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Chopin (1810-1849) e Liszt (1811-1886)

As ondas do espírito não são como as do mar; não lhes foi dito:
«Ireis até aqui e não mais além»; muito pelo contrário,
o espírito sopra onde quer,
e a arte deste século tem tanto a dizer como a dos séculos anteriores,
e dirá infalivelmente.
Franz Liszt
(Carta à Agnés X…)

O Sétimo Encontro privilegiou criações de Fréderic Chopin (1810-1849) e Franz Liszt (1811-1886), dois dos mais representativos compositores do vasto período romântico, que teria início nos primórdios do século XIX, estendendo-se ao alvorecer do século XX. Não obstante, fixar os limites temporais da criação musical é polêmico, pois axiomas básicos românticos, a sensibilidade e a imaginação, já podem ser observados nos períodos barroco e clássico, assim como efetivados na plena vigência romântica, prolongando-se no século XX, caso específico de Sergei Rachmaninov (1873-1943), que chegaria às fronteiras da segunda metade do século XX.

Sonatas de Beethoven (1770-2-1827), as Sonatas, Improvisos ou os numerosos lieders de Franz Schubert (1797-1828) já estão imbuídos do espírito romântico.

Chopin e Liszt pertencem à geração de Félix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847), Robert Schumann (1810-1856) e Richard Wagner (1813-1883). Viveram intensamente os princípios fundamentais do movimento romântico, mantendo-se, todavia, individualizados em suas linguagens musicais. Contudo, Schumann (vide blogs “Terceiro Encontro privé” I e II, 1 e 8/06/2024), Chopin e Liszt fixaram definitivamente as relações da música com os princípios básicos do romantismo mencionados acima. A relação entre os dois últimos foi amistosa, comungaram os preceitos vigentes, Chopin seguindo mais a tradição e se dedicando preferencialmente à criação de obras para piano, incursionando poucas vezes em outras formas e gêneros musicais; Liszt compondo igualmente uma obra numerosa para piano, entre as quais inúmeras transcrições. Sua produção é expressiva também no âmbito da música coral sacra e sinfônica.

A história evidencia a presença marcante de Chopin, sendo o compositor mais visitado pelos pianistas de níveis diversos, máxime no correr pleno do século XX. Raro o pianista que não tenha percorrido algumas criações do vasto catálogo: Estudos, Valsas, Mazurcas, Baladas, Scherzos, Noturnos e Sonatas de Chopin. Sob outra égide, ele é um dos mais complexos compositores quanto à obediência a critérios por ele propostos, entre os quais o respeito às indicações contidas na partitura, sem que a imaginação e a sensibilidade sejam ofuscadas. Regina escolheu dois Noturnos e duas Mazurkas dos álbuns contendo essas encantadoras peças, assim como dois Estudos extraídos dos opus 10 e 25.

Clique para ouvir, de Fréderic Chopin, Nocturne op. 27 nº 1, na interpretação comovente de Menachen Pressler (1923-2023), nos estertores da existência:

https://www.youtube.com/watch?v=OpthR27_xSQ

Liszt, o mais importante pianista da sua geração, admirava imensamente o também pianista e compositor Chopin, falecido precocemente. A opera omnia para piano de Chopin é mais homogênea, possivelmente pela dedicação criativa basicamente voltada ao instrumento. A diversidade criativa de Liszt, compondo um vasto catálogo de peças originais para piano, mas igualmente quantidade de transcrições para piano solo de J.S.Bach, Schubert, Wagner, Schumann e, entre outras, as Nove Sinfonias de Beethoven, trabalho hercúleo em que buscou adaptar os timbres orquestrais aos recursos do piano.

