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	<title>José Eduardo Martins</title>
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		<title>Uma Conversa Descontraída</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Feb 2012 02:05:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Em Torno dos Posts Cáusticos As nuvens são fugidias, mas a lua é permanente. Provérbio do Butão Conheci Sandra há cerca de uma década nos espaços dos supermercados de nossa cidade bairro, Brooklin-Campo Belo. Com certa frequência a encontro e sempre trocamos algumas palavras prazerosas. Desta vez, Sandra foi incisiva ao dizer que, apesar de ter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><strong>Em Torno dos Posts Cáusticos</strong></div>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/271.jem-big.jpg" target="_blank"><img class="alignnone" title="Desenho de Luca Vitali" src="http://www.joseeduardomartins.com/271.jem-small.jpg" alt="" width="232" height="320" /></a></p>
<p><em>As nuvens são fugidias, mas a lua é permanente.</em><br />
Provérbio do Butão</p>
<p style="text-align: justify;">Conheci Sandra há cerca de uma década nos espaços dos supermercados de nossa cidade bairro, Brooklin-Campo Belo. Com certa frequência a encontro e sempre trocamos algumas palavras prazerosas. Desta vez, Sandra foi incisiva ao dizer que, apesar de ter gostado de posts em que critico o Sistema, o governo e os segmentos econômicos e financeiros, acha-me por vezes desesperançado, mormente quando me refiro, reiteradamente, a determinadas situações: “nada a fazer”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em torno desse “nada a fazer” conversamos longamente enquanto  tomávamos um suco de abacaxi no Natural da Terra. Tentei explicar-me. Para Sandra, esse “nada a fazer” soava imperativo. É bem provável que também para muitos. Ao referir-me, no blog de 4 de Fevereiro,  a esse impasse ético e moral no Big Brother Brasil e à degradação dos costumes que o programa acarreta, disse-lhe que recebi inúmeros e-mails sobre o blog, entre esses três vindos de França e de Portugal, atestando  a repulsa hoje a esse tipo de programa. Comentei para Sandra o teor dessas mensagens, que transcrevo ao leitor.  Joana Gabriela, de Lisboa, observa: “Devo dizer-lhe que em Portugal exibiram recentemente um programa idêntico ao Big Brother que, tal como aqui, fez sucesso, e chega a ser triste o que lá se vê. Jovens entre os 18 e 30 e poucos anos, pouco instruídos, a maioria com extremo baixo nível cultural e intelectual. Espantou-me o elevado preconceito e machismo revelado por aqueles jovens, ainda para mais tratando-se de jovens &#8211; seria de esperar que tivessem a mente mais aberta, outra capacidade de ver e encarar assuntos como a homossexualidade, por exemplo. Pode dizer-se que é um lamentável exemplo da juventude portuguesa. E não nos iludamos: a grande maioria será assim mesmo. Só para ter uma noção: uma das jovens respondeu da seguinte forma à pergunta &#8220;diga um país da América do Sul&#8221;, ‘hmmm&#8230;.não sei&#8230;.África?’  Há quem diga que havia uma certa manipulação da produtora do programa, que indicaria à tal jovem o que tinha de responder, mas que muito daquela total falta de noção de tudo era verdade. Eles nem sabiam quem é o atual Presidente da República ou o Primeiro Ministro de Portugal! Será possível tal falta de informação?” François Servenière penetra na mesma seara: “ Tivemos o mesmo aqui em França a partir de programas horríveis onde os jovens se prestavam à cenas a beirar a pornografia direta. Não me recordo do nome da emissão, mas esses programas tiveram repercussão e desapareceram das antenas francesas. Ou seja, após um grande sucesso de audiência, essa tele-‘lixo’, como era denominada aqui, acabou por enojar o público antes mesmo de chateá-lo”. Idalete Giga escreve do Alentejo: &#8220;<span style="color: #000000; font-size: small;">Gostei muito do seu texto <em>O Nada Transfigurado no Tudo- Três exemplos hodiernos.</em> O que mais me impressiona nas sociedades de hoje é, de facto, a imbecilidade colectiva, a &#8216;alienação globalizada&#8217; , o &#8216;tzunami do nada&#8217;  muito bem afirma. A questão do <em>Big Brother </em>é o exemplo mais asqueroso, eu direi mesmo debochado que a televisão alguma vez apresentou. Não há palavras para classificar esta trampa televisiva. Mas há quem goste de trampa (!) e ela continua a ser servida sem o mínimo respeito pelos telespectadores decentes que ainda sabem distinguir o trigo do joio e protestam contra a imbecilidade colectiva, sem que alguém lhes dê ouvidos&#8221;.</span></p>
<div style="text-align: justify;">O drama que envolve o “nada a fazer” é que em nosso país a educação está sucateada e é uma das últimas reais preocupações do governo, juntamente com a segurança e a saúde. A conhecer todas essas mazelas, a corrupção, mãe generosa que acolhe desvios do orçamento e todos outros tipos de suborno. Povo despreparado se deixa iludir facilmente, e a Rede sabe muito bem os caminhos que levam à grande audiência e nela se estabilizar. O “nada a fazer” é a certeza de que a educação continuará em estado agonizante e, sem ela, a esperança fenece.</div>
<div style="text-align: justify;">Sandra tem o perfil da mulher da esperança. Confiante. Trabalha no departamento jurídico de uma multinacional. Ela acredita que nossa televisão aberta estará mais tarde em patamar de excelência, assim como a “música” sem qualidade deverá dar lugar novamente às manifestações musicais que, para ela, são inesquecíveis. Mencionou entusiasmada Bing Crosby, Frank Sinatra, Tony Bennett, Ella Fitzgerald, Bill Evans, Charles Trenet, Yves Montand, os Beatles, Elvis Presley, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Elis Regina, Astor Piazzolla. Aprovei <em>in totum</em>. Observei ainda que essa viagem no tempo, que também é parte da minha quanto à música popular, não teve repetição, e que mais e mais “ídolos” forjados no presente estarão esquecidos em prazo curto, pois o Sistema assim opera, a cada ano mais dolorosamente acelerado. E quanto à musica erudita, qual é o processo, perguntou-me?  Sob outras condições, é evidente, mas o Sistema, por múltiplas razões, privilegia uns poucos, nem sempre os melhores. Na mínima fatia reservada à música também denominada de concerto ou clássica quantidade de intérpretes surgem anualmente e apenas alguns permanecem e, mesmo nessas condições, entre esses sobram pouquíssimos, pois o Sistema tem a necessidade imperiosa de “renovar”. Essa mutabilidade, que faz o “famoso” hoje desaparecer na aurora seguinte, tem, sobre outra égide, alguma semelhança com outra mutação, aquela que faz um celular com mil funções ser suplantado pouco após seu lançamento por outro com algumas mais inovações. E esse é apenas um exemplo entre tantos outros que não se estabilizam, não ficando sequer na memória das pessoas. Quando mostrei a uma neta um celular “antigo”, ela achou que aquilo poderia ser tudo, menos um telemóvel, como dizem os portugueses. Estamos na era do descartável  e da “novidade” e temos de a ela nos acostumar ou, ao menos, observá-la com prudência, pois corremos sérios riscos de nos tornar prematuramente jurássicos. Sandra sentiu-me ainda mais cético. Expliquei-lhe que estou com problemas sérios com o computador &#8211; apesar de ter técnico competente a assistir-me e meu grande amigo Magnus a me tirar de sufocos permanentes via fone – e, ao adquirir um laptop como alternativa para não ficar no apagão informático, mais me certifiquei de que pouco a pouco, com o desenvolvimento tecnológico, as defasagens  se acentuam, mormente na minha faixa etária. Difícil  acompanhar inovações nessa área. Nessa área, friso.</div>
<p style="text-align: justify;">Perguntou-me, finalmente, se acreditava naquilo que me era familiar: música e textos. Respondi-lhe que aí estavam meus portos seguros. O piano e o vasto repertório que montei ao longo das décadas e os textos que fluem como água em uma nascente. Se continuo a buscar o repertório de excelência, do barroco ao presente &#8211; todos os anos, paralelamente ao acervo sedimentado, incluo novas e extraordinárias obras &#8211; só não me dedico, presentemente, às criações composicionais experimentais. Como elas pululam!!! Geralmente não resistem à uma primeira audição. Enquadram-se na mutabilidade, pois o multidirecionamento pessoal e arbitrário namora facilmente o perecível.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda tivemos tempo para passar pela secção da padaria e comermos pão de queijo que acabara de sair. Impossível permanecer cético nessas condições, disse-lhe, não sem alegria.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A conversation with a friend about one of my last posts and the feeling of hopelessness that comes from my perception that there is no way out from our chronic problems: decay of moral values, failure of the state education and health systems, lack of faith in public safety policies, the pursuit of money and the ephemeral above all else in the information age.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
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		<title>&#8220;Glosas&#8221; Número 4</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Feb 2012 02:05:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Patrimônio Musical Português em Pauta Reiteradas vezes escrevi sobre a importância de uma revista de qualidade sobre Música escrita por experts como fator imprescindível para a ventilação de conceitos que devem permanecer. Sem bairrismos ou apadrinhamentos, todas as publicações isentas desses vícios podem conter fontes raras para a pesquisa. Foi o que buscamos fazer durante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/270.capa-big.jpg" target="_blank"><img class="alignnone" title="Capa da Revista Glosas, Ed. 4. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/270.capa-small.jpg" alt="" width="217" height="320" /></a></p>
<p><strong>Patrimônio Musical Português em Pauta</strong></p>
<p>Reiteradas vezes escrevi sobre a importância de uma revista de qualidade sobre Música escrita por <em>experts</em> como fator imprescindível para a ventilação de conceitos que devem permanecer. Sem bairrismos ou apadrinhamentos, todas as publicações isentas desses vícios podem conter fontes raras para a pesquisa. Foi o que buscamos fazer durante cerca de 17 anos como editor responsável da “Revista Música” da Universidade de São Paulo, desaparecida após minha aposentadoria em 2008. Ao longo dos anos tenho acompanhado a publicação de inúmeras revistas sobre música do Exterior, umas centradas em um único compositor excelso, outras analíticas estritas e outras mais que, ao proporem o multidirecionamento temático ou a precisão geográfica, cumprem objetivos relevantes.</p>
<p>“Glosas”, publicação do Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa – MPMP, tem periodicidade semestral e já está em seu quarto número. Tem cumprido com determinação, em tempos econômico-sociais críticos em Portugal, a missão de não apenas resgatar valores expressivos ou mesmo olvidados da música portuguesa, como criar um rico depositário de opiniões, geralmente inéditas, através dos resultados de entrevistas e artigos específicos sobre determinado autor.</p>
<p>Anteriormente já abordara “Glosas” 2 (vide <em>Revista de Mérito – “Glosas” – O Respeito à Música pouco Frequentada</em>. 14/01/2011). Daquele número ao presente, independentemente do visual aperfeiçoado, “Glosas” focaliza na abrangência personalidades de relevo da música em Portugal, assim como apresenta interessantíssimas contribuições não pertencentes a um núcleo temático.</p>
<p>A homenagem prestada a António Victorino de Almeida (1940- ) é mais do que oportuna. Compositor de mérito, pianista, escritor, comunicador nato nos meios da mídia, realizador televisivo e cinematográfico, musicógrafo, Victorino de Almeida surpreende sempre através de seus conceitos, tantos deles polêmicos. Preliminarmente, o estudo sobre ele, que ocupa 26 páginas de “Glosas”, tem a clarificação de vários músicos e competentes articulistas que buscam desvendar segmentos secretos dessa figura singular na música portuguesa. Eurico Carrapatoso, Sérgio Azevedo, Mário Zambujal, Fernando Rocha, Carla Seixa e José Fortes, diversificadamente, penetram nesse multidirecionamento humano e Victoriono de Almeida pode ser apreendido em parte. A recuperação de entrevista realizada por Francine Benoît com o talento emergente em 1948 corrobora o entendimento de algumas tendências atávicas do ilustre músico. A rica entrevista que segue esses depoimentos, concedida a Duarte Pereira Martins, se de um lado faz-nos lembrar conteúdos já expressos em livro de raro interesse (António Victorino de Almeida conta <em>50 anos na Música </em>a Paulo Sérgio dos Santos. Portugal, Quimera, 2005), sob aspecto outro revela-nos o compositor curioso, mas cônscio de sua empreitada. Victorino de Almeida não expressaria nesse depoimento que “realmente eu lutei a vida inteira por salvar um conceito de música. Música! E não um conceito de experiência”? Confissão que se casa com a opinião de outro compositor de alto quilate, Eurico Carrapatoso, ao abordar a extensa criação do homenageado: “A música de António Victorino de Almeida aparenta ser conservadora, muitos dirão. Vá-se lá saber se não é por isso mesmo que a melodia <em>victoriniana</em> é tão generosa, tendo a harmonia, de tamanho <em>aplomb</em>, o rasgo próprio da química dos fluídos? E o ritmo, que é tão vivido e vivido! E a orquestração (verdadeiro motivo de inveja), que refulge como o <em>oirinho reluzente </em>da Ceuta quatrocentista (citando Borges Coelho, o historiador). E a forma de sua música, entrocada como o bucéfalo, que respira profundamente como o roncopata: das depressões de Morfeu aos picos de nos fazerem ranger os dentes. Não é esta a função original da música, afinal? O poder de alterar estados de consciência?”</p>
