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Programa da Rádio Cultura FM

Paris, 1960. Momento do caminhar

Este breve Interlúdio é um convite para o programa Tema e Variações, tão bem conduzido pelo excelente músico Júlio Medaglia, transmitido pela Rádio Cultura FM – 103.3 MHz. Os visitantes do Blog poderão ouvir a entrevista on line neste próximo Sábado, 5 de Julho, às 11 horas da manhã, clicando aqui.

Causou-me alegria receber telefonema da Rádio Cultura FM, a fim de gravar um programa a convite do eclético e competente Maestro Júlio Medaglia, amigo dileto desde os anos 50. Septuagenário ele também, lembrou-se da efeméride do colega, e prazerosamente com ele gravei entrevista a abordar panoramicamente a minha trajetória. Perguntas sempre inteligentes de Medaglia foram respondidas como se estivesse a sobrevoar o meu passado. Escolhi peças curtas, mas representativas, entre aquelas existentes nos 18 CDs gravados no Exterior. Não inseri o seu Estudo-Choro, pleno de humor, para evitar, mercê da modéstia do ilustre colega, uma negação.

Júlio Medaglia (direita) e J.E.M.

Abre o programa um segmento do Concerto em lá menor de Grieg para piano e orquestra, sob a regência de Armando Belardi, gravado no longínquo 1957 e transmitido ao vivo pela Rádio Gazeta, (vide Impressões Digitais Sonoras, 10/04/07, categoria Música). Após um outro registro ao vivo em Moscou, em 1962, tem-se obras gravadas nestes últimos 13 anos para CDs internacionais. A uma arguta pergunta de Júlio a respeito de qual a minha maior emoção como pianista, frente a públicos os mais diversos em toda a carreira, disse-lhe, extraído de meu de profundis, que foi interpretar Jesus Alegria dos Homens, de J.S.Bach, na milenar capela de Sint-Hilarius, em Mullem, no silêncio e no isolamento, em memória de meu saudoso genro José Rinaldo. Eram cinco horas da manhã de um Fevereiro gélido na planície flamenga no ano de 2004, poucos dias após sua morte e ao final do último dia de gravações de um CD para o selo De Rode Pomp. Solicitei ao querido amigo e engenheiro de som Johan Kennivé que deixasse acesa apenas uma pequena lâmpada incidir tênue claridade. O extraordinário coral de Bach em transcrição de Myra Hess, que poderá ser ouvido novamente, não faz parte de nenhum CD programado, pois insight de emoções vividas, mas ecoou pelos espaços do templo como um apelo singelo (vide José Rinaldo, 25/01/08, categoria Cotidiano).
Trajetórias são como impressões digitais. Nós podemos interferir escolhendo o caminho resultante do que somos na realidade. Todas as trajetórias têm intensidades meritórias ou não. Compete-nos dar sentido à senda traçada.

This is an invitation to my readers to listen to the program “Tema e Variações”, presented by the composer, arranger and conductor Júlio Medaglia on Cultura radio, via FM, 103.3 MHz, to be broadcast on Saturday, 5 July , at 11 AM (Brazil time), celebrating my 70th anniversary.

Criação, Trajetória, Novos Horizontes

Revista Música (1990-2007). Vinte Números.

Ainsi n’écoute jamais ceux qui te veulent servir
en te conseillant de renoncer à l’une de tes aspirations.

