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Manifesta-se em quase todas as áreas

Não me interessa ser original: interessa-me ser verdadeiro.
Agostinho da Silva
(“Espólio”)

Reiteradas vezes neste espaço comentei perguntas de um dileto amigo que encontro poucas vezes, mas sempre prazerosamente. O local, a feira-livre do Brooklin-Campo Belo, frequentada há décadas. Não o via há tempos, pois estivera na Austrália por longos meses, encantado com o país continental gigantesco cercado pelos oceanos. Uma de suas lisonjas destinou-se à segurança, infelizmente em estado agudo em nossas terras. Marcamos um café nas cercanias logo após as compras, sempre agradáveis mercê do convívio amistoso de longa data com os feirantes.

Marcelo é questionador. Quando nos encontramos, as perguntas surgem naturalmente. É fiel leitor dos meus blogs, o que muito me alegra. Após leitura de best-seller norte-americano durante a longa travessia, lembrou-se de já haver lido, escrito por outro autor, algo bem semelhante. “Não seria plágio?’, indagou.

A pergunta propiciou de imediato a lembrança de dois blogs escritos ao longo dos anos (vide posts “Imitação, Plágio, Inspiração – A Negação como defesa”, 19/09/2009 e “Plágio e suas ramificações”, 01/10/2022). No primeiro post, comentava, entre outros temas, o plágio que existe nos modelos de carros. O sucesso de um estimula a imitação por parte de designers, sendo que as tonalidades das pinturas raramente ultrapassam quatro básicas: preto, branco, cinza e vermelho. Não obstante, todos os consagrados designers desses veículos são conhecidos como criadores. Uns poucos criam realmente e o séquito segue aquilo que se traduzirá em sucesso… de vendas.

Após algumas considerações que trocamos sobre o plágio, retornei à casa e estive novamente a pensar na extensão dessa palavra, pejorativa é certo, parente próxima do termo imitação. Por sua vez, estilo de determinada época, torna normal autores seguirem orientação formal vigente. Na história da literatura, da música, da arquitetura e das artes, seguir tendência em voga orientou todo o vasto acervo cultural da humanidade. Quando um personagem criativo apresentava resultados inovadores, durante um bom tempo contemporâneos ou sucessores prosseguiam produzindo sob aquela orientação até um impulso novo ditado por outro criador singular. Formatava-se um estilo. A História detecta aquele que teve a primeira ideia, nem sempre o mais talentoso. Estilo instaurado através de formas musicais, como exemplo, serviram de arcabouço para compositores. A suíte instrumental dos séculos XVII-XVIII caracteriza uma forma que foi utilizada pelos criadores do período, assim como a forma Sonata e seus futuros desdobramentos foi largamente modelo para a criação a partir da segunda metade do século XVIII. Quanto à atualidade, vive-se numa torre de Babel, pois, no que concerne à música de concerto ou erudita, tendências pululam, extinguem-se e renascem sob outras formatações. O ilustre compositor francês Sérgio Nigg (1924-2008) observou que, se no passado conhecera músicos de todas as áreas, nos estertores da existência só era apresentado a compositores. Considerou que “Quando um Festival especializado anuncia, como exemplo, ’80 criações mundiais’, tem-se frio na espinha”.

Nas conversações com o notável dramaturgo, romancista, poeta, cientista, crítico de arte e político Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), Johan Peter Eckermann durante longo período recolheu preciosas observações do autor de “Fausto”: “Fala-se sempre de originalidade, mas, o que quer isso dizer? Logo que nascemos começa o mundo a atuar sobre nós e assim prossegue até a nossa morte. E, acima de tudo, o que poderemos chamar nosso verdadeiramente, a não ser a energia, a força, o querer!? Se eu pudesse especificar o que devo aos grandes antepassados e contemporâneos, não ficaria muito que referir como sendo meu. Não é indiferente em que época da nossa vida tem lugar a influência duma importante personalidade estranha. O serem Lessing, Winckelmann e Kant mais velhos do que eu, e terem vivido os dois primeiros na minha juventude, e o último na minha velhice, foi para mim de grande importância”.

