Navegando Posts em Cotidiano

Reflexões a partir de singelas rolinhas

Tão logo batizado, Jesus saiu da água.
Naquele momento, abriu-se o céu e Jesus viu o Espírito de Deus
a descer como pomba e sobre ele pousando.

(Mateus 3:16).

Tourterelles (rolinha)
Heureuses dans la peur et dans leur solitude…
Francisco de Lacerda (1869-1934)
(“36 Histoires…”)

A cada ano mais acentuadamente o Natal é celebrado de maneira universal pelos cristãos e não adeptos, mas apreendido de maneira diversa, da vivência plena do cristianismo ao entendimento de mais um dia especial a ser comemorado, sem mais. Da preparação antecipada à maneira de uma peregrinação por cristãos mais imbuídos da fé, à visão de mais uma data a ser observada também sob outras égides – a troca de presentes e a feérica atividade do comércio -, o Natal continua a merecer o culto dos cristãos e a atenção dos que não professam o cristianismo. Quanto à criança, vive ela o dia mais esperado do ano, alimentado pela figura simpática do bom velhinho portador dos mimos sonhados.

O notável médico e especialista em arte sacra Eduardo Etzel (1903-1996), ao escrever “Divino – Simbolismo no folclore e na arte popular” (São Paulo, Giordano, 1995), livro que tive o privilégio de prefaciar, menciona Ernest Jones, discípulo e biógrafo de Freud, ao comentar o culto ao pombo: “No simbolismo cristão é associado à ideia de pureza, de ser imaculado com sua cor branca, o que analiticamente não se confirma, inclusive na cor branca que não é norma entre os pombos”. Eduardo Etzel enfatiza: “O Divino Espírito Santo, a terceira pessoa da Santíssima Trindade, sendo o sopro de Deus é o próprio Deus presente no homem, já que este, sem o Espírito, sem a Alma que o anima, seria apenas o inerte despojo terreno”. O culto ao Divino Espírito Santo está enraizado em Portugal e no Brasil. O homem do campo, hábil com seu canivete, estiliza-o e o pombo branco com as asas abertas ou recolhidas, assim como na forma de outra ave não pertencente à extensa família dos columbídeos, esteve presente nos oratórios os mais singelos juntamente com as imagens de culto. Frise-se que o pombo, pertencente à imensa variedade dos Columbidae, conservou-se sob a égide do sagrado desde a Antiguidade: assírios, egípcios, hebreus, gregos cultuaram-no.

Regina e eu estamos a viver uma sensível experiência. Diria, uma espécie de “peregrinação” mental nesses meses pandêmicos, a partir de singelas rolinhas-caldo-de-feijão, Columbina talpacoti (Temminck, 1811). Neste post voltado ao Natal veio-me a ideia de mencionar a companhia agradável que estamos presenciando durante meses em nosso pequeno jardim, relacionada ao nascimento e a um dos símbolos da cristandade, a pomba, que se não alva e sendo de menor dimensão, recebeu do povo do campo o nome de rolinha-caldo-de-feijão.

Clique para ouvir, de Jean-Philippe Rameau, Le rappel des oiseaux, na interpretação de J.E.M. (Bélgica, De Rode Pomp, 2000).

https://www.youtube.com/watch?v=IAdsA8kvcxI

Os biólogos Elizabeth Höfling e Hélio F. de Almeida Camargo assim descrevem os hábitos da rolinha: “…o ninho, compacto e mais fundo do que os dos demais columbídeos, é feito com pequenos galhos entrelaçados, em árvores ou arbustos a pouca altura do solo. Dois ovos brancos e alongados, com 23 x 18 mm, são incubados pelo casal durante 11 a 13 dias e o jovem deixa o ninho aos 12 dias de vida. O casal tem 3 ou 4 posturas por ano, podendo ou não reutilizar o ninho” (“Aves no Campus”, São Paulo, Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, 1993). O tamanho da rolinha adulta chega a aproximadamente 18,5 cm.

