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Completando o importante Grupo dos Cinco

A música não é um brinquedo,
é uma arte nobre e sagrada.
Milly Balakirev

Desde o final do século XIX, divulgação maior tem sido reservada a três integrantes do Grupo dos Cinco, compositores russos que, durante cerca de 15 anos (1856-1970), protagonizaram a escolha criativa estruturada basicamente nas raízes nacionais da Rússia.  Havia, inclusive, uma idiossincrasia quanto à música vinda do ocidente, salvo exceções. Nos blogs anteriores abordei Mussorgsky (1839-1881), Borodine (1833-1887) e Rimsky Korsakov (1844-1908), os mais ventilados dos cinco compositores.

A importância de Vladimir Stassov (1824-2006), crítico e musicólogo, foi fundamental para a constituição do Grupo dos Cinco. Argumentava que a arte praticada na Rússia não poderia ficar presa aos axiomas ocidentais. Sua ação foi decisiva no sentido de conduzir os ideais dos fundadores do Grupo nessa escolha a visar a arte direcionada às raízes russas, ao nacionalismo, ao folclore pátrio. Milly Balakirev e César Cui já estavam convencidos das orientações propostas inicialmente por Stassov, que teria futuramente influência nítida, máxime no aconselhamento a Mussorgsky e Borodine em suas magistrais óperas Boris GoudonovO Príncipe Igor, respectivamente.

Balakirev e César Cui foram essenciais na formação do Grupo dos Cinco, sendo o segundo encarregado de redigir o famoso manifesto dos esperançosos membros:

1 – A nova escola defende que a música dramática tem um valor próprio como música absoluta, independentemente do texto que acompanha. Uma das características desta escola é a sua oposição à vulgaridade e à banalidade;

2 – A música vocal, no teatro, deve estar em perfeita sintonia com o significado do texto cantado.

3 – As formas da música lírica não são de modo algum determinadas pelos moldes tradicionais da rotina: devem nascer livremente, de forma espontânea, da situação dramática e das exigências específicas do texto;

4 – É essencial, fundamental, traduzir musicalmente e com o máximo de realce o caráter e o tipo das diversas personagens. Nunca cometer anacronismos nas obras de caráter histórico. Reproduzir fielmente o colorido local.

Balakirev nasceu em Nijni-Novgorod e teve, quando miúdo, orientação de sua mãe nos estudos preliminares para piano. Após frequentar o curso secundário, inscreveu-se como ouvinte na Faculdade de Ciências da Universidade de Kasan. Autodidata, como seus futuros companheiros do Grupo dos Cinco, foi apresentado pelo rico aristocrata Alexandre Oulybychev, musicólogo amador, a Mikhail Glinka (1804-1857), renomado compositor, propalado como o patriarca da música russa, que propunha uma volta às origens profundas das manifestações musicais na Rússia. Glinka, ao conhecer algumas composições de Balakirev, estimula-o vivamente. Esse apoio fez com que Balakirev viajasse para São Petersburgo, convencido de que poderia revolucionar os conceitos musicais da Rússia. A vigência do Grupo dos Cinco foi interrompida anos após, entre outros fatores, devido ao temperamento um tanto despótico de Balakirev.

As atividades do compositor se estenderam a outras áreas musicais, pois foi professor de composição e regente. Deve-se a ele a introdução na Rússia de obras sinfônicas de Franz Liszt (1811-1886), Robert Schumann (1810-1856) e Hector Berlioz (1803-1869), entre alguns mais compositores ocidentais.

Assim como o fez em relação aos hábitos de Borodine (vide blog: 30/05), tem interesse o depoimento de Rimsky Korsakov sobre hábitos de seu “colega de armas”, Balakirev: “Em cada um dos cômodos do apartamento de Balakirev havia um ícone e uma luz acesa. Ninguém mais tinha permissão para entrar em seu quarto e, quando ele adentrava na presença de terceiros, apressava-se em fechar a porta atrás de si. Da rua, a janela revelava uma penumbra misteriosa e os reflexos pálidos de uma luz acesa. Muitas vezes eu o ouvia dizer que acabara de assistir a alguma cerimônia religiosa. Ao passar por uma igreja, ele levantava o chapéu e fazia o sinal da cruz; fazia o mesmo sinal da cruz diante da boca quando bocejava…  Ele não fumava mais, deixou de comer carne e, mesmo nos dias mais frios, saía vestindo apenas um pobre sobretudo de meia estação… Se por acaso encontrasse um percevejo no quarto, ele o pegava delicadamente e o jogava pela janela, dizendo: – Vai embora, bichinho, e que Deus te proteja!…”.