<p>A qualidade encontrada em todo esse tributo a António Victorino de Almeida se expande em tantas outras preciosas contribuições que particularizam temas de interesse. Relevante a entrevista que o compositor e diretor artístico Jorge Salgueiro (1969- ) concede à Mónica Brito. Salientemos duas observações contundentes de Jorge Salgueiro, autor de aproximadamente 180 obras. Perguntado a quem ofereceria a revista “Glosas”, afirmaria: “Ofereceria a uma dessas pessoas que tomam decisões e que afastam os portugueses de seu país”, e à questão de um novo Jorge Salgueiro, acrescentaria: “Ainda sou novo, tenho esperança. Posso vir a mudar o pensamento do século XXI, porque não? Senão tivesse sonhos, e permanecesse apenas o lado lúcido e consciente, suicidava-me. Eu e os outros. Se não fôssemos inconscientes, no sentido de ainda sonhar, não havia criação. É esse sonho que nos faz criar a todos, a cada pessoa, não só o artista. Somos o centro do nosso mundo. Ainda que as tenha perdido, continua a ser o centro do universo. É como nós, os artistas. No sonho tudo é possível”.</p>
<p>Como se não bastasse o material rico para a cultura portuguesa contido em “Glosas” 4 e esboçado acima, artigos outros mostrariam o debruçar de pesquisadores sobre temas, muitos deles de total ineditismo. Destacaria a contribuição de Manuel Pedro Ferreira: “A propósito dos 750 anos do nascimento de Dom Dinis, trovador”; de João Paulo Janeiro, acurado estudo sobre o compositor napolitano David Perez (1711-1778), que, a partir de 1752, tanta contribuição prestou à música portuguesa; de Piedade Braga Santos, filha do compositor Joly Braga Santos (1924-1988), um comovente testemunho a respeito da amizade deste com Jorge Peixinho (1940-1995). A gregorianista e professora Idalete Giga faz levantamento precioso em “A música nos Salões Particulares de Lisboa no fim do século XX e na primeira década do século XX”, tecendo profícuos comentários e a enumerar salões do período e seus promotores. Considere-se igualmente o arguto artigo de Luís C.F. Henriques, em que focaliza o “Cosmopolitismo Musical na Cidade da Horta no Final do Século XIX”. Dentro da linha editorial da revista, que se propõe sempre evidenciar um músico não devidamente estudado, coube a André Vaz Pereira traçar perfil específico em “A obra para piano de Manuel Faria – uma primeira abordagem”. Tem-se ainda, na secção “Compositores a Descobrir”, um merecido estudo sobre a figura impecável na música portuguesa, o Padre Tomás Borba (1867-1950), professor do Conservatório Nacional e imortalizado através de sua atuação, durante décadas, como Diretor Artístico da Academia de Amadores de Música. Teve como seu mais ilustre aluno o grande compositor Fernando Lopes-Graça (1906-1994).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.joseeduardomartins.com/270.glosas2-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Artigo de J.E.M. - Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/270.glosas2-small.jpg" alt="" width="224" height="320" /></a></p>
<p>Contribuí para o nº 4 com artigo a abordar “<em>Canto&#8230;” Primeiro de Fernando Lopes-Graça</em>. Publicado no mesmo período em meu livro “Impressões sobre a Música Portuguesa”, editado pela Imprensa da Universidade de Coimbra em Novembro último, o texto aborda “Canto de Amor e de Morte” do compositor em seu original, pois conheciam-se apenas as duas versões realizadas pelo músico, para quarteto de cordas com piano e orquestral, respectivamente.</p>
<p>A ausência de interferências, que tantas vezes afeta a homogeneidade de textos diversos de uma determinada área em revistas espalhadas geograficamente, está a ser preservada na revista portuguesa. Sente-se em “Glosas” um propósito, uma identidade. Que assim persista</p>
<p><em>A few comments on issue nº 4 of Glosas, the music magazine with news, interviews and articles covering the world of classical music in Portugal.</em></p>
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		<title>O Nada Transfigurado no &#8220;Tudo&#8221;</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2012/02/04/o-nada-transfigurado-no-nada/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 02:05:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Três Exemplos Hodiernos Car lorsque ce mensonge est total, embrasse toute la vie, règle chaque pensée, aucun repos n’est à prévoir sur la route aride et fatale. Georges Bernanos  (L’Imposture) Que estamos a viver uma transição civilizacional pareceria patente. Valores antes professados como perenes deixaram de ter validade para a grande maioria. O processo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Três Exemplos Hodiernos</strong></p>
<p><img title="Perplexidade. Rabiscos JEM." src="http://www.joseeduardomartins.com/269.rabisco-jem-small.jpg" alt="" /></p>
<p><em>Car lorsque ce mensonge est total,</em><br />
<em>embrasse toute la vie, règle chaque pensée, </em><br />
<em>aucun repos n’est à prévoir sur la route aride et fatale.</em><br />
Georges Bernanos  (L’Imposture)</p>
<p>Que estamos a viver uma transição civilizacional pareceria patente. Valores antes professados como perenes deixaram de ter validade para a grande maioria. O processo de mutação tem sido muito rápido e acelera-se a cada ano. O Ocidente convive com essa mudança estimulada pelas empresas que visam ao lucro, com a complacência tantas vezes estranhas do Estado e plena divulgação da mídia, também ela em busca dos ganhos. Esse trio está a levar o homem à descaracterização de sua identidade. A consciência dessas transformações torna-se a cada ano mais clara àqueles que querem ver, mas a grande maioria das pessoas se acostuma à massificação. Integrar-se ao imenso contingente que não busca pensar é obedecer à legendária lei da manada.</p>
<p>Escrevemos anteriormente sobre os mega shows da atualidade, em que dezenas de milhares se reúnem para a saudação aos ídolos dos altos decibéis. Embrutecidos pela parafernália dos autofalantes, a multidão apenas segue o ritual do gritar, “cantar” e levantar braços, gesto este a fazer lembrar a juventude nazista. Massas amorfas. Proliferam esses mega shows, mormente pelo fato de que, com a crise econômica mundial, “ídolos” que jamais pensariam aqui pisar apresentam-se nesses espaços amplos e nos estádios de futebol, constantemente travestidos em arenas para os espetáculos, e encontram no Brasil o maná esgotado no hemisfério norte. Essa absurda concepção, <em>hélas</em>, a vigorar no mundo atual, faz com que àqueles pertencentes às gerações anteriores, que conheceram outros comportamentos, escandalizem-se.</p>
<p>Três exemplos de total alienação ocupam presentemente espaço imenso da televisão e do rádio. Refiro-me ao famigerado e insistente BBB, à “música” de uma “estrela” cadente, Michel Teló, e à histeria em torno de “Luisa está no Canadá”.</p>
<p>Do primeiro já se disse tudo, mas, movidos pela ganância representada pela enorme audiência, a Poderosa Rede continuará a apresentá-lo. Tem-se a mais absoluta visão do mundo que não desejamos aos nossos descendentes. Uma verdadeira aberração dos costumes, o sexo como mote <em>in extremis</em>, o linguajar chulo, o descaso aos mínimos valores morais e éticos, o ócio absoluto, resultando consequentemente na mais completa negação da cultura, da arte, da educação, da família, do cotidiano que resulta. Nada mais a falar ou a fazer, pois a Rede continuará a despejar nos lares esse enorme contingente de lixo.</p>
<p>Acabara de redigir o post quando recebo brilhante artigo publicado no “Correio Popular” de Campinas (30/01/2012), escrito por Fábio Henrique Prado de Toledo, juiz de Direito em Campinas e especialista em Matrimônio e Educação pela Universitat Internacional de Catalunya – UIC, sob o título “O Big Brother e o direito à intimidade”.  Avocando em duas situações a nossa Carta Magna, que estaria a ser desrespeitada, o arguto magistrado comenta a respeito da exposição de intimidades: “De fato, o direito à intimidade, ainda que irrenunciável, para ser exercido depende muito diretamente do seu titular, Com efeito, se ele (ou ela) quiser expô-la indevidamente como faz quem se prostitui, p.ex., muito pouco ou quase nada poderá fazer o Estado ou a sociedade para protegê-lo. Mas no caso desse programa, conta-se com o poderoso auxílio de um monstruoso meio de comunicação para promover tal violação. Ou seja, ainda que a intimidade seja exposta ‘voluntariamente’, um canal de televisão se encarrega de a propagar pelos quatro cantos de um país e do mundo. Com isso, as consequências maléficas não se limitam às ‘vítimas’ dessa violação ao direito à intimidade. É que quando milhões de jovens e adolescentes se ‘divertem’ num espetáculo dessa natureza, em que se promove um exibicionismo doentio de comportamentos no mínimo inconsequentes, estão sendo educados a ter uma postura pouco respeitosa com a intimidade do outro, e, talvez, sendo motivados a não resguardar a própria intimidade e até mesmo a esvaziar sua interioridade, o que, em última análise, implica grave ofensa à dignidade da pessoa humana”.</p>
<p>O caso de Michel Teló e a “música” que tem sido divulgada <em>ad nauseam </em>resume bem o estágio a que chegou a total inversão da qualidade. Tocada aqui e alhures, inundou as comunicações de ampla divulgação. “Música” e “letra” são do mais rudimentar pauperismo, mas, é de pasmar, essa coisa teve guarida até entre soldados de Israel, o que evidencia a alienação globalizada. Hipnotizadas, milhões e milhões de pessoas gestualizam esse “fenômeno” de audiência, como insiste a grande mídia.  Assim como tantas outras “músicas” sucumbiram meses após a explosão do sucesso, fatalmente o mesmo ocorrerá com a “criatura” nascida do Sr. Michel Teló. Todavia, também se tem a certeza de que estarão sempre a surgir aberrações escritas por oportunistas de plantão. Estrelas cadentes estão sempre a cortar os céus.</p>
<p>Um terceiro caso que, na aparência, estabelece uma zona de descontração, situa-se no caso &#8220;Luisa e o Canadá&#8221;. A matéria publicitária que indicou a ausência da Luisa, pressupostamente sem que os autores tivessem a ideia da repercussão de propaganda regional, fez com que, repentinamente, esse episódio sem nenhum interesse ganhasse também os meios de comunicação. No YouTube, vários vídeos já ultrapassaram largamente o milionésimo acesso. É o nada que se transmuta em um tudo. Um tsunami do nada. Repórteres e radialistas exaltaram absurdamente o fato rigorosamente insignificante. Os espaços caríssimos dos meios de comunicação dão lugar à cultura, à arte, à família no que ela tem de melhor? O leitor já tem a resposta. Essa alienação deixa ainda menos preparado o povo, pela absoluta ninharia do que é transmitido, fazendo-o mergulhar na iniquidade. Não resta a menor dúvida que a jovem Luisa estará a receber os mais diversificados convites para exposições públicas.</p>
<p>Esses três exemplos entre tantos que brotam como erva daninha, além de soterrarem aspirações voltadas ao humanismo, preparam infaustamente a maioria da população do país para o voto. Decorre que essa maioria, transformada em manada sem orientação, facilmente se deixa influenciar quando da escolha dos candidatos. Se não sabe selecionar as opções cotidianas que lhe são oferecidas, muito menos quando se trata do momento de definição na cabine de votação. Vê-se que a qualidade não mais está em causa, pois já feneceu há muito tempo. Nada mais a fazer.</p>
<p><em><span style="font-family: Arial;">On sensational but insignificant news events that make a great splash and then disappear and the meaning behind their triumph: people sometimes willing to risk their dignity for fame; lack of education, of civility, of inner values on the part of the public; a press that chooses profit over principle and has no interest in helping citizens to be fully informed and engaged in the things that really matter.</span></em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Mulheres do Alentejo na República&#8221;</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2012/01/28/mulheres-alentejanas/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 Jan 2012 02:05:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[A Valoração que se Faz Necessária ﻿“Women have served all these centuries as looking glasses possessing the magic and delicious power of reflecting the figure of man at twice its natural size.” Virginia Woolf (A Room of One&#8217;s Own) A mulher está muito perto da Natureza; Há nela os mesmos encantos e os mesmos perigos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A Valoração que se Faz Necessária</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/268.Alentejanas-big.jpg" target="_blank"><img title="Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/268.Alentejanas-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>﻿<span style="font-family: Arial;">“Women have served all these centuries<br />