Gravei na Bélgica várias músicas dedicadas aos columbídeos. Nas “Trente-six Histoires pour amuser les enfants”, o compositor português nascido nos Açores, Francisco de Lacerda, insere diversos pássaros da espécie, sendo que Tourterelles, a 12ª peça, corresponde à nossa rolinha (CD “Francisco de Lacerda et Claude Debussy”, Bélgica, De Rode Pomp, 1999).  De Eurico Carrapatoso registrei “Six histoires d’enfants pour amuser un artiste”, sendo que a quarta peça, “Pombo Torcaz – o pombo na tempestade”, é impetuoso e apaixonado (CD “Retour à l’Enfance”, França, ESOLEM, 2019).

Clique para ouvir, de Francisco de Lacerda, Tourterelles (localiza-se no 16:30 do link abaixo), na interpretação de J.E.M.

https://www.youtube.com/watch?v=CMpK76ujq5c

Em Setembro tivemos a primeira surpresa, pois uma rolinha estava serenamente em seu ninho, que desconhecíamos até então. Aproximei-me lentamente a uma distância de 30cm e a rolinha permaneceu imóvel. Nidificara em um vaso a conter a denominada “renda portuguesa”. Os filhotes nasceram e voaram nos prazos ditados pela natureza.

Fotografei o ninho vazio e, confesso, com certa nostalgia.

Passaram-se pouco mais de duas semanas e novamente lá estava a rolinha a chocar mais dois ovos. Seguiu-se a mesma rotina e as avezinhas sempre sob a proteção da zelosa rolinha-caldo-de feijão.

Como desde o primeiro contato deixava em duas pequenas cumbucas ração e água, creio que a rolinha e seu consorte gostaram do local, pois na véspera deste Natal se deu a terceira revoada, após a obediência às leis naturais. Nesse período de pandemia presenciei certo dia o casal chocando os ovinhos. Fui buscar o celular, mas ao voltar uma só avezinha lá estava para continuar a tarefa.

A experiência que estamos vivendo nesse acompanhamento de todo o processo, da postura à revoada, poderá continuar até o término do verão, que dita o dos acasalamentos, leva-nos à reflexão a respeito do nascimento e da proteção materna. Tão logo o ninho abandonado, torna-se impossível se acercar das rolinhas, pois voam assustadas. Todavia, e esse fato nos alegra, estão sempre beliscando algumas sementes ou pedaços de frutas que deixamos para esse fim.

Ano atípico, pandêmico. Pela primeira vez só teremos em casa a presença de uma das filhas, Maria Beatriz. Nem por isso Regina deixou de preparar a sala como se fôssemos receber filhas, netas e bisnetas. O contato será via whatsapp.

O nascimento de Jesus faz-me lembrar da música talvez mais emblemática referente a Cristo. Gravei-a em 2004 na Capela Saint-Hilarius em Mullem, Bélgica.

Clique para ouvir, de J.S.Bach-Hess, Jesus Alegria dos Homens, na interpretação de J.E.M.

Bach-Hess – Jesu, Joy of Man’s Desiring – José Eduardo Martins – piano – YouTube

A todos os leitores que acompanham o ininterrupto blog desde 2 de Março de 2007, desejo um Natal pleno de Paz e de esperanças que se anunciam através de pesquisas avançadas que estão sendo realizadas pelo planeta.

Christianity commemorates Christmas by remembering the birth of Jesus. Since September, Regina and I have witnessed the birth of six small ruddy ground-doves, thanks to the presence of the same female bird hatching two eggs each time. To all readers I wish a Merry Christmas.

Intervenção cirúrgica quando necessária

O estudo de piano necessita prolongados esforços.
Esses não implicam lutar contra a natureza.
Uma mão normal é feita para tocar piano
e todo pianista que não compartilha dessa convicção
é indigno de sua arte.
Marguerite Long
(“Le Piano”)

Há males que afligem o instrumentista e nos tempos atuais o digitador. Tratei desse tema em dois posts quando de duas cirurgias a que fui submetido nos polegares, a temida Rizartrose. O processo evolutivo até chegar à intervenção durou anos. Nas mãos de um cirurgião de ponta, Dr. Heitor Ulson, competente especialista de cirurgia da mão, essas intervenções que podem deixar sequelas transcorreram seguras e logo por mim esquecidas (vide blog “Cirurgia da mão – Rizartrose”, 09/10/2010).

