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“Réfléxions diverses – De La Retraite”

Nossos inimigos se aproximam mais da verdade
em seus julgamentos sobre nós do que nós mesmos.

A velhice é um tirano que proíbe, sob pena de morte,
a juventude de todos os prazeres.

Poucas pessoas sabem ser velhos.
La Rochefoucauld (1613-1680)

“De la Retraite” não faz parte da primeira edição das “Maximes”, datada de 1665, mas integra edições posteriores num conjunto denominado “Réfléxions diverses”. Nessas, La Rochefoucauld, contrariamente aos breves aforismos das “Maximes”, estende os textos numa linha reflexiva e, por vezes, filosófica. Selecionei um em especial, que aborda tema fulcral da existência, a denominada terceira idade (Retraite), fase derradeira do ser humano, cuja duração depende de inúmeros fatores a preceder o final irreversível. Mercê da atualidade das reflexões e do aumento substancioso de idosos no nosso país, transcrevo-o na íntegra, não sem antes inserir um precioso comentário de J.-F. Thénard, autor do prefácio e das inúmeras notas de rodapé da edição de 1937 das “Máximas”. Escreve: “Se La Rochefoucauld fosse um poeta na acepção do termo, nós diríamos que essa reflexão expressa o canto do cisne, como se o filósofo e grande escritor exprimisse o seu adeus à vida ativa; mas falaria ele para si mesmo? Ele captava os modismos, ou melhor, aquilo que ele observava ao seu redor; pois um espírito dessa envergadura seria incapaz de languidez numa inatividade contemplativa”.

La Rochefoucauld – “De la retraite”

“Eu me envolveria em um discurso muito longo se relatasse aqui, em detalhes, todas as razões naturais que levam os idosos a se afastar da vida social: a mudança em seu temperamento, em sua aparência e o enfraquecimento dos órgãos os levam imperceptivelmente, assim como a maioria dos outros animais, a se afastar da convivência com seus semelhantes. O orgulho, que é inseparável do amor-próprio, passa então a servir-lhes de razão: eles já não se deixam lisonjear por muitas coisas que adulam os outros; a experiência lhes revelou o valor de tudo o que os homens desejam na juventude e a impossibilidade de desfrutar disso por mais tempo; os diversos caminhos que parecem abertos aos jovens para alcançar a grandeza, os prazeres, a reputação e tudo o que dignifica os seres humanos lhes são fechados, ou pela fortuna, ou pela conduta ou, ainda, pela inveja e a injustiça dos outros; o caminho para se reencontrar é muito longo e penoso; quando alguém já se perdeu uma vez, as dificuldades parecem insuperáveis, e a idade já não lhes permite mais tentar superá-las. Eles se tornam insensíveis à amizade, não apenas porque talvez nunca tenham encontrado uma verdadeira, mas porque viram morrer um grande número de seus amigos que ainda não tinham tido tempo nem oportunidades de decepcioná-los, e se convencem facilmente de que teriam sido mais fiéis do que aqueles que lhes restam. Eles já não têm mais parte nos primeiros bens que inicialmente preencheram sua imaginação; eles quase não têm mais parte na glória: aquela que conquistaram já foi desbotada pelo tempo, e muitas vezes os homens mais perdem do que ganham à medida que envelhecem.  Cada dia lhes tira uma parte de si mesmos; não têm mais vida suficiente para desfrutar do que possuem, e muito menos ainda para alcançar o que desejam; eles não veem mais à sua frente senão tristezas, doenças e humilhação; tudo já foi visto, e nada pode ter para eles o encanto da novidade; o tempo os afasta imperceptivelmente do ponto de vista de onde lhes convêm ver as coisas, e de onde elas devem ser vistas. Os mais felizes ainda são aturados, os demais são desprezados; a única saída que lhes resta é esconder do mundo aquilo que talvez já tenham mostrado demais. Seu gosto, desiludido dos desejos inúteis, volta-se então para objetos mudos e insensíveis: os edifícios, a agricultura, a economia, o estudo; todas essas coisas estão sujeitas à sua vontade; eles se aproximam ou se afastam delas como bem entendem; são senhores de seus projetos e de suas ocupações; tudo o que desejam está ao seu alcance e, tendo-se libertado da dependência do mundo, eles fazem com que tudo dependa deles. Os mais sábios sabem empregar o tempo que lhes resta para a própria salvação e, tendo apenas uma parcela tão pequena nesta vida, tornam-se dignos de uma vida melhor. Os demais têm, pelo menos, apenas a si mesmos como testemunhas de sua miséria; suas próprias fraquezas os divertem; o menor descanso lhes serve de felicidade; a natureza, falha e mais sábia do que eles, muitas vezes lhes poupa o sofrimento de desejar; enfim, esquecem o mundo, que está tão disposto a esquecê-los; até mesmo sua vaidade é consolada por seu retiro e, com muitos aborrecimentos, incertezas e fraquezas, ora por piedade, ora pela razão, e na maioria das vezes por hábito, suportam o peso de uma vida insípida e lânguida”.