Milly Balakirev foi fecundo na composição plena de competência, onde não falta a inclinação para as raízes da música russa e um afeto especial pelo orientalismo, tendo legado duas sinfonias, aberturas sobre temática russa, o poema sinfônico Tamara, bem frequentado pelas orquestras através dos tempos, música de câmara, canções e inúmeras criações para piano, entre as quais se destaca uma das peças mais emblemáticas e desafiadoras escritas para piano, a fantasia oriental  Islamey. É extraordinária a sua estrutura voltada à mais alta virtuosidade. Desavenças com colegas, defesa de posições nacionalistas extremadas resultaram em sua morte na absoluta solidão.

Clique para ouvir, de Milly Balakirev, Islamey, na fantástica e colorida interpretação de Vladimir Horowitz:

https://www.youtube.com/watch?v=r9yWeSMnpt8&t=20s

César Cui (1835-1918) nasceu na Lituânia, na época pertencente ao Império da Rússia. Seu pai, Antoine Cui, foi oficial da Grande Armada napoleônica. Após a célebre campanha de 1812, Antoine fixou-se em Vilnius, casando-se com uma lituana. Enquanto miúdo, César Cui estudou música e, ao entrar na Escola Militar de São Petersburgo, especializou-se em fortificações, tendo legado inúmeros textos sobre o tema. Ao conhecer Balakirev, aprofundou-se nos estudos musicais, compondo e escrevendo artigos para inúmeras publicações na Rússia e no Exterior. Como compositor, legou diversas óperas, entre elas O Flibusteiro (1889), cuja primeira apresentação se deu na ópera Cômica de Paris em 1894. Frise-se a sua qualidade como miniaturista, de que são exemplos a quantidade de canções e de obras para piano.

Clique para ouvir, de César Cui, “Prelúdio op. 64 nº 9”, na sensível interpretação da pianista britânica Margareth Fingerhut:

https://www.youtube.com/watch?v=LyVqq8dWRCs&list=PLri7jP-39qoG8SiAJjjWHTW_OPbKb0UrG

Para o leitor que desejar conhecer outras composições de César Cui para piano, indico a gravação da integral realizada  por Marco Rapetti, excelente pianista italiano e meu dileto amigo.

https://www.google.com/search?q=youtube+C%C3%A9sar+Cui+par+Marco+Rapetti&oq=youtube+C%C3%A9sar+Cui+par+Marco+Rapetti&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOdIBCTI2NTAwajBqN6gCCLACAfEFRUjXVItw6_HxBUVI11SLcOvx&sourceid=chrome&ie=UTF-8#fpstate=ive&vld=cid:afc9da3b,vid:xKtkdfkP_ic,st:2171

Mily Balakirev and César Cui were core members of “The Five”, an influential group of 19th-century Russian composers who sought to establish a distinctly Russian classical music, free from Western European academic traditions.

 

Rimsky-Korsakov (1844-1908)

Não gosto da tristeza, do luto, das missas em memória.
Quando já não estiver aqui,
se algum dia quiserem lembrar-se de mim,
basta ouvirem a minha música…
Rimsky-Korsakov
(carta à filha Sofia, tempos antes de morrer)

Nicolay Andreyevitch Rimsky-Korsakov, integrante do Grupo dos Cinco, não apenas legou considerável produção musical e importantes trabalhos teóricos, como foi atuante no ambiente musical de São Petersburgo. De família aristocrática, Korsakov, desde a infância demonstrou aptidão para a música e uma atração pela marinha, pois seu irmão a ela se dedicou. Estudando no Colégio Naval de S. Petersburgo, realizaria posteriormente cruzeiro em um navio-escola, que se estenderia de 1862 a 1865, aportando em países europeus e nas Américas, Nova York, Rio de Janeiro… O jovem não oblitera suas aspirações musicais iniciadas ainda na idade miúda, o que o fez se familiarizar com o violoncelo e o piano. Contudo, em 1861 iniciaria estudos teórico-musicais com Milly Balakirev (1837-1910),  compondo mesmo durante a fase em que orbitou na marinha.