Heitor Ulson, professor aposentado da UNICAMP, é primo irmão de minha mulher Regina. Em 1982, ao observar a básica não utilização da passagem do polegar na opera omnia para piano do grande compositor russo Alexandre Scriabine (1872-1915) e sabendo que o músico tivera problemas sérios em sua mão direita aos 18 anos de idade, transmiti ao médico minha hipótese, ou seja, que o mal que acometera sua mão direita obrigando-o a tratamento intenso poderia ser a causa da quase absoluta ausência da passagem do polegar nos longos segmentos em que essa flexão se tornava imperativa. Scriabine compensou essa ausência através de grande abertura das mãos, o que possibilitava o percurso total do teclado, por vezes, metaforicamente, à maneira de um caranguejo. Em artigo publicado nos “Cahiers Debussy” (“Quelques aspects comparatifs dans les langages de Debussy et Scriabine”, Paris, Centre de Documentation Claude Debussy, nouvelle série, nº 7, 1983), inseri posicionamento do Dr. Ulson que aventou a possibilidade de que Scriabine tivesse sido acometido de tendinite, conhecida como Mal de De Quervain, nome dado às propostas do médico suíço Fritz de Quervain (1868-1940) relativa à inflamação da bainha em torno dos tendões que controlam o movimento do polegar. Acredito que nenhum outro compositor que escreveu obras para piano e que permaneceu na história nesses dois últimos séculos escreveu abstendo-se de arpejos ou escalas percorrendo o teclado com a passagem necessária do polegar. O “diagnóstico” tardio no caso de Scriabine de uma possível tendinite de De Quervain sustentada pelo Dr. Ulson teve guarida nos meios musicais em França e na União Soviética.

Pela segunda vez submeto-me à cirurgia do denominado dedo em gatilho, bem mais simples do que aquelas reservadas à Rizartrose, sendo a primeira no final dos anos 1990. Dr. Ulson foi o cirurgião. Àquela altura, tão logo após os sintomas procurei-o e a cirurgia ocorreu logo a seguir.

Se busquei o Dr. Heitor Ulson já nos primeiros sintomas de um primeiro dedo em gatilho, o mesmo não ocorreu presentemente. Com a pandemia e o confinamento deu-se aquilo verificado em incontáveis casos de acometidos pelos mais diversos males que não buscaram visitar médicos ou hospitais. Os sintomas do dedo em gatilho no anelar da mão esquerda tiveram início em Março. A evolução foi lenta, sem trégua. Só entrei em contato com o Dr. Ulson em Outubro quando dores e a trava da articulação do anelar impediram-me da prática pianística. Nesse período final, o dedo em gatilho só voltava a ficar esticado com o auxílio da outra mão a trazer bem lentamente o dedo afetado à posição normal provisória, diga-se, para que a dor fosse menos intensa.

Solicitei ao Dr. Heitor Ulson um comentário sobre o dedo em gatilho e suas implicações. Gentilmente me enviou suas apreciações:

“Queixas dolorosas associadas a movimentos de flexo-extensão dos dedos são comuns, ocorrendo preferencialmente em grupos etários mais avançados, ou mesmo, em mais jovens, no geral relacionadas a esforços repetitivos ou em processos inflamatórios de fundo reumatológico. Esses bloqueios das articulações interfalangianas causam dor e o paciente refere incapacidade da ação de extensão ativa do dedo, necessitando da outra mão para abrir o mesmo, ocorrendo dor aguda a cada vez, em seguida da imediata extensão. Esses sintomas e sinais se assemelham ao clique repentino ao acionar-se um gatilho de arma, daí o termo ‘dedo em gatilho’ tirado da língua inglesa trigger finger. A história clínica, com duração de algumas semanas, fala em favor de tratamento incruento, por imobilizações temporárias, de órteses digitais dorsais, podendo ser associadas a infiltrações locais de anestésicos, com ou sem corticosteróides, aplicações de calor local, movimentação suave para prevenir-se rigidez articular, e precedidas de massagem de retorno venoso e linfático, em casos de edema importante.