</span></em><em><span style="font-family: Arial;">as looking glasses possessing the magic and delicious power<br />
</span></em><em><span style="font-family: Arial;">of reflecting the figure of man at twice its natural size.”<br />
</span></em><span style="font-family: Arial;">Virginia Woolf (A Room of One&#8217;s Own)</span></p>
<p><em>A mulher está muito perto da Natureza;</em><br />
<em>Há nela os mesmos encantos e os mesmos perigos.</em><br />
Agostinho da Silva</p>
<p>Em 2010 escrevia a respeito de tese de doutorado defendida junto à USP pela professora Susana Igayara, na qual a pesquisadora abordava obras teórico-musicais escritas no Brasil na primeira metade do século XX por professoras e educadoras musicais. Tendo integrado o júri, impressionou-me a quantidade de trabalhos publicados em período em que a mulher não alcançara patamares sequer à base de igualdade com os homens (vide <em>Uma Tese Diferenciada – A Mulher Brasileira e seus Textos sobre Música</em>. 14/05/2011).<br />
Considerando-se o período a partir da segunda metade do século XIX, é possível observar leves tentativas de emancipação da mulher nas mais variadas atividades. Se George Sand (1804-1876) foi exemplo em França, há que se considerar que sempre houve, ao longo da história, a presença de mulheres que se destacaram, apesar de não aparecerem publicamente, como educadoras, heroínas, artistas, intelectuais e empreendedoras. O nítido domínio dos homens era fator preponderante para uma verdadeira &#8220;imersão&#8221; da criatividade feminina. Se Berthe Morisot (1841-1895), Mme Curie (1867-1934), Clara Schumann (1819-1896) e tantas outras tiveram reconhecimento em  vida, a grande maioria ficaria no ostracismo e outras tanto tiveram valoração <em>post mortem</em>. Era a regra do jogo. Camille Claudel (1864-1943) tornar-se-ia o símbolo do talento artístico que, premido pela sociedade, sucumbiu em vida. E o que dizer de Anita Malfatti (1889-1964), que ao sofrer pressões estéticas, renunciaria a um estágio na pintura que certamente faria dela uma expressão a nível mundial?</p>
<p>É, pois, alvissareira a publicação de um  pequeno livro a destacar mulheres que tiveram brilhantismo em Portugal em período em que imperava o &#8220;machismo&#8221;, atitude ainda tão majoritária no planeta como um  todo (<em>Mulheres do Alentejo na República</em>. Textos de Anastásia Mestrinho Salgado, Carlos Emílio Carapinha e Idalete Giga. Chaves, Tartaruga, 2011).</p>
<p>Já na Introdução há referência a essa “mulher filha da burguesia mais instruída, diplomada pelas escolas politécnicas, escolas de medicina e veterinária, etc. (médicas, professoras, artistas)” que captavam determinados ventos ideológicos que começavam a soprar em Portugal. Essa mulher, graças ao comboio, iniciava através das viagens uma nova percepção da vida e de sua posição junto à sociedade, a ter, pois, papel fundamental na emancipação feminina, não sem duros percalços. Tem-se, ainda na Introdução, que “a transversalidade entre estes grupos de mulheres acontecia em vésperas da 1ª República. Era como se todas as mulheres portuguesas sonhassem o mesmo sonho – SER MULHER”.</p>
<p>O espaço a que me proponho tornar-se-ia pequeno para esboçar o perfil das dezessete mulheres estudadas, que abrange as mais diversas áreas. Todas tiveram destacada atividade e lutaram nas mais variadas frentes, no intuito de dignificarem a figura feminina na sociedade. Selecionei as três breves biografias traçadas com muita competência pela professora Idalete Giga, natural de Ciborro (Montemor-o Novo), portanto, alentejana da gema: Virgínia Quaresma (1882-1973), pioneira do jornalismo moderno em Portugal, segundo a estudiosa, Eunice Muñoz (1928- ), atriz relevante, e a célebre poetisa Florbela Espanca (1894-1930).</p>
<p>Virgínia Quaresma, licenciada em Letras e diplomada pela Escola Normal de Lisboa, foi notável jornalista, a preferenciar em sua atividade a reportagem e a entrevista política. Atuou em alguns dos mais importantes veículos de comunicação em Portugal. Esteve várias vezes no Brasil a partir de 1912 e, durante um bom período, residiu no Rio de Janeiro, a exercer sua profissão colaborando para o Correio da Manhã, A Época e a Gazeta de Notícias. Referencial um pronunciamento junto à Sociedade Promotora do Ensino Popular em Portugal: “Ser feminista é a minha única carta de recomendação, o meu único título de glória  no mundo intelectual. E não me dispensam dessa honra em parte nenhuma, embora eu saiba muito bem que o nosso meio social, ainda em grande parte, não compreende todo o orgulho, toda a altivez, toda a satisfação de razão e de consciência que me podem advir dela”.</p>
<p>Eunice Muñoz é possivelmente a mais importante atriz portuguesa e foi impecavelmente “retratada” desde as primeiros passos “hereditários”, empreendidos em companhia de seus pais. Aprendeu cedo o <em>métier</em> e o talento desabrochou com naturalidade. Idalete Giga tem o esmero de indicar a relação de todas as peças do repertório de Eunice Muñoz, nomeando-as e a oferecer, como suporte, a cronologia e os locais das apresentações. Impressiona a quantidade de peças de teatro que Eunice apresentou e continua a oferecer aos mais variados públicos. Cinema e televisão também fazem parte de seu universo. Seu repertório é imenso. É a atriz mais premiada em toda a história da dramaturgia em Portugal.</p>
<p>Ao se debruçar sobre Florbela Espanca, Idalete o faz com o respeito devido à grande poetisa alentejana que legou aos pósteros uma produção tão pequena, inversamente proporcional à qualidade. Florbela viveu em choque permanente, não apenas familiar, mas também com o meio social. Desde jovem quebraria regras de conduta,  graças à sua vida amorosa tão distante da rígida concepção moral de sua época e de suas irreverentes atitudes frente ao <em>establishment</em>. Casamentos, relacionamentos prolongados ou efêmeros motivando, sob o aspecto da criação, mesmo em temáticas outras, a presença do relacionamento amoroso, da esperança ou da desilusão e os enfrentamentos da mulher voltada à escrita. Tem ela a consciência da apreensão pública de suas obras. Esses permanentes conflitos, acrescidos de hereditariedade, levariam ao fim trágico aos 36 anos, quando a porta do suicídio tornou-se a única viável. De <em>Charneca em Flor </em>tem-se: &#8220;Queria encontrar Deus! Tanto o procuro!&#8221; Contestada ou mesmo rejeitada por setores mais puritanos da sociedade de seu tempo, Florbela Espanca tem sido, <em>sur le tard</em>, cada vez mais estudada pela expressividade de seus poemas. Idalete Giga sintetiza bem o perfil humano e criativo da artista: “Quando alguém nasce para além de seu tempo, como foi o caso desta extraordinária poetisa alentejana, tal facto suscita o mais vivo interesse. Florbela Espanca estava, sem dúvida, avançada em relação à sua época em que as mulheres viviam completamente subjugadas e dependentes dos homens, fossem pais, maridos ou irmãos. Não tinham quaisquer direito, mas apenas deveres. Florbela Espanca era a antítese da mulher dependente e subjugada. Artista de rara sensibilidade poética, independente e livre pensadora, mostrou-se sempre tal como era, sem máscaras, sem preconceitos. Por isso, a sua vida foi uma luta constante, cheia de sofrimento, dificuldades, desilusões e a sua obra incompreendida pela sociedade de seu tempo”.</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/268.Alentejanas1-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Florbela Espanca. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/268.Alentejanas1-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Ao leitor transcrevo um dos poemas de Florbela Espanca:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Mistério</strong></p>
<p style="text-align: center;">Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,<br />
Dizendo coisas que ninguém entende!<br />
Da tua cantilena se desprende<br />
Um sonho de magia e de pecados.</p>
<p style="text-align: center;">Dos teus pálidos dedos delicados<br />
Uma alada canção palpita e ascende,<br />
Frases que a nossa boca não aprende,<br />
Murmúrios por caminhos desolados.</p>
<p style="text-align: center;">Pelo meu rosto branco, sempre frio,<br />
Fazes passar o lúgubre arrepio<br />
Das sensações estranhas, dolorosas&#8230;</p>
<p style="text-align: center;">Talvez um dia entenda o teu mistério&#8230;<br />
Quando, inerte, na paz do cemitério,<br />
O meu corpo matar a fome às rosas!  </p>
<p> <em>Mulheres do Alentejo na República </em>é livro a ser visitado. Oxalá a temática, a abranger o perfil da mulher em períodos onde a emancipação mostrava-se uma heresia, surgisse mais acentuadamente. Se de um lado essas desbravadoras em busca da igualdade e do reconhecimento do valor da mulher são paulatinamente reconhecidas numa sociedade ocidental aparentemente igualitária, sob aspecto outro a mulher objeto, que se oferece aos amplos meios de comunicação, mormente na condição de desnudamento, apenas retarda a inserção feminina plena, sem restrições, em todas as áreas da atividade humana.</p>
<p><em>This post is an appreciation of the book “Mulheres do Alentejo na República” (Women from Alentejo during the Republic), written by Anastásia Mestrinho Salgado, Carlos Emílio Carapinha and Idalete Giga.  It portrays 17 women from the region of Alentejo in Portugal that have been outstanding in their specific fields of activity. For space reasons, I’m unable to mention the 17 women, thus selecting only 3 of them: Virginia Quaresma (journalist), Eunice Muñoz (actress) and Florbela Espanca (poetess). But all the personalities depicted are strong women who transcended the limits imposed to their gender, going where few women dared to go.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Pregões de Nossos Dias</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 02:05:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Ou o Eterno que Enriquece o Cotidiano Quem não labuta, não manduca. Adágio açoriano Uma das maiores dificuldades de um cidadão em nosso país é abrir uma firma comercial. Maior ainda no momento da desilusão, quando se faz necessário encerrá-la. Se micro-empresário, a dor pode ainda ser mais intensa, pois nada mais resta de seus [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ou o Eterno que Enriquece o Cotidiano</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/267.Marcelo1-big.jpg" target="_blank"><img title="Marcelo. Foto JEM. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/267.Marcelo1-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Quem não labuta,<br />
não manduca.</em><br />
Adágio açoriano</p>
<p>Uma das maiores dificuldades de um cidadão em nosso país é abrir uma firma comercial. Maior ainda no momento da desilusão, quando se faz necessário encerrá-la. Se micro-empresário, a dor pode ainda ser mais intensa, pois nada mais resta de seus parcos recursos. O nosso Estado é o Leviatã que tudo devora, nada lhe escapa. Não há sentimento algum, apenas a necessidade de se arrecadar. Desamparado, aquele que tem o infortúnio de viver esse abrir e fechar sabe muito bem a que me refiro.</p>
<p>Há o personagem com recursos humanos e verbais para iniciar um pequeno negócio, não o fazendo pela ausência absoluta de capital, e outros que o próprio Leviatã destruiu com o peso  de encargos. Estou a me lembrar que em 1987 estava em Nova York com dois amigos músicos. Certo dia fomos para a abertura de uma firma em nome de um deles, americano. Indagamos e apontaram-nos um prédio como qualquer dos milhares existentes na cidade. Perguntamos pelo cidadão que fazia abertura de firmas. Era o próprio zelador, que estava em manga de camisa. Ele retirou-se e voltou com paletó e gravata, a trazer um livro e carimbo. Escreveu o necessário. O amigo americano e o outro - brasileiro residente nos Estados Unidos &#8211; assinaram,  este último como testemunha, e o cidadão, como “autoridade”, disse que tudo estava sacramentado. Pagaram uns pouquíssimos dólares. Perguntei-lhe se era tudo. Sim, respondeu-me, e não é assim também em seu país? Falei-lhe das longas filas em cartórios, tabeliões, a parafernália de carimbos, os vários compartimentos governamentais a serem visitados, assim como o preço absurdo para essa abertura de empresa. Disse-lhe ainda que as assinaturas levam outro carimbo, a fim de serem autenticadas, etc, etc&#8230; Ficou atônito, mormente quando lhe disse que cartórios são hereditários. Incrédulo indagou-me: “seu país tem monarquia”? Após, saímos para almoçar.</p>