Em 1871 dois fatores fundamentais em sua vida, pois é nomeado professor de Composição e Instrumentação do Conservatório de S. Petersburgo, demitindo-se da marinha, porém assumindo o cargo de inspetor das bandas. Tem interesse o fato de que, nesse ano, Korsakov dividiu um quarto com Moussorgsky num pequeno espaço alugado pelo diretor do Conservatório, onde havia um piano que era utilizado em períodos distintos pelos dois músicos. O crítico musical e grande amigo de ambos, Vladimir Stassov (1824-1906), escreve: “Às vezes, ia a casa deles de manhã bem cedo; encontrava-os dormindo, acordava-os e obrigava-os a levantarem-se. Depois, tomávamos chá com torradas com queijo gruyère; Rimsky e eu gostávamos particularmente disso. Logo a seguir, abordávamos o tema que nos apaixonava, a música. Um sentava-se ao piano, o outro cantava: ambos cheios de entusiasmo, mostravam-me o que tinham composto na véspera ou na véspera da véspera. Tudo isto era juvenil, belo e comovente…». No ano seguinte, Rimsky se casa com uma jovem pianista, Nadejda Purgold.

Tem importância o seu caminho musical após não mais ter aconselhamentos de Balakirev. Vêmo-lo direcionar-se aos estudos individuais aprofundados, visando ao desiderato essencial, a composição. Contraponto, fuga, harmonia foram as ferramentas às quais se dedicaria com a finalidade de um embasamento maior para as suas criações. Essa dedicação levou-o a escrever um importante Tratado de Harmonia prática e mais Princípios de orquestração. Na composição, progressivamente distancia-se, na estética, de alguns dos princípios professados pelo grupo.

Sob o aspecto humano, Korsakov estimulou seus colegas em torno do Grupo dos Cinco. Como professor orientou músicos e alguns deles se tornariam compositores de mérito: Ippolitoff-Ivanov (1859-1935), Anatoli Liadov (1855-1914), Alexandre Glasunov (1865-1936), Igor Stravinsky (1882-1971).

Entre as criações basilares de Korsakov, salientem-se as óperas A rapariga de Pskov, Noite de Maio, Mlada, A história do Czar Saltan e outras; a obra sinfônica: três Sinfonias e várias consagradas criações, como A Grande Páscoa Russa, Sadko, SheherazadeCapricho Espanhol, assim como suítes sinfônicas extraídas de diversas óperas; música de câmara; peças para piano e música vocal…

Clique para ouvir, de Rimsky-Korsakov, “O voo do besouro”, extraído da ópera A história do Czar Saltan, na interpretação da Filarmônica de Berlin sob a regência de Zubin Mehta:

https://www.youtube.com/watch?v=7pt8JpOzGv4

Rimsky-Korsakov compõe como um ourives, devido possivelmente à sua índole voltada ao aprofundamento, mas não deixa de retrabalhar obras anteriores. Difere da escrita mais espontânea de seu amigo Mussorgsky. Duas composições fulcrais do repertório operístico russo e mundial tiveram a colaboração direta de Rimsky-Korsakov: de Alexandre Borodine, O Príncipe Igor, após a morte súbita do compositor em 1887. Estando inacabada, Korsakov e Alexandre Glazunov (1865-1936) finalizaram, orquestraram e fizeram-na editar. Após a morte de Mussorgsky em 1881, Korsakov fez a revisão e reoquestrou Boris Godounov. Presentemente, mercê da pormenorizada pesquisa em torno da ópera, que resultou na restauração dos originais de Mussorgsky, Boris Godounov tem sido apresentada na sua autenticidade.