O tratamento cirúrgico visa liberar o bloqueio dos tendões flexores que não conseguem deslizar dentro do canal ou túnel fibroso que se tornou ‘apertado’, pelo fenômeno inflamatório original (tenossinovite estenosante). No geral, a região tendinosa mais afetada é pela estenose da polia digital A1, correspondendo às pregas palmares distal e à digito-palmar.

O procedimento cirúrgico pode ser preferencialmente realizado sob anestesia local, com o paciente acordado para a demonstração clínico-cirúrgica imediata a pedido do cirurgião, da liberação completa da flexão-extensão do dedo, no caso, o anelar da mão esquerda”.

No pós-operatório o uso precoce dos dedos auxilia a rápida recuperação das funções que, nos casos crônicos, necessita de Terapia da Mão mais especializada para uso de órteses específicas complementares para a extensão da interfalangiana proximal”.

Para cada atividade motora moléstias podem advir. As várias modalidades esportivas apresentam males tipificados para determinada prática específica. Futebol, vôlei, basquete, tênis, entre tantas outras, têm males que se apresentam para cada categoria. Não é diferente em relação à prática pianística. Dedo em gatilho, Rizartrose, Mal de Dupuytren, Túnel do carpo, Mal de De Quervain, tendinites em suas várias manifestações, artrite reumatoide, artroses… podem ocorrer a depender das individualidades. Assim como Pelé que atravessou a fabulosa carreira sem um problema grave a atormentá-lo, muitos são os pianistas que chegaram à idade avançada sem um problema físico sequer.

Excelente o atendimento do Hospital Samaritano, local da cirurgia. A recuperação se faz. Após alguns dias já consegui estudar piano levemente e ao escrever este post volto à quase normalidade. E continuamos…

Owing to the pandemic, I have postponed a medical consultation about a progressive problem, the trigger finger. When it became almost impossible for me to flex the left-hand ring finger, due to a strong pain when stretching, I consulted the competent Dr. Heitor Ulson, who had already operated on my two thumbs for Rizarthrosis, ten years before. Dr. Ulson’s text explains the evolution of the disease and justifies the surgery, when necessary.

Quando referência ao passado se faz necessária

Os idosos gostam de dar bons preceitos,
para consolo de não mais estarem em condições de dar maus exemplos.
La Rochefoucauld (1613-1680)
(Les Maximes)

Foram muitas as mensagens. Todas saudando a sequência de blogs que se prolonga, sobremaneira durante esta pandemia, nos quais grandes intérpretes de antanho são justamente reverenciados. As colocações dos leitores têm de ser devidamente entendidas. Friso sempre sobre o acesso ao YouTube basicamente diminuto quando das interpretações dos grandes mestres do passado. Meus blogs visam prioritariamente salientar segmentos da cultura erudita, clássica e humanista, que presentemente respira ofegante frente a essa civilização do espetáculo a acentuar, sempre de maneira ascendente, vertentes culturais que sem serem populares numa acepção de raiz,  associam-se às correntes  que, ou sopram acima do equador ou aqui nascem, amplamente amparadas pela grande mídia. Admiro profundamente as manifestações culturais genuínas do povo, autênticas, sem máculas, pois tem-se fonte permanente de inspiração a tantos compositores, artistas plásticos, poetas e escritores que perduraram na história.

Assiste-se nessas últimas décadas a um conjunto de formas impactantes nas artes e na música mais acentuadamente.  O surgimento meteórico de um personagem vem acompanhado profusamente por associação de acessórios como efeitos de luzes, imagens, gestos improvisados, ritmos e tentativas de cantos, vestuário “criativo”, não apenas a descaracterizar ainda mais uma espécie de “mensagem musical”, mas possivelmente com outras finalidades. O eleito ídolo pela mídia e por legião de adeptos é seguido em seus cantos e imitado em seus gestuais. Consequência natural.