<p>Conheço Marcelo há muitos anos. Sempre que atravesso a Avenida Santo Amaro para ir ao supermercado no fim de tarde, sei que vou encontrá-lo. Pelo vozeirão de Marcelo é impossível não o perceber. Há 23 anos carrega consigo suas “mercadorias” e vende nas duas paradas de ônibus, direção Santo Amaro, biscoitos, salgadinhos, balas e refrigerantes. Marcelo é do bem.  Sente-se nele o potencial do “mini-micro” empresário que carrega nas mãos fortes a sua “empresa” ambulante. Tem fiéis compradores constituídos por trabalhadores que sobem as ruas desde a marginal, preferencialmente mulheres que trabalham em residências, e que pegam suas conduções em direção à ampla zona sul da cidade. Retorno aos lares após árdua labuta.</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/267.Marcelo2a-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Marcelo. Foto JEM. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/267.Marcelo2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Fascinam-me em Marcelo sua interação com o meio e a qualidade de seus pregões. Todos gostam de nosso personagem, pois jamais o vi de mau humor. Sempre a sorrir e a conversar com passageiros à espera dos ônibus ou trocando palavras amistosas com muitos motoristas dos veículos públicos. Compreende seus clientes. Deles se aproxima, a proferir seus pregões. Participa de suas transitoriedades, pois por vezes senta-se e conversa com alguém, faz afago em uma criança e, mercê da quantidade de guloseimas, vende lá os seus produtos àqueles trabalhadores que terão ainda de enfrentar longos trajetos até destinos finais. E nada mais apropriado do que, por poucos trocados, levarem algo para disfarçar o estômago nesse retorno que pode se prolongar, a depender do caótico trânsito de nossa urbe. Tantas vezes já insisti em blogs sobre o descaso absoluto que as autoridades têm por esses heróis anônimos que se apinham em ônibus e metrôs diariamente.  </p>
<p>Marcelo poderia alardear os produtos, nomeando-os à exaustão, como fazem quase todos os vendedores na mesma situação. Não o faz. Procura sempre frases que pressupõem ao cliente tratar-se de uma firma, mesmo que ambulante. Transmite ao comprador, de maneira sincera, o seu cotidiano, essência de seus pregões.  Daí diferenciar-se tanto dos &#8220;colegas de ofício&#8221;. Há em Marcelo esse dom do marqueteiro que sabe vender seu produto sem se mostrar, contudo, um interesseiro. Basicamente não os anuncia. Interessa a Marcelo prender a atenção do comprador para oportunidades “únicas” ligadas ao seu cotidiano. Sob aspecto outro, sua presença física a lembrar um profeta à antiga, torna-o figura respeitada por todos. Quase sempre nos cumprimentamos e tenho grande prazer em vê-lo lépido e ativo.</p>
<p>Um dia pedi-lhe que me falasse sobre sua origem e passado. Natural de Feira de Santana, na Bahia, trabalhou durante 18 anos como operário encarregado de bater as estacas que fundamentam as centenas de edifícios pelo bairro. Dirigiu seu olhar para o entorno e disse que muitos daqueles prédios tiveram os seus préstimos. Após tantos anos a suportar trepidação e barulho intenso, resolveu ser independente. Há 23 anos é o ambulante da confraternização, pois todos têm por ele muita afeição.</p>
<p>Em certo momento disse-lhe que tinha guardado na memória uma série de frases por ele ditas diariamente e que têm lá sua graça, tencionando escrever sobre sua atividade junto aos dois pontos de ônibus. Abriu um grande sorriso quando afirmei que tiraria umas fotos durante o pleno desempenho de sua “firma”. Foi o que fiz dias após.</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/267.Marcelo3-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Marcelo. Foto JEM. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/267.Marcelo3-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Compartilho com meu leitor alguns dos costumeiros pregões de Marcelo, sempre proferidos em alta voz: “hoje vou vendê tudo mais barato&#8230; quero ir mais cedo pra roça”; “liquidação total, tá tudo mais barato”; “só hoje vou vendê mais barato&#8221;, e nomeia determinado produto; “você precisa gastá o dinheiro&#8230; liquidação&#8230; tenho de ir embora”; “estou pedindo um peixinho (moedas) pra sorte me ajudá”; “se todos me derem um peixinho não precisarei  ir mais pra roça”; quando as vendas estão fracas “hoje tô comendo mais do que tô vendendo&#8230; vamo lá pessoal”,  “se vocês não me ajudá vou pra roça plantá feijão, arroz e soja”.</p>
<p>Grande Marcelo. Sintetiza ele a figura desse povo que, apesar de todas as mazelas, guarda ainda a pureza nas intenções, não deixando de perder o senso da confraternização. Marcelo persiste em atividade hoje cada vez mais concorrida. É só verificarmos os pontos de ônibus da cidade e pequenos tabuleiros de ambulantes a tudo vender. Marcelo é figura ímpar por ser o autêntico “negociante” a carregar seus cestos com a alegria pela escolha do ofício, décadas atrás. Não é o cliente que vai ao seu encontro. Procura-o e o “seduz”. Que continue com essa contagiante maneira de ser.</p>
<p><em>His week&#8217;s post is about a personality of my neighborhood: Marcelo, a street vendor that, carryng two huge baskets, sells his wares at the nearest bus-stop. Always in a good mood and smiling, he announces his candy bars, potato chips, chewing gums and soft drinks aloud, captivating buyers with attention getting and funny slogans full of originality.</em></p>
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		<title>Ecos de &#8220;E mais um Final de Ano&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 02:05:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Interpretações Diferenciadas de Tema Crucial Detesta o cientista toda a contradição; o artista não a julga; o religioso a absorve no melhor do seu deus. Agostinho da Silva Foram inúmeros os e-mails e telefonemas recebidos após a panorâmica que apresentei do ano de 2011, quando não sentia o que comemorar nesse mundo tão conturbado. Frases [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Interpretações Diferenciadas de Tema Crucial</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/266.Paisagem-big.jpg" target="_blank"><img title="Há sempre uma ponte para a esperança... Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/266.Paisagem-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Detesta o cientista toda a contradição;</em><br />
<em>o artista não a julga;</em><br />
<em>o religioso a absorve no melhor do seu deus.</em><br />
Agostinho da Silva</p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p>Foram inúmeros os e-mails e telefonemas recebidos após a panorâmica que apresentei do ano de 2011, quando não sentia o que comemorar nesse mundo tão conturbado. Frases curtas, incisivas, desalentos e esperanças marcaram as mensagens. Somos constituídos dessa ambiguidade, razão pela qual ainda encontramos tanto interesse na existência. Há  a intenção dialética a nortear os posts, uns mais amenos, referentes ao cotidiano que me encanta, outros a tentar atingir o cerne de determinados temas sócio-culturais.</p>
<p>Selecionei três e-mails recebidos de França, Portugal e do Brasil. François Servenière, compositor, orquestrador e arguto pensador francês colocou posições de esperança, a acreditar nos ciclos permanentes, na juventude e na renovação do espírito do homem após graves crises.</p>
<p>“A crise é terrível para a juventude européia, mas não é desesperadora. As crises são sempre momentos iniludíveis de tomada geral de consciência, mas também de renovações, da colocação em seus verdadeiros lugares do trabalho, da coragem, justamente quando a verdade dos homens e das mulheres se apresenta por inteiro. Os políticos frente à crise tornam-se também melhores, por definição em todos os países do mundo e em todos os períodos históricos, diferentemente daqueles que se alimentam fartamente nos tempos de riqueza, quando a corrupção mais prospera. As crises permitem zerar aferidores, valorizar e evidenciar pessoas mais sólidas e mais meritórias que tantas vezes, em períodos de vacas gordas, não têm a  ‘capacidade’ nem o cinismo de criar seu espaço nos meandros tortuosos dos negócios escusos. Segundo antiga fórmula, ‘desgraça é bom para qualquer coisa’, o que significa que dos escombros há sempre e invariavelmente o renascimento. Eu não acredito no ‘depois de mim o dilúvio’, que tantas vezes ouvi de antigos desesperados (também, paradoxalmente, viveram períodos mais negros do que nossa atualidade), que em determinados momentos acreditaram que o mundo iria deteriorar-se inteiramente ou ter trágico fim. A força da juventude estará sempre presente para enfrentar novos desafios, sejam eles quais forem. Nós fomos, somos e continuaremos a ser idênticos no fundo de nossas almas. O período é difícil, e o Brasil, através das suas descrições, parece inclinado a conviver com certa facilidade corruptiva. Suas comparações fubebolísticas relacionadas às equipes do Brasil e da Europa devem ser lidas com atenção. É necessário saber que as equipes européias vivem da mesma maneira que os Estados onde se situam e que elas estão endividadas de uma maneira análoga a esses Estados, sem contar que o esporte espanhol, que domina o mundo, é também acusado de abrigar método inusitado de<em> dopping, </em>pois até hoje não detectável. Corrupção, pois, lá também!”</p>
<p>Idalete Giga, especialista em canto gregoriano e pedagoga sensível em Portugal, é mais cáustica e vê a atualidade um pouco à maneira que a entendo, onde a corrupção e a ganância, sem limites de governantes e empresários inescrupulosos estão a destruir costumes, ética, moral e&#8230; o planeta.</p>
<p>“Impressionou-me também o post de hoje, <em>E um Outro Final de Ano &#8211; Há o que comemorar neste País? </em>O balanço que faz do Brasil e do mundo actual, com tantos problemas por resolver e cheio de políticos cada vez mais corruptos e insensíveis é, infelizmente, uma realidade. Continua a haver uma imensa hipocrisia, mesmo naqueles organismos mundiais que deveriam defender os povos e os mais fracos, como a ONU, FMI, BCE,OMC , etc.etc,etc. Estes organismos estão cheios de corruptos. Se assim não fosse, a fome, as doenças, as guerras, ( que são um negócio absurdo, aberrante), o analfabetismo, a escravização dos que produzem riqueza, o tráfico de seres humanos, a droga e tantos outros males já não existiriam no nosso planeta tão massacrado, tão violentado pela ganância vampiresca do lucro. Mas o sistema económico e financeiro do mundo actual, baseado nesta ganância insaciável, tem os dias contados. Não poderá manter-se. Cairá por si, porque os povos revoltar-se-ão cada vez mais, em escala planetária. Os ditadores estão caindo um a um!!!! A sociedade civil está a organizar-se um pouco por toda a parte para uma desobediência civil generalizada. É uma questão de tempo&#8230;. Serão verdadeiras bombas atómicas que destruirão os perversos e criminosos mercados bolsistas que (des)governam o mundo inteiro!”</p>
<p>Flávio de Araújo, radialista, comentarista e jornalista esportivo de grande mérito apreende a mensagem que tentei transmitir da pobreza de nosso atual futebol.</p>
<p>“Aproveitei para me aprofundar em seus conhecimentos sobre a tão falada crise do euro e que trouxe em seguida a excelente análise sobre o nosso futebol. Como temos compreensões que se identificam&#8230; Na Copa São Paulo até me inspirou a fazer uma pequena modificação em um texto que estou preparando para segunda-feira. Comentara o assunto e me esquecera dos empresários de cadernetas na mão”.</p>
<p>Oxalá possamos ser mais otimistas neste novo ano. As premissas não são alvissareiras, mas caminhemos. É o que podemos fazer.</p>
<p><em>Readers of my post about the New Year submitted online comments with their own opinions about the future. The post of this week is a selection of some messages I received, each expressing a different view.</em></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Corrida de São Silvestre e Equívocos</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2012/01/07/corrida-de-sao-silvestre-e-equivocos/</link>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 02:05:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando Interesses Estranhos Sobrepõem-se à Alegria de Milhares Car, myopes et le nez contre, ne se préoccupant jamais que de la qualité de l’encre ou du papier et non de la signification du poème. Saint-Exupéry (Citadelle. CCXVI) No post anterior comentava o ano de 2011 e o pouco a ser comemorado, salvo raras exceções, entre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Quando Interesses Estranhos Sobrepõem-se à Alegria de Milhares</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/265.SS2011-big.jpg" target="_blank"><img title="JEM na subida da Av. Brigadeiro Luís Antônio. 13ºkm dos 15km do percurso. Corrida de São Silvestre, 2011. Foto: Midiasport. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/265.SS2011-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Car, myopes et le nez contre, </em><br />
<em>ne se préoccupant jamais que de la qualité de l’encre ou du papier </em><br />
<em>et non de la signification du poème.</em><br />
Saint-Exupéry (Citadelle. CCXVI)</p>