Antoine de Saint-Exupéry

No longínquo 1990, a Revista Música foi criada. Lutei por essa conquista a partir de meu ingresso na Universidade de São Paulo, em 1982. Desde o primeiro número, publicado em Maio daquele ano, estive como editor responsável, a ter como assistente o colega Marcos Branda Lacerda.
Pareceu-me sempre muito perigosa a premência pela produção acadêmica por parte dos Institutos de Fomento e das Universidades Públicas, prática nacional que obriga aqueles que seguem caminhos universitários a publicar em prazos certos, mas com resultados tantas vezes incertos. O açodamento leva à quantidade, não à qualidade. Soma-se um item ao currículo individual, mas a densidade, ou mesmo, num sentido mais originário, a vocação ficariam constantemente à margem, pois itens desconsiderados numa avaliação simples. Desta maneira, parte considerável das publicações universitárias estaria a abrigar artigos rigorosamente descartáveis, mas “indispensáveis” à somatória que será avaliada em tantos sentidos a beneficiar interessados: curricular, concursos, possibilidade de viagens para participação em Congressos, estágios prolongados visando a doutorados ou aos chamados pós-doc, obtenção de bolsas individuais ou aquelas a atender a projetos temáticos ou outros mais, que adquirem designações dependendo dos dirigentes acadêmicos de plantão. Acumulam-se dissertações e teses nas muitas universidades brasileiras sem o embasamento necessário, mas que atenderam aos requisitos institucionais e responderam aos relatórios extensos e friamente burocráticos (vide O Drama da Pós-Graduação, 21/06/07). O governo rejubila-se ao apresentar índices crescentes relativos à pós-graduação e às somas que foram dedicadas à pesquisa. Dados estatísticos tantas vezes tergiversantes.
Na minha área específica, sucessivas viagens ao exterior fizeram-me entender que uma publicação acadêmica no Brasil necessitaria de permanente diálogo com outros países, onde a Música tem raízes sólidas e aprofundamentos fazem-se sentir há milênios. Precisaríamos de longo debruçar nessa busca de conhecimentos diferentemente orientados, a enriquecer toda uma comunidade universitária. O excelente compositor Aurelio de la Vega, então professor da Universidade da Califórnia, em entrevista lapidar a mim concedida e publicada no saudoso “Cultura” de O Estado de São Paulo (nº 309, ano V, 18/05/86, págs. 11-12), ao discorrer sobre a criação erudito-musical do Brasil, afirmou que “o isolamento pronunciado em que se mantém o compositor brasileiro é perigoso, pois cria uma atmosfera cômoda de autocomplacência, afugenta a comparação crítica, muitas vezes proveitosa, e rebaixa com os anos o nível técnico-criativo do compositor”. Mutatis mutandis, essa prática autocomplacente não teria penetrado em outras áreas musicais, como as referentes a teses, artigos, performances, em que uma atitude condescendente existe? As Revistas sobre Música no Brasil não estariam exageradamente acalentando uma extensa rede musical endogênica? Não haveria, por falta de diálogos mais abrangentes com o Exterior e pela necessidade da publicação brasileira que leva a pontuações nos currículos apresentados aos Institutos de Fomento, uma espécie de perigosa reserva de mercado?
Não foi fácil estabelecer parâmetros porcentuais aos artigos internacionais, que pudessem ao menos indicar pensares outros, constantemente trazendo subsídios de grande valia para a ampla área da Música, seja na teoria, na musicologia como um todo ou na interpretação. Sofri críticas as mais díspares por ter insistido nesse caminho, que entendo profícuo à ventilação de outros conhecimentos. Esse olhar diferenciado não apenas nos enriquece, como provoca a necessidade do aperfeiçoamento. Frisaria que, ao buscar a excelência – inúmeras vezes presente entre nossos estudiosos -, deparamo-nos com o choque, pois são múltiplas as tendências além-fronteiras. Nesse desiderato, mantivemos no idioma original artigos escritos em inglês, francês, espanhol e italiano, pois são as línguas mais familiares aos estudos universitários.
Mencionemos, como reconhecimento, os colaboradores internacionais nestes dezessete anos, seguindo a cronologia da Revista Música. São eles: Günter Mayer, Karlheinz Stockhausen, Mario Lavista, Wilhelm Zobl, Bruno Prunés, Myriam Chimènes, Aurelio de la Vega, Giuseppe Chiari, Keith Swanwick, Kwabena Nketia, Vincent Déhoux, Massimo Caselli, Humberto D’Ávila, Kasadi Mukuna, J.M. Bettencourt da Câmara, Ricardo dal Farra, Juan Pablo Gonzáles, Robert Blackburn, Jorge Peixinho, Antônio Sérgio Azevedo, Didier Gigue, Anik Devriés-Lesure, Caroline Rae, Enrico Fubini, Pierre Boulez, Angela Tosheva, François Lesure, Herman Sabbe, Rui Vieira Nery, José Maria Pedrosa Cardoso, Nancy Lee Harper, Elisa Lessa. Quanto aos estudiosos brasileiros, inúmeros estiveram a enriquecer o conteúdo da publicação com artigos que se tornaram referências. Dentre os autores responsáveis por artigos argutos e originais, sempre em ordem cronológica: Marcos Branda Lacerda, Régis Duprat, Walter Zanini, Maurício Dottori, Paulo Chagas, Carlos Tarcha, Celso Mojola, Paulo Costa Lima, Paulo Castagna, Arnaldo Daraya Contier, Mario Ficarelli, José Paulo Paes, Gilberto Mendes, Lorenzo Mammi, Enio Squeff, Willy Corrêa de Oliveira, Luiz Tatit, Antônio Luis Cagnin, Pedro Paulo Salles, Luís Antôno Giron, Paulo Roberto Peloso Augusto, Marco Antônio da Silva Ramos, Ricardo Tacuchian, Susana Cecília Igayara, Ecléa Bosi, Benedito Lima de Toledo, Mario D’Agostino. A qualidade dos artigos tem servido de fonte importante para tantos outros estudos e de luz para pesquisas de destaque.
Importa considerar que a Revista Música jamais, friso, jamais solicitou ajuda aos Institutos de Fomento do Estado ou do Governo Central. Sim, é muito difícil a sobrevivência sem o auxílio oficial. A fim de que não houvesse quaisquer interferências, seja através de pareceres por vezes estranhos, seja pela enorme burocracia a levar à publicação, seja nessa característica da Revista Música de forte alento aos artigos qualitativos internacionais, estando eu desde 1990 como editor responsável sempre mereci a generosa acolhida, em oportunidades distintas, dos diversos órgãos da Reitoria da Universidade de São Paulo e da Escola de Comunicação e Artes da U.S.P., assim como a atenção cuidadosa da Editora da Universidade, a EDUSP. Isso nos deu liberdade da escolha, a busca sine qua non da não concessão e o interesse claro de ilustres musicólogos além-fronteiras pela austeridade de propósitos. Sendo uma publicação do Laboratório de Musicologia do Departamento de Música da ECA-USP, Laboratório este que esteve sob minha coordenação até fins de 2007, houve sempre uma simpatia das lideranças universitárias pela publicação, pois sabiam de nosso norteamento, assim como de nossas dificuldades.

