Navegando Posts publicados em julho, 2011

 Quando a Mente Viaja no Sonho Quimérico

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa, que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim : mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.

 Vicente de Carvalho

Durante dez anos fui analisado pelo excepcional psicanalista Eduardo Etzel, que, entre tantos dons, tinha o da pesquisa. Seus estudos sobre a Arte Sacra Brasileira são os mais aprofundados realizados em nosso país e resultaram em livros referenciais. Foi meu Grande Mestre nesse caminho, que me levou, durante mais de 10 anos, à tentativa de desvelamento da criação da imaginária popular no Vale do Paraíba. Certo dia em que o cotidiano não era sorridente, Etzel  falou-me dos paraísos imaginários, aqueles em que nos refugiamos em momentos decisivos e que nos dão forças para continuar. Perguntou-me se os tinha.  Afirmei-lhe que Horta, nos Açores, Bragança Paulista, Gent e Lisboa faziam parte de um universo intocável.   Disse-me serenamente que nesses locais estariam os paraísos geográficos imaginários. E os próximos? Lembrei-me da leitura prolongada antes do sono reparador.  Sem contar, é certo, determinado espaço do lar que serve para solilóquios e reflexões. Lembro-me de ter visitado um amigo e ele me disse que nos, momentos de recolhimento, buscava sempre a mesma poltrona. Simples, certamente a velha companheira deveria ajudá-lo nesse relaxamento da mente.

Estava a conversar com Magnus sobre essas fugas mentais, que tendem a ocorrer quando as cenas que se nos apresentam nesse país dos conluios chegam a limites incontornáveis. O Poder corrompe e traz consigo, numa grande enxurrada, empresas privadas acólitas. Somos impactados diariamente pelas notícias de descalabros de toda a ordem. Nos momentos de solilóquio reflexivo podemos realizar essa diáspora circunstancial, e cada um encontra seu paraíso individual aqui ou alhures. Uma dileta amiga, após as notícias do cotidiano, “viaja”  momentaneamente para outros mundos e vislumbra nesse universo um paraíso impensável em nosso planeta. Retorna logo a seguir, mas sempre disposta a novos mergulhos, pois seu ceticismo é atávico.

Estou a me lembrar de diálogo enriquecedor que mantive com Boris Chapovalov, notável pintor russo de São Petersburgo, que visitava todos os anos a Bélgica Flamenga para expor suas pinturas na Galerij La Perseveranza, anexa à Rode Pomp, em Gent. Boris a cada ano pintava o painel da sala de recitais da Rode Pomp. Subia as escadas, fixava o painel do ano, alegórico, imaginativo, riquíssimo em cores fortes e jamais havia semelhança com a grandiosa pintura precedente. Numa noite gélida, com neve bem espessa, saímos e fomos a uma das praças beber a célebre triplet, cerveja cujo teor alcoólico beira os 15º. Lá pelas tantas nossos decibéis sonoros, pictóricos e discursivos estavam bem atuantes e plenos de entusiasmo. Na véspera oferecera-me duas pequenas pinturas sobre cartão, que representavam casas isoladas. Conversamos sobre paraísos imaginários e a possibilidade do irreal despontar nos grandes painéis alegóricos da sala de recitais. Perguntei-lhe se aquelas pinturas sintetizavam seu paraíso interior, refúgio desse mundo e, paradoxalmente, a manifestação de seu de profundis. Boris, com sua vasta cabeleira e barba desalinhadas, sorriu, a dizer que as alegorias surgiam surpreendentemente no ato da criação à maneira de um vulcão. Apenas externava essa manifestação forte e intuitiva que lhe vinha à mente, sem censurá-la, tampouco discipliná-la. Disse-me que as ideias pré-pinturas poderiam, sim, fazer parte de um refúgio imaginário. Sorria, a dizer que gostou das palavras. Contudo, silenciou durante um bom tempo. Entre um gole e outro da Trapist, observou com tranquilidade. “Não, o meu paraíso imaginário está naquelas pinturas que eu te ofereci”. Duas casas simples perdidas na imensidão das estepes russas. Continuamos nossa conversa até o fechamento do bar, lá pela meia-noite. Como adora a música de Alexander Scriabine, perguntou-me se o compositor tinha seu paraíso, mormente nos anos finais, quando música e textos dispersos místico-filosóficos invadiram paulatinamente o seu pensar. Sim, Scriabine o teve e aquele Cosmos imaginário – talvez outro bem diferente daquele de minha amiga cética – apontava para a paz interior e a reunião de todas as Artes em uma comunhão plena. Sorriu novamente e afirmou com discreta ironia: “Meus painéis são parte de um Cosmos que não me abandona. É possível que eu tenha dois paraísos”. Saímos do restaurante-bar, caminhamos para nossos destinos, cada um a refletir ou a sonhar com o paraíso que aflora quando o invocamos.