<p>No post anterior comentava o ano de 2011 e o pouco a ser comemorado, salvo raras exceções, entre elas a família como entidade mater , a dar exemplos de união sincera e amorosa. Em um dos itens escrevi que narraria a “epopéia” do novo percurso da São Silvestre a desnudar equívocos sensíveis por parte da organização do evento, tantos deles provocados por interesses dos patrocinadores. Todas as justificativas referentes ao trajeto último, largamente divulgadas, sempre soaram mal junto aos milhares de participantes. Os atletas amadores que pagaram preços das inscrições muito acima da média – é só conferir os sites de algumas das mais tradicionais empresas que promovem corridas na cidade para que os leitores comprovem a veracidade do que escrevo – não foram ouvidos. Estas dezenas de milhares de corredores da alegria, do prazer, da confraternização são esquecidos em momentos de deliberação. Aqueles excepcionais atletas profissionais, que correspondem a uma porcentagem infinitesimal entre os participantes e que atraem os holofotes por méritos incontestáveis, estão habituados a todos os trajetos. São heróis a serem reverenciados, mas não deveriam jamais servir como opiniões absolutas, o que pareceria evidente em alguns pronunciamentos  dos vencedores da prova, colhidos logo ao término da corrida e divulgados como testemunhos de aprovação da “maioria”.</p>
<p>Quando mencionei a Yescom no último post é pelo simples fato de que é dela que todos nós corredores recebemos e-mails descritivos, da inscrição à prova. Mas pareceria evidente que ela sofreu pressões para liberar a Av. Paulista logo após o último participante passar pelo Masp, à  largada.</p>
<p>Auscultando tantos atletas amadores, assim como alguns profissionais, pareceu-me evidente que eles estavam a sentir por parte dos organizadores uma certa arrogância. Um de meus amigos ouviu em noticiário televisivo a opinião de um dos que ajudou a traçar o novo percurso. A certa altura teria dito que participariam aqueles que quisessem participar e que o problema seria deles! Experientes, dois amigos corredores de fato, José Nicolau (Nicola) e Elson Otake (ranqueado em Maratonas no Brasil), recusaram inscrever-se ao ver o novo traçado, que consideraram muito mal estudado, tornando-o  perigoso para participantes dos mais variados níveis.</p>
<p>Mas vamos à corrida. Há sempre em tempos da São Silvestre a possibilidade de garoas, aguaceiros, chuvas persistentes ou amedrontadoras tempestades. Faz parte de nosso calendário das águas. Nada a fazer, pois delas não temos o menor controle. Todavia, desde o início da semana, aos 26 de Dezembro, já havia previsão, largamente divulgada pelos meios de comunicação, a indicar fortes pancadas que desabariam na passagem do ano. Tudo previsto, pois. Frise-se que todo corredor, profissional ou amador, está sujeito às intempéries. Elas fazem parte de nossa prazerosa atividade esportiva.</p>
<p>Seis integrantes de nossa equipe TA LENTOS participaram nessa última edição. Como nossos tempos são diferenciados, três logo se destacaram: André Shigueo Uchiyamada (1:21:45), Américo Risato Umeda (1:34:30) e Ademir Giacomelli . Corri (1:58:41) ao lado de nosso capitão, Yuji Yokoyama (1:58:41), e de Fernanda Mello, que esteve conosco até a subida da Brigadeiro, quando desgarrou por estar mais rápida. Estivemos sempre debaixo de chuva, sendo que em dois trechos, a perigosa descida da Major Natanael e durante quase todo o percurso da Av. Rio Branco, o céu desabou sobre nós. Panorama mais ou menos inusitado, mas já previsto. Encharcados antes mesmo de cruzarmos aparelhos iniciais de aferição no MASP, assim fomos até o final da prova, no obelisco do Ibirapuera. A descida da Brigadeiro teve características dantescas, mercê do planejamento inadequado da organização quanto ao percurso. Após os 13 km percorridos, incluindo a difícil e tradicional subida da mesma avenida, descer sempre a correr &#8211; até o presente jamais andei em prova &#8211; tornou-se um martírio para a maioria, que sentiu as articulações dos joelhos e os músculos posteriores de toda a perna sofrerem com esse declive imposto. Tendo já participado de 40 corridas de rua, nunca, friso bem, cheguei com qualquer espécie de dor. Desta vez, se a mente estava super lúcida durante todo o trajeto, joelhos e musculatura sofreram, e mal conseguia andar após a corrida, apesar de imediatamente depois da chegada minha pressão estar como sempre esteve, 11/6, segundo avaliação do posto médico instalado ao final da prova em tenda armada no centro do lodaçal que se formou. A descida da Brigadeiro foi um martírio e outros corredores com os quais cruzei estavam a se lamentar. Dias antes conversara longamente com o grande campeão das S. Silvestres de 1980 e 1985, José João da Silva, que me alertou para essa temível descida, que iria colocar em cheque toda a estrutura dos joelhos e a musculatura das pernas após a histórica subida, que já teria exigido esforço extra depois de tantos km percorridos. Neste domingo (01/01/12), ao iniciar a redação do post, efeitos dolorosos persistem e mal consigo andar. Passarão certamente, mas para que submeter atletas amadores, friso, a esse desafio quase insano?  Minha filha Maria Fernanda e duas netas, que estavam a me esperar na linha de chegada, ouviram inúmeros participantes queixarem-se, e um deles a praguejar  em alta voz que iria processar a organização, pois chegara com os joelhos estourados. Saliente-se, contudo, a bem da verdade, que no regulamento há expresso o não comprometimento da empresa organizadora quanto a percalços físicos dos participantes. Portanto, cabe o ônus ao que se propôs a correr. Inclusive há termo de responsabilidade aceito pelos corredores.</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/265.YujieJEM-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Yuji e JEM logo após a dramática chegada da São Silvestre 2011. Foto: Maria Fernanda. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/265.YujieJEM-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p>À chegada desse novo trajeto, rigorosamente sem nenhum encanto, sabedores que haveria aguaceiro previsto tão antecipadamente, os organizadores colocaram as tendas para as entregas de medalhas, pasmem os leitores, muitas dezenas de metros depois do término da prova, num terreno sem asfalto, de terra batida com alguma &#8220;ex-vegetação&#8221; rasteira pisoteada e afogada. Ocorreu o que somente os dirigentes não sabiam, por puro desconhecimento desse espaço no Parque do Ibirapuera e da meteorologia.  Estava a anoitecer, a chuva não parava e sofremos  humilhação e constrangimento ao  atravessar verdadeiro lodaçal  já às escuras, unicamente devido à irresponsabilidade da organização. Sem possibilidades de caminhos alternativos, por vezes Yuji e eu mergulhávamos os pés até bem acima dos tornozelos nessa lama absoluta. Verdadeira aberração. Uns poucos caíam e se desesperavam, pois totalmente enlameados, como em filmes de pastelão. Os mais exaltados a proferirem palavras que, por respeito aos leitores, prefiro não  publicar. Como pode isso acontecer na prova pedestre mais tradicional do Brasil e na maior cidade da América do Sul? Descaso, despreparo total dos organizadores quanto ao espaço fulcral da São Sivestre. Esse lamentável episódio não estaria a prejudicar a imagem de patrocinadores de peso estampados na camisa distribuída no kit de participação? Branca, não ficaria enlameada, a respingar sujeira nas empresas que emprestaram seus nomes ao empreendimento, como Caixa, Correios, Fisk, Rexona, Globo e outros?   Se a organização do evento arrecadou muito, qual a razão de não contratarem experientes atletas profissionais e amadores para, estes sim, determinarem o percurso como um todo, da pré-largada à entrega das medalhas e, finalmente, à dispersão? E que essa Comissão competente fosse de inteiro conhecimento público. Estava a descer dolorido a Brigadeiro e muitos já subiam a Avenida para  pegar, no entorno da Av. Paulista, a condução de volta aos seus lares, muitos desses anônimos bem enlameados.</p>
<p>A São Sivestre sempre primou pela confraternização e alegria. O percurso mais atualizado de 15km dos últimos anos caracterizou-se pela harmonia, com a descida até suave da Avenida da Consolação, sendo a subida da Brigadeiro o trecho paradigmático que, vencido, dava lugar à satisfação plena algumas centenas de metros depois, aos pés da Gazeta. Internautas, através de e-mails incisivos enviados aos provedores, nomeiam a Globo como responsável pela alteração do percurso. Seria possível supor que seja ela uma das maiores interessadas em ver a Av. Paulista livre a partir das 18:00h para a preparação do show da chamada “virada”. Mas não seria a única. Contudo, apesar da organização indicar que a maioria aprovou, não é essa a mostra que nos apresentam alguns dos mais importantes  provedores dos sites: <strong>Uol</strong> “Participantes reprovam mudanças no trajeto da S. Silvestre” e <strong>Terra</strong> “Não foram só os corredores amadores que reprovaram a mudança no percurso da Corrida de São Silvestre”. Ambos expõem dezenas e dezenas de comentários de participantes, muitos deles plenos de revolta. Atentemos. Se os organizadores mostram opiniões positivas de alguns vencedores da presente edição da corrida, representam elas, friso, a infinitesimal porcentagem entre o grosso participativo, constituído por atletas amadores. O grande campeão Maílson dos Santos (S. Silvestre 2003, 2005, 2010), a contrapor positivas palavras de alguns vencedores, comenta: “A gente vai avaliar a situação. Foi um percurso muito duro, com muita subida e descida. Estou todo dolorido, então vou tentar recuperar o máximo para treinar para a Maratona de Londres, em abril”.  Damião de Sousa, sétimo colocado na presente edição, comenta: “Estava caindo muita água. Teve um momento em que eu pensei que era um dilúvio. Deu vontade de correr para a calçada. Tive medo na descida de levar um tombo e deslizar. Tinha muita água, então tive que segurar um pouco mais”.</p>
<p>Urge repensar. Poderia essa massa humana majoritária, constituída por milhares de corredores amadores, estar de acordo com o novo trajeto? Teria a organização de se mostrar surda aos apelos da maioria que mantém a S. Sivestre, mediante polpudo preço da inscrição? Não deveriam repensar o término novamente na tradicional Av. Paulista? As justificativas dadas pelos organizadores continuarão a distorcer realidades? O constrangimento e a humilhação por que passaram milhares de corredores, logo depois de transpor a linha de chegada insossa, já não bastariam para ratificar o falhanço do percurso atual? Seria prudente que os organizadores não pensassem em alternativa ao percurso 2011 da S. Silvestre, pois <em>abyssus abyssum invocat</em>, como reza preceito latino, nessa sábia interpretação do abismo chamar outro abismo. Aos responsáveis, reconhecerem o equívoco e restaurar a chegada naquele ponto da tradição, intenso, pleno, da confraternização total. Não voltaram atrás depois do absurdo da prova de 2010, quando entregaram as medalhas junto com o kit, verdadeira blasfêmia para os corredores que têm nesse símbolo de metal a recompensa pelo esforço voluntário e prazeroso? Reparar o erro seria um belo e necessário gesto, pois a experiência vivida no último dia 31 foi para tantos a antítese da essência da prova, congraçamento e alegria.</p>
<p>Aos 73 anos, essa foi minha quarta participação consecutiva. Conheço bem organizações outras que promovem as corridas de rua. Jamais tive algo a reclamar, e lá se vão tantos percursos transpostos. Tencionava, talvez visionarismo, chegar a correr 10 S.Silvestres. Assim como tantos e tantos corredores que buscam a alegria, a confraternização e a qualidade de vida, caso o percurso atual seja mantido, o que provavelmente ocorrerá &#8211; quantos não foram os blogs em que apontei que praticamente nada podemos, <em>hélas</em>, contra interesses econômicos poderosos &#8211; essa terá sido minha última participação na lendária prova, hoje maculada. Nada que deva  inquietar a organização da São Silvestre. Um corredor da terceira idade entre milhares de tantas faixas etárias! Havia redigido o post quando leio surpreso no site da Midiasport pronunciamento do diretor da Yescom, Thadeus Kassabian. Algumas frases merecem destaque: “Mesmo com a chuva, os atletas aprovaram toda a estrutura oferecida nos 15 quilômetros, incluindo largada e dispersão” (sic); “O temporal não estava nos planos. Seria impossível atender a todos na Avenida Paulista com a chuva e o evento que aconteceria em seguida” (sic); “A área de dispersão para 2012 será ampliada e <span style="text-decoration: underline;">garantirá ainda mais conforto e infraestrutura aos corredores</span>” (sic) (grifo meu). Saberão os organizadores conseguir, através da ampla divulgação pela mídia daquilo que querem passar ao público, adesões sempre crescentes. Faz parte de nosso Sistema, em que a verdade verdadeira pode ser camuflada. Mas não podem tirar-me o direito de deixar em meu blog o protesto. Arma virtual, imaginária, mas necessária.</p>
<p><em>The 2011 edition of the St. Sylvester road race, the main event of the  Brazilian  street race circuit, was held on New Year’s Eve  through the hilly, twisting and skyscraper-lined streets of São Paulo with 25.000  participants. The new route of the race made things very hard for  nonprofessional runners like me. It now ends after a long, exhausting and steep slope that comes immediately after the  long, exhausting and steep climb of Brigadeiro Luis Antonio Av. Afterwards many  participants complained against the organizers’ lack of vision, but I managed to  complete the 15 kilometers under a steady downpour, despite an inevitable leg pain that still persists for me and probably for thousands of other participants, even after some days of rest.</em></p>