As obras que escolhi têm origem e pertencem ao meu repertório desde a juventude. Nosso Pai teve uma imensa discoteca de LPs. Encantei-me com a interpretação das duas Légendes de Liszt pelo notável Wilhelm Kempff (1895-1991) e passei a estudá-las, sob a orientação do notável mestre russo, naturalizado brasileiro, José Kliass (1895-1970). Liszt as compôs em 1866, quando os apelos interiores voltados à religião católica já estavam sedimentados. Captou os momentos expressos na lenda São Francisco de Assis falando aos pássaros, os gorjeios dessas aves e as preces do Santo conclamando-os. Na lenda São Francisco de Paula caminhando sobre as ondas, conta-se que o Santo solicitou a um barqueiro que o transportasse, com dois outros frades, de Messina à Sicília e este negou-lhe, pois os três não tinham como pagar. Após orações, o Santo jogou seu manto no mar revolto e, tendo seu cajado como mastro e os mantos dos dois frades como velas, atravessaram o estreito. Ao chegar bem antes do barqueiro, este se ajoelhou e pediu-lhe perdão. Liszt transpõe para a partitura o trajeto, a fúria do mar e as preces do Santo nessa bela composição descritiva.

Clique para ouvir, de Franz Liszt, Duas Lendas: São Francisco de Assis falando aos pássaros e São Francisco de Paula caminhando sobre as ondas, na interpretação excelsa de Wilhelm Kempff:

https://www.youtube.com/watch?v=ffLa_s1fLyc

Quanto aos Funerais, igualmente estudei a composição na juventude, após ouvir a magnífica interpretação de Vladimir Horowitz. Composta em 1849, há duas versões como inspiração, a morte de Chopin ou uma insurreição na Hungria, seu país natal. Funerais pertence à série Harmonies poétiques et réligieuses, a partir da obra homônima do poeta francês Alphonse de Lamartine (1790-1869).

Clique para ouvir, de Franz Liszt, Funerais, na interpretação de Vladimir Horowitz (1903-1989).

https://www.youtube.com/watch?v=vRVM-0Gyo50

Quão mais conhecemos as criações de Chopin e Liszt, mais reconhecemos a grandeza de duas figuras maiúsculas na história da música e da humanidade. Quanto à epígrafe, extraída de uma carta de Franz Liszt, teria aplicação na atualidade?

The “Seventh Meeting” focused on two of the most representative composers for piano in the height of Romanticism: Fréderic Chopin and Franz Liszt. Regina and I have selected works that clearly demonstrate the precepts of the Romantic musical period.

Comovente homenagem a ele prestada

Deus é nosso último refúgio.
Que tudo façamos para poder contemplá-lo,
Pedindo-lhe misericórdia, mas com certeza de que lutamos.
Ives Gandra Martins

Aos 10 de Novembro, na Estação Motiva Cultural, no amplo espaço onde se encontra igualmente a Sala São Paulo, houve uma cerimônia singular com mais de 500 pessoas, na qual o advogado e professor Ives Gandra Martins, meu dileto irmão, foi homenageado efusivamente por figuras ilustres da nossa sociedade, entre eles governantes, advogados, representantes destacados da religião, da atividade empresarial, assim como numerosos amigos e admiradores. Várias entidades relevantes apoiaram a homenagem: Associação Comercial de São Paulo, Fecomercio-SP, FAC Faculdade da Associação Comercial, Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, Associação Paulista de Imprensa e o Deputado Estadual Lucas Bove. O neto do homenageado, Guilherme Gandra Martins Couto, foi o mestre de cerimônias, colaborando com a organização do evento juntamente com Wilson Victorio Rodrigues.