On mental escapes to imaginary paradises when one feels depressed and cannot find the key out.

 

Mais Lembranças após Estímulo

O que interessa na vida não é prever os perigos das viagens;
é tê-las feito.
Agostinho da Silva

Escreveram-me. Estimularam-me à narração de experiências em ferrovias européias. Não saberia quantificar as vezes em que me utilizei de comboios, meio tão eficaz, rápido, economicamente bem mais viável do que o rodoviário e sobretudo não ceifador de vidas, que se contam às dezenas de milhares anualmente em nosso país de rodovias precárias .

Estou a me lembrar das antigas ferrovias que ligavam Paris à Itália e Portugal. Nas fronteiras dos anos 50-60 eram lentas, mas eficazes. De Paris a Lisboa demorava-se 36 horas (vide Tribulações nas Fronteiras – Quando Ouvir e Parar Fazem a Diferença, 05/01/08), porém as ferrovias bem conservadas e os trens, sem o conforto de hoje, transmitiam segurança ao usuário. Raríssimos os acidentes. Da capital francesa a Roma, igualmente as mesmas condições, somando-se às paisagens magníficas nas regiões montanhosas entre os dois países. Quando estive em Nápoles para concurso de piano, o comboio saiu de Roma e era bem vagaroso. Lembro-me de que, na classe em que viajava, até caprinos e galináceos entraram. Mas tudo fazia parte do espetáculo. Todavia, todos esses deslocamentos já se prefiguravam muitíssimo acima da realidade brasileira hoje.

A partir dos anos 80 foram muitas as viagens por ferrovias pela Inglaterra, Alemanha, Bélgica, França e Portugal. Majoritariamente pontuais, trens bem mais modernos e o desenvolvimento dos chamados rápidos. Apesar dos comboios que ligam atualmente Lisboa a Braga (Alpha) em pouquíssimas horas, gostava muito do chamado Foguete, que percorria Lisboa-Porto em três horas, confortável e a manter estilo interior bem tradicional.  Aliás, Portugal, com seus 900km de extensão, é bem servido por trens de passageiros e aqueles que ajudam a transportar os mais variados materiais. Apesar da gravíssima crise que o país atravessa, a rede ferroviária continua a funcionar bem.

Em França o país é totalmente cortado pela malha ferroviária. Os chamados TGVs cruzam algumas regiões a mais de 200km/h, levando os usuários rapidamente a destinos antes atingidos por aeronaves, que têm como empecilhos o longo período de check-in e as condições meteorológicas nem sempre propícias. Várias foram as vezes em que me utilizei desses comboios rápidos através da Thalys, que liga a França à Inglaterra, Bélgica, Holanda… Tudo a funcionar perfeitamente. Para quem precisa ir a alguma cidade pequena, fora desses trajetos dos rápidos há aqueles intercidades, que param em todas as pequenas estações e nos oferecem a certeza de chegarmos bem. Esses trens lentos existem em toda a Europa. Fazem parte de um cotidiano que possibilita ao cidadão agendar todos os seus compromissos antecipadamente. Incontáveis vezes viajei nos intercidades, mormente na Bélgica e Portugal. Ensina o viajante não apenas a sentir o cotidiano de um povo, mas a vislumbrar a paisagem, a vida campesina e as moradias típicas de cada região.