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		<title>E um Outro Final de Ano</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 02:05:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Há o que Comemorar neste País? Chegamos a mais um anoitecer de ano, que permanecerá como  um número no calendário inexorável. Assistimos 2011, pasmos com os resultados que já eram esperados, não de agora. O leigo minimamente informado estava a saber que a zona do euro um dia chegaria ao impasse. Apesar das dificuldades cambiais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Há o que Comemorar neste País?</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/264.Brindemos2-big.jpg" target="_blank"><img title="Desenho de Luca Vitali. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/264.Brindemos2-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p>Chegamos a mais um anoitecer de ano, que permanecerá como  um número no calendário inexorável. Assistimos 2011, pasmos com os resultados que já eram esperados, não de agora. O leigo minimamente informado estava a saber que a zona do euro um dia chegaria ao impasse. Apesar das dificuldades cambiais, perdia-se “outrora” pouco tempo para a troca das muitas moedas espalhadas pela Europa. Os países integrantes sobreviviam, prosperavam ou não, mas caminhavam com as suas dificuldades e poucos acertos. Havia certa independência, e as relações entre os países europeus se processavam dentro de plausíveis parâmetros. O euro veio trazer anunciada a tragédia que podia ser vista num horizonte distante. O euro dos ricos e dos pobres, pasteurizado temporariamente como a verdade absoluta para países incomensuravelmente desiguais, mas contrapondo-se ao dólar ou à libra esterlina, doravante moedas “adversárias”. Não há luz à vista, não aquela do fim do túnel, mas a do pleno dia. Uma bruma cinzenta cobre os países que aceitaram a utopia da união monetária europeia. 2012&#8230; o que esperar? Paliativos.</p>
<p>O Brasil, país integrante dos BRICS, vive a ilusão polianesca. Governantes asseguram que tudo vai bem, que a inflação está sobre controle e que a crise internacional nos atingirá de raspão. Recebi recentemente por e-mail um texto de autora holandesa, em que a cidadã “viaja”. Verdadeira nefelibata, que sequer conhece os problemas internos de nosso país. Espalhado por milhões de computadores, essas considerações na realidade são destinadas aos privilegiados que pululam neste Brasil, movidos, tantas vezes, por estranhos propósitos. Tenta fazer-nos ver que vivemos numa maravilha absoluta. Para o cidadão comum, é só entrar em um supermercado, lojas em centros comerciais ou fora deles, assim como em restaurantes para verificar que a inflação teve características, por vezes, galopante.</p>
<p>Assim como parcela considerada da Nação, desiludo-me com o que se passa. Brasil, onde a corrupção endêmica consegue superar a cada ano a sua desfaçatez. As palavras “rubor nas faces”, tão utilizada em saudosos tempos, foi definitivamente banida dos dicionários decentes. Estamos à mercê de todos os impropérios. Nos três poderes houve aumentos salariais abusivos, que foram assinalados já no início do ano na Câmara Federal, de mais de 60%, e neste final de 2011, atingindo aos vergonhosos, acachapantes 200%, número este para determinada casta municipal. O que mais nos assusta é verificar a serenidade dos arautos dos poderes ao anunciarem esses achaques à população ordeira, honesta, que paga religiosamente seus impostos e que luta pela sobrevivência digna. Sob outra égide piorou muito a avaliação que o cidadão comum faz da Justiça em relação ao quadro que apresentei em blog bem anterior (<em>A Justiça &#8211; Interpretação de uma Charge. </em>24/10/09). Morosa, nossa Justiça abre as janelas à impunidade, chaga que está a destruir a identidade do país.</p>
<p>Segurança, Educação e Saúde. A primeira praticamente não existe. Nas cidades maiores temos de nos esconder à noite e as grades em portas e janelas testemunham realidades. No país, o último dado de meses atrás dava 137 assassinatos por dia. Somos os campeões mundiais nesse quesito. Já perdemos a conta das caixas eletrônicas estouradas neste ano; dos ataques às pessoas, tantos deles fatais, da presença de falsários, estelionatários e traficantes presos e soltos através do <em>habeas corpus</em>, a verdadeira salvaguarda para que meliantes persistam no crime. Quantos foram os que morreram nos corredores da tragédia em hospitais e pronto-socorros públicos? E a Educação sucateada? A gurizada progride automaticamente, sem nenhum preparo. Mestres surrados em salas de aula por gangues de alunos. A droga a invadir, presentemente, até a infância.  Tristes realidades. A todos esses fatos o cidadão comum assiste nos canais abertos a porcentagem esmagadora das notícias destinadas ao mal, ao erro, ao desvio de conduta, à negligência das autoridades e, como “pérolas” diárias, ao latrocínio, ao sequestro, ao estupro, aos motoristas embriagados ceifando vidas mas soltos logo a seguir para responderem em liberdade após pagamento de fiança, e&#8230; à morte como elemento essencial. Será que apenas essas notícias interessam aos patrocinadores? Por acaso apresentadores sensatos podem interferir e impedir que essa lama continue a jorrar diariamente pelas telas? Para atenuar as mentes já massacradas dos teleespectadores, pequenas pílulas representadas por algumas notícias animadoras.</p>
<p>E o futebol? Dezenas de milhões de brasileiros adoram o esporte e têm lá seus times de preferência. A última decisão do Mundial de Clubes mostrou a nossa verdade. Nada mais temos para encantar dentro das quatro linhas de um campo de futebol. Já sabíamos do fosso abissal a separar a superioridade dos times europeus se comparados àqueles da América Latina. A evidência é transparente. Viu-se um milagre quando anos atrás o São Paulo foi massacrado pelo Liverpool, mas ganhou de 1 x 0, mercê da maior atuação da carreira de Rogério Ceni naqueles mundiais que não espelhavam realidades, pois decididos em um jogo apenas. O recente Barcelona e Santos não permitiu equívocos. Poderá porventura acontecer uma surpresa que não refletirá nada, é certo, entre os vencedores da sofrida <em>Libertadores da América </em>e a poderosa <em>Champions League</em>, mas a cada ano se torna mais difícil. O retrato de nosso futebol lá estava estampado em Yokoyama, sem subterfúgios. Em post bem anterior, que suscitou críticas por parte de fanáticos torcedores de times paulistas, apontava algo transparente. Escrevia àquela altura, em 2007, que tudo não passava de proporção. Os denominados “grandes” times brasileiros buscam seus reforços nos outros da série B, ou revelações que despontam em equipes menores, e que os grandes times europeus encontravam seu manancial de jogadores em vários países do mundo, mormente nos “grandes esquadrões” brasileiros ou argentinos. Apesar de títulos conquistados, nenhuma equipe brasileira conseguiria alguma coisa se atuasse um campeonato inteiro na Espanha, Itália, Inglaterra ou Alemanha. Acredito firmemente que as denominadas melhores equipes brasileiras estão, hoje, ao nível dos times da segunda divisão dos países mencionados. Sob outro aspecto, valeria a pena refletir neste fim de ano sobre quatro tópicos essenciais que fazem sucumbir o futebol pátrio: não há equipe brasileira que mantenha um elenco durante mais de uma temporada, pois as transferências de jogadores são constantes, sobretudo para o Exterior, da Europa ao leste europeu, do Médio ao Extremo Oriente; centenas de jovens embarcam para realização de esperanças que nem sempre se apresentam risonhas; um técnico não subsiste às poucas derrotas sucessivas; não é da tradição brasileira uma equipe que mantém a posse de bola ser atacada por jogadores contrários; o número de passes errados é algo inacreditável, diria, incomensurável, em nosso futebol e em toda a América Latina. Como pode um jogador ganhar fortuna se não sabe o básico do básico, fazer a bola correr até os pés de um outro de seu time? Ninguém estuda esse fundamento? Barcelona x Santos não serviria ao menos para abrir os olhos dos dirigentes e técnicos de nosso futebol? Numa visão sobre seleções, a da Espanha - última campeã do mundo - é coesa e tem seus jogadores entrosados, saindo de dois grandes times. Serão esses virtuoses da bola que estarão no Brasil em 2014. E o Brasil? Em um ano, como preparação para a copa em nosso país, o técnico de plantão já testou dezenas e dezenas, tantos deles sob pressão de empresários e patrocinadores. Nada a fazer. A imprensa escrita, falada e televisiva, despreparada em tantos segmentos, não incensa <em>ad nauseam </em>jogadores que, culturalmente sem bases, não têm a força para permanecer intactos frente à varredura que fazem de suas vidas? A presença de infinidade de empresários, movida unicamente por interesse financeiro, não criaria expectativas de vida melhor para meninos que estão a despontar? É só verificarmos o torneio que está por vir, a envolver uma infinidade de jovens na cidade de São Paulo. Quantidade de empresários com caderninhos a tudo anotar e pais que assinam qualquer contrato, imbuídos de quiméricas aspirações para seus filhos.</p>
<p>Finalmente, a São Silvestre. Devo participar pela quarta vez consecutiva. De maneira desrespeitosa e sem critérios sustentáveis - auscultei atletas profissionais  -, movidos por interesses econômicos e televisivos, os organizadores mudaram o percurso. Trata-se de uma irresponsabilidade. A descida, que se iniciava suave e homogênea pela Av. da Consolação, tranferiram-na para a Rua Major Natanael, a ladear o Cemitério do Araçá, passando pelo Estádio do Pacaembu, a continuar descendente pela Rua Itápolis para finalizar na Praça Charles Muller. Descida abrupta, um quilômetro após a largada, pasmem os leitores, que lesionará as articulações dos joelhos de incontáveis corredores inadvertidos e que  poderá também atingir a região do baço, órgão situado à esquerda da região abdominal, ao nível da nona costela. Uma descida desse teor e o baço sente a situação. Sem contar prováveis quedas devido ao declive acentuado. E que dizer do final da prova no Ibirapuera? A São Silvestre é festa para os atletas amadores, que durante o ano se confraternizaram nas dezenas de corridas espalhadas pela cidade. A Yescom, promotora do evento, impinge a esses atletas da alegria, após a árdua subida da Brigadeiro Luís Antônio, quando a musculatura e as articulações chegaram ao limite para corredores não profissionais, a descida igualmente abrupta no sentido do Ibirapuera. Dirigentes que mereceriam admoestação do Poder Público, que inexiste nessas situações em que interesses estranhos estão em jogo. Narrarei no próximo post a aventura. Espero, aos 73 anos, concluir condignamente a prova, só a correr, no meu ritmo, é certo.</p>
<p>Fim de mais um ano. Esse povo ordeiro, trabalhador, honesto continuará. Graças a ele podemos ainda acreditar. Sua índole é boa. Sofrendo toda espécie de pressão e até descaso, tem-se no povo a chama que impulsiona a Nação. Quanta verdade no texto do grande escritor português Almeida Garret (1799-1854) em <em>Viagens na Minha Terra</em>: &#8220; Assim, o povo, que tem sempre melhor gosto e mais puro do que essa escuma decorada que anda ao de cima das populações, e que se chama a si mesma por excelência a Sociedade&#8230;&#8221;. Ele é maioria, mas infelizmente torna-se presa fácil dos políticos mal intencionados que, com promessas vazias, obtêm seus votos. Deixa-se manipular por movimentos sindicais de toda ordem que imperam no campo e nas cidades. Frei Beto, em artigo admirável publicado em Novembro último em um de nossos jornais, escreve sobre a corrupção em todas suas variantes. Ao final, um pequeno deslize. Acredita ainda que a consciência do cidadão poderia levá-lo, nas próximas eleições, à escolha dos melhores nomes. Creio ser uma utopia. Se parte da corrupção tem destino voltado aos votos, impossível o vislumbre de uma democracia decente. Mas vamos lá. Povo trabalhador que na escrita de Garret tem prazeres simples. Somemos - como exemplos fulcrais - a família consciente, amorosa  estruturada na retidão de propósitos; a Arte quando não a serviço dos poderosos ou das vaidades pessoais. Se avanços há que considerarmos neste nosso Brasil, nascem eles de mentes sãs da grande maioria da população, muitas delas de raro brilhantismo. Mas como dizia meu saudoso pai: &#8220;basta uma gota apenas de ácido para estragar o tonel do melhor vinho&#8221;.</p>
<p>Estava a finalizar o post, quando recebo, via e-mail, de meu querido amigo Luca Vitali que tantas ilustrações criou para os textos, um sugestivo desenho de fim de ano. Luca, o artista da esperança. Como não me associar ao seu entusiasmo? Submeto-me sempre ao ato artístico criativo.</p>
<p>A todos os fiéis leitores e tantos amigos, os meus melhores votos para 2012. Que ao menos, o bem mais precioso, a saúde, acompanhe-nos durante o ano inteiro.</p>
<p><em>Christmas season and the reflections it gives rise to: corruption in Brazil, with politicians using the machine of the state for their own benefit; non justified optimism on the rise, despite violence, education and health poor quality, infrastructure deficiencies and tax burdens; the decline of Brazilian football in comparison with the European one; the new route of the St. Sylvester Road Race held every 31 December in São Paulo and the difficulties competitors like me will have to cope with.</em></p>