“De la Retraite”, último texto das “Réflexions diverses”, foi escrito bem antes do desenlace do autor aos 66 anos, no início da terceira idade, segundo os parâmetros atuais. Como bem observa J.-F Thénard, Rochefoucauld estaria a pensar na sua atual posição quando escreve: “Seu gosto, desiludido dos desejos inúteis, volta-se então para objetos mudos e insensíveis: os edifícios, a agricultura, a economia, o estudo; todas essas coisas estão sujeitas à sua vontade”, mormente no segmento: “Os mais sábios sabem empregar o tempo que lhes resta para a própria salvação e, tendo apenas uma parcela tão pequena nesta vida, tornam-se dignos de uma vida melhor. Os demais têm, pelo menos, apenas a si mesmos como testemunhas de sua miséria”.

As “Máximas” e as “Diversas Reflexões”, escritas há mais de três séculos e meio e reeditadas inúmeras vezes, têm fundamental importância em vários particulares, pois não apenas traduzem o que se processa no cotidiano através da história, como eleva a um grau de excelência a importância do fragmento, este expresso nas “Máximas”, assim como em textos como “De la Retraite”, no qual condensa aspectos fulcrais de sua personalidade, sendo que um deles, o ceticismo, não está descartado.

La Rochefoucauld’s reflections on old age, despite their skepticism, remain entirely relevant more than three and a half centuries later.

 

 

Máximas morais

É uma das obras que mais contribuiu para formar o gosto da nação
e para lhe incutir um espírito de exatidão e precisão…
Acostumou as pessoas a pensar e a expressar
os seus pensamentos de forma ágil, precisa e delicada.
Voltaire (1694-1778)
(“Le siècle de Louis XIV”)

Por que não se leem mais
os grandes mestres da sentença psicológica?
– pois, sem qualquer exagero:
o homem culto que tenha lido La Rochefoucauld
e seus pares em espírito e arte é coisa rara na Europa;
e ainda mais raro aquele que os conheça e não os insulte.
Nietzsche (1844-1900)
(“Humano, Demasiado Humano”)

Há meses que não encontrava Marcelo na feira livre do Campo Belo. É um amigo que prezo e admiro, inúmeras vezes presente ao longo dos anos neste espaço. Leitor assíduo dos blogs hebdomadários, por vezes sugeria um tema que me fazia pensar e geralmente se transformava em blog. O encontro se deu nesse último sábado. Após a feira livre, como sempre fazemos nesses raros, mas agradáveis encontros, fomos tomar um curto nas cercanias, e a conversa se estendeu. Falou-me das epígrafes que insiro e de algumas que coloquei nos posts bem anteriores, entre as quais as do “Adagiário Açoriano”. Infelizmente, após a mudança de morada no ano passado não mais encontrei os dois volumes contendo as frases tão pitorescas e oriundas da tradição oral do povo do arquipélago dos Açores. Igualmente lhe agradaram inúmeras citações e pensamentos do pensador português Agostinho da Silva (1906-1994), que serviram de introdução a inúmeros posts. Disse-me que arquivou todos esses aforismos.

