgamentos proferidos por escritores de grande prestígio, poderíamos acreditar que ele não teria sido tão amargo, tão desanimador às vezes na análise que faz dos sentimentos íntimos do homem; mas teria perdido parte de seu eu, de sua originalidade.”</p>
<p style="text-align: justify;">Distanciam-se as máximas, citações ou pensamentos do romance ou das narrativas literárias, pelo fato de traduzirem aquilo que o autor pensa no seu cotidiano, expondo, através da escrita, o que está no seu <em>de profundis</em>. As centenas de Máximas de La Rochefoucauld são o seu retrato mental.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Jean-François Dandrieu (1682?-1738) e de Jean-Philippe Rameau (1683-1764), nascidos pouco após a morte de La Rochefoucauld, “Les Tourbillons”, criações com o mesmo título utilizado pelos dois compositores, na interpretação de J.E.M.</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=begt8k6ErRY&amp;t=203s">https://www.youtube.com/watch?v=begt8k6ErRY&amp;t=203s</a></p>
<p style="text-align: justify;">Selecionei diversas máximas, entre centenas, e cujo teor básico perdura através dos séculos. Há temas sobre os quais La Rochefoucald mais se debruçou, entre esses: mérito, orgulho, paixões, amor, amor-próprio, espírito, interesse, elogios, humor, amizades&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1029.Maximes-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1029.Maximes-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>A clemência dos príncipes não é senão uma política para ganhar a afeição dos povos.<br />
Essa clemência, tida como virtude, se pratica ora por vaidade, às vezes por preguiça,<br />
muitas vezes por medo, e quase sempre pelas três razões juntas.</em></p>
<p><em>A esperança, por mais enganosa que seja, serve pelo menos para nos conduzir,<br />
até o fim da vida, por um caminho agradável.</em></p>
<p><em>Longe disso: a inocência não encontra tanta proteção quanto o crime.</em></p>
<p><em>Se não tivéssemos defeitos, não teríamos tanto prazer em percebê-los nos outros. </em></p>
<p><em>A felicidade está no gosto e não nas coisas; é por ter o que amamos que somos felizes,<br />
e não por ter o que os outros consideram agradável.</em></p>
<p><em>O orgulho é igual em todos os homens,<br />
a única diferença está nos meios e na maneira de manifestá-lo.</em></p>
<p><em>O mundo costuma premiar mais as aparências do mérito do que o próprio mérito.</em></p>
<p><em>O amor à justiça não passa, na maioria dos homens, do medo de sofrer injustiça.</em></p>
<p><em>A verdade não traz tanto bem ao mundo quanto as aparências causam mal.</em></p>
<p><em>A ausência diminui as paixões medíocres e intensifica as grandes,<br />
tal como o vento apaga as velas e acende o fogo.</em></p>
<p><em>Há pessoas que nunca se teriam apaixonado se nunca tivessem ouvido falar do amor.</em></p>
<p><em>Muitas vezes passamos do amor à ambição, mas raramente voltamos da ambição ao amor.</em></p>
<p><em>Uma mulher honesta é um tesouro escondido;<br />
quem a encontrou faz muito bem em não se gabar disso.</em></p>
<p><em> Um homem a quem ninguém agrada é muito mais infeliz do que aquele que não agrada a ninguém.</em></p>
<p><em>Embora os homens se orgulhem de suas grandes ações,<br />
elas nem sempre são fruto de um grande desígnio,<br />
mas sim do acaso.</em></p>
<p><em>Como é próprio das grandes mentes expressar muitas coisas com poucas palavras,<br />
as mentes mesquinhas, pelo contrário, têm o dom de falar imenso e não dizer nada.</em></p>
<p><em>Costuma-se fazer alarde até mesmo das paixões mais criminosas;<br />
mas a inveja é uma paixão tímida e vergonhosa,<br />
que nunca se ousa confessar.</em></p>
<p><em> Os idosos gostam de dar bons conselhos para se consolar<br />
por já não estarem em condições de dar maus exemplos.</em></p>
<p><em>Um homem de espírito ficaria muitas vezes bastante constrangido sem a companhia dos tolos.</em></p>
<p><em>A recusa aos elogios é o desejo de ser elogiado duas vezes.</em></p>
<p><em>Somente aos grandes homens cabe ter grandes defeitos.</em></p>
<p><em>Os defeitos da alma são como as feridas do corpo: por mais cuidado que se tenha para curá-los,<br />
a cicatriz sempre fica visível, e eles correm o risco de se reabrir a qualquer momento.</em></p>
<p><em>O mesmo orgulho que nos leva a criticar os defeitos dos quais acreditamos estar isentos<br />
nos leva a desprezar as qualidades que não possuímos.</em></p>
<p><em>Chegamos como novatos às diversas fases da vida e, muitas vezes, carecemos de experiência,<br />
apesar do número de anos.</em></p>
<p><em>Nem o sol nem a morte podem ser olhados fixamente.</em></p>
<p>No próximo blog apresentarei um dos textos das &#8220;Réfléxions diverses” de La Rochefoucauld: “De la Retraite”, no qual o autor observa com agudeza o período final da existência.</p>
<p><em>La Rochefoucauld&#8217;s Maxims, written in the 17th century, are timeless and capture the essence of what it means to be human.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div>
<hr size="1" />
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<div>
<p><a href="file:///C:/Users/conta/Downloads/La%20Rochefoucauld%20-%202%C2%AA%20revis%C3%A3o.docx#_msoanchor_1">[JEM1]</a></p>
</div>
</div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Considerações tardias sobre a Copa do Mundo</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Aug 2026 03:05:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Sem luz no fim do túnel? Sou especialista da curiosidade não especializada. Agostinho da Silva (1906-1994) (“Espólio”) Deixei passar algumas semanas para tecer observações que tiveram comprovação transparente no que concerne aos jogadores da nossa seleção frente aos desafios da Copa tão almejada pelo povo brasileiro. Ficou evidente o desempenho pífio da seleção em todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Sem luz no fim do túnel?</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1028.Dorinho-big.jpg" target="_blank"><img title="Arte do renomado cartunista e professor da USP, Dorinho Bastos, meu dileto amigo, para o blog em pauta. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1028.Dorinho-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Sou especialista da curiosidade não especializada</em>.<br />
Agostinho da Silva (1906-1994)<br />
(“Espólio”)</p>
<p style="text-align: justify;">Deixei passar algumas semanas para tecer observações que tiveram comprovação transparente no que concerne aos jogadores da nossa seleção frente aos desafios da Copa tão almejada pelo povo brasileiro. Ficou evidente o desempenho pífio da seleção em todos os cinco jogos que a levaram à melancólica eliminação. Contrariando a maioria dos meus próximos, não tinha nenhuma esperança nessa seleção sem brio. Desconhecia a maioria dos jogadores, um dos fatos que me encaminhou para a incógnita. O anúncio da convocação, em festividade desproporcional a um ato de rotina, normalmente realizado de maneira protocolar mundo afora, já era um indicativo de interesses outros a se acoplarem à essência do futebol.</p>
<p style="text-align: justify;">Recordo-me dos anos a estudar piano em Paris com mestres extraordinários (fins de 1958-1961), sem ter retornado ao Brasil nesse período. Ao regressar e após recital em São Paulo, fui entrevistado pela renomada atriz Bibi Ferreira (1922-2019) em um programa televisivo. A certa altura, ela observou que eu mantinha um sotaque afrancesado. A ponderação de Bibi Ferreira calou-me fundo durante um certo tempo. Confesso que no regresso, durante um período razoável, meus pensamentos estavam voltados à cultura e ao <em>modus vivendi </em>europeu: repertório pianístico alargado, apresentações e concursos internacionais, intensa leitura dos grandes escritores, amizades preferencialmente ligadas à cultura musical e literária da França, conjunto que me foi fundamental durante o passar dos anos. Sempre a conservar uma admiração plena pela cultura europeia, passei a admirar progressivamente nossos valores culturais e, à minha dedicação contínua ao maiúsculo repertório europeu, agregaram-se paulatinamente criações de compositores brasileiros, que estariam intensamente presentes doravante entre os meus eleitos.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse prólogo se faz necessário para que as deduções sobre o desempenho do futebol brasileiro nestes últimos lustros tenham alguma racionalidade, frise-se, totalmente desprovida de quaisquer outras intenções neste espaço.</p>