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		<item>
		<title>&#8220;Crônicas de História, Cultura e Cidadania&#8221;</title>
		<link>http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2011/12/23/cronicas-de-historia-cultura-e-cidadania/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Dec 2011 01:40:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[João Gouveia Monteiro Não nego que os nossos jovens não leiam mais. Por exemplo, é seguro que lêem muito mais periódicos. E também lêem muito mais em suporte informático. O que eu digo é que eles, em média, lêem pior, que há uma infantilização da leitura. E a prova é que a sua capacidade de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>João Gouveia Monteiro</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/263.GouveiaMonteiro-big.jpg" target="_blank"><img title="Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/263.GouveiaMonteiro-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><em>Não nego que os nossos jovens não leiam mais. </em><br />
<em>Por exemplo, é seguro que lêem muito mais periódicos. </em><br />
<em>E também lêem muito mais em suporte informático. </em><br />
<em>O que eu digo é que eles, em média, lêem pior, </em><br />
<em>que há uma infantilização da leitura. </em><br />
<em>E a prova é que a sua capacidade de expressão por escrito </em><br />
<em> se está a degradar fortemente.</em><br />
<em>Pelo menos entre os jovens que frequentam a Faculdade de Letras, </em><br />
<em>disso não tenho a menor dúvida. </em><br />
<em>E se é assim em Letras&#8230;</em><br />
João Gouveia Monteiro</p>
<p>Ao longo da existência deste espaço tenho-me referido, não poucas vezes, à aptidão de quem escreve sobre determinada área. Mais me causa admiração quando um autor competente penetra no campo da síntese. Delicia-me verificar verdadeiras viagens ao miniaturismo de certos temas. Abordei recentemente o magnífico estudo de síntese de José Maria Pedrosa Cardoso ao traçar, com ímpar competência, uma <em>História Breve da Música Ocidental </em>(Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010). Faço-o novamente não sem razões. A leitura das Crônicas de João Gouveia Monteiro, Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde leciona sobretudo história europeia da Idade Média e história militar antiga e medieval, leva-me à certeza de que o espírito de síntese quando natural, sem empáfia, faz com que todos possam compreender conteúdos aparentemente intransponíveis para o leigo (<em>Crônicas de História, Cultura e Cidadania</em>, Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2011).</p>
<p>O notável medievalista aceitou escrever quinzenalmente, durante cerca de dois anos, pequenas crônicas para o “Diário de Coimbra”. Reunidas em livro, tem-se três categorias de textos, que se concentram nas <em>Viagens pela História</em>,<em> O Olhar da Cultura </em>e <em>Coimbra e Cidadania</em>. A dimensão de cada texto estaria a obedecer estritamente aos espaços do jornal, duas páginas ou pouco mais na formatação em livro. E é nessa permanência da mensagem a ser transmitida por inteiro que reside a magia de <em>Crônicas de História, Cultura e Cidadania</em>.</p>
<p>Percebe-se, nas três categorias de textos, a preocupação de João Gouveia Monteiro em não deixar dúvidas quanto às suas intenções. Quando na primeira parte, <em>Viagens pela História</em>, dá-nos em poucas palavras verdadeiras aulas, mormente do período medieval, e rememora em datas históricas feitos militares, tratados que marcaram, uniões matrimoniais movidas por nítidos interesses, fatos heroicos. Não apenas transparece a competência inequívoca do autor, como está-se diante da História real, sem tergiversações. Seria lógico supor que tais condensações, destinadas a um público leigo, pudessem conter uma visão exegética excessiva, o que daria ao texto a certeza da informação, mas o desestímulo ao leitor ávido por notícias do cotidiano. É exatamente nesse pormenor que reside a magia do texto de João Gouveia Monteiro. O autor dá a mão ao leitor, caminha com ele, brevemente, pelo fato histórico e interpreta-o como se estivesse presente aos atos que construíram o desenrolar desse pulsar, que sempre esteve a nos conduzir.</p>
<p>Abre a sequência dos episódios das narrativas, <em>Viagens pela História</em>, com crônica que não deixa dúvidas sobre o que vai ser desenrolado: “Varo: devolve as minhas legiões!”, e o acontecimento histórico evocado, traz-nos “ao vivo” Públio Quintílio Varo, legado provincial da Germânia e antigo governador da Síria, que foi protagonista de uma das maiores humilhações do exército de Roma, quando o Império perderia três legiões, delas constando aproximadamente 15.000 homens. Deu-se a batalha a noroeste da Alemanha, próximo da Holanda. Grande tragédia no século 9 da era cristã e que levaria o Imperador Augusto a dizer, enfurecido em pleno delírio: “Quintilo Varo, devolve as minhas legiões”.</p>
<p>De agradabilíssima leitura os textos sobre episódios passados em Portugal e alhures na Idade Média. Detém-se em Fernão Lopes com admiração, a evidenciar as qualidades desse que foi o grande cronista da nobreza portuguesa no século XV. Denomina-o, inclusive, “cronista do povo”. Essa participação descontraída diante da História se faz sentir em tantos títulos das crônicas: “Nós iremos a Jerusalém&#8230;”, história que se passa no Egito e na Tunísia no século XIII; “O Infante D. Henrique faz anos!”; “A India com que o Gama não contava!”; “A boda que deu em revolução”, referindo-se à celebração matrimonial de D. Beatriz (filha única de D. Fernando e D. Leonor Teles) com D. Juan (rei de Castela). Feitos pela Europa são revisitados pelo autor que, nessas pílulas literárias, transmite-os ao leitor, mormente quando efeméride está a aguçar a sua memória.</p>
<p>No segmento a abordar “O Olhar da Cultura”, torna-se evidente o fascínio de Gouveia Monteiro pelos livros. Cerca de metade dos textos os tem como fulcro central. Insiste no tema, assistindo com certo estupor à diminuição, entre os jovens, dessa frequência indispensável ao livro: “Ter o livro como um companheiro insubstituível e que não se troca por (quase) nada”. Teme pelo futuro, pois sente o resultado através da escrita pobre dos estudantes. Em “O lugar do estudo na vida universitária” apresenta um certo ceticismo quanto ao estado atual ao qual a docência está a ser conduzida “&#8230; os investigadores são agora massacrados com pequenas tarefas burocráticas (questionários, relatórios, reuniões, formulários, fichas, etc.) em que despendem um tempo precioso. O resultado destes dois factores é inevitável: estudam muito menos e a escola a que pertencem caminha a passos largos para se tornar uma espécie de liceu superior”.</p>
<p>Em “Coimbra e Cidadania”, terceiro segmento do livro, Gouveia Monteiro revela seu amor inquestionável pela cidade, a apontar sua destinação cultural, problemas existentes nos espaços públicos; história: “Pedro e Inês: frias memórias de Janeiro”, ao se referir ao trágico romance entre Inês de Castro e D.Pedro I em pleno século XIV, e à valoração que se faz necessária da figura de El-Rei, ainda não devidamente realizada.</p>
<p>Quando criei meu blog, fi-lo a pensar em fugir de meus textos acadêmicos em determinados momentos. Mas, acima de tudo, senti-me livre das por vezes enfadonhas notas de rodapé e das avaliações, nem sempre confiáveis, de colegas com as mais variadas intenções. Hoje aposentado, se frequento o texto acadêmico após aprofundamentos, faço-o liberto de entraves burocráticos. Folga-me verificar nessas crônicas do ilustre medievalista João Gouveia Monteiro, a liberdade que não apaga a competência. Deliciosa a incursão do autor no cinema “histórico”. Ei-lo a comentar “Robin Hood: a história por trás da lenda” de Ridley Scott, tendo Russell Crowe como ator principal, assim como “Bannockburn: uma batalha a lembrar Mel Gibson”. Essa aparente fuga da exegese apenas dimensiona o lado humano e polifacetado de Gouveia Monteiro.</p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/263.Magos-big.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Os três Reis Magos e suas oferendas. Benedito Lopes. Nazaré Paulista. Arte Popular, madeira, 1979. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/263.Magos-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Deixei para o fim  temas relacionados ao Natal, trazendo-nos o espírito de confraternização. Em duas crônicas a efeméride aflora. Na primeira, “O Natal de 800 e a magia da História”, a lembrar que no dia 25 de Dezembro de 800 Carlos Magno era aclamado: “Naquele dia santíssimo da Natividade do Senhor, quando o rei se ergueu depois de orar na missa em frente ao túmulo do bem-aventurado Pedro apóstolo, o papa Leão colocou-lhe uma coroa na cabeça e todo o povo dos Romanos o aclamou: Vida e Vitória para Carlos Augusto, coroado por Deus grande e pacífico Imperador dos Romanos”, conforme consta nos <em>Anais Laurissenses</em>. Concretizava-se a aliança entre a Igreja Católica e a mais forte potência do Ocidente europeu. Em uma segunda, “Os Reis Magos e o incenso dos pagãos”, o autor se pormenoriza nas oferendas dos Três Reis Magos &#8211; Baltazar, Melchior e Gaspar &#8211; e na simbologia pagã dos presentes ofertados: ouro, mirra e incenso, explicando-as. João Gouveia Monteiro escreve: &#8220;Quanto às oferendas, se o ouro se compreende bem, por ser riqueza própria de um rei, já a exótica mirra (usada nos embalsamamentos) e, sobretudo, o incenso (uma resina que produz fumos odoríferos, provenientes de árvores da África e da Arábia), são mais intrigantes. É certo que o uso do incenso está bem atestado entre os Egípcios, os Fenícios, os Persas, os Hebreus, os Romanos e os Árabes, tendo a sua queima alastrado à China. O curioso é que só no séc. IV d.C. o incenso parece ter entrado nos hábitos dos cristãos. Até lá, ele era utilizado pelos &#8216;pagãos&#8217; romanos, os &#8216;sacrificados&#8217; e &#8216;incensados&#8217; que, perseguidos, renunciavam a ser cristãos queimando incenso em honra dos imperadores e dos deuses do panteão romano&#8221;!</p>
<p><em>Crônicas de História, Cultura e Cidadania </em>é obra a ser lida. Trará imenso prazer a quem tiver o exemplar, que pode ser adquirido diretamente de Coimbra: <a href="http://livrariadaimprensa.com/" target="_blank">http://livrariadaimprensa.com</a> .</p>
<p>Desejo a todos os meus generosos leitores um Natal pleno de alegria interior. Para os cristãos, que o significado da data penetre nos corações e nas mentes. Para os não cristãos, que a paz seja duradoura.</p>
<p><em>The post of this week is an appreciation of the book “Crónicas de História Cultura e Cidadania” (Chronicles of History, Culture and Citizenship), written by João Gouveia Monteiro, a medievalist who teaches Middle Age History and Ancient Military History at the University of Coimbra.</em></p>
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		<title>Ecos de &#8220;Impressões sobre a Música Portuguesa&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Dec 2011 01:45:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JEM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Impressões de Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Apresentação do Dr. César Nogueira Crê com todo o teu ser; só assim terás atingido o máximo da dúvida. Agostinho da Silva A apresentação de meu livro “Impressões sobre a Música Portuguesa” deu-se em Coimbra aos 3 de Novembro último. Entre os ilustres professores doutores que se pronunciaram a respeito durante a cerimônia de lançamento, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Apresentação do Dr. César Nogueira</strong></p>
<p><a href="http://www.joseeduardomartins.com/262.Autógrafo-big.jpg" target="_blank"><img title="Noite de Autógrafos. Compositores João Francisco Nascimento e Eurico Carrapatoso. Clique para ampliar." src="http://www.joseeduardomartins.com/262.Autógrafo-small.jpg" alt="" /></a></p>
<p><em>Crê com todo o teu ser; </em><br />
<em>só assim terás atingido o máximo da dúvida.</em><br />
Agostinho da Silva</p>
<p>A apresentação de meu livro “Impressões sobre a Música Portuguesa” deu-se em Coimbra aos 3 de Novembro último. Entre os ilustres professores doutores que se pronunciaram a respeito durante a cerimônia de lançamento, César Nogueira, musicólogo e regente coral em Coimbra, leu seu texto e acaba de envià-lo via internet.  À gentileza do gesto do pesquisador, soma-se a sua anuência, a meu pedido, para que inserisse a arguta apresentação em meu blog. Publico-a pois,  pelo fato, <em>in adendo</em>, de que durante vários meses, mercê da indicação dos competentes Professores Doutores João Gouveia Monteiro e José Maria Pedrosa Cardoso, o Dr. César Nogueira esteve à testa das revisões de um livro que tem cerca de 60 exemplos musicais, mormente em dois artigos analíticos. Se o prefácio do notável musicólogo e Professor Catedrático Mário Vieira de Carvalho sobrevoa a engajada literatura contida, analisando-a impecavelmente sob a égide de uma realidade que existe,<em> hélas</em>, nas culturas luso-brasileiras, o Dr. César Nogueira penetra em campo hermenêutico mais pragmático e pormenoriza determinados textos. É com prazer, pois, que partilho com meus leitores o texto de apresentação do competente  músico.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Dr. César Nogueira." src="http://www.joseeduardomartins.com/262.cesar-small.jpg" alt="" width="320" height="236" /></p>