Testemunhos calorosos expuseram as muitas facetas de Ives Gandra Martins. Destacaria algumas das inúmeras abordagens: o Cardeal Dom Odilo Scherer se pronunciou sobre “Ives, Católico”; o Ex-Presidente Michel Temer a respeito do “Ives, Jurista”; o Governador do Estado, Tarcísio de Freitas, evidenciou o “Ives Humanista”; o Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, expôs as muitas qualidades do homenageado; Gilberto Kassab fez relato preciso de outras tantas qualidades de Ives Gandra; Ângela Gandra, Secretária Municipal de Assuntos Internacionais e filha do renomado jurista, relembrou episódios voltados à sua formação sob os olhares de seu pai em “Ives, Homem de Família”; o Maestro Júlio Medaglia encontrou na poesia uma das qualidades do “Ives, Poeta”; o jurista Luiz Flávio D’Urso traçou, com pormenores, “Ives, Advogado”; Julio Casares, Presidente do São Paulo, desenvolveu uma das paixões do “Ives, São-Paulino”; Wilson Victorio Rodrigues abordou “Ives, Amigo”. Outros depoimentos marcantes de personalidades enriqueceram a sessão, que sensibilizou os presentes com a justa homenagem ao Dr. Ives Gandra Martins. A cantora lírica Carmen Monarcha abrilhantou o evento com canções do seu repertório, acompanhada ao piano e pelo coral da FAC.

Ives e a sua saudosa Ruth viveram um casamento exemplar durante 62 anos, comungando os mesmos valores morais, religiosos e culturais, transmitindo-os aos seus seis filhos num ambiente de paz. De uma cultura enciclopédica, recebeu ao longo das décadas títulos e honrarias. Apesar da idade e das limitações físicas, continua a ser, através de seu exemplo cívico, um arauto que sabiamente propaga conceitos e conselhos pela imprensa, nas redes sociais e através de suas publicações. Democrata puro, autor de dezenas de livros, foi, juntamente com o notável jurista Celso Bastos (1938-2003), autor dos “Comentários à Constituição do Brasil” num hercúleo debruçar em 15 volumes. Magna Carta que, na última década, tem recebido algumas interpretações daqueles que deveriam apenas ser Guardiões da nossa Constituição.

Participei da homenagem executando uma obra para piano voltada à fé, essência essencial do meu irmão. Escolhi a segunda das Légendes de Franz Liszt (1811-1886), São Francisco de Paula (1416-) caminhando sobre as ondas”. Ter pensado nessa magnífica e sugestiva criação lisztiana propiciou-me evidenciar “Ives, Homem de Fé”, pois o que fez o Santo atravessar o estreito de Messina  com dois outros frades, em dia de mar revolto,  estendendo seu manto sobre o mar, com seu cajado como mastro e os outros dois mantos como velas, foi a fé intensa, sendo que a lenda atravessa os séculos.  Frequentando Missa diária desde outros tempos, Ives não apenas professa os ensinamentos contidos nos livros sacros, como transmite com serenidade os seus conhecimentos nas várias áreas do saber. Na Missa em homenagem aos 100 anos de nosso saudoso Pai, José da Silva Martins (1898-2000), Ives regeu um coral que apresentou a Aleluia de Haendel, mostra da dimensão do seu saber.

Ives Gandra Martins, último a se pronunciar, elencou momentos de uma trajetória singular. O evento ficará na mente daqueles que lá estiveram, cônscios de que o querido irmão ficará na história deste país como uma das suas mais importantes figuras jurídicas.

A fitting tribute was paid to the distinguished jurist Ives Gandra Martins. Brazilian authorities, distinguished colleagues from the legal and business worlds were present at Sala São Paulo, along with around five hundred admirers of the jurist. As his brother, I played a composition by Franz Liszt, the legend of Saint Francis of Paola walking on the waves.

 

 

 

Cahiers Debussy (nº31, 2007)

A mais pura melodia do coração de Debussy.
Gabriele d’Annunzio (1863-1938)
(referência à Chouchou)

A única carta então conhecida de Claude-Emma, carinhosamente nomeada Chouchou pelo pai, Claude Debussy (1862-1918), filha do casamento do compositor com Emma Bardac, foi destinada a Raoul Bardac, seu meio-irmão, filho do primeiro matrimônio de Emma, dias após a morte do compositor. Publicada no volume dedicado às cartas de Debussy e de figuras importantes das artes e da cultura ao notável músico, constitui reunião hercúlea do ilustre musicólogo e bibliotecário François Lesure (1923-2001) e figura maior no que concerne a Debussy na segunda metade do século XX. Com o falecimento de Lesure, os especialistas colaboradores, Denis Herlin e Georges Liébert, finalizaram a magnífica coletânea de missivas (“Correspondances” 1872-1918, Éditions Gallimard, 2005, 2.331 pgs).