Chamou-me a atenção entrevista recente de uma cantora pop a uma colunista de veículo de grande circulação em São Paulo. Uma só frase colocada em destaque evidencia a compreensão distinta de valores e que certamente será assimilada como verdade pela legião seguidora da entrevistada, presente em várias áreas. Dizia ela que “o elitismo cultural é cafona”.

A banalização que tende a enroupar a decadência dos costumes e a acentuar a mutação constante do que é aceito no momento para padrões sempre mais ousados, tem tido por parte da mídia a guarida ampla. Fiquei a pensar no “conteúdo” da longa entrevista que revela pensamento a enfatizar distorção a causar impacto.

A palavra cafona a rotular a elite cultural tem como sinônimos, entre outros termos, brega e chinfrim e poderia ser interpretada ainda mais pejorativamente na entrevista, dependendo do próprio conceito de elite assim expresso no Caldas Aulete: “minoria mais apta, ou mais forte, dominante no grupo. (Usado no pl. tem sentido mais genérico e refere-se às minorias culturais políticas ou econômicas em cujas mãos está o governo do Estado)”. Parcela pequena da elite cultural professa o humanismo, as artes, a música erudita e a literatura. Mario Vargas Llosa define a atualidade como “civilização do espetáculo” e aponta para o declínio da cultura erudita.  O ideal seria que a cultura humanística permanecesse perene, divulgada e assimilada pelas várias camadas sociais e fosse preocupação dos detentores de decisões.

Parte considerável da grande mídia ao divulgar e debater temas como política, segurança, saúde, economia, esportes, mergulha em assuntos nada edificantes sobre a vida pessoal dos caracterizados “famosos”, inviabilizando por completo o crescimento cultural, moral e ético da população. Diminui a possibilidade de reflexão pelo excesso de banalidades e os textos sofríveis estão eivados de incorreções que no todo teriam tudo a ver com o valor do que é divulgado.

O desaparecimento da temática cultural, erudita ou clássica das páginas dos portais online empobrece o já minguado conhecimento existente dos valores do passado e do presente. Sem acesso à memória cultural artística pela falta de divulgação, as novas gerações acabam por desconhecer as obras referenciais nos campos das artes e da literatura. Esse desconectar torna quase sempre irreversível a recuperação do saber humanístico e artístico. Parte-se do imediato efêmero, logo transmutado em algo ainda mais superficial. Mesmo que determinadas manifestações e aparições congreguem milhões de adeptos nos múltiplos processos de ampla divulgação, certamente a existência do efêmero se extingue espontaneamente, pois substituído de imediato por outras manifestações à maneira de um tsunami avassalador que passa e destrói, no caso, sem intervalo de tempo.

Ficaria uma pergunta sobre a capacidade de uns poucos redatores diaristas voltados à cultura humanística proporem outras pautas que não a dessa “cultura” que se esvai com tanta rapidez. Teriam força diante dos seus superiores mediáticos, uma das categorias de elite, tantos deles sem a básica cultural humanística? É toda uma engrenagem que envolve poder e lucro. Os “valores” que estão diariamente sendo ventilados estão a despreparar as gerações futuras. Elos foram partidos e a junção dessa corrente antes coesa não é objetivo dos que estão envolvidos, sejam eles dirigentes ou redatores. É todo um conjunto de informações degradantes que homeopaticamente têm influência sobre a conduta humana, pois conhecimentos sedimentados e edificantes estão sendo destruídos. Pareceria que se está a viver na plenitude conceito antigo de que batalhas podem ser ganhas, mas que a guerra estaria definitivamente perdida. Parafraseando o poeta Luiz Guimarães Junior (1844-1898): “Resistir quem há-de?” Uns poucos certamente.

A certain statement, during a widely publicized interview, motivated reflections on the absolute reversal of values and consequent disdain for elitist, erudite or classical culture in the present civilization of spectacle, which increasingly aims towards the ephemeral and the seduction of the masses.