Dessas viagens, uma em especial ficou registrada. Em 1995, após recitais na Bélgica flamenga, fui tocar no Trinity College da Universidade de Cambridge, na Inglaterra (26/11). De comboio viajei  até Lille, na França. Lá há duas estações ferroviárias, a Lille-Flandres e a Lilly-Europe. Ao chegar a Lilly-Flandres deixei minha bagagem maior no guarda volumes do terminal, atravessei uma ponte que liga as duas importantes estações e peguei  o rápido para Londres. No regresso, faria baldeação, a fim de pegar outro rápido a sair de Lilly-Europe em direção a Paris. Eclodia naqueles dias uma greve nacional na França, que paralisou os serviços público e privado durante quase um mês (24/11 – 15/12). O trem parado, mas com mínima previsão de ser o último a partir para Paris e lá ficar estacionado. Atravessei a ponte, fui ao guarda volumes de Lilly-Flandres e lá me disseram que o depósito estava fechado devido à greve. Um sufoco. Após convencer um funcionário sobre compromisso inadiável em Paris, lentamente levou-me ao imenso guarda-volumes, pedindo-me para localizar a bagagem, pois, como era grevista, nada iria fazer. Após longos minutos consegui encontrá-la. A correr retornei a Lilly-Europe. Desolados, cerca de  trinta pessoas que necessitavam ir a Paris aguardavam alguma solução. Subi num gradil e em voz alta disse que tentaria uma solução junto aos taxistas, pois os ônibus também haviam aderido à greve. Concordaram. Desci ao estacionamento dos taxistas e os convenci a levarem os passageiros até a Gare du Nord em Paris. Na plataforma – estávamos no final do outono -, comuniquei a decisão e, quando todos se preparavam para descer as escadarias até o terminal dos taxistas, um funcionário da estação observou que o comboio poderia sair imediatamente, pois os grevistas, que estavam a obstruir um pequeno túnel onde o trem passaria, devido ao frio subiram a encosta para tomar algumas bebidas que os aquecessem, certamente com forte teor alcoólico. Todos nós jogamos as bagagens no interior dos vagões e o rápido começou a trilhar. Ao passarmos pelo tal túnel, vimos os grevistas descendo rapidamente as encostas, a fim de evitar a circulação do trem. Não conseguiram. Tudo instantâneo, verdadeiramente no sufoco, mas chegamos incólumes à Gare du Nord.

Apenas como lembrança. Em 1989, seis meses antes da queda do muro de Berlim, dei três recitais em Potsdam e em Berlim, na então Alemanha Oriental.  O bilhete ferroviário que recebi para o trajeto Paris-Berlim foi no comboio que seguiria após para Moscou, com partida na Gare du Nord.  Absolutamente apinhado. Lotadíssimo mesmo. Minha passagem era para a primeira classe e fui o único passageiro do vagão, numa viagem que se estendeu do final de uma tarde primaveril à manhã seguinte, quando o trem chegou à célebre Alexanderplatz, em Berlim.

Nesta semana, uma reportagem especial televisiva mostrou que na Suíça – menor do que a ilha de Marajó – há 5.000km de ferrovias, e os comboios impecáveis não atrasam sequer dez segundos. Se de um lado a malha ferroviária européia bem parece uma teia de aranha, fica a vergonha absoluta de nossa inexistente atitude frente às ferrovias. O Estado terá um dia a eficácia de um aracnídeo na elaboração de nossa rede ferroviária? Até quando ficaremos à mercê do transporte rodoviário dispendioso e trágico? Quando as mentes dos governantes se abrirão para as vantagens do transporte ferroviário  e, em regiões específicas, o hidroviário? Que estranhíssima sedução impede autoridades de olharem o óbvio, sendo pois subjetivamente cúmplices na mortandade anual nas rodovias mal conservadas desse pobre Brasil à deriva?   

