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Reflexões sobre o Tema

O homem é comumente ligado àquilo que ele acredita conhecer,
mais do que àquilo que sabe ignorar.

Não se faz arte que fale às massas quando nada se tem a dizer.
André Malraux

Após o advento tecnológico destas últimas décadas foram muitas as vozes a vaticinarem o final da leitura impressa. Se dados concretos corroboram a assertiva, como a diminuição sensível dos periódicos diários, a transferência clara de tantas colunas jornalísticas para o denominado online, o surgimento de tantos veículos independentes, como os blogs que atingem hoje um número incalculável de adeptos, não menos certo é que o livro impresso continua sua trajetória. É lógico que sofreu impacto, teve de se reinventar para não perecer, mas permanece.

Nunca é pouco mencionar a perenidade do livro e sua retenção na memória de quem lê. Se a tecnologia apresenta sucessivamente novas formas de leitura e, nesse curto caminho, está permanentemente a aperfeiçoar o acesso à virtualidade, considere-se que o aparente imobilismo do livro impresso provoca em seus algozes a crítica que antevê o desaparecimento. O tema está longe de ter um final, o debate poderá tornar-se acirrado, mas as desigualdades quanto às trajetórias das duas abordagens não são motivo para a prevalência da forma virtual. O convívio deverá prosseguir e, se a tradição se perpetua desde Johannes Gutenberg (1398-1468), o advento dos meios tecnológicos e sua aceleração constante tornam o quadro virtual absolutamente imprevisível.

Antes de inserir parte do e-mail de François Servenière, mencionaria observações de profunda atualidade por ele enviadas após sua mensagem inicial. Trata-se de frases de Boris Souvarine (1895-1984) que remontam ao ano de 1937!!! Escreve: “Ao encontro de muitas previsões, de todas as esperanças, o progresso das artes e das profissões, das ciências e das técnicas não trouxe para a humanidade um progresso intelectual e moral paralelo, mas correspondeu a uma regressão sensível. Les Lumières, como se dizia no século XVIII, estão hoje numa rota inversa às conquistas da eletricidade. Tudo que deveria esclarecer a consciência do homem é utilizado para melhor enganar, a difundir pressupostos… E o número daqueles indivíduos capazes de pensar por si próprios decresce a cada dia”. Poderia essa ponderação ter sido escrita hoje e a acharíamos pertinente.

Voltando-se aos livros, e mercê de toda uma estonteante transformação cultural nas últimas décadas, percebe-se que a literatura tem sofrido decadência no sentido de um aviltamento de conteúdo, salvo  exceções já mencionadas no blog anterior. Mario Vargas Llosa, em seu magnífico “La Civilización del Espectáculo”, comenta: “Não é pois estranho que a literatura mais representativa de nossa época seja a literatura light, leve, ligeira, fácil, uma literatura que, sem o menor rubor, propõe-se ante tudo e sobretudo (quase exclusivamente) a divertir. Apesar da superficialidade de tantos textos, há entre seus autores verdadeiros talentos”. Seria possível entender essa literatura cotidianamente em ascensão, que entretém e que vende muito, para gáudio das editoras, consequência dessa decadência da língua, de sua estrutura e do conteúdo intrínseco que ela deveria manter. Nenhuma derrocada acontece sem a destruição de raízes sólidas. Em todas as áreas.

Voltemos a François Servenière. Escreve: “Sobre seu texto cuja origem está na discussão com sua netinha Emanuela, à qual felicito pela consciência esclarecida para sua idade, creio que você conhece minha posição que por várias vezes evoquei nas numerosas participações em seu blog. Ei-las:

Os livros não entram jamais em pane: a consequência direta é que a civilização da eletrônica está condenada no futuro, a menos que assegure ao mundo o fornecimento elétrico permanente para a eternidade, o que se vaticina impossível a longo prazo, como sabemos. O caminhar pela história através dos séculos é feito de altos e baixos, de períodos luminosos e de outros sombrios. A eletricidade não estancará esse fenômeno de usura de todas as sociedades. O livro tem ainda um futuro brilhante.