Na carta a Raoul Bardac, impressiona a maturidade de Claude-Emma que, aos 12 anos de idade (30/10/1905 – 14/07/1919), revela os momentos finais do seu ilustre pai, dele se aproximando encorajada pelo compositor Roger Ducasse (1873-1954): “Imediatamente compreendi que era o fim. Logo que entrei no quarto, Papai dormia e respirava regularmente, mas de maneira abreviada. Dormiu até às 10 ¼ da noite e, docemente, angelicamente, dormiu para sempre. O que se passou após eu não posso lhe contar. Uma torrente de lágrimas queria escapar dos meus olhos, mas eu impedi imediatamente por causa de mamãe. O resto da noite, na grande cama de mamãe, não consegui dormir um minuto. Veio a febre e meus olhos secos interrogavam as paredes e eu não podia acreditar na realidade!!!..”. A extensa carta revela a previsão apontada pelo poeta e dramaturgo italiano Gabriele d’Annunzio (1863-1938), que captara tempos antes a precocidade de Chouchou, augurando-lhe futuro promissor.

De interesse alguns segmentos de uma carta de Debussy à Chouchou, quando de sua estada em S.Petersburgo para apresentação de suas obras: “Minha pequena querida Chouchou, teu pobre pai está em falta com você pelo fato de não ter respondido a sua tão gentil carta. Não me queira mal… É muito triste estar privado após tantos dias sem ver a bonita figura de Chouchou, de não mais ouvir suas canções, suas risadas efusivas, enfim, todo o barulho que faz de você criança insuportável algumas vezes, mas encantadora na maioria delas. O que será do Sr. Czerny, que tem tanto talento? Você sabe: aquela música de balé para pulgas?”.

Como vai o velho Xantô? (o cão de estimação). Está bonzinho? Continua sempre a destruir o jardim? Eu te autorizo a corrigi-lo… Não creio ser possível te esquecer um segundo sequer. Muito ao contrário, eu não penso senão no dia em que a verei novamente. Nessa espera, pense no carinho do seu pai que te envia mil beijos… Seja gentil com sua pobre mãezinha para que ela não fique triste”. (11/12/1913).

Se Children’s Corner (1909) foi dedicada a Chouchou, La Boîte à Joujoux (1913) o foi não nominalmente, mas estava presente no pensar de Debussy durante a criação do ballet pour enfants.

Foi em São Paulo, em 1980, que eu conheci o empresário Gérard Killick, filho de Ada Killick (1898-1978). Ele me contactou após ter lido na imprensa o meu interesse pela obra de Debussy, mercê dos quatro recitais em São Paulo (MASP), quando apresentei a integral para piano do notável compositor. Fixamos um encontro em seu escritório e, após uma conversa amigável, ofereceu-me um pequeno rolo em papelão, precisando que doravante seria eu o guardião das três cartas escritas por Claude-Emma, Chouchou, e enviadas à sua mãe Ada Killick, jovem professora de piano, pouco mais de um mês após a morte de Debussy. Gérard me contou que sua mãe nasceu na França e morreu em Ubatuba. Segundo Gérard, ela jamais esqueceu os momentos de convívio quando das aulas de piano em casa de Debussy. Ada Killick estudou em duas escolas antes de ingressar no Conservatório de Paris. Provavelmente algum professor do estabelecimento recomendou a jovem ao compositor. Poucos meses antes da morte (25/03/1918), Debussy escreve à professora agradecendo o seu trabalho, mas desobrigando-a doravante (24/10/1917). As cartas de Chouchou à Ada Killick testemunham que ela continuava a orientá-la.