Tem interesse o depoimento de sua filha Sofia sobre a personalidade de seu ilustre pai: “Não gosto de nenhum dos retratos do meu pai; ele parece demasiado severo, demasiado austero, demasiado rígido, quando na verdade era a própria doçura e um homem de infinita bondade. Nunca, nem uma única vez, ouvi-o levantar a voz para nos repreender, e Deus sabe que por vezes nos ‘descontrolávamos’… Maravilhoso pai de família, ele próprio tratava de todos os pormenores da nossa vida quotidiana. No dia da partida para as férias, levantava-se às 4 da manhã, desmontava as nossas camas de criança, indo registrá-las na estação, onde depois nos esperava para nos levar até a ‘dacha’, apesar de estar cansado, tendo de dar aulas no Conservatório”.

Rimsky Korsakov permanece como um grande mestre da composição, na qual predominam um domínio absoluto quanto à orquestração e um melodismo que fascina, entre outras qualidades.

O musicólogo Michel-Rostislav Hofmann (1915-1975) escreve sobre o hipnótico Capricho Espanhol: “Em nenhum outro lugar se manifesta melhor essa ‘euforia sonora’ do que no Capricho Espanhol, que constitui a essência da personalidade musical de Rimsky: os diversos instrumentos da orquestra são realçados, sucessivamente, por breves cadências; as combinações de timbres são felizes e, muitas vezes, inovadoras para a época (encontram-se ecos disso na Rapsódia Espanhola de Ravel). Em suma, no ensaio, toda a orquestra se levantou para aplaudir o compositor e, na estreia, foi necessário tocar a obra duas vezes seguidas”.

Clique para ouvir, de Rimsky-Korsakov, Capricho Espanhol, com a Filarmônica de Berlin sob a regência de Zubin Mehta:

https://www.youtube.com/watch?v=Lh6mDL-VwYw

No próximo blog, a pedido de leitores e a completar os posts dedicados ao Grupo dos Cinco compositores russos, abordarei Milly Balakirev e César Cui.

Nikolai Rimsky-Korsakov was one of the leading members of The Five, a group of  19th century Russian composers. A distinguished composer, music theorist and teacher, he left behind a substantial body of work, some of which is performed annually by major orchestras around the world.

 

Compositor, médico e químico

A minha paixão pela música é puramente russa.
Tem origem no meu amor pela Igreja
e nas minhas memórias da música militar
e das canções das ruas da minha infância.
Alexandre Borodine

Leitores atentos sugeriram a ampliação do tema sobre o assim denominado Grupo dos Cinco, referente aos cinco compositores russos que, num espaço aproximado de dez anos, a partir de 1862, mantiveram relações amistosas e musicais. O crítico e musicólogo Vladimir Stassov (1824-1906), várias vezes mencionado no blog dedicado a Mussorgsky (1839-1881), após um concerto dirigido por Mily Balakirev (1837-1910) em 1867 e dedicado a anfitriões eslavos, escreveu: “Que Deus faça com que os nossos anfitriões eslavos nunca se esqueçam deste evento e que se lembrem sempre da inspiração, da poesia, do talento e da maestria demonstrados por um pequeno grupo de músicos russos, um grupo reduzido, mas já tão poderoso”!

Dos cinco compositores componentes do núcleo fundamental, Rimsky-Korsakov (1844-1908), Mussorgsky, Borodine, Balakirev e Cesar Cui (1835-1918), focalizarei presentemente a figura de Alexandre Borodine, que foi um dos compositores homenageados no Oitavo Encontro Musical Privado, através da Petite Suite para piano, belíssima composição que interpretei no Encontro. Incluí no blog do dia 9 de Maio a excelsa gravação dessa criação de Borodine, executada pela ilustre pianista russa Tatiana Nikolaieva.

Alexandre Porfirévitch Borodine nasceu em São Petersburgo e, ainda criança, estudou flauta, piano, violoncelo e oboé. Adolescente, já falava várias línguas: russa, alemã, francesa e inglesa. Obteria o diploma da Academia médico-cirúrgica e posteriormente, junto à Academia de Ciências, com seu trabalho acadêmico “Pesquisas sobre a constituição química da hydrobenzamida e da amarina”, receberia o título de Doutor em Ciências, tornando-se professor de química na Escola de Medicina. Não obstante esses talentos, ao conhecer Mussorgsky dedicar-se-ia prioritariamente à música, não descartando o empenho no tratamento de doentes e assistência a órfãos.