Quanto ao plágio, reporto-me aos blogs acima mencionados em que insiro comentários essenciais do nosso ilustre compositor Francisco Mignone (1897-1986), que se posiciona com perspicácia sobre o termo. Denomina “elementos fecundos da criação alheia” e observa que “Ninguém é inteiramente pessoal. O que devo é organizar essa faculdade de maneira a me aproveitar do alheio. Todos os grandes artistas de todas as artes foram enormes plagiários. O plágio só é condenável quando feito com a intenção de roubar o sucesso alheio. Guilherme de Almeida  plagiou descaradamente Pierre Loüys, mas conseguiu fazer as admiráveis Canções Gregas. Foi a tempestade de Ulisses, em Homero, que deu a tempestade de Virgílio, e esta deu a tempestade de Camões. São tempestades idênticas, e no entanto… são três tempestades”.  Considera que se deve “deixar de bobagens e de pruridos de ser original. Originalidade está na lógica da criação e se Debussy é feito de uma parte de franceses (até de Massenet!), e uma terça parte de Moussorgsky, lhe bastou botar uma terça parte de Debussy na sua criação para ser original e chefe de escola!”.

Na conversa com Marcelo observei aspectos indisfarçáveis quando da utilização do plágio em sua plena aplicação. Quem emprega tal processo reza pela “impunidade”. Nas teses acadêmicas, há por vezes parágrafos inteiros que foram levianamente copiados de obras de autores precedentes. Contudo, quem assim age quase sempre estará sujeito a ser descoberto, o que é vexaminoso para o fraudador. Isso ocorre nas Academias em nossas terras e alhures e, entre os examinadores desses trabalhos acadêmicos, poderá haver especialistas na área que revelarão a artimanha. “Roubar o sucesso alheio”, como afirma Francisco Mignone. Quantos não são aqueles que plagiam apresentando resultados “inéditos”? Fato mais grave, certamente.

No que concerne à imitação, tem-se algo que pode estar na fronteira do ridículo, mormente quando da interpretação musical ou teatral. Cacoetes reportam ao original e aquele que imita gestos ou estilo característicos de intérpretes consagrados poderá granjear sucesso entre o grande público, mas para o ouvinte ou espectador atento fica a ideia do embuste.

Quanto à criação contemporânea da música não erudita, o plágio pode ter sérias consequências e organizações há que estão atentas hodiernamente, mormente no hemisfério norte. Por vezes, multas altíssimas são cobradas ao usurpador.

Marcelo me disse que estará ainda mais atento. Lembrei-lhe que esses best-sellers de suspense, escritos por autores meteóricos, tendem ao plágio, imitação ou semelhanças de enredo. Autores que permanecem continuam a ser garantia de ineditismo, salvo exceções, e elas existem.

More than fifteen years ago I wrote a post about plagiarism. Now, from a different angle, I’m tackling such occurrences which, unfortunately, are present in almost every field.

 

Uma prenda jamais imaginada

A beleza salvará o mundo.
Fiodor Dostoïevski

Aproxima-se a data máxima da cristandade, que faz ressurgir esperanças nesta atualidade tão distante da verdadeira fraternidade. Guerras pelo mundo e, em nosso país, acirrada disputa ideológica, que apenas exacerba egos voltados à idolatria. Almejos autênticos, voltados ao aprimoramento sob os mais vários aspectos, pontuando-se ética, costumes, moral e, mais especificadamente, respeito, dignidade, honestidade e lhaneza, estiolam-se. A majoritária imprensa escrita e falada corrobora a decadência e nada faz para estancá-la. Contudo, a turbulência global não consegue  impedir o culto a raros valores que têm sido preservados, faróis a distanciar o homem do equívoco.

No início de Dezembro recebia votos de Natal do notável compositor francês François Servenière (1962-). Estranhei a antecipação, mas entendia a necessidade interior do compositor em transmitir um verdadeiro “Cadeau de Noël”.