Acabo de atingir a compulsória e deixo a função de editor responsável. O número ora publicado é o último sob minha coordenação. Assume Marcos Branda Lacerda, competente professor e especialista em etnomusicologia. Sugeriu-me continuar como membro do Conselho Editorial. Não aceitei o sincero convite, por entender que rumos novos deverão advir e que o meu tempo como responsável encerrava-se com o número ora lançado. Sob nova orientação, certamente trilhas outras serão tomadas, oxalá altamente positivas. Faz parte do caminhar. A sensação, ao ver as lombadas dos vinte números reunidos, traz-me reconforto, pois percorro com o olhar todo um longo trajeto que surgia da idéia, do convite ao articulista, das revisões necessárias e do lançamento. Foram dezessete anos de fervor.
Deixo pois registrado o grande carinho que sempre mantive pela Revista Música. Cada exemplar significou, para este professor que atinge hoje a aposentadoria, uma categoria de felicidade possível. Outros compartimentos estão a proporcionar-me alegria de viver. A todos os que colaboraram, fica o meu profundo respeito e gratidão. Sem as contribuições preciosas, a Revista Música não teria razão de existir. E na certeza da permanência da publicação, conduzida pelo pensar de Branda Lacerda, renova-se a esperança de continuidade com qualidade. Que o canto das sereias não o perturbe. Assim espero.