As três cartas adquirem importância por serem as últimas conhecidas de Chouchou Debussy, pois escritas posteriormente à enviada ao seu meio-irmão Raoul e redigidas pouco mais de um mês da morte de Debussy. As missivas confirmam a opinião de Gabriel d’Annunzio sobre a precocidade intelectual de Chouchou, ratificada por figuras como André Caplet (1878-1925), compositor e regente, e o poeta e novelista Paul-Jean Toulet (1867-1920). Chouchou morreria em 1919, vítima de difteria mal diagnosticada. Inéditas em França até 2007 (Cahiers Debussy, nº 31), foram inseridas como apêndice em meu livro “O som pianístico de Claude Debussy” (São Paulo, Novas Metas, 1982).

A primeira, escrita um mês após a morte do pai (28/04/1918), demonstra um estilo fluente e caligrafia segura: “Minha mãe está muito cansada para lhe escrever. Ela própria pede que a desculpe e me encarrega de lhe dizer que, como tenho de partir na quarta-feira, se estiver bem, não poderei ter aulas nem na segunda nem na terça-feira, pois estarei muito ocupada, como pode imaginar. Ela solicita que, assim que receber esta carta, tenha a bondade de lhe enviar o valor das minhas aulas (que ela vos enviará por vale postal).
Com os meus melhores cumprimentos, receba, prezada mademoiselle, a sincera amizade de
Chouchou Debussy”.
80, Ave. du Bois de Bologne

A segunda carta (30/05/1918) é plena de abnegação e preocupação filial quanto ao sofrimento físico e emocional que atravessa sua mãe, esquecendo-se ela mesma dos seus: “Mamãe está muito doente. Não fomos a Annecy como tínhamos planejado. Ela teve uma recaída do seu terrível reumatismo, que ainda a afeta, infelizmente! Tivemos tanto, tanto que fazer com todos esses últimos e terríveis acontecimentos que não tive um minuto, querida mademoiselle, para lhe escrever e dizer que a carta que enviou à mamãe se perdeu e, por isso, ela não sabe mais o que lhe deve. Mamãe tem tantas coisas em que pensar e lembrar! Portanto, seria muito gentil da sua parte me dizer o valor das minhas aulas.
Espero, querida mademoiselle, que esteja bem de saúde e lhe envio meus melhores cumprimentos e acredite na minha sincera amizade.
Sua
Chouchou Debussy”

A terceira carta foi escrita no denominado mandat-lettre, na horizontal e na horizontal sobre a vertical, A data do mandat mostra-se ilegível, percebendo-se apenas o ano ‘18’. Foi enviada pela própria Chouchou (“Mlle. Debussy”): “Prezada Mlle., acabei de receber notícias suas. Acredito lembrar-me de que Mlle. comprou para mim 8 fr. 80c. em músicas, perfazendo um total de 59 fr. 80 c. Mamãe está um pouco melhor e nós partiremos amanhã à noite, com Françoise, Madeleine e minha irmã (Trata-se de Dolly, meia-irmã de Chouchou), para Arcachon. Eu vos escreverei. Desculpe-me a caligrafia. Toda a minha amizade, Chouchou”.

Gérad Killick, ao me oferecer as cartas dizendo que eu seria guardião da preciosa correspondência, propiciou-me, anos mais tarde, doá-las ao Centre de Documentation Claude Debussy por intermédio do seu presidente, musicólogo François Lesure. Ao ser publicada a correspondência de Debussy mencionada acima sem as cartas em pauta, imediatamente a ilustre musicóloga Myriam Chimènes me contactou para que as apresentasse em artigo para os Cahiers Debussy.

O conhecimento dessas missivas apenas ratifica a mentalidade apurada de Chouchou Debussy, sua afeição imensa pelo pai e seus cuidados em relação à situação física e emocional de sua mãe, Emma. O artigo foi também a minha derradeira contribuição para os Cahiers Debussy.

The Cahiers Debussy (No. 31, 2007) published the last three known letters written by Chouchou Debussy, the composer’s daughter, to her piano teacher Ada Killick. Her son Gérard gave me the letters in 1980, saying that I would be their guardian from then on. Years later, I donated them to the Centre de Documentation Claude Debussy in Paris.