Ao leitor mais recente comunico que a amizade que mantenho com François Servenière data de cerca de três lustros, sempre sob a égide da Música. Nossa vasta correspondência transita pelo Atlântico e ultrapassa bem mais de um milhar de páginas, máxime sobre criação e interpretação. Tive o privilégio de ser o dedicatário de obras capitais de Servenière: ” 7 Études Cosmiques” e “Outono Cósmico”; “Trois musiques pour endormir les enfants d’un artiste” e “Promenade sur la Voie Lactée” (Youtube), composições estas inseridas nos CDs “Éthers de l’Infini” (2017) e “Retour à l’Enfance” (2020) (France, Esolem).

Causou-me forte impressão uma das últimas obras de François Servenière, “The sacred fire”, criação de forte impacto e que está acompanhada de imagens criteriosamente escolhidas (vide blog: “The Sacred Fire”, 06/05/2023).

A versatilidade de Servenière, felizmente livre de tendências composicionais doutrinárias, faz-se presente na nova roupagem que dá à “Promenade sur la Voie Lactée”, que gravei em 2019 na Bélgica.

Promenade… decorre de uma homenagem de Servenière a Saint-Exupéry, mais precisamente ao “Le Petit Prince”, criação do escritor-piloto que transborda essencialidades.

Ao receber a nova versão da peça, a partir da mencionada para piano solo, confesso ter ficado muito emocionado. São vários os motivos: ambos gostamos imenso da opera omnia de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944). Não poucas vezes comentei neste espaço que “Citadelle” foi a obra que escolhi para releitura ao saber, em 2004, de um câncer agressivo que, no dizer de alguns especialistas, poderia me levar aos anjinhos em até um ano. À noite, após veredicto, perguntei-me sobre o que ler nesse espaço de tempo. Respondi-me, reler o livro que mais impacto me causou. Retornei à “Citadelle” e o posicionamento anterior apenas se ratificou.

Na atual versão, engenhosamente, François Servenière insere orquestra de cordas, mas a partir estritamente da minha interpretação apresentada em vários países e posteriormente gravada. Servenière escreve: “Querendo regressar há muito tempo à versão orquestral inicial, que originou a transcrição para piano, utilizei-me naturalmente da tua execução, a fim de guiar a pujança e a respiração da orquestra de cordas da obra original de 2008. O espírito está sempre presente, mercê de estar ele decuplicado pela tua condução pianística quase orquestral, onde as cordas ficam submissas à tua amplitude galáctica. Seja qual for a interpretação que se dê, tenho a sensação que ela atinge sempre o sublime. Que chance!”.

A magia vem da acoplagem perfeita dos instrumentos de corda à interpretação ao piano e das imagens pertinentes ao tema. Assim como fez ao cuidar das ilustrações para “The Sacred Fire”, Servenière escolhe-as sempre relacionadas à “Promenade”… e excede. Apresenta, após belas visões do incomensurável espaço, um astronauta, antes preso ao cabo, que, ao soltar-se, navega liberto pelo universo e encontra finalmente o Pequeno Príncipe na última imagem, ambos saudados por um cometa de passagem. Inefável apreensão. Estou a me lembrar da frase do excelso engenheiro de som belga Johan Kennivé: “Servenière é um gênio”.

Clique para ouvir, de François Servenière, a nova versão da “Promenade sur la Voie Lactée”, para piano e orquestra de cordas, a partir da minha gravação acima pautada:

https://www.youtube.com/watch?v=LSfmHoqmjoo

I was moved to receive a beautiful composition by the remarkable French composer François Servenière, anticipating Christmas. Servenière uses my recording of “Promenade sur la Voie Lactée”, his tribute to Saint-Exupéry’s Petit Prince that is a track from the CD “Éthers de l’Infini”. Bringing together my piano recording with a string orchestra and carefully selected images, he manages to attain the most exquisite and touching results.