As ditaduras detestam os livros e desejam substituir toda a cultura por O LIVRO: fenômeno recorrente de todas as ideologias ditatoriais, que começam sempre por obstaculizar o primeiro instrumento de liberdade da humanidade, os livros, actus fidei, incêndio de bibliotecas…  Nossa Ministra da Cultura da França não ousou dizer publicamente em recente entrevista (eu insisto, Ministra da Cultura) de que não lia um livro há dois anos? Lembro-lhe de que ela é a Ministra da Cultura da FRANÇA, país sabidamente da literatura!!!”. Gostaria de acrescentar que assisti ao vídeo em que a Ministra da Cultura e da Comunicação, Fleur Pellerin, antecedia essa afirmação, a dizer que almoçara descontraidamente, dias antes, com o Prêmio Nobel de literatura de 2014, Patrick Modiano, e, ao ser questionada sobre quais obras conhecia do festejado escritor francês, não soube responder (sic)!!! Para um país que teve como Ministro da Cultura o grande escritor, pensador, humanista, político e conhecedor das artes André Malraux (1901-1976), autor de obras referenciais como La Condition Humaine, La Voie Royale e Musée imaginaire de la Sculpture Mondiale, entre tantas outras, tem-se uma queda abissal!!! Continua Servenière:

O que permitiu aos povos sobreviver sempre em tempos de ditaduras: OS LIVROS “.

Essa última frase do compositor e pensador francês nos faz lembrar de episódios históricos lamentáveis. Em França, durante a Revolução Francesa, os instrumentos musicais da família do cravo foram incendiados, pois representavam a monarquia. A Revolução Maoísta na China não pôs fogo em todas as partituras ocidentais, que representariam o “capitalismo decadente”? O relato pungente desse período sinistro está no livro da extraordinária pianista chinesa Zhu Xiao-Mei (vide blog “La Rivière et son secret – A pianista Zhu Xiao-Mei e seus desvelamentos”, 06/11/2009). Em termos nossos, o nosso último ex-presidente não teria declarado que sentia preguiça em ler um livro? Ao menos um dito conhecido atenua posições: “pior do que não ler um livro é ler apenas um”.

Se o destino do livro deve ser obviamente a leitura, lido e assimilado, entendê-lo como um “amigo” é consequência, pois na estante aguarda sempre o momento da revisitação. O livro impresso tem essa virtude inalienável e mais outras individuais, mormente os mais antigos. Com o passar dos anos, suas páginas impregnam-se até de fragrâncias características, a depender da idade do volume. Se já lido, ainda mais prazer temos nesse novo encontro, mormente se deixamos anotações que com o tempo podem até não corresponder às nossas reflexões tardias.

Servenière conclui: “Quando um país destrói sua cultura, ele destrói sua alma. Trata-se de uma  bandeira do socialismo que pretende, em todos os lugares, fazer com que os povos passem do ‘obscurantismo à luz’, por ideologia, é claro, erradicando as estruturas antigas, a fim de fundar ‘o homem novo’. Tabula rasa”. (tradução: J.E.M.)

This week I resume the subject of last week’s post , writing about the light literature of today — a blatant example of language deterioration —, the aim of which is just to entertain and to sell. The French composer François Servenière enriches the topic with his usual sharpness, commenting on how anti-intellectualism is often a face of totalitarianism, because books are an instrument for freedom of thought.

 


Conversa Promissora

Se a literatura salva? Não, não salva. Mas se ela se extinguir, extingue-se tudo.
Hélia Correia (escritora portuguesa)

Minha neta Emanuela, em seus 12 anos e habituada, como a maioria de seus coleguinhas, aos aparelhos portáteis de comunicação, leu os últimos blogs relacionados à proliferação acentuada dessas “engenhocas” e suas consequências, devidas em grande parte às modificações constantes e apelativas de novos modelos e aplicativos que seduzem as novas gerações. Emanuela comentou que ama esses aparelhos, mas também a leitura. Sei disso e a vejo constantemente com um livro com temática relacionada à sua idade. Seguindo uma onda que assolou o planeta, Emanuela e minhas outras netas, quando de sua faixa de idade, percorreram com avidez a série completa das aventuras de Harry Poter, de J.K Rowling, como também outros livros. No início  dos anos 1950 não li com entusiasmo Monteiro Lobato, Viriato Correa e Edmondo De Amicis? Maria Teresa (16) tem lido cerca de 20 livros anualmente, desde os doze anos e abordando variados temas!!!

Dificilmente o hábito da leitura não vem acompanhado de um interesse que pais ou avós despertam na prole. Diria, uma espécie de DNA do intelecto e do espírito. A tecnologia atual despertou na nova geração uma outra possibilidade de leitura, rápida e descartável, e o WhatsApp aí está para evidenciar essa assertiva. Mensagens curtas, cifradas tantas vezes, substituindo as cartas de passado recente. Não há retorno, mas também essa absoluta certeza não inviabiliza a presença de uma carta melhor redigida, a seguir a tradição ou, num sentido mais amplo, o livro impresso. São compartimentos diferentes, que tendem a resultar em posturas outras sobre muitos aspectos culturais. É possível comprar e armazenar, em aparelhos como Kindle, uma biblioteca inteira e inclusive fazer anotações nessas páginas virtuais, que viram naturalmente à medida que a leitura prossegue, a propiciar ao leitor a sensação do livro impresso. Cataloga-se o que é lido e toda uma estante de volumes fica guardada (provisoriamente?) na memória dessas “engenhocas”.