Ao regressar da feira livre pensei nas “Máximas morais e reflexões diversas” de François de La Rochefoucauld, geradas por uma das mentes mais brilhantes em França no século dezessete e obra que influenciaria gerações futuras. De um livro que pertenceu ao meu Pai e que tive o prazer de ler na juventude, extraí algumas máximas relevantes (“Les Maximes de La Rochefoucauld”, Paris, Flammarion, 1937) a partir do texto da quinta edição (1678), sob o título: “Réflexions ou sentences et maximes morales”.

O Duque François de La Rochefoucauld nasceu em Paris e descendia de família pertencente à nobreza. Foi uma ilustre figura do século dezessete, pois escritor, moralista e também militar.  Teve atritos com os cardeais Richelieu e Mazarin, assim como com Luíz XIV. Como militar, participou das revoltas da Fronde (1648-1653). Em uma escaramuça no faubourg Saint-Antoine, foi gravemente ferido com um tiro de mosquete no rosto. Posteriormente exilou-se em seus domínios. As Máximas de La Rochefoucauld, pela amplitude de seus propósitos, imortalizaram o autor.

O autor do longo prefácio do livro mencionado, J.-F. Thénard, sintetiza os efeitos da escolha literária de La Rochefoucauld: “Ele viveu neste mundo, mais como um espírito brilhante do que como um erudito, mas nasceu pensador e escritor de gênio — quero dizer, por instinto. Tendo surgido em uma época conturbada e frívola, dedicou-se a reproduzir as reflexões suscitadas pelo ambiente em que se encontrava. Se o autor das Máximas tivesse sido alimentado por profundos estudos históricos e filosóficos, se, ao pegar na caneta, tivesse podido evocar em seu pensamento os homens e as coisas dos antigos anais dos diversos povos, juntamente com os julgamentos proferidos por escritores de grande prestígio, poderíamos acreditar que ele não teria sido tão amargo, tão desanimador às vezes na análise que faz dos sentimentos íntimos do homem; mas teria perdido parte de seu eu, de sua originalidade.”

Distanciam-se as máximas, citações ou pensamentos do romance ou das narrativas literárias, pelo fato de traduzirem aquilo que o autor pensa no seu cotidiano, expondo, através da escrita, o que está no seu de profundis. As centenas de Máximas de La Rochefoucauld são o seu retrato mental.

Clique para ouvir, de Jean-François Dandrieu (1682?-1738) e de Jean-Philippe Rameau (1683-1764), nascidos pouco após a morte de La Rochefoucauld, “Les Tourbillons”, criações com o mesmo título utilizado pelos dois compositores, na interpretação de J.E.M.

https://www.youtube.com/watch?v=begt8k6ErRY&t=203s

Selecionei diversas máximas, entre centenas, e cujo teor básico perdura através dos séculos. Há temas sobre os quais La Rochefoucald mais se debruçou, entre esses: mérito, orgulho, paixões, amor, amor-próprio, espírito, interesse, elogios, humor, amizades…

A clemência dos príncipes não é senão uma política para ganhar a afeição dos povos.
Essa clemência, tida como virtude, se pratica ora por vaidade, às vezes por preguiça,
muitas vezes por medo, e quase sempre pelas três razões juntas.

A esperança, por mais enganosa que seja, serve pelo menos para nos conduzir,
até o fim da vida, por um caminho agradável.

Longe disso: a inocência não encontra tanta proteção quanto o crime.

Se não tivéssemos defeitos, não teríamos tanto prazer em percebê-los nos outros.

A felicidade está no gosto e não nas coisas; é por ter o que amamos que somos felizes,
e não por ter o que os outros consideram agradável.

O orgulho é igual em todos os homens,
a única diferença está nos meios e na maneira de manifestá-lo.

O mundo costuma premiar mais as aparências do mérito do que o próprio mérito.

O amor à justiça não passa, na maioria dos homens, do medo de sofrer injustiça.

A verdade não traz tanto bem ao mundo quanto as aparências causam mal.

A ausência diminui as paixões medíocres e intensifica as grandes,
tal como o vento apaga as velas e acende o fogo.