 

 

Criações de Jorge Peixinho para piano

No meu caso, tendo para a liberdade e tendo para o rigor.
Pretendo que essa liberdade, a liberdade da criação,
as opções que a cada momento se me põem [...]
estejam sempre temperadas por um princípio de rigor muito forte.
Um rigor que pode ser um rigor “a priori”,
um rigor pré-determinado, o qual existe por vezes na minha obra,
mas que devo confessar,
nasce na maior parte dos casos um pouco depois.
Jorge Peixinho (1940-1995)
(in “A caminho de novos portos”)

Jorge Peixinho (1940-1995), nascido em Montijo, Portugal, foi um dos grandes nomes da música portuguesa e mundial na segunda metade do século XX. Mente curiosa e inventiva, agregou à composição inúmeros processos criativos que enriqueceram a linguagem musical e se apresentam como estimulantes desafios para os intérpretes.

Oportuno e providencial o aprofundamento a que se dedica a pianista e professora Ana Cláudia de Assis, que, após criteriosas pesquisas, brilhantemente tem divulgado a música contemporânea. “A caminho de novos portos: o piano de Jorge Peixinho no intercâmbio musical entre Brasil e Portugal (1970-1990)”, (Lisboa, CESEM – Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical, NOVA FCSH, 2023) é resultado de um segundo pós-doutoramento junto ao CESEM/Universidade NOVA de Lisboa, supervisionado pelo notável musicólogo Mário Vieira de Carvalho. O prefácio preciso é assinado pelo musicólogo e compositor Manuel Pedro Ferreira. Louvem-se os relevantes trabalhos acadêmicos da pianista sobre César Guerra-Peixe (1914-1993) e o inquestionável Fernando Lopes-Graça (1906-1994). Com ampla atuação no Exterior, nessa busca incessante de divulgar a criação contemporânea tem de maneira sistemática corroborado as ligações da música composta em Portugal e no Brasil.

A autora traz a público a importância fulcral do compositor, pianista e professor Jorge Peixinho e a sua relação com o Brasil. Conhecedor profundo das tendências composicionais vigentes e emergentes da Europa, criou um estilo muito pessoal. Seus contatos com músicos brasileiros foram férteis, principalmente aqueles mantidos com alguns compositores que participavam do Festival Música Nova, criado por Gilberto Mendes (1922-2016) na cidade de Santos e que acontecia todos os anos.

Para que “A caminho de novos portos” tivesse a amplitude necessária quanto ao conhecimento de Jorge Peixinho, suas aspirações, sua atividade musical, seus contatos com músicos brasileiros, Ana Cláudia preliminarmente se muniu de farto material, a abranger os programas apresentados por Peixinho, a recepção crítica ou não e as missivas tão bem elaboradas pelo compositor.

“A caminho de novos portos” desvela parte sensível das inquietações de Jorge Peixinho, compositor que estava, à maneira de um vulcão, em constante erupção criativa. Segui-lo através do histórico das composições para piano, estas acompanhadas por criteriosas análises da autora, corrobora o necessário entendimento de tantos porquês, até então ocultos, virem a público com competência. Reproduz, com imagens, programas, cartas e explicações de Peixinho, as  intenções do compositor para a exata interpretação de sua música.

A interação Portugal-Brasil, que evidencia o fascínio de Jorge Peixinho pelos trópicos, sempre à busca de uma integração plena entre compositores portugueses e brasileiros, assim como tantos da América Latina, está documentada em cartas de Peixinho a vários interlocutores, mormente a Gilberto Mendes, seu amigo-irmão na música e em tantos outros temas, material esse valiosíssimo colhido por Ana Cláudia de Assis em inúmeras fontes, entre as quais a de Eliane Mendes, viúva de Gilberto. Essa intensa troca de missivas entre os dois mestres, se de um lado tratava de assuntos protocolares a envolver as expectativas da travessia atlântica, voltava-se às tantas apresentações de Peixinho no Brasil, aos temas do cotidiano, a revelar igualmente alguns processos criativos tão presentes na escrita de ambos.