<p>“Começo por agradecer à IMPRENSA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA, pela oportunidade e a honra que me concedem de, aqui, hoje, participar na apresentação de IMPRESSÕES SOBRE A MÚSICA PORTUGUESA, Panorama, Criação, Interpretação, Esperanças.</p>
<p>Permita-me o autor, Sr. Professor José Eduardo Martins, pianista e musicólogo, iniciar a minha exposição, com uma primeira impressão, que ficou da leitura atenta do seu livro. Assim, não na forma, mas na substância, a obra parece-me claramente organizada segundo duas posturas distintas assumidas pelo autor. Numa, o Senhor Professor fala de si, como homem que também é músico. Na outra, respeita a atitude do músico que também é homem. Não se trata de enquadrar os textos destas duas classes distintas em partes físicas diferentes na organização textual já que estas duas posturas manifestam-se, entrecruzadas, em toda sua a narrativa. Na primeira, José Eduardo Martins deixa transparecer os traços fundamentais das raízes familiares, da formação e as linhas de conduta da sua personalidade no convívio com as múltiplas individualidades que se foram cruzando consigo. Apresenta-nos, aí, passagens plenas de afecto e de sensibilidade que vão construindo, no leitor, uma espécie de lastro onde se instala a ideia da vontade de conhecer, também, este brasileiro tão aportuguesado ou, vice-versa, este português – com a sua licença – tão abrasileirado. Dos testemunhos de José Eduardo Martins, fica-nos a ideia que, este homem, conheceu todo o meio musical português dos últimos 50 anos. Júlia d’Almendra, João de Freitas Branco, Sequeira Costa, Tânia Achot, Ivo Cruz (pai e filho), Lopes-Graça, Jorge Peixinho, Vieira Nery, Mário Vieira de Carvalho e Pedrosa Cardoso são alguns dos nomes que perpassam nos seus escritos, detendo-se mais nuns do que noutros, evidentemente. Destaco, neste registo – diria eu – assumidamente intimista, o texto: ‘A transparência através das cartas’, onde se evidencia a amizade, ‘em Debussy’, com a pedagoga e ‘debussysta’, Júlia d’Almendra.</p>
<p>De todo modo, em qualquer das duas posturas, é tanto o respeito e, mesmo, o amor pela música portuguesa e pelos seus cultores locais, que, em José Eduardo Martins, de facto, cumpre-se – não só neste seu livro mas, especialmente, na sua vida – um pouco da, sempre adiada, aliança cultural permanente entre Portugal e o Brasil. É bem sabido que todos temos desaproveitado, sistematicamente, esse património intangível mas muito real, que radica na circunstância de dois povos partilharem uma mesma língua, e tudo o mais, de comum, que esta condição comporta. José Eduardo Martins e a sua vida são a excepção a esta regra determinista e implacável que teima em separar o que é junto por nascimento e natureza. A este desígnio refere-se Mário Vieira de Carvalho, no prefácio a ‘Impressões Sobre a Música Portuguesa’, quando afirma, cito: ‘É neste contexto que a singularidade de José Eduardo Martins se agiganta. Ao longo de mais de cinquenta anos, não se limitou a manter e expandir contactos, a promover intercâmbios, como já o tinham feito Lopes-Graça e Jorge Peixinho ou, por exemplo, Gilberto Mendes. Foi muito mais além. Dedicou-se de uma forma continuada à investigação da música portuguesa’. E mais adiante, acrescenta, relativamente à postura de alguns intérpretes portugueses, mais alheios à produção composicional nacional: ‘Poucos ousam escapar ao <em>cânone</em> hegemónico nas salas de concerto ou na produção fonográfica: como se o intérprete precisasse do prestígio do <em>cânone</em> para se sentir ele próprio prestigiado enquanto intérprete, e a música portuguesa fosse um sacrifício, um ónus, que não valesse a pena’.</p>
<p>Ora, para José Eduardo Martins, a música portuguesa vale a pena e, é sobre a sua postura enquanto músico e sobre a maneira como esse músico intérprete se manifesta e reflecte sobre as suas opções estéticas e técnicas pianísticas que aqui me vou deter. E, posto este ponto prévio, que me ajuda a melhor encontrar o caminho desta intervenção, tomo a liberdade de destacar – pelo conteúdo eminentemente musicológico, na área da interpretação, da estética e da análise musical, diria eu, pura e dura – os textos sobre Carlos Seixas, Francisco de Lacerda e sobre Fernando Lopes Graça. Evidencio, ainda, um rico e bem fundamentado ensaio académico sobre interpretação: ‘Interpretação Musical frente à Tradição – Piano como Modelo’, embora, sobre ele, dada a escassez de tempo, não possa deter-me mais do que afirmar que é uma excelente peça de reflexão estética sobre a arte de interpretar reportório pianístico. Quando, atrás usei a expressão ‘pura e dura’, pretendi deixar claro que a linguagem usada, em alguns destes textos é marcadamente técnica, e a ela não terá fácil acesso o leitor menos informado nas coisas da música e, até, em concreto, se não existir alguma experiência e conhecimento básico no campo do que especificamente respeita às questões do que poderíamos chamar ‘pianismo’ ou, mais genericamente, como o próprio autor diz, ‘tecladismo’.</p>
<p>Assim, a título de exemplo, quando o autor alude à ‘técnica consagrada dos cinco dedos’ para, com isso, fazer valer a tese de que o piano herdou e desenvolveu aspectos técnicos e estilísticos do cravo – instrumento praticamente esquecido durante o século XIX – vale aqui lembrar que o uso do polegar foi uma conquista evolutiva da técnica do teclado e que, em 1716, em L’ART DE TOUCHER LE CLAVECIN, François Couperin defendia, ainda, o uso de se passar o 3º dedo por cima do 2º ou do 4º evitando, assim, utilizar o polegar! A generalização do uso do 1º dedo teria ainda de esperar. Em França, citando Patrick Montan, terá sido Jean-Philipe Rameau o primeiro a defender o uso deste dedo, tratando-o ainda, inicialmente, pelo seu nome anatómico e não pelo número ‘1’ com que mais tarde se rotulou. De igual modo, quando José Eduardo Martins compara Seixas com o Scarlatti, é preciso ter noções de leitura musical e perceber tipos distintos de textura. Diz o autor, e parece-me bem, que o discurso do compositor de Coimbra apresenta traços de uma certa irregularidade técnica e musical, sendo difícil, ao executante, antever, como em Scarlatti, o percurso do fraseado. Reside aí, também, parte do encanto e da qualidade do compositor – não é previsível, numa época em que, paradoxalmente, a previsibilidade era a componente estética do conforto mental. Digamos que Carlos Seixas ‘não vai’ para onde, naturalmente, as nossas mãos e dedos acham que ‘deveria ou poderia ir’. Ora, não é fácil fazer sentir isto a quem não conheça um teclado! Contudo, o modo como o discurso é organizado – simples e sem excessos estilísticos supérfluos – e porque as ideias são claras e, note-se, bem sustentadas pela experiência prática, o difícil revela-se fácil de explicar e de entender.</p>
<p>Mas José Eduardo Martins não se fica por estas observações meticulosas, naturalmente mais caras a pianistas e cravistas. Aventura-se, sem receios nem preconceitos, na defesa e fundamentação das teses que sustentam o uso de instrumentos modernos na performance da música antiga. E fá-lo com propriedade dando exemplos felizes da consagração desta ideia – grandes pianistas, de sempre, não tiveram pejo em ler Scarlatti, Rameau ou Bach e só um certo fundamentalismo conservador é que não vê, não só a ausência de desvantagens como os benefícios que esta prática pode conquistar. Sobre Seixas, José Eduardo Martins mostra-nos as suas primeiras impressões através do contacto com a pianista polaca Felicja Blumental cujas gravações dos cravistas portugueses impressionaram muito positivamente Santiago Kastner, primeiro estudioso do compositor conimbricense. Esse contacto precoce com o compositor barroco português parece ter representado uma marca indelével de tal modo forte que José Eduardo Martins jamais deixaria de tocar, gravar e a estudar Carlos Seixas e toda a envolvente que a interpretação pianística de um barroco convoca, como muito bem se evidencia em ‘As Sonatas para Teclado de Carlos Seixas Interpretadas ao Piano’.</p>
<p>Francisco de Lacerda – uma espécie de ‘Um Açoriano em Paris’ à portuguesa e, segundo Bettencourt da Câmara, o primeiro compositor impressionista português – em boa hora abandonou os estudos preparatórios de Medicina, no Porto, para estudar música e abraçar uma carreira de nível internacional, principalmente como regente de orquestra. José Eduardo Martins, nos capítulos: ‘Francisco de Lacerda – O Açorianismo Universal’ e ‘Claude Debussy e Francisco de Lacerda: correspondências sonoras’, enquadra as opções estéticas do compositor da Fajã da Fagueira no contexto dos ousados ventos de mudança da Paris de fins de oitocentos e princípios de novecentos. As abissais diferenças sociais e culturais entre S. Jorge e Paris podem comparar-se aos radicais antagonismos entre os ensinamentos conservadores da Schola Cantorum que frequentou na cidade das luzes e os atrevimentos radicais da estética do tempo protagonizadas por um Satie, um Debussy ou um Ravel. Imagine-se o choque para quem, nos dizeres de Bettencourt da Câmara ‘O murmúrio das vagas e o soprar da brisa fresca foram os seus primeiros mestres de música’! Mas esse choque foi muito bem resolvido por Lacerda. Do concerto de hoje ficámos, (ou) ficaremos, com essa mesma impressão! Sem dúvida marcado pela presença de Debussy, José Eduardo Martins lembra-nos, não só mas também, da opção de Lacerda pelo miniaturismo nas suas ‘Trente-six Histoires Pour amuser les enfants d’un artiste’, sem dúvida, uma das marcas de estilo do compositor francês. Particularmente no artigo dedicado à comparação entre Debussy e Lacerda, José Eduardo Martins desce ao pormenor músico-interpretativo mais recôndito só possível ao grande especialista que é, também, neste campo, como intérprete e como musicólogo.</p>
<p>Lopes-Graça aparece referenciado neste livro em nove capítulos. Cinco desses capítulos são dedicados especificamente ao compositor de Tomar e à sua obra. O autor mostra um conhecimento profundo da obra de Lopes-Graça e lança pistas, mais uma vez muito endereçadas a um público especialista, sobre critérios interpretativos na obra pianística, assim como descreve aspectos analíticos do maior interesse e oportunidade sobre o compositor e pianista, introdutor do modernismo em Portugal. Em ‘Alguns Aspectos do Idiomático Técnico Pianístico e da Escritura Composicional em Quatro Obras Essenciais de Fernando Lopes-Graça’, a profusão de citações musicais, com a colagem no texto de excertos de partituras da obra de Lopes-Graça, requer, por parte do leitor, mesmo daquele mais familiarizado com arte da música, grande concentração e empenho. Diria que é um texto não para se ler, mas para se estudar.</p>
<p>Não poderia terminar sem mencionar o artigo onde José Eduardo Martins evoca a publicação recente, também pela Imprensa da Universidade de Coimbra, de ‘História Breve da Música Ocidental’. Trata-se de fazer a justiça merecida à obra, de investigador, musicólogo e professor, de José Maria Pedrosa Cardoso que, no resumidíssimo volume, consegue traçar as linhas mestras da história da música ocidental, tarefa apenas possível a quem pode, pelo profundo conhecimento, separar o essencial do acessório sem cair, ainda assim, nas malhas do banal fácil e já mais do que suficientemente repetido até à exaustão. Mas a proposta literária de Pedrosa Cardoso não é, neste livro, a de um resumo condensado. A escolha dos títulos dos capítulos revela, por si só, estar-se, realmente, perante uma outra maneira de ver e de classificar os tempos da música no tempo e, desse modo, revela-se aqui uma nova história já que história não é só a verdade mas sim, e principalmente, a interpretação da verdade.</p>
<p>O livro de José Eduardo Martins não é só um livro. É um livro e um CD com 40 faixas de música interpretada pelo autor. Acaso não houvesse já razões de sobra para a justificação desta edição, só o facto de se acrescentar a possibilidade de ouvir a música sobre a qual se falou, representa uma originalidade valiosa pelos grandes benefícios que transporta.</p>
<p>Felicito, de novo, autor e editora pela obra lançada.</p>
<p>Obrigado.</p>
<p>César Nogueira”</p>
<p>Acabara de finalizar o post, quando recebo do ilustre Professor Henrique Manuel S. Pereira, da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa (Porto), o comentário sobre meu livro. Compartilho-o com o leitor, que poderá acessá-lo clicando no link:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://guerrajunqueiro.wordpress.com/2011/12/14/impressoes-sobre-a-musica-de-junqueiro/" target="_blank">http://guerrajunqueiro.wordpress.com/2011/12/14/impressoes-sobre-a-musica-de-junqueiro/</a></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span><em>This week’s post is a transcription of the introduction to my book on Portuguese music that was released by the Coimbra University Press last November. This introduction was written by Professor César Nogueira, musicologist and choral conductor in Coimbra.</em></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
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