<p style="text-align: justify;">Se pensarmos em alguns dos maiores ídolos do futebol brasileiro que se transferiram para o futebol europeu, como Julinho (Júlio Botelho – 1929-2003) e Careca (Antônio de Oliveira Filho &#8211; 1960), suas mudanças deram-se tardiamente, em 1955 e 1987, respectivamente, ou seja, após os 25 anos de idade.  Roberto Carlos (1973), após brilhar no Palmeiras, transferiu-se para a Europa aos 22 anos para jogar na Internazionale e no Real Madrid. Pelé (Edson Arantes do Nascimento (1940-2022), o atleta do século pelo Comité Olímpico Internacional (2000), só se transferiu para o New York Kosmos em 1975, um ano após se aposentar do seu time eleito, o Santos. Qualidades inalienáveis que estavam nas raízes do futebol brasileiro, como o drible, as improvisações desconcertantes e a alegria de jogar corroboraram essas contratações. Retornaram ao país de origem e vários prosseguiram suas brilhantes carreiras. O passar dos anos afunilou a precocidade das transferências. Romário (1966-), Ronaldo “Fenômeno” (1976-), Ronaldinho Gaúcho (1980-) e Adriano “Imperador” (1982-), nas fronteiras dos 20 anos, firmaram contratos com times da Europa e o retorno ao país se deu a fim de encerrarem suas atividades.</p>
<p style="text-align: justify;">Considere-se que as transações eram imensamente menos custosas para os times compradores. Naquela época dizia-se “prata da casa”. As somas vultosas atuais poderiam alterar a designação para “diamantes da casa”, máxime para determinadas contratações a preços estratosféricos.</p>
<p style="text-align: justify;">Presentemente, há casos em que, ainda imberbes, jogadores talentosos assinam pré-contratos a partir da idade mínima permitida na Europa para essas transações, documentos baseados na esperança do vir a ser do atleta saído da adolescência. Partem, majoritariamente sem um nível educacional sedimentado, para centros futebolísticos avançados, resultando no deslumbramento ou na decepção.</p>
<p style="text-align: justify;">Transferência realizada, esses jovens jogadores recebem altos salários, inimagináveis em termos brasileiros se considerarmos os correspondentes décadas atrás. Sim, há uma plêiade de ótimos jogadores pátrios atuando, máxime na Europa. Permanecerão, tudo leva a crer, muitos anos no Exterior e, por vezes, serão transferidos para outros clubes igualmente qualificados. Esse é um processo bem natural, os ganhos continuarão elevados e os que, ao longo dos contratos, não corresponderem ao que deles se esperava, normalmente retornarão ao futebol pátrio ou serão transferidos para clubes menores da Europa ou da Ásia.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que esse grupo de jogadores atuando no Exterior perde, com o tempo e o sucesso, aquilo que sobejamente sobra nos atletas argentinos, a garra, atributo este que faltou na decisão contra a Espanha devido, é possível, ao cansaço pelas prorrogações anteriores, mas certamente pela enorme qualidade técnica e tática superior da seleção espanhola. Aquele apego ao Brasil, tão presente nas seleções vencedoras em 1958, 1962, 1970, 1994, 2002, esvaiu-se. Tive a sensação plena do não comprometimento dos nossos badalados jogadores, inicialmente nos quatro jogos iniciais e, a seguir, na contenda em que o Brasil foi derrotado pela Noruega. A seleção evidenciou nitidamente o não comprometimento pleno. Perdíamos por um gol, os atletas noruegueses ficavam a trocar bolas no centro do campo e os nossos jogadores não lhe davam combate. Excepcionalmente, diante de uma seleção historicamente inferior, mas que lutou bravamente, a Noruega teve 66% de posse de bola e o Brasil, 34%. Foi a menor porcentagem de posse de bola desde 1966 ao longo das Copas. Contrariamente, a seleção da Argentina, ao sofrer os gols do Egito e da Inglaterra, não mais deixou os oponentes respirarem. A todo instante um jogador argentino dava combate àquele adversário que estava com a bola.</p>
<p style="text-align: justify;">A ratificar o apreço menor ao país, após a derrota diante da brava Noruega, o avião fretado para a delegação brasileira retornou ao país com apenas um jogador. Uns foram paras suas moradas na Europa, outros mais para gozarem as férias, e aquele proclamado anos antes como o salvador da pátria, um ex-jogador em atividade, segundo jornalistas não comprometidos, poucos dias após o fracasso estava em torneio de carteado em um cassino dos Estados Unidos. Esses distanciamentos não são a evidência cabal do não comprometimento? Sob outra égide, o treinador preferiu se refugiar em sua propriedade no Canadá ao invés de, ao menos, regressar ao Brasil e se pronunciar. Acúmulo de erros, desinteresse transparente da maioria dos jogadores, evitando explicações em entrevistas, silêncio da CBF&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Não mais acredito em uma verdadeira seleção imbuída dos valores nacionais, com “o sangue nos olhos”, como o jargão professa. Uma CBF plena de interesses, patrocinadores poderosos e influentes gerindo paulatinamente os clubes nacionais e a consequente perda da identidade dos nossos jogadores, que passam a ser, apenas, mercadoria valiosa nas mãos de dirigentes e empresários. A alegria, a espontaneidade, o drible, marca registrada dos atletas de antanho, como os de Pelé, Garrincha, Ronaldo e Ronaldinho, ficaram na memória daqueles que tiveram o privilégio de vê-los atuando.</p>
<p style="text-align: justify;">Sob outro aspecto, já não somos há tempos o país do futebol. Ásia e África evoluíram muito no que tange ao esporte bretão. Marrocos, Cabo Verde, Costa do Marfim, Egito e Japão evidenciaram progressos expressivos, mormente planejamento. A Europa recebe anualmente a talentosa “safra” de jogadores bem jovens da América do Sul e da África como um todo. Em termos sul-americanos, a Argentina demonstrou, na Copa anterior ao se sagrar campeã e, de maneira implacável na última eliminatória para o maiúsculo certame, uma superioridade enorme comparada à nossa desorganizada e sem <em>anima </em>seleção.</p>
<p style="text-align: justify;">No presente só exportamos jovens saídos da puberdade. Essa atitude, mais a consequente perda de identidade desses talentos promissores, só levarão nossas aspirações em termos de Copa do Mundo ao impasse. Não será em quatro anos, até a próxima Copa, que se estruturará uma seleção, partindo hoje da estaca zero, pois é desta<strong> </strong>situação que teremos de partir, ainda mais sob a direção de um técnico estrangeiro com contrato firmado até 2030, extraordinário treinador em clubes expressivos europeus, mas que tomou decisões equivocadas não apenas na convocação dos jogadores, como também na escalação para os jogos. Tem histórico comprovado para realizar uma restruturação total da nossa seleção.</p>
<p style="text-align: justify;">Poderia parecer absurdo, mas creio que, neste imenso país com tantos times relevantes, uma seleção apenas com os que estão a disputar jogos no Brasil não poderia ser uma solução? O amor à camisa canarinho não estaria preservado? CBF, patrocinadores e empresários permitiriam?</p>
<p style="text-align: justify;">Comentei a temática do post com o dileto amigo Dorinho Bastos, renomado cartunista e professor doutor da ECA-USP. Dias após, Dorinho me enviou o sugestivo cartoon que ilustra o blog.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>My belated reflections on our national team’s dismal performance in the World Cup and the loss of a sense of national identity among our players, who almost always leave Brazil as soon as they reach puberty, moving to European teams with astronomical salaries. Sponsors, agents, and the governing body of Brazilian soccer itself, the CBF, have a lot to explain regarding the causes of such a disjointed national team</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Centenário do ilustre pianista Sebastian Benda (1926-2026)</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 03:05:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Um pianista, músico na acepção, a ser lembrado Mais custa quebrar rocha do que escavar a terra; Mais sólido, porém, o edifício que nela se firmou. A grandeza da obra é quase sempre devida à dificuldade que se encontra nos meios a empregar. Agostinho da Silva (1906-1994) (“Considerações”) Recebi mensagem da musicista e pedagoga Luzia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Um pianista, músico na acepção, a ser lembrado</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1027.Benda-big.jpg" target="_blank"><img title="Sebastian Benda. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1027.Benda-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Mais custa quebrar rocha do que escavar a terra;<br />