A primeira carta de Peixinho a Gilberto Mendes (25/01/1964) prenuncia uma relação que se estreitaria e que se estenderia até a morte do compositor português aos 30 de Junho de 1995: “E preparemo-nos para um intercâmbio futuro!”. Esse estreitamento, que se aprofundaria a partir do primeiro encontro pessoal em 1968, nos Ferienkurse für Neue Musik em Darmstadt, Alemanha, ficaria indelével a testemunhar uma amizade singular.

A autora, ao elencar as turnês de Jorge Peixinho pelo Brasil, ao longo das onze vezes em que viajou pelo país como pianista, compositor, palestrante e professor (1970-1994), dimensiona as afeições. De todas as cidades, Santos seria seu porto seguro, graças fundamentalmente à amizade profunda que manteve com Gilberto Mendes e Eliane.

De importância, o turbilhão de ideias que povoava a mente de Jorge Peixinho. Ana Cláudia se debruça sobre as buscas por novos processos que porventura pudessem proporcionar a Peixinho uma apreensão sonora inusual. O piano como laboratório de sons inusitados.

Se essa atitude era corrente na composição de outros autores, máxime na segunda metade do século XX, frise-se o cuidado de Jorge Peixinho para que procedimentos não resultassem no impacto pelo impacto junto ao público. Antolha-se-me que a ele importaria extrair os recursos possíveis do instrumento não aleatoriamente, mas a seguir sua mente privilegiada. Por esse motivo anexou, na apresentação de tantas partituras, grafismos que orientam o intérprete sobre suas intenções para a performance mais exata possível de suas obras. Jacques Février (1900-1979), o ilustre pianista e professor francês, apregoava: “há mil maneiras de se tocar uma obra, uma só é equivocada, trair o pensamento do autor”. As prévias explicações de Peixinho se tornam uma garantia para a boa interpretação. Desconhecê-las pode distanciar o intérprete de uma execução fiel.

Após a morte de Jorge Peixinho, Gilberto Mendes, a meu pedido, compõe o “Estudo, Ex-tudo, Eis tudo pois” (1997), in memoriam Jorge Peixinho, criação que apresentei em première no Mosteiro da Orada em Monsaraz, no Alentejo (17/07/1997), com a presença do Exmo. Presidente de Portugal, Dr. Jorge Sampaio. Mendes lembra-se do amigo através de tratamentos da escrita professados por Peixinho, assim como do gosto pessoal pelo cotidiano ou outro gênero musical, elementos que pontificam no magnífico tributo gilbertiano.

Clique para ouvir, de Gilberto Mendes, “Estudo, Ex-tudo, Eis tudo pois”, in memoriam Jorge Peixinho (1997), na interpretação de J.E.M.:

https://www.youtube.com/watch?v=eXy69fjF-Yw

No próximo blog comentarei a obra para piano de Jorge Peixinho (18 peças), mormente os cinco Estudos, pormenorizando, entre esses, o “Étude V Die Reihe-Courante” e sua trajetória. Ana Cláudia com agudeza pormenoriza no precioso livro os caminhos diferenciados empreendidos por Peixinho na elaboração de seus Estudos. É justamente o “laboratório mental” do compositor que o impediu de compô-los num curto período, como habitualmente assim procederam seus antecessores privilegiando aspectos técnico-pianísticos e reunindo-os em coletâneas: Chopin, Liszt, Scriabine, Rachmaninov assim agiram. Jorge Peixinho estava a buscar “novos portos”, daí a distância temporal entre os Estudos.

Ana Cláudia de Assis, pianist, teacher and musicologist, in researching the piano work of the notable Portuguese composer Jorge Peixinho makes a significant contribution  not only to the analysis of his creations, but also highlighting the composer’s love affair with the Portugal-Brazil bridge. He has visited Brazil 11 times for concerts, lectures and classes, preferably playing Portuguese music.