Tornou-se evidente, através de tantos depoimentos incisivos de brasileiros esclarecidos, que algo muito secreto, a levar o cidadão comum a desconfiar de conluios excusos, esteve a se processar nos últimos governos. Ficaria sempre a pergunta a respeito do porquê terem desprezado a única possibilidade real de transporte limpo e seguro em detrimento da quantidade de fábricas que hoje produzem camionetas, caminhões, carretas e outros  veículos pesados. Poluição absurda, filas intermináveis quando de cheias e desmoronamentos de parte de estradas ou de precárias pontes, acidentes diários, friso, diários nas grandes cidades provocados pelos grandes veículos. Os tentáculos da indústria automotiva são poderosos. Nossos governos, atentos a vozes difíceis de serem traduzidas para o cidadão comum, cedem à pressão dos lobbies e nossas ferrovias não são vistas como prioritárias. Tampouco a conservação de nossas rodovias. Grande e rico país tão pobre em homens públicos!

Going on with the subject of my previous post, I recollect now some of my railway adventures in Europe and confirm my view that trains are a great way to move around: they run on time, pick you up and drop you off in major cities or small villages, allow you to meet more of the natives of the places you visit and are a much better alternative to road transportation if we consider traffic congestions, accidents and pollution output.

São Paulo – Campinas – Barrinha – Ribeirão Preto 

Não há a menor dúvida.
Precisamos recuperar a precária malha ferroviária.
E com urgência.
Mas não podemos continuar sem metas no campo ferroviário.
Não podemos assistir passivamente
ao encolhimento da já ínfima rede ferroviária do país.
Antônio Ermírio de Moraes  (2005)

Recomecei os treinamentos. Por três vezes, após um mês inativo motivado pela cirurgia da mão. Findava meus 8km quando encontro meus amigos aposentados, sempre sentados no mesmo lugar, próximo à esquina. Durante aqueles minutos de alongamento a conversa fluiu com descontração. Não faltaram palavras relativas ao Ministério dos Transportes e à legião de figuras que dele se aproveitaram. Falamos de rodovias e ferrovias, muitas daquelas no completo abandono, estas sem perspectivas de desenvolvimento. A corrupção estruturada de mãos dadas com a impunidade e o consequente descaso por nossas vias de transporte. Nada a fazer, a não ser que mentes sofram transformações. Sendo endemicamente doentias, realmente a solução tornar-se-ia um milagre.

De minha parte externei o que sempre pensei do Presidente Juscelino Kubitschek. Apostou em Brasília e na indústria automotiva. Quanto material não foi transportado por via aérea, a preço absurdo, para a construção da capital em tempo preciso? A vaidade como doença.  Estiolava-se de vez, hélas, naquele governo, a chama deixada por Irineu Evangelista de Souza – o Visconde de Mauá. Só de pensar que no ano de 1854 o Visconde esteve totalmente à testa de nossa primeira ferrovia, lá deixando seus recursos pessoais, numa estrada com cerca de 18km. Juscelino praticamente nada fez a favor do projeto ferroviário, em detrimento de transporte infinitamente mais dispendioso. Tantos interesses estranhos!  Prosperou no período a indústria de caminhões e de automóveis a enterrar o sonho do Visconde. Todo o mal estava feito. O lucro como missão.  Caminhões novos, velhos ou carcomidos e mais carretas obliteram nossas estradas e vias nas cidades, mercê de acidentes diários. Dezenas de milhares anualmente entre mortos e feridos. Haveria esse contingente existisse uma malha ferroviária adequada? Impossível. A ganância a não se preocupar com sonhos e esperanças ceifados nas vias e estradas. Governantes posteriores minimamente se preocuparam com nossas ferrovias e os números comparativos com outros países apenas evidenciam a vergonhosa posição deste país continental. Temos cerca de 29 mil quilômetros de ferrovias. Os Estados Unidos mais de 220 mil, a França (15 vezes menor do que o Brasil)  36 mil, o Japão, territorialmente diminuto, 44 mil, a India, país bem menor do que o nosso e integrante do BRIC, mais de 60 mil…

O escandaloso caso do Ministério dos Transportes põe a nu a falência moral de legião de homens públicos, que não vem de agora. E as ferrovias que esperem o milagre, e as rodovias que almejem um dia reparos eficientes, a fim de que tantas mortes não ocorram. Outras vozes foram integrando o nosso grupo na esquina e nenhuma a discordar das conversas compartilhadas.