</em><em>Mais sólido, porém, o edifício que nela se firmou.<br />
</em><em>A grandeza da obra é quase sempre devida<br />
</em><em>à dificuldade que se encontra nos meios a empregar.<br />
</em>Agostinho da Silva (1906-1994)<br />
(“Considerações”)</p>
<p style="text-align: justify;">Recebi mensagem da musicista e pedagoga Luzia Benda, viúva do notável pianista e professor Sebastian Benda, comunicando uma efeméride especial, o centenário do seu marido com quem teve cinco filhos, músicos instrumentistas e professores.</p>
<p style="text-align: justify;">Há personalidades que ficam retidas em nosso <em>de profundis</em> através de seus exemplos, tanto na área profissional como na vida familiar. Caso do pianista e professor Sebastian Benda (1926-2003), de quem guardo as melhores recordações, que datam dos tempos em que, aos 17 anos, frequentei o curso de férias da Pró Arte em Teresópolis. Minha admiração por Benda como pianista vem dessa época, pois, a convite da organização, veio ao Brasil para ministrar <em>master classes</em> e oferecer recital no curso em questão. Tivemos laços de amizade que perduraram. Benda foi um amigo sempre cordial e com quem mantive contatos, máxime sobre as nossas esferas de atuação. Uma de suas virtudes essenciais, a lhaneza, refletia-se em suas interpretações sempre bem cuidadas, onde não havia espaço para exibicionismos ou gestual exacerbado. Essa postura, baseada num sólido conhecimento, permitia a transmissão da obra executada dentro dos parâmetros da tradição, tradição esta negligenciada por muitos intérpretes voltados a fatores periféricos, que contaminam a mensagem musical.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um blog publicado aos 21/11/2015 (Sebastian Benda – 1926-2003), escrevi sobre o pianista e professor, que viveria no Brasil durante 29 anos, a atuar com frequência e a ministrar aulas na Universidade Federal de Santa Maria (RS) e na Universidade da Bahia. No blog mencionado acima incluo maiores dados biográficos. Quando de um Festival J.S.Bach no Teatro São Pedro, em que foram apresentados os Concertos do compositor para cravo (interpretadas ao piano) e orquestra, esta conduzida por Eleazar de Carvalho, participamos Benda, Regina e eu, no Concerto para três pianos, numa noite que ficou gravada pelo pleno entendimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2013, dez anos após a sua morte, seria lançado um magnífico álbum de CDs pelo selo alemão Genuin  (Sebastian Benda – Memoires).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1027.Benda2-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title=" Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1027.Benda2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Clique para ouvir, de Heitor Villa-Lobos, &#8220;Impressões Seresteiras&#8221;, na interpretação de Sebastian Benda:</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NvZ3ot6UMnw&amp;t=542">https://www.youtube.com/watch?v=NvZ3ot6UMnw&amp;t=542</a></p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente o nosso país não cultua figuras relevantes que atuaram na interpretação pianística em alto nível, perpetuando o repertório sacralizado. Esse esquecimento se dá pouco após a morte dessas personalidades. Guiomar Novaes, Magdalena Tagliaferro, Arnaldo Estrela, Yara Bernette, Roberto Szidon, Nelson Freire, Arthur Moreira Lima, entre outros, não são reverenciados como poderia se esperar. O falecimento desses ilustres músico tem, quase como condescendência da mídia, diminutos espaços, se comparados a roqueiros, funqueiros e sertanejos descaracterizados. A decadência da Cultura Humanística é um fato gritante em nosso país. Os grandes mestres do teclado franceses, alemães, russos e de outros países acima do equador, como exemplos, são constantemente lembrados, inclusive no Extremo Oriente. Sebastian Benda, pianista suíço que colaborou durante quase três décadas com a cultura musical no Brasil, não apenas divulgando o grande repertório, nele inclusos compositores brasileiros, mas exercendo igualmente o magistério competente, basicamente foi esquecido no país. Sebastian Benda e toda a família deixaram definitivamente o Brasil após assalto sofrido em sua morada no Campo Belo em 1981, casa essa que possuía um pequeno auditório no qual recitais eram realizados. Algumas dessas apresentações eram de música de câmara, às quais Sebastian Benda, filhos e a irmã, a violinista Lola Benda, que igualmente teve atuação relevante na cidade, destacavam-se harmoniosamente.</p>
<p style="text-align: justify;">No retorno à Europa, foi nomeado professor na Escola Superior de Música e Artes Cênicas de Graz, Áustria, onde não apenas se dedicou ao magistério como chegou a ser Reitor, permanecendo na Instituição de Ensino até 1994. Frise-se a aptidão para os cursos coletivos de interpretação que o levou a várias Universidades de Música, entre elas as de Paris, Colônia, Basileia e Tóquio.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Franz Liszt, o Concerto nº 1 para piano e orquestra, na intensa interpretação de Sebastian Benda acompanhado pela Orquesta Sinfônica da Rádio Suíça, sob a regência de Luc Balmer:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Cn55yiZSEIg">https://www.youtube.com/watch?v=Cn55yiZSEIg</a></p>
<p style="text-align: justify;">Neste 31 de Julho recebo da minha amiga Luzia Benda, viúva do pianista e professor Sebastian Benda, um link realizado concernente ao centenário do notável  músico:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sebastianbenda.com/">https://www.sebastianbenda.com/</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>We are celebrating the birth centennial of Sebastian Benda, a notable Swiss pianist and teacher who worked with complete dedication in Brazil for 29 years, got married here, and had five children who followed in his musical footsteps. He left Brazil after being robbed at his home in 1981.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Arthur Honneger (1892-1955) (II)</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/07/18/arthur-honneger-1892-1955-ii/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/07/18/arthur-honneger-1892-1955-ii/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 18 Jul 2026 03:05:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Relevantes comentários sobre o ato de compor As palavras que eu emprego são aquelas que vocês empregam todos os dias, entretanto, vocês me dizem não as reconhecer. Paul Claudel (1868-1955) Será que toda a criação artística não se resume ao uso extraordinário de materiais comuns? Bernard Gavoty (1908-1981) Há compositores que escrevem facilmente uma música [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Relevantes comentários sobre o ato de compor</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1026.Honneger-big.jpg" target="_blank"><img title="Arthur Honneger. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1026.Honneger-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>As palavras que eu emprego<br />
</em><em>são aquelas que vocês empregam todos os dias,<br />
</em><em>entretanto, vocês me dizem não as reconhecer.<br />
</em>Paul Claudel (1868-1955)</p>
<p><em>Será que toda a criação artística não se resume<br />
</em><em>ao uso extraordinário de materiais comuns?<br />
</em>Bernard Gavoty (1908-1981)</p>
<p><em>Há compositores que escrevem facilmente uma música difícil<br />
</em><em>e outros que escrevem com dificuldade uma música fácil.<br />
</em>Georges Auric (1899-1983)</p>