Há pessoas que nunca se teriam apaixonado se nunca tivessem ouvido falar do amor.

Muitas vezes passamos do amor à ambição, mas raramente voltamos da ambição ao amor.

Uma mulher honesta é um tesouro escondido;
quem a encontrou faz muito bem em não se gabar disso.

Um homem a quem ninguém agrada é muito mais infeliz do que aquele que não agrada a ninguém.

Embora os homens se orgulhem de suas grandes ações,
elas nem sempre são fruto de um grande desígnio,
mas sim do acaso.

Como é próprio das grandes mentes expressar muitas coisas com poucas palavras,
as mentes mesquinhas, pelo contrário, têm o dom de falar imenso e não dizer nada.

Costuma-se fazer alarde até mesmo das paixões mais criminosas;
mas a inveja é uma paixão tímida e vergonhosa,
que nunca se ousa confessar.

Os idosos gostam de dar bons conselhos para se consolar
por já não estarem em condições de dar maus exemplos.

Um homem de espírito ficaria muitas vezes bastante constrangido sem a companhia dos tolos.

A recusa aos elogios é o desejo de ser elogiado duas vezes.

Somente aos grandes homens cabe ter grandes defeitos.

Os defeitos da alma são como as feridas do corpo: por mais cuidado que se tenha para curá-los,
a cicatriz sempre fica visível, e eles correm o risco de se reabrir a qualquer momento.

O mesmo orgulho que nos leva a criticar os defeitos dos quais acreditamos estar isentos
nos leva a desprezar as qualidades que não possuímos.

Chegamos como novatos às diversas fases da vida e, muitas vezes, carecemos de experiência,
apesar do número de anos.

Nem o sol nem a morte podem ser olhados fixamente.

No próximo blog apresentarei um dos textos das “Réfléxions diverses” de La Rochefoucauld: “De la Retraite”, no qual o autor observa com agudeza o período final da existência.

La Rochefoucauld’s Maxims, written in the 17th century, are timeless and capture the essence of what it means to be human.

 

 

Relevantes comentários sobre o ato de compor

As palavras que eu emprego
são aquelas que vocês empregam todos os dias,
entretanto, vocês me dizem não as reconhecer.
Paul Claudel (1868-1955)

Será que toda a criação artística não se resume
ao uso extraordinário de materiais comuns?
Bernard Gavoty (1908-1981)

Há compositores que escrevem facilmente uma música difícil
e outros que escrevem com dificuldade uma música fácil.
Georges Auric (1899-1983)

No post anterior abordei as considerações de Arthur Honneger às perguntas do crítico Bernard Gavoty, respondidas pelo compositor imbuído de uma visão cética e pessimista no que concerne à repetição ad aeternum do repertório sacralizado, assim como ao público, mais  propenso a assistir ao espetáculo para ver o regente e o pianista consagrados. Insiste Honneger na dificuldade de uma divulgação maior das obras contemporâneas no período do início dos anos cinquenta (1951).

No presente post focalizo determinadas explicações de Honneger às questões propostas, envolvendo temas direcionados ao métier de compositor e à própria criação, assinalando o processo embrionário que conduz ao surgimento da obra na mente do autor, assim como o julgamento bem pessoal sobre a matéria como um todo antes da materialização sobre o papel pautado ― hoje, sob as várias modalidades eletrônicas ―, dando a conhecer ao leigo o sentido esotérico da criação musical, se comparado a outras manifestações criativas. Detém-se igualmente no estado atual da composição e do seu futuro.