Vozes têm sido ouvidas. Teme-se a breve obliteração do que deva ser preservado. Os mais entusiastas apostam na imagem virtual e programas que substituam o livro impresso. A aceleração é notória. O livro tem permanecido e deverá preservar espaços mais reservados, a depender da área. Muitas formas de edição têm sido criadas, objetivando tiragens menores e criativas. Em curso. Livros dos denominados “famosos” contêm prioritariamente mais divulgação do que conteúdo. Sob outro contexto, livros que discorrem sobre pensamento ou cultura estão condenados às tiragens reduzidas, mas são salvaguarda, resistência que traz alguma esperança.

Focos foram direcionados alhures. Num outro contexto, seria possível entender que a ascensão de toda uma música pop tenha provocado um encolhimento na divulgação da música denominada clássica. Patrocinadores sempre buscam caminhos que lhes propiciem o lucro. Ainda há pouco ouvia entrevista de um especialista em esportes a dizer que, no Brasil, o vôlei desperta ultimamente muito maior interesse do que o basquete e que as empresas migraram para aquela especialidade, mercê de públicos sempre a bater recordes de frequência. Dá-se o mesmo em relação à literatura e à música e escritores e artistas mais propalados pela mídia merecem maior atenção. É a lei do mercado a independer tantas vezes da qualidade intrínseca do que tem de ser divulgado e… consumido.

Presentemente, com a difusão de e-books, mais acentuadamente haverá contingente de leitores buscando esse acesso ao livro na forma virtual. Habituado à internet, aos aparelhos eletrônicos e aos seus aplicativos in progress, esse leitor já está propenso, mormente no que tange às novas gerações, às leituras através desse processo virtual. Fato sem retorno. Para as gerações que, pela tradição, sempre cultuaram o livro impresso, há poucas mudanças, preferencialmente para aquelas que manuseiam a eletrônica de maneira parcimoniosa. Todavia, parece claro que, maior a difusão e publicidade de inovações que se sucedem, maior será a curiosidade do jovem frente aos modelos que surgem. O tempo, que outrora foi dedicado à leitura impressa e que levava à reflexão e à retenção na memória, diferencia-se na essência do atual, com consequências imprevisíveis.

Sob outro contexto, preocupa-me o aviltamento que diuturnamente está a ser perpetrado contra a língua portuguesa. Provedores que apresentam notícias estão plenos de erros primários pela falta de preparo daqueles que as redigem. Artigos assinados ainda têm maior confiabilidade quanto à língua portuguesa, mas é só. Aqueles que acessam provedores se deparam com o erro que, através da repetição, incorpora-se ao “acervo”, ora deturpado. Toda essa “leitura” imediatista nos mais diversos meios eletrônicos de comunicação está a ser progressivamente desvirtuada, mercê obviamente da simplificação linguística. Considere-se, ainda, que parte considerável da nova geração, quando busca livro impresso, também graças à formação educacional menos embasada, escolhe obras de grande divulgação, geralmente sem conteúdo e mal redigidas ou traduzidas sem esmero.

“Público”, jornal diário português, publicou no último dia 7 de Julho o texto que a escritora portuguesa Hélia Correia (1949- ) leu ao receber o Prêmio Camões em Lisboa. Diz a autora que “as línguas são os únicos seres vivos que não têm origem natural”. Afirma que ” Na ditadura da economia, a palavra é esmagada pelo número. A matemática, que começou nobre, aviltou-se, tornando-se lacaia”. Continua: “O nosso mundo de sobreviventes está seguro por laços muitos finos. Eu vejo os fios que unem os textos nas diversas versões do português, leves fios resistentes e aplicados a construírem uma teia que não rasgue”. Há sempre esperanças.