Para melhor entender a versatilidade de Borodine transcrevo um depoimento de seu “colega de armas” no “grupo dos cinco”, o compositor Rimsky-Korsakov – tema do próximo post –, que constata a sua dedicação aos infortunados, apesar de uma desorganização pessoal, mas a não interferir na competente criação musical. Surpreende o depoimento: “O seu apartamento, muito pouco prático, tinha à disposição um corredor: por isso, era-lhe impossível dizer que estava ausente ou mandar embora um visitante. Entravam como num moinho, a qualquer hora do dia, e o bom Borodine levantava-se da mesa antes de terminar de comer, recebia o visitante, ouvia-o, prometia intervir a seu favor ou ajudá-lo. Isso levava-lhe horas.  Acrescente-se ainda a isso o fato de sua esposa sofrer de asma, passar noites em claro e levantar-se às onze horas ou ao meio-dia. Alexandre Porfirévitch, que tinha passado sem dormir ao seu lado, era obrigado a sair muito cedo e sem ter tomado qualquer refeição. A sua vida doméstica estava, assim, marcada pela mais completa desordem. Certa vez, ao chegar em sua casa às onze da noite, encontrei-os a tomar o pequeno-almoço!… Sem contar os inúmeros órfãos que o casal recolhia em sua morada! O apartamento deles servia de refúgio ou de abrigo noturno para todo o tipo de pessoas, pobres ou de passagem, que ali adoeciam ou enlouqueciam — e Borodine deles cuidava, pedia para que fossem transportados para o hospital e ia visitá-los a seguir. Os quatro quartos da sua casa estavam cheios desses estrangeiros que dormiam nos sofás ou até mesmo no chão. Muitas vezes, era-lhe impossível tocar piano: havia alguém a dormir no quarto ao lado!…”. Não seguia Borodine um dos preceitos de Hipócrates (460 a.C -): “Consagrar sua vida a serviço da humanidade”?

Clique para ouvir, de Alexandre Borodine, a canção A Rainha do mar, na interpretação do Barítono Alexander Vedernikov:

https://www.youtube.com/watch?v=z6bwWu7ed78

A versatilidade de Borodine fez-se perene através do legado musical. Para orquestra compôs três sinfonias ― a última inacabada ―; o poema sinfônico Nas estepes da Ásia Central; vasta música de câmara; canções; poucas peças para piano, entre as quais se sobressai a Petite Suite, e diversas outras composições. Contudo, a ópera O Príncipe Igor, uma das grandes obras operísticas russas e mundiais, consagrou-o definitivamente. Foi longa a sua gestação e o compositor escreveria sobre suas intenções: “O Príncipe Igor” é, essencialmente, uma ópera nacional que só pode despertar verdadeiro interesse em nós, russos, que gostamos de reavivar nosso patriotismo nas origens da nossa história e de reviver em cena as origens da nossa nação”. Após sua morte em 1887, Nikolai Rimsky- Korsakof e Alexandre Glazounov  (1865-1936) atenderam ao pedido do editor Mitrofan Bélaïév e finalizaram a ópera.

Alexandre Borodine, relativamente pouco frequentado nas salas de concerto, infelizmente, foi um dos mais notáveis compositores russos. Algumas qualidades lhe são inalienáveis: um gerador de melodias contagiantes, cultor de harmonias inusitadas e absoluta criatividade quanto à orquestração.

Clique para ouvir, de Alexandre Borodine, as Danças Polovtianas, extraídas da ópera O Principe Igor. Regente: Valery Gergiev.

https://www.youtube.com/watch?v=FsTVF0Fu5_c

Alexander Borodin was one of the most important members of the famous Group of Five, a prominent circle of Russian composers who, in the second half of the 19th century, made it one of their fundamental goals to honor the basic sources of the Russian music.