<p style="text-align: justify;">No post anterior abordei as considerações de Arthur Honneger às perguntas do crítico Bernard Gavoty, respondidas pelo compositor imbuído de uma visão cética e pessimista no que concerne à repetição <em>ad aeternum </em>do repertório sacralizado, assim como ao público, mais  propenso a assistir ao espetáculo para ver o regente e o pianista consagrados. Insiste Honneger na dificuldade de uma divulgação maior das obras contemporâneas no período do início dos anos cinquenta (1951).</p>
<p style="text-align: justify;">No presente post focalizo determinadas explicações de Honneger às questões propostas, envolvendo temas direcionados ao <em>métier</em> de compositor e à própria criação, assinalando o processo embrionário que conduz ao surgimento da obra na mente do autor, assim como o julgamento bem pessoal sobre a matéria como um todo antes da materialização sobre o papel pautado ― hoje, sob as várias modalidades eletrônicas ―, dando a conhecer ao leigo o sentido esotérico da criação musical, se comparado a outras manifestações criativas. Detém-se igualmente no estado atual da composição e do seu futuro.</p>
<p style="text-align: justify;">Em vários segmentos enfatiza a diferença entre a criação musical e as relacionadas à literatura e outras artes: “Eu mesmo me lembro de ter feito comentários a pintores que os deixavam furiosos. Eu lhes dizia: ‘Como sua arte é fácil! Vocês reproduzem um modelo que viram. Vocês podem, durante anos de sua vida, pintar três maçãs em um prato. Essas três maçãs, vocês poderiam colocá-las à sua frente e reproduzi-las. Vocês têm um modelo que existe. Vocês pintam uma natureza morta, representando uma garrafa de vinho, um cachimbo, um pedaço de linguiça; ou então, desenham uma bela mulher nua ou, ao contrário, bem vestida. Tudo isso está ao alcance do seu olhar. O gênio do escultor consiste em dar a um corpo, que ele conhece anatomicamente,  um impulso que expresse sua personalidade. Ele também tem o modelo diante dos olhos quando trabalha. O músico precisa primeiro inventar seu modelo na mente e, em seguida, reproduzi-lo. Se eu quiser compor uma sonata para piano e violino, não tenho absolutamente nada diante dos olhos nem na memória. Preciso inventar tudo”. Gavoty questiona se sonatas diversas servem de modelo. A resposta de Honneger é transparente: “Uma outra sonata pode, efetivamente, servir de modelo, mas o que importa é o material sonoro, os temas, as melodias, os ritmos. Se eu copiar, sou um epígono consciente, mas inútil.” Tem interesse a continuação desse inventar a partir do conhecimento, mas sem plágio: “É necessário inventar um modelo pessoal no abstrato e idealizá-lo. Mas esse modelo não terá forma definitiva antes de ser realizado, pois a partir do material empregado o modelo mudará de figura. Repentinamente, o nariz da estátua terá um outro nariz. Seu aspecto, suas proporções se modificarão e me levarão a transformar a bela dama nua num leopardo”.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Arthur Honneger, </span><em style="text-align: justify;">Danse de la chèvre </em><span style="text-align: justify;">(1919), na interpretação da flautista Amélie Brodeur:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hQp3kQEfjfk">https://www.youtube.com/watch?v=hQp3kQEfjfk</a></p>
<p style="text-align: justify;">Capta-se, através dos relatos do compositor Honneger, o rigor e a certeza da solidão quando no momento preciso da criação. Raramente um compositor descreve esses momentos únicos em que fluem as ideias que resultarão na obra musical. Tem sempre interesse observar partituras manuscritas numa primeira fase, quando compositores que escreviam em papel pautado rasuravam compassos ou páginas inteiras. O caso de Mozart (1756-1791) é precioso, pois as ideias de uma obra germinavam até a certeza do ato da escrita, que se dava sem rasuras. Honneger escreve: “Como eu trabalho? Posso definir os meus métodos? Não estou bem certo.  Para fazer isso direito, seria preciso conseguir descrever um trabalho que se passa exclusivamente dentro do crânio, romper a barreira atrás da qual algo está acontecendo. A composição musical é a mais misteriosa de todas as artes. É possível aprender observando um pintor ou um escultor trabalhar. Muitos literatos ditam seus livros; portanto, trabalham diante de testemunhas. Mas no momento em que um músico concebe uma sinfonia, no instante em que compõe, ele está sozinho nas trevas”. Em outra passagem, considera: “Adquiri o hábito de rever, todas as noites antes de dormir, o que fiz durante o dia. No fim das contas, é ótimo fazer um balanço de consciência.”</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das qualidades de “Je suis compositeur” é a revelação plena daquilo que Honneger sente, pois tantos são os artistas, sejam eles pintores, escultores ou as personalidades das letras, que não revelam o que se passa no <em>de profundis</em>, sendo que inúmeras figuras de grande relevo, em suas entrevistas, missivas ou relatos, têm a consciência de  que encontrarão recepção positiva. Grande parte das respostas de Honneger desmistificam a aura criada, nem sempre correspondendo à interioridade do ser.</p>
<p style="text-align: justify;">Entendo que “Je suis compositeur” é atemporal. Os dois posts sobre o livro traduzem o vaticínio daquilo que se está a presenciar na atualidade em termos da criação artística nas várias áreas. Arthur Honneger, profético e autêntico passados 75 anos dos testemunhos. <strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tendo recebido mensagem da amiga Luzia Benda, musicista e pedagoga, viúva do notável pianista e músico Sebastian Benda, com material alusivo ao seu centenário (1926-2026), dedicarei um post em sua homenagem. Curiosamente, li no rico material que, aos 11 anos (1937), Sebastian recebia uma carta de Arthur Honneger salientando a precoce vocação do menino.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>In this second post on Arthur Honegger’s “Je suis compositeur,” in which he answers questions from critic Bernard Gavoty, the musician focuses on the composer’s craft as compared to those in various other artistic </em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Arthur Honneger: “Je suis compositeur” (I)</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/07/11/arthur-honneger-%e2%80%9cje-suis-compositeur%e2%80%9d-i/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/07/11/arthur-honneger-%e2%80%9cje-suis-compositeur%e2%80%9d-i/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 03:05:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.joseeduardomartins.com/?p=16066</guid>
		<description><![CDATA[Testemunho precioso do músico franco-suíço Na estrada por que vou Não fujo do meu norte. Edmundo Bettencourt (1899-1973) Leitores se interessaram pelas posições do compositor franco-suíço Arthur Honneger (1892-1955) colocadas nos posts sobre o Grupo dos Seis em França. Nem todos os músicos revelam as suas opiniões sobre música e outras artes em suas missivas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Testemunho precioso do músico franco-suíço</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1025.arthurh-big" target="_blank"><img title=" Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1025.arthurh-small.jpg" alt="" /></a><br />
<em> </em></p>
<p><em>Na estrada por que vou<br />
Não fujo do meu norte.<br />
</em>Edmundo Bettencourt (1899-1973)</p>