À minha pequena Emanuela, que admira livros antigos como poucos, mas adora as tais “engenhocas”, mostrei estantes plenas de obras. Perguntei-lhe se saberia me dizer as personalidades físicas de cada livro percorrido através dos denominados e-books. Não se lembrava. Mostrei-lhe fotos das grandes bibliotecas europeias e ela se encantou. Disse-lhe que uma das grandes emoções que tive foi dar recitais de piano na maravilhosa Biblioteca Joanina, em Coimbra. Sabedoria de séculos conservada naquelas estantes!!! Os sons do piano em convívio harmonioso com a História, que escreve sobre o Homem em seu caminhar pela vida!!! Carinhosamente, “penetramos” nas minhas humilíssimas outras estantes e afirmei-lhe que cada obra sobre música lida e que lá estava, sempre disponível para nova consulta, representava uma relação de amor,  pois nunca recusara a minha curiosidade. Cada lombada é um convite. O livro não se furta a mostrar o conhecimento inerente. Ele lá está, por vezes desgastado pelo tempo, outras vezes após recente chegada às prateleiras de madeira. Nunca se incomodaram com as muitas anotações que, desde os anos 1950, eu deposito com carinho em seu interior. Sei onde elas foram grafadas. Através da lombada, à maneira de uma janela que se abre para a paisagem, o interior do livro, já incorporado às antigas visitas, pode sempre revelar outros segredos.

A chat with Emanoela, my 12 year-old granddaughter, was the starting point of this post, a reflection upon e-books — now a popular reading standard — and paper books. Which one is better? Is there a place for both digital alternatives and the traditional physical books? Why are tactile sensations (the smell of the pages, the heft of a book, the touch of it) important for some readers?

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Recepção Forte ao Descaso das Autoridades

Contudo, a verdade é que os mais ferozes
levam vantagem sobre os mais civilizados,
chegam primeiro,
autoselecionam-se
na luta pela sobrevivência da estupidez mais arcaica.
Torvi Johansen
(Animalité Humaine)

Foram muitos os testemunhos, tantos deles via oral. Frequentadores do blog e moradores da nossa cidade bairro, Brooklin-Campo Belo, assim como de outras regiões da cidade, enfatizaram a plena negligência do alcaide e sua equipe com os problemas vitais que infernizam a vida do cidadão paulistano. A compulsão pelas ciclovias, cracolândia, zoneamento arbitrário e a nítida repulsa aos automóveis e à classe dita média são notórias. Comentada pela mídia mais esclarecida. A atitude das autoridades tem gerado uma revolta interior na maioria da população e deverá ser traduzida nas urnas em 2016, quando da eleição de um novo Prefeito da cidade.

Dos posicionamentos recebidos selecionei três: do professor da USP,  Gildo Magalhães, especialista em Ciência da Comunicação e com larga experiência internacional na área, do leitor João Cardoso e de meu partner em tantos blogs, o músico e pensador francês François Servenière.

Gildo Magalhães esclarece: “Mais que oportuna sua reflexão! Incidentalmente, fui o coordenador da norma da ABNT NBR9050, que se tornou obrigatória por lei no estado de São Paulo há quase vinte anos e, desde dezembro de 2004, em todo o país por decreto federal. Trata-se da norma brasileira de acessibilidade, que trata de vários aspectos dentro das edificações de uso público (conseguimos tornar gratuito o seu conteúdo, de forma que é só digitar o número citado que a norma pode ser baixada pela internet). Além disto, esse dispositivo legal contém um capítulo sobre as vias públicas e, no que tange às calçadas, exige um piso regular, firme e não escorregadio, livre de obstáculos. Praticamente a totalidade de nossas calçadas está rigorosamente fora da lei e, nem é preciso dizê-lo, a prefeitura é impotente para corrigir essa desatenção para com a lei!”

O leitor atento João Cardoso escreve: “Só lembrando que, nos grandes arredores do ed. Matarazzo (da Luz até a Sé), a cena é pior. Quando existem, as calçadas estão imundas e esburacadas. E os prédios estão ocupados, há mendigos, refugiados e cracômanos de toda sorte. No entanto, permanece  vicejante a faixa vermelha em ruas e avenidas do velho centro. Vazias, as faixas, é claro. Nós, pedestres, pulamos amarelinha para desviar de fezes humanas – sim, pois nem os cães ficam por lá – na praça da Sé e na Praça da República… Então, se sob as barbas do Catilina, que olha lá do alto do vale do Anhangabaú, a sujeirada só cresce, o que dizer? Preocupa-me o novo plano diretor. Venderam a cidade para as incorporadoras, as mesmas envolvidas nos escândalos estranhos recentes, para que prédios e construções de diversos fins sejam levantados em vias de regiões antes tidas como estritamente residenciais. A dr. Arnaldo está nestes planos. As dos Jardins e outros bairros também. A citação de Cícero, mencionada pelo professor ao final do blog da semana passada, diz tudo”.