Em vários segmentos enfatiza a diferença entre a criação musical e as relacionadas à literatura e outras artes: “Eu mesmo me lembro de ter feito comentários a pintores que os deixavam furiosos. Eu lhes dizia: ‘Como sua arte é fácil! Vocês reproduzem um modelo que viram. Vocês podem, durante anos de sua vida, pintar três maçãs em um prato. Essas três maçãs, vocês poderiam colocá-las à sua frente e reproduzi-las. Vocês têm um modelo que existe. Vocês pintam uma natureza morta, representando uma garrafa de vinho, um cachimbo, um pedaço de linguiça; ou então, desenham uma bela mulher nua ou, ao contrário, bem vestida. Tudo isso está ao alcance do seu olhar. O gênio do escultor consiste em dar a um corpo, que ele conhece anatomicamente,  um impulso que expresse sua personalidade. Ele também tem o modelo diante dos olhos quando trabalha. O músico precisa primeiro inventar seu modelo na mente e, em seguida, reproduzi-lo. Se eu quiser compor uma sonata para piano e violino, não tenho absolutamente nada diante dos olhos nem na memória. Preciso inventar tudo”. Gavoty questiona se sonatas diversas servem de modelo. A resposta de Honneger é transparente: “Uma outra sonata pode, efetivamente, servir de modelo, mas o que importa é o material sonoro, os temas, as melodias, os ritmos. Se eu copiar, sou um epígono consciente, mas inútil.” Tem interesse a continuação desse inventar a partir do conhecimento, mas sem plágio: “É necessário inventar um modelo pessoal no abstrato e idealizá-lo. Mas esse modelo não terá forma definitiva antes de ser realizado, pois a partir do material empregado o modelo mudará de figura. Repentinamente, o nariz da estátua terá um outro nariz. Seu aspecto, suas proporções se modificarão e me levarão a transformar a bela dama nua num leopardo”.

Clique para ouvir, de Arthur Honneger, Danse de la chèvre (1919), na interpretação da flautista Amélie Brodeur:

https://www.youtube.com/watch?v=hQp3kQEfjfk

Capta-se, através dos relatos do compositor Honneger, o rigor e a certeza da solidão quando no momento preciso da criação. Raramente um compositor descreve esses momentos únicos em que fluem as ideias que resultarão na obra musical. Tem sempre interesse observar partituras manuscritas numa primeira fase, quando compositores que escreviam em papel pautado rasuravam compassos ou páginas inteiras. O caso de Mozart (1756-1791) é precioso, pois as ideias de uma obra germinavam até a certeza do ato da escrita, que se dava sem rasuras. Honneger escreve: “Como eu trabalho? Posso definir os meus métodos? Não estou bem certo.  Para fazer isso direito, seria preciso conseguir descrever um trabalho que se passa exclusivamente dentro do crânio, romper a barreira atrás da qual algo está acontecendo. A composição musical é a mais misteriosa de todas as artes. É possível aprender observando um pintor ou um escultor trabalhar. Muitos literatos ditam seus livros; portanto, trabalham diante de testemunhas. Mas no momento em que um músico concebe uma sinfonia, no instante em que compõe, ele está sozinho nas trevas”. Em outra passagem, considera: “Adquiri o hábito de rever, todas as noites antes de dormir, o que fiz durante o dia. No fim das contas, é ótimo fazer um balanço de consciência.”

Uma das qualidades de “Je suis compositeur” é a revelação plena daquilo que Honneger sente, pois tantos são os artistas, sejam eles pintores, escultores ou as personalidades das letras, que não revelam o que se passa no de profundis, sendo que inúmeras figuras de grande relevo, em suas entrevistas, missivas ou relatos, têm a consciência de  que encontrarão recepção positiva. Grande parte das respostas de Honneger desmistificam a aura criada, nem sempre correspondendo à interioridade do ser.

Entendo que “Je suis compositeur” é atemporal. Os dois posts sobre o livro traduzem o vaticínio daquilo que se está a presenciar na atualidade em termos da criação artística nas várias áreas. Arthur Honneger, profético e autêntico passados 75 anos dos testemunhos.

Tendo recebido mensagem da amiga Luzia Benda, musicista e pedagoga, viúva do notável pianista e músico Sebastian Benda, com material alusivo ao seu centenário (1926-2026), dedicarei um post em sua homenagem. Curiosamente, li no rico material que, aos 11 anos (1937), Sebastian recebia uma carta de Arthur Honneger salientando a precoce vocação do menino.

In this second post on Arthur Honegger’s “Je suis compositeur,” in which he answers questions from critic Bernard Gavoty, the musician focuses on the composer’s craft as compared to those in various other artistic