<p style="text-align: justify;">Leitores se interessaram pelas posições do compositor franco-suíço Arthur Honneger (1892-1955) colocadas nos posts sobre o Grupo dos Seis em França. Nem todos os músicos revelam as suas opiniões sobre música e outras artes em suas missivas ou em textos diversos. Importa considerar que Honneger teve por vezes colocações distintas de seus pares. Três leitores perguntaram se haveria tradução do livro “Je suis compositeur” para o portuguêss. Infelizmente não.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo título afirmativo foi aplicado à série de depoimentos de figuras ilustres e proposto pelo organista, escritor e crítico musical francês Bernard Gavoty (1908-1981), também conhecido pelo pseudônimo Clarendon, para a “Collection “Mon Métier”. Assim surgiram depoimentos vários: “Je suis Couturier”, Christian Dior, “Je suis homme de théatre”, Jean-Louis Barrault, “Je suis peintre”, Van Dongen, “Je suis chef d’orchestre”, Charles Munch. Gavoty conferiu aos depoentes, através de suas sábias perguntas, a liberdade plena para que a narração de suas vidas fosse a mais autêntica possível e que o leque aberto plenamente estimulasse posicionamentos das relevantes figuras sobre os mais diversos temas: biografia, atividade profissional, reflexão, método e preferências. No caso de Honneger, todos os questionamentos de Gavoty, até os mais instigantes, foram respondidos sem barreiras, resultando num riquíssimo documento não apenas pessoal, mas amplo em seu conteúdo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em “Je suis compositeur” (Paris, Éditions du Conquistador”, 1951), Honneger se mostra, quase trinta anos após a dissolução do Grupo dos Seis, convicto em suas considerações sobre música, não hesitando em divergir do <em>status quo</em> da sua época, mostrando-se cético, pessimista, mordaz e profético, pois muitas de suas afirmações se encaixariam perfeitamente na atualidade, setenta e cinco anos após. Às argutas perguntas e provocações formuladas por Gavoty, Honneger não hesita por vezes em desagradar o <em>establishment. </em>Essas posturas evidenciam o pensador, pois “coloca o dedo na ferida”, como se diz no jargão, certamente a causar controvérsias diante de posições que o tempo só transformaria em realidades. Faz a crítica ao público que sempre quer ouvir as repetidas obras consagradas, sinfônicas e aquelas destinadas à ópera. Tem humor uma observação sobre o gênero operístico: “O público é composto de idosos; ele não quer ouvir outra coisa senão as criações de sucesso. Vai ouvir a ópera <em>Manon</em> de Massenet para reencontrar as emoções da juventude”. A crítica de Honneger se estende ao repertório pianístico: “O tema é ainda mais sensível. Em 1949, a fim da celebração do centenário de Chopin, houve uma centena de Festivais Chopin. Sempre a competição esportiva, ‘os campeões internacionais’, os ‘<em>challengers</em>’. Recebi uma carta de um amador de música que lamentava o fato de que na mesma temporada pianistas tocaram quinze vezes a <em>Sonata da marcha fúnebre</em> de Chopin e aproximadamente na mesma proporção as Sonatas <em>Appassionata </em>e a Aurora, de Beethoven assim como os <em>Estudos Sinfônicos,</em> de Schumann”.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Arthur Honneger,<em> Pastorale d&#8217;Été</em>, com a Orquestra Boston Civic, sob a regência de Max Hobart:</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SAl6ZnIDwKE">https://www.youtube.com/watch?v=SAl6ZnIDwKE</a></p>
<p style="text-align: justify;">Cético e profético, algumas de suas posições estabelecem quadro sombrio: “Acredito sinceramente que, dentro de pouco tempo, a arte musical tal como a conhecemos não existirá mais. Ela desaparecerá, assim como as outras artes, aliás, mas sem dúvida ainda mais rapidamente. Já vemos o que está acontecendo hoje: admitamos o óbvio. Não se ouve mais ‘a música’; vai-se assistir à apresentação de um ilustre maestro ou de um pianista famoso. Isso pertence mais ao âmbito do esporte do que ao da arte, como bem sabemos”. Essa realidade pode ser constatada através também da publicidade quase sempre movida por interesses precisos. Regentes ou solistas de renome são fartamente anunciados pela mídia. Instrumentistas realmente notáveis, mas pouco divulgados, dificilmente têm a assisti-los um grande público, fazendo jus à posição de Honneger, pois na sua opinião, a obra a ser apresentada estaria em segundo plano. Durante cerca de vinte anos fui à Bélgica regularmente para gravações dos meus CDs pelo selo De Rode Pomp. Tive a oportunidade de ouvir grandes intérpretes belgas, holandeses e russos que jamais foram ventilados entre nós e nos Estados Unidos, de acordo com os seus currículos inseridos nos programas.</p>
<p style="text-align: justify;">Num outro contexto das artes, Honneger afirma: “Sem invadir o domínio das demais ‘Belas Artes’, podemos, por exemplo, considerar a pintura e constatar a que tipo de feiura ela está condenada se quiser chamar a atenção”. Estou a me lembrar da posição de Mario Vargas Llosa (1936-2025) em “La civilización del espectáculo”, a afirmar que não mais visitava bienais de artes plásticas, mercê de extravagâncias da pintura contemporânea. Honneger considera que “o público que pode avaliar um livro, uma pintura ou uma escultura só consegue fazer isso com uma obra musical depois de ouvi-la. Antes da audição, mesmo a maior obra-prima não passa de um caderno coberto de símbolos indecifráveis para a maioria dos amadores. Essa é a maldição que pesa sobre nossa arte”.</p>
<p style="text-align: justify;">A respeito da música contemporânea do seu tempo, entende a sua pouca divulgação: “para o público, a arte musical se resume à execução das obras clássicas ou românticas. O compositor contemporâneo se torna uma espécie de intruso que deseja se impor à mesa onde ele não foi convidado. Com certeza, a primeira qualidade de um compositor, é ele estar morto. Há, na realidade, quantidade de concertos, de manifestações musicais, envolvendo um público muito mais numeroso em 1951 do que em 1900; mas, eu repito, toca-se na realidade bem menos música nova hoje que outrora. Ainda uma vez, nove décimos dessas manifestações têm um carácter esportivo”, referindo-se aos exageros durante a execução do repertório sacralizado pelos intérpretes. A posição realista de Honneger é ademais crítica no que concerne ao repertório tradicional a não abranger a <em>opera omnia</em> de um compositor, selecionando determinadas criações e “descartando” outras. Responde a uma pergunta de Gavoty: “Você reconheceu que, entre as sinfonias de Beethoven, já se começou há tempos selecioná-la. Se tal escolha ocorre na obra do compositor mais executado do mundo, como você acha que a situação vai melhorar para outros compositores do passado e, sobretudo, para os jovens que ainda não são conhecidos?”</p>
<p style="text-align: justify;">Um grave problema da contemporaneidade é a multiplicidade de tendências, acentuadamente ampliada nessas últimas décadas. Hodiernamente cada compositor tem sua escrita baseada em seus modelos individuais. Muitos deles inclusive negligenciam o legado sedimentado há séculos. Em blog postado há mais de uma década, mencionei o jovem compositor inglês que, sabedor do meu projeto de Estudos Contemporâneos para piano, dedicou-me um Estudo, oferecendo-me em Londres onde eu participava de colóquio sobre a obra de Claude Debussy. Examinando a partitura, longe do piano, observei complexidade plena do Estudo que, em acréscimo, se afigurava como “intocável”. Perguntei-lhe se alguma vez estudara uma <em>fuga </em>de J.S.Bach. A sua resposta negativa foi imediata: “trata-se de uma forma ultrapassada” <em>sic</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">No próximo blog comentarei as posições de Arthur Honneger sobre a sua maneira de compor, seu julgamento pessoal e o convívio em certas criações com textos escolhidos e adaptados que lhe serviriam para a composição de outros gêneros musicais.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>In “Je suis compositeur,” composer Arthur Honegger takes firm stances on musical composition, public reception, cultural decline, and other topics.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><em> </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Désiré N’Kaoua (1933-2026), notável pianista</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/07/04/16055/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2026 03:05:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Um pianista de grande valor Nenhuma vida tem qualquer significado ou qualquer valor se não for uma contínua batalha contra o que nos afasta da perfeição, que é o nosso único dever. Agostinho da Silva (1906-1994) (&#8220;As Aproximações&#8221;) Recebi mensagem de Michèle N’Kaoua, esposa do ilustre pianista franco-argelino Désiré N’Kaoua, comunicando o seu falecimento aos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Um pianista de grande valor</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1024.Désiré4-big.jpg" target="_blank"><img title="Désiré N'Kaoua. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1024.Désiré4-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Nenhuma vida tem qualquer significado ou qualquer valor<br />