Sinto-me privilegiado com as mensagens semanais do músico e pensador francês François Servenière comentando meus blogs. Verdadeiro partner de meus posts hebdomadários, Servenière observa preferencialmente a primeira parte do texto anterior, referente à nossa endêmica corrupção, galopante nestes últimos governos: “Li atentamente o blog desta semana e acrescento que ela conduz aos mesmos defeitos recorrentes em todas as democracias, mormente quando evolui em direção a um socialismo que propõe defender os mais pobres e os menos favorecidos, mas que inexorável e inevitavelmente se dirige à tirania e ao clientelismo, únicos modos operantes nesses regimes. A Grécia desceu ao nível tão baixo atual pelo mesmo problema da corrupção: sem lastro, burocracia invasora fora dos limites financeiros do país, sistema previdenciário falido, ausência de um sistema impositivo digno de um país moderno, discursos demagógicos e populistas…  A sua história do papel higiênico antes da queda do Muro de Berlin me faz lembrar de uma lista que tenho sempre bem guardada, ou seja, a relação dos 100 primeiros itens que faltam no caso de um caos econômico. Diria ainda que nenhuma sociedade está ao abrigo de um caos político-econômico, sobretudo nos dias de hoje em que o endividamento mundial atingiu um ponto extremo jamais visto na história da humanidade. Tendo como testemunho a situação da Grécia após o fechamento dos bancos, precedendo o referendo demagógico, não nos esqueçamos das palavras do Primeiro Ministro em Março: ‘Eu não fecharei os bancos’. Segundo estimativas, daqui a três semanas não haverá mais o que comer na Grécia, não haverá dinheiro. ‘Situação de sobrevivência semelhante à da União Soviética’ desde o último domingo, como diz nesta semana um empresário grego em entrevista ao Le Point (após a mensagem de Servenière, houve um acordo entre a União Europeia e a Grécia, com resultado imprevisível).

O certo é que os povos tendem a colocar no poder, obedecendo a ciclos, pessoas responsáveis. É tão mais fácil se fazer eleger pela demagogia e populismo! O fato é que a Grécia não só inventou a democracia, como a demagogia, e isto lamentava Aristóteles. A única resposta justa e universal sob todos os céus, mas não chegada aos holofotes, está contida na frase de Winston Churchill,  ‘suor, sangue e lágrimas’, que se antepõe ao ‘pão e circo’ nefasto, tão ao gosto dos títeres. Jamais, jamais, jamais as situações dos povos e dos países melhoram se virarmos os polegares para baixo” (tradução JEM).

As metonímias mencionadas por Churchill em discurso pungente durante a IIª Grande Guerra passam sempre ao largo do caminho de nossos governantes, infelizmente.

Concluindo este post, regressaria às calçadas e ciclovias, amparando-me em matéria publicada no dia 8 de Julho na primeira página do caderno Cotidiano, de A Folha de S.Paulo. Escreve o articulista Artur Rodrigues: “Na avenida Paulista, um tapete vermelho. Na avenida Bento Guelfi, no extremo leste de São Paulo, lama”. Após considerações, prossegue: “Já nos extremos da cidade a manutenção foi deixada de lado – e as ciclovias estão tomadas por sujeira, buracos, enchente, falta de sinalização, iluminação e fiscalização”. Esse descaso é intolerável. Busca o alcaide de plantão atingir os 400km de ciclovias durante seu mandato e, logicamente, a da av. Paulista leva toda a mídia a comentar. Quanto à preservação daquelas mais ocultas, bem, trata-se de um pormenor. Qualquer cidadão da cidade que queira comprovar esse descaso, é só passar ao lado das muitas ciclovias e verificar in loco o abandono vergonhoso da Prefeitura quanto à manutenção e, sob o aspecto da frequência, a mínima acolhida pelos ciclistas durante a semana, mercê da total falta de planificação para a implementação desses caminhos alternativos. Quanto às calçadas, tema central do post da semana anterior, foram jogadas para as calendas, ad kalendas graecas.

This post is a selection of messages received with comments on last week’s post about the deplorable state of neglect of the sidewalks in São Paulo. It seems many readers agree that the city has been completely forgotten by the mayor, anxious to invest public money on bike paths, the so called “crack land” and the unrestrained verticalization of the city.

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In Memoriam

 

A data da publicação deste post coincide com a efeméride a comemorar o centenário de nascimento da Professora Olga Rizzardo Normanha. A notável mestra formou gerações de pianistas vindos de vários rincões do Brasil, tendo sido personalidade destacada na vida cultural de Campinas. Quando de seu falecimento, em 2013, publiquei em meu blog dois posts a salientar sua trajetória. Olga Normanha, mãe de minha mulher Regina, foi querida sogra (vide posts: “Professora Olga Rizzardo Normanha – 1915-2013″, 02 e 09/03/2013).

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