Nessa justa descontração e justíssimas observações, Ailton pergunta-me sobre comparações com as ferrovias européias. Externei que não há qualquer possibilidade de comparação, pois comparar-se o que existe de bem organizado e de qualidade da malha ferroviária com aquilo que é precariedade, desrespeito e insistência no descaso seria covardia.

Volto-me ao passado longínquo. Nos anos de 1955-56, meu ilustre professor de piano José Kliass foi convidado para lecionar em Conservatório de Ribeirão Preto, dirigido pela professora  Diva Tarlá. Transmitiu o convite ao jovem discípulo para substituí-lo. Tinha eu 18 anos. Durante um ano e meio, todos os meses ou mesmo quinzenalmente ia eu a Ribeirão Preto, realizando um tipo de viagem que não dá para ser esquecida. Morava na Vila Mariana, pegava o bonde ao cair da noite, e do centro da cidade caminhava até a estação ferroviária.  Primeiro trajeto: São Paulo – Campinas. Tínhamos poucos minutos para a baldeação. Uma correria. No comboio da Cia. Paulista reservava um leito na parte superior. Estreito, cama bem arrumada, mas com mínimo espaço. A porta de madeira corria por um trilho e lá ficava eu acomodado. Algumas horas depois chegava o trem a Barrinha, pequena cidade distante 30km de Ribeirão Preto. Um ônibus aberto, espécie de jardineira, levava-nos pela estrada empoeirada até Ribeirão Preto. Em duas ou três oportunidades ele falhou e foi substituído por um verdadeiro pau de arara. Os passageiros, em pé, seguravam nas varas de madeira e em uns bons 50 minutos chegávamos à cidade. Lembro-me que certa vez apanhamos um terrível aguaceiro. Nada a fazer, a não ser viver aqueles momentos inusitados.

Ao chegar na cidade dirigia-me ao Conservatório, tomava minha ducha e meu café da manhã e já começava a dar aulas, que se prolongavam até por volta do anoitecer. Entre os que frequentavam o curso,  um que se destacava pelos reais méritos - tínhamos praticamente a mesma idade - estudaria a seguir durante dez anos na Europa, mormente na Hungria.  Antônio Bezzan se notabilizaria como um dos mais respeitados professores de São Paulo, atuando intensamente e com discípulos que se projetam no cenário pianístico.

Findo o “expediente”, comia um lanche rápido e fazia exatamente, no sentido inverso, a viagem em direção a São Paulo. Meu professor José Kliass e meu pai entendiam que essa atividade iria dar-me uma noção maior da vida, suas necessidades, fortalecimento do caráter. Foi uma válida experiência.

Durante esse período, a Professora Diva Tarlá convidou-me para um recital de piano no Conservatório. Enviou-me passagem aérea, um luxo naquela época. Ao chegar à cidade seu pai acabara de falecer. Retornei no dia seguinte à minha urbe. Quinze dias após voltei para o recital, que enfim se concretizou. Lembro-me do DC 3 da VASP e da bela aeromoça de olhos verdes que, nos quatro trajetos, esteve a atender os passageiros. Namoro decorrente duraria poucos meses.

Ao ler o post a Luca Vitali, disse-lhe que, se um ET chegasse no Brasil e visse as estradas do país, excetuando-se as de São Paulo, e a precariedade ferroviária, fugiria como um rojão do território. Achou graça e fez um desenho atento. E de pensar que governantes e iniciativa privada estão a pensar em Copa do Mundo e Olimpíadas! Veremos.

A reflection upon the serious  problems affecting our transportation infrastructure, in particular the railroad network, brought back memories of my youth, when I used to take a train to give piano classes in Ribeirão Preto, a city distant some 300 km from São Paulo, an adventure not to be forgotten.