</em><em>se não for uma contínua batalha </em><em>contra o que nos afasta da perfeição,<br />
</em><em>que é o nosso único dever.<br />
</em>Agostinho da Silva (1906-1994)<br />
(&#8220;As Aproximações&#8221;)</p>
<p style="text-align: justify;">Recebi mensagem de Michèle N’Kaoua, esposa do ilustre pianista franco-argelino Désiré N’Kaoua, comunicando o seu falecimento aos 19 de Junho último, dias após completar 93 anos. Esteve presente em um dos meus blogs, a partir de uma gravação histórica realizada quando nos seus 86 anos de idade (vide blog “Sonata <em>Hammereklavier op. 106, </em>de Beethoven (20/02/2021).</p>
<p style="text-align: justify;">Mantivemos, nesses últimos tempos, cordial troca de mensagens, máxime em datas festivas. Nosso relacionamento se deu durante minha estadia em Paris para aperfeiçoamento pianístico (1958-1961) junto a dois mestres franceses, a lendária pianista e professora Marguerite Long (1874-1966) e o ilustre Jean Doyen (1907-1982), senhor de um dos mais extensos repertórios para piano. Désiré estava sob a tutela de Madame Long bem antes da minha chegada em Paris e eu admirava suas performances. Ele mantinha “sob os dedos” um número considerável de Concertos para piano e orquestra, máxime os de Mozart.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1961, Désiré, com inúmeras apresentações pela Europa, teve que se desligar como acompanhador da renomada escola de ballet parisiense fundada em 1937, École Simon Siégel, hoje desativada, transferindo para mim essa atividade, que exigia uma boa leitura à primeira vista. A tarefa ajudou-me e muito num período relativamente difícil. Sempre serei grato ao hoje saudoso Désiré N’Kaoua. Nesses últimos anos trocamos mensagens e CDs, assim como comentários a respeito deles.</p>
<p style="text-align: justify;">Nascido em Constantina, na Argélia, Désiré desenvolveu seu aprendizado pianístico em França e, aos 18 anos, recebeu o primeiro prêmio do Conservatório Nacional Superior de Música de Paris, igualmente o primeiro prêmio do Concurso Internacional de Genebra. A seguir, a medalha de ouro no Concurso Internacional de Vercelli e o 1º prêmio no também Internacional Concurso Alfredo Casella, em Siena. Como mestres, estudou com Mme. Long, Lazare Levy e Lucette Descaves. Essas láureas o levaram a apresentações como solista junto a algumas das mais renomadas orquestras da Europa: Filarmônica de Berlin, Varsóvia, Praga, Budapeste, Bucarest, Suíça Normanda e tantas mais. Como recitalista, apresentou-se pela Europa e pelos Estados Unidos, sendo que aos 50 anos dava o seu milésimo recital solo.</p>
<p style="text-align: justify;">O repertório de Désiré era imenso e, entre suas gravações de obras de J.S.Bach, Mozart, Beethoven e Schubert, salientem-se as integrais para piano de Maurice Ravel, Emmanuel Chabrier, Albert Roussel, Jehan Alain e dos <em>Noturnos, Baladas</em> e <em>Scherzos</em> de Chopin. Foi o primeiro a  apresentar a obra completa para piano de Maurice Ravel em apenas um recital. Na esfera musicológica, pouco frequentada pela grande maioria dos pianistas, colaborou nas edições de obras de Mozart e Chopin para a Editora francesa H. Lemoine.</p>
<p style="text-align: justify;">Como didata, constam atividades que resultaram em distinções: Professor honorário do Conservatório Superior de Música de Genebra, do Conservatório Nacional da região de Versalhes, da École Normale de Musique e da Schola Cantorum de Paris. Também lecionou no Conservatório Nacional na capital francesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Receberia em Paris a honraria Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito como Embaixador da Música Francesa no Exterior.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1024.Désiré-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title=" Foto enviada pela esposa Michèle N'kaoua, anunciando o falecimento de Désiré N'Kaoua. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1024.Désiré-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Presentemente se dá maior importância à aparência da verdade, e determinados intérpretes consagrados, precedidos por patrocínios e consequentes holofotes, retribuem aos admiradores com execuções tantas vezes arbitrárias quanto aos andamentos e aos conteúdos expressos nas partituras. Nas capas dos CDs, hoje infelizmente em processo de extinção, dava-se tantas vezes uma importância plena ao intérprete e, como “complemento”, eram adicionados os nomes dos compositores. Ouvir as gravações de Désiré N’Kaoua é entender que a tradição pianística, tão admirada muitas décadas atrás, permanece viva nessas mensagens duradouras. As duas <em>Baladas </em>de Chopin inseridas no blog evidenciam o respeito ao pensamento do compositor, fato que faz delas um prazer a ser compartilhado com o leitor.</p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Chopin, a 1ª <em>Balada em Sol menor</em>, op. 23, na interpretação de Désiré N&#8217;kaoua:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://music.youtube.com/watch?v=yC2D3yetbNo&amp;list=OLAK5uy_n8asANmeTJWKUdwLX1WwEX3jY0VytDNbU">https://music.youtube.com/watch?v=yC2D3yetbNo&amp;list=OLAK5uy_n8asANmeTJWKUdwLX1WwEX3jY0VytDNbU</a></p>
<p style="text-align: center;">Clique para ouvir, de Chopin, a 4ª <em>Balada em Fá menor</em>, op. 52, na interpretação de Désiré N’kaoua:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://music.youtube.com/watch?v=NU3_52WUS4c&amp;list=OLAK5uy_n8asANmeTJWKUdwLX1WwEX3jY0VytDNbU">https://music.youtube.com/watch?v=NU3_52WUS4c&amp;list=OLAK5uy_n8asANmeTJWKUdwLX1WwEX3jY0VytDNbU</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>It was with sadness that I received the news of the death of an outstanding Franco-Algerian pianist, Désiré N&#8217;Kaoua, who was my classmate in the courses taught by the legendary Marguerite Long in Paris between 1958 and 1961. We had reconnected in recent years. Désiré had an immense repertoire, which he always performed with fidelity, appropriate expression, and complete mastery.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Grupo dos Seis em França (II)</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/06/27/16041/</link>
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		<pubDate>Sat, 27 Jun 2026 03:05:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[A permanência pelo mérito A permanência pelo mérito Felizmente, há na música uma grande dose de magia, do inexplicável. Ela não é comparável a nenhuma outra arte. Os nossos antepassados foram sensatos ao excluir a música das «Belas Artes». De um lado, a música. Do outro, a pintura, a escultura, a gravura, a arquitetura. Apesar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A permanência pelo mérito</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1023.Groupe-big.jpg" target="_blank"><img title="Em pé, da esquerda para a direita: Darius Milhaud, Georges Auric, Arthur Honneger, Germaine Tailleferre, Francis Poulens, Louis Durey. Ao piano, Jean Cocteau. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1023.Groupe-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><strong>A permanência pelo mérito</strong><br />
<em> </em></p>
<p><em>Felizmente, há na música uma grande dose de magia, do inexplicável.<br />
</em><em>Ela não é comparável a nenhuma outra arte.<br />
</em><em>Os nossos antepassados foram sensatos ao excluir a música das «Belas Artes».<br />
</em><em>De um lado, a música. Do outro, a pintura, a escultura, a gravura, a arquitetura.<br />
</em><em>Apesar das leis derivadas da tradição, a música contém uma dose de milagre.<br />
</em>Arthur Honneger (1892-1955)<br />
(in “Je suis compositeur”)</p>
<p><span style="text-align: justify;">Primeiramente, agradeço as mensagens de leitores que se entusiasmaram com o Grupo dos Seis em França. Após a apresentação de três membros do Grupo no post anterior, Louis Durey, Georges Auric e Darius Milhaud, focalizaremos Germaine Tailleferre (1892-1983), Francis Poulenc (1899-1963) e Arthur Honneger (1892-1955).</span></p>
<p style="text-align: justify;">Germaine Tailleferre, a única mulher do Grupo, foi apresentada por Darius Milhaud a Eric Satie. Através dele tem contato com os jovens compositores que formariam o Grupo dos Seis. Integrada ao Grupo, foi uma das que participou da elaboração do bailado <em>Les mariés de la Tour Eiffel -</em> sobre texto de Jean Cocteau -, juntamente com Poulenc, Milhaud, Honneger e Auric. Sua obra tem consistência, é sensível, criativa, ousada tantas vezes, sem negligenciar tendências do passado. Escreveu para vários gêneros musicais, inclusive óperas cômicas.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Germaine Tailleferre, <em>En Plein Air</em> (1918) para dois pianos, na interpretação de Marc Clinton e Nicole Carboni, composição em que explora com competência, inúmeros recursos da técnica pianística. Ao ouvir um ensaio de <em>En Plein Air</em> interpretado pela compositora e a notável pianista Marcelle Meyer (1897-1958), Eric Satie teria declarado ser Tailleferre sua “filha musical”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pdhTXU90lSU&amp;t=16s">https://www.youtube.com/watch?v=pdhTXU90lSU&amp;t=16s</a></p>
<p style="text-align: justify;">Francis Poulenc sofreria influência dos seus compositores eleitos, Scarlatti, Schubert, Fauré e outros. Contudo seu estilo é bem individualizado o que demonstra autenticidade, pois há sempre suas impressões digitais. Não é de longe um intelectual da composição. Há expontaneidade, bela fluência dos elementos básicos, mas com acentos que identificam a sua personalidade. Um dos preceitos da composição francesa do período, a denominada <em>clarté</em>, é um dos seus predicados, acrescido da facilidade melódica. Sob outra égide, essa clareza se estenderia à interpretação pianística, pois essa é uma das características propaladas da técnica pianística em França.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou a me lembrar que em 1959, em Paris, com bolsa do governo francês, após prêmio em Concurso de Piano em Salvador, estava a estudar inicialmente com o insigne pianista e professor Jacques Février (1900-1979). Certa manhã me dirigi à casa Durand, na Place de la Madeleine, a fim de adquirir partituras. Sentado a espera de alguém estava Francis Poulenc. Apresentei-me a dizer que estudava com um seu grande amigo Février e que no meu repertório em formação, tocava <em>Mouvements Perpétuels</em> de sua autoria. Extremamente gentil, falou-me da criação dessas três pequenas peças. Gravei em minha memória seus aconselhamentos e sua llaneza. Francis Poulenc e Jacques Février fizeram a estreia do Concerto para dois pianos do compositor em 1932.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Francis Poulenc, <em>Mouvements perpétuels</em> na interpretação do autor:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U-qH2zLw490">https://www.youtube.com/watch?v=U-qH2zLw490</a></p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir de Francis Poulenc, Concerto para dois pianos e orquestra, na interpretação de Martha Argerich e Nelson Freire e a Orquestra Sinfônica de Montreal [Montreal Symphony Orchestra] sob regência de Charles Dutoit.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0wJDUQxy-Ug">https://www.youtube.com/watch?v=0wJDUQxy-Ug</a></p>
<p style="text-align: justify;">Arthur Honneger é um compositor de grande interesse não apenas como criador, mas um músico pleno de ideias, tantas delas polêmicas. Certamente um dos grandes mestres do período. Seu engajamento ao Grupo dos Seis não o impediu de estar ligado às concepções tradicionais. Os mestres do passado lhe são familiares e ele os cultiva. Algumas de suas criações têm a aura da obra-prima e contrastam com aquelas de outro mestre mencionado no blog anterior, Darius Milhaud. Estilos diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando professor de composição na École Normale de Musique em Paris, Honneger iniciava o curso com um depoimento incisivo a desestimular os fracos. Tem interesse o que dizia: &#8220;Senhores, querem mesmo tornar-se compositores de música? Já pensaram bem no que isso implica? Se escreverem música, ninguém a tocará e não conseguirão ganhar a vida! Se seus pais puderem sustentá-los, então nada impede que preencham papel pautado. Encontrarão papel em todo o lado, e o que escreverem nele terá apenas uma importância secundária para os outros; eles não têm qualquer ânsia de descobri-los, a vocês e a suas sonatas&#8230; A única desculpa possível é escrever honestamente a música que desejam expressar, dedicando-lhe todo o cuidado, toda a consciência que um homem íntegro dedica às ações sérias da sua existência. Suponhamos por um único instante que sejam trinta e sete homens — não digo sequer gênios, mas sim talentosos — e que cada um escreva num ano uma obra válida, que merecesse ser tocada; isso desencadearia uma verdadeira catástrofe no mundo musical. A composição não é uma profissão. É uma mania – uma doce loucura – (pois é raro constatar um compositor desconhecido envolvendo-se em atos de violência que perturbem a ordem pública, exceto nas salas de concerto, durante a apresentação da obra de um rival).”  (in: Arthur Honneger, “Je suis compositeur”, Paris, Éditions du Conquistador, 1951).</p>
<p style="text-align: justify;">Uma de suas obras mais consagradas é <em>Pacific 231 </em>(1923). Sugerida por Blaise Cendrars (1887-1961), romancista e poeta, pois o renomado escritor sabia do fascínio do compositor pelas locomotivas. O termo escolhido tem relação com um modelo específico de trem a vapor e o número 231 relativo à disposição das rodas. Tem-se o arranque, a aceleração e a frenagem da locomotiva. Criação descritiva, não desprovida de dramaticidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir de Arthur Honneger, <em>Pacific 231</em>, pela Orquestra Nacional da O.R.T.F., sob a regência de Jean Martinon:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zT48OxzgYFg">https://www.youtube.com/watch?v=zT48OxzgYFg</a></p>
<p style="text-align: justify;">Completamente numa outra orientação e sem quaisquer ligações com o Grupo dos Seis, Heitor Villa-Lobos (1887-1959) compõe “O Trenzinho do Caipira”, quarto movimento das <em>Bachianas Brasileiras nº 2</em>, uma de suas mais comoventes criações:</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Heitor Villa-Lobos, &#8220;O trenzinho do Caipira”, na interpretação da Orquestra Sinfônica Brasileira sob a regência de Roberto Minczuk:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wIG4h7lvj4Y">https://www.youtube.com/watch?v=wIG4h7lvj4Y</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>In this post, I conclude the series introducing the other three key members of the Group of Six: Germaine Tailleferre, Francis Poulenc, and Arthur Honegger.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O &#8220;Grupo dos Seis&#8221; em França</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/06/20/16022/</link>
		<comments>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2026/06/20/16022/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 03:05:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.joseeduardomartins.com/?p=16022</guid>
		<description><![CDATA[Compositores em torno da renovação A coisa mais difícil na música ainda é escrever uma melodia de vários compassos que possa ser auto suficiente. Esse é o segredo da música. Darius Milhaud (1892-1974) Fico grato pela repercussão dos posts dedicados ao Grupo do Cinco, compositores que, em meados do século XIX, buscaram aspirações nas raízes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Compositores em torno da renovação</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1022.LesSix-big.jpg" target="_blank"><img title="Pintura de Jacques-Émile Blanche. Da esquerda para a direita: Germaine Tailleferre, Darius Milhaud, Arthur Honneger, Jean Wiener, Marcelle Meyer, Francis Poulenc, Georges Auric e Jean Cocteau (1923). Louis Durey não está presente. Wiener e Cocteau não faziam parte do Grupo e Meyer era a pianista preferida dos Seis compositores. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1022.LesSix-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>A coisa mais difícil na música<br />
ainda é escrever uma melodia de vários compassos<br />
que possa ser auto suficiente.<br />
Esse é o segredo da música.</em><br />
Darius Milhaud (1892-1974)</p>
<p style="text-align: justify;">Fico grato pela repercussão dos posts dedicados ao Grupo do Cinco, compositores que, em meados do século XIX, buscaram aspirações nas raízes da música russa com a finalidade de se distanciarem de preceitos musicais do Ocidente. Foi o crítico e historiador Vladimir Stassov (1824-1906) que, ao propalar que se tratava de um “pequeno e pujante grupo”, deu ensejo a que, primeiramente em França, esses poucos compositores recebessem a designação “Grupo dos Cinco”, que vigorou doravante.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos leitores, Camilo Bittencourt Miranda, sugere em sua mensagem um tema bem pertinente, o “Grupo dos seis”, compositores que se reuniam em Paris com propósitos novos entre 1916 e 1923. O tema é bem sugestivo, o período histórico é outro e as motivações tenuemente se assemelham aos postulados professados pelos músicos russos.</p>
<p style="text-align: justify;">Deve-se ao crítico musical Henri Collet (1885-1951) a designação Grupo dos Seis em Janeiro de 1920. O poeta Jean Cocteau (1889-1963) e o compositor Erik Satie (1866-1925) foram fundamentais em seus princípios estéticos para a criação do Grupo, que seria formado por Darius Milhaud (1892-1974), Arthur Honneger (1892-1955), compositor franco-suíço nascido no Havre, França, Francis Poulenc (1899-1963), Louis Durey (1888-1979), Georges Auric (1899-1983) e Germaine Tailleferre (1892-1983). Os três primeiros foram os mais representativos e deixaram composições que permanecem no repertório mundial. O Grupo, voltado a diferente posicionamento estético-musical propalado pelos compositores Gabriel Fauré (1845-1924), Claude Debussy (1862-1918) e Maurice Ravel (1875-1937) &#8211; se bem que os três importantes músicos tivessem tendências não homogêneas -, buscou vias que se coadunavam com as propostas de Cocteau e Satie.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1022.GroupeSix-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Da esqerda para a direita: Darius Milhaud, Arthur Honneger, Germaine Tailleferre, Francis Poulenc, Louis Durey. Ao piano Jean Cocteau que desenhou a figura de Georges Auric ausente.  Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1022.GroupeSix-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">No presente post abordarei três integrantes:  Louis Durey, Georges Auric e, principalmente, Darius Milhaud. Louis Durey transitou inicialmente pelo sistema atonal proposto por Arnold Schoenberg, enveredando a seguir por propostas mais conservadoras, senão românticas.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Louis Durey, <em>Romance sans paroles op. 21</em>, na interpretação da pianista Françoise Petit:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ht4Q32VMWlE">Louis Durey &#8211; Romance sans Paroles (Op. 21) [Score Video]</a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">Georges Auric estudou com Vincent d’Indy, privou da amizade de Igor Stravinsky e de Éric Satie antes de pertencer ao Grupo dos Seis, sofrendo influências do autor das <em>Gymnopédies.</em> Pluralista, compôs para várias destinações musicais: orquestra, piano câmara, coral, assim como para dezenas de filmes e, juntamente com Serguei Diaghilev (1872-1929), para vários ballets.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Georges Auric, os divertidos <em>Trois impromptus</em> para piano, na interpretação de Françoise Gobet:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4tBPaKQ4sPg&amp;list=PLKO2h2MCVM645ZYdjB5xm-WkwJoWAe2ka">Georges Auric &#8211; Trois Impromptus for piano (with score)</a></p>
<p style="text-align: justify;">Do Grupo dos Seis, Darius Milhaud foi um dos mais influentes. Profícuo compositor, abordou basicamente todos os gêneros musicais: sinfônico, lírico e coreográfico, camerístico (nove quartetos de corda), obras vocais. Sua obra é plena de variantes, intensa em tantas delas, utilizando-se inúmeras vezes do recurso da politonalidade. Imaginativo, se por vezes suas criações revelam certa desigualdade, é fato que muitas delas têm mérito invulgar mercê de fatores fulcrais, como curiosidade, instinto criativo, busca dos extremos. Milhaud particularmente teve laços com o Brasil, pois em 1917 Paul Claudel (1868-1955), poeta e dramaturgo francês, foi nomeado Ministro da França no Brasil e ele, nos seus vinte e poucos anos, veio como secretário, tornando-se amigo do nosso maior compositor romântico, Henrique Oswald (1852-1931). Durante o período em que esteve no Rio de Janeiro, captou essencialidades da música urbana do país, traduzindo-as em composições que se perenizaram. Em carta datada de outubro de 1919, quando de regresso a Paris, escreve à esposa de Oswald, e uma frase é pitoresca: “Se me fizessem escolher entre ‘ir ao paraíso ou retornar ao Rio’, creio que escolheria retornar ao Rio”. Outros tempos, certamente&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Um episódio curioso se deu durante a estadia de Milhaud no Rio de janeiro. Em um jantar festivo na morada de Henrique Oswald, entre os cerca de vinte convidados estava o notável pianista Arthur Rubinstein (1887-1882), que realizava turnê pela América Latina. Em suas minuciosas memórias publicadas em três volumes, Rubinstein escreve: “Do outro lado da mesa estava um homem que nem sequer tinha sorrido uma única vez. A expressão do seu rosto intrigava-me. Parecia mais brasileiro do que todos os outros, na sua maioria de ascendência italiana ou portuguesa. Aquele homem sereno tinha um rosto redondo, bem barbeado, cheio, de tez morena, olhos tristes e inteligentes. O que mais me impressionou foi o seu excelente francês. Aproveitando um momento de calmaria, dirigi-me a ele: ‘Permita-me elogiá-lo pelo seu francês. Nunca ouvi um estrangeiro dominar a este nível esta língua tão bela e tão difícil’. ‘Sou francês’, respondeu ele com um sorriso, ‘sou o secretário particular do ministro da França. Chamo-me Darius Milhaud e sou violinista e compositor’. ‘Nunca tinha ouvido falar dele’. ‘Fui declarado inapto para o serviço militar e fui trazido para cá pelo nosso ministro, o Sr. Paul Claudel, na qualidade de secretário e, sobretudo, colaborador.», (in: Arthur Rubinstein, Grande est la vie – mes longues années. Paris, Robert Laffont, 1980).</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/1023.Milhaud-big.jpg" target="_blank"><img title="Darius Milhaud. Fonte: Google. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/1023.Milhaud-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Escolhi de Darius Milhaud uma obra contagiante, que tem todas as referências rítmicas e sonoras que o compositor apreendeu no Rio de Janeiro. <em>Le boeuf sur le toit</em>, criação de 1920, é um ballet burlesco. Devido ao retumbante sucesso da composição, Louis Moysés, ligado a casas noturnas parisienses, inaugurou um cabaré em 1922 com o nome <em>Le boeuf sur le toit</em>, que passaria doravante a ser frequentado por figuras de renome nas várias atividades: Jean Cocteau, Pablo Picasso, o Grupo dos Seis, Erik Satie, Maurice Chevalier, Coco Chanel, Cristian Dior&#8230; Até o presente, o restaurante com música ao vivo prossegue em suas atividades.</p>
<p style="text-align: justify;">Clique para ouvir, de Darius Milhaud, <em>Le boeuf sur le toit</em>, na entusiástica regência de Alondra de la Parra frente à Orquestra de Paris:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bv9ii_uc2Rc">Darius Milhaud, Le Bœuf sur le Toit &#8211; Alondra de la Parra &amp; Orchestre de Paris</a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">No próximo blog, completando o Grupo dos Seis, focalizarei Francis Poulenc, Arthur Honneger e Germaine Taillefferre.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>The Group of Six in France brought together, for a number of years, six composers who were seeking new directions, following in the footsteps of the country’s three most influential masters of musical composition: Gabriel Fauré, Claude Debussy, and Maurice Ravel.</em></p>
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