After entering the University of São Paulo in 1982, I founded in 1990 a music periodical, “Revista Música”, published on behalf of the Department of Music by EDUSP (the University Press). I have been its chief editor from the beginning until now, when I am retiring from my position at the University. The present issue is a major milestone for me, for it is the last under my supervision. My aim has always been to publish creative writing on music by welcoming first-rate contributors from a variety of disciplines, countries and theoretical perspectives. I believe it is through interaction with others and confrontation of ideas that we construct new meanings, thus the importance of the articles by foreign authors, who brought new ideas and approaches. My thanks to all who have made “Revista Música” possible. The ethnomusicologist and fellow professor Marcos Branda Lacerda will succeed me as chief editor. I wish him well.

Respondendo a questionamentos

Curso na Academia de Amadores de Música - Lisboa, Março 2008.

Le public s’inquiète peu de ce qui est,
il ne fait état que de ce qui se montre,
de ce qui se produit et s’impose.

Henry-Frédéric Amiel

Quando dos master classes na Academia de Amadores de Música de Lisboa (vide Academia de Amadores de Música (II), categoria Impressões de Viagem, 30/03/08), muitas dúvidas foram trazidas pelos alunos. Uma sobremaneira é comum a tantos pretendentes a pianista: o repertório. Encontrei talentos reais entre os jovens que se apresentaram. Duas obras em especial chamaram-me a atenção: Variações sobre um tema popular (1927) de Fernando Lopes-Graça (1906-1994), primeira criação escrita para piano pelo compositor, a revelar toda a sua maestria, assim como o Primeiro Concerto para piano e Orquestra de Sergei Prokofiev. Obras pouco interpretadas, mormente a primeira.
Entendo como rigorosamente necessário ao estudante o conhecimento abrangente do repertório pianístico tradicional. O alicerce básico lá está, a tornar a execução fulcro de “comparação” frente a outros intérpretes que executam as mesmas obras. Contudo, saliente-se, temos verdadeiro iceberg. A bela ponta vista da superfície é constituída de material repetitivo, a privilegiar basicamente as mesmas composições, diante de um público desinteressado em renovação. Desse repertório, apenas poucas criações mereceram o beneplácito das platéias habituadas ao óbvio, mercê da ação mediática ou de empresários voltados à lucratividade de seu produto, o intérprete. É parte de nossa sociedade e pouco ou nada se faz para a mudança da situação.
Sob outro aspecto, o do compositor consagrado, a grande maioria de sua produção fica sob as águas, praticamente desconhecida do grande público. Já escrevera anteriormente que, no seu début em Nova York, Claudio Arrau deveria tocar as Danças dos Companheiros de David, obra maiúscula de Robert Schumann, mas pouquíssimo executada. Seu empresário procurou-o dias antes, dizendo-lhe que vendera poucos ingressos. A solução seria a colocação de outra composição amplamente conhecida do autor alemão. Anunciado o Carnaval op. 9, em poucos dias a lotação esgotou-se. Das 32 Sonatas de Beethoven, um quarto é invariavelmente tocado, permanecendo o restante, e mais a grande maioria de Tema e Variações nas profundezas abissais. Quando o intérprete apresenta a integral das Sonatas, o público comparece, graças à cultura enraizada em países acima do Equador concernente a complete works. Beethoven seria pois vítima da discriminação, assim como tantos outros compositores, daí obliterar-se a qualidade extraordinária de tantas Sonatas, expressamente “ocultas” quando das programações das sociedades de concerto. Frisaria ainda que apenas na De Rode Pomp, na cidade de Gent, na Bélgica, em sua temporada anual a abranger bem mais de cem récitas, foram apresentadas nestes últimos quatro anos as integrais para piano de Brahms, Debussy, Scriabine, Ravel, as 32 Sonatas de Beethoven, sempre por pianistas de altíssimo nível, rigorosamente desconhecidos do público brasileiro. Este, ratifique-se, mercê da ação de empresários e promotores de concertos, contenta-se basicamente com os mesmos intérpretes internacionais. Pouco ou nada a fazer, igualmente. Mencionemos, como outro exemplo, as obras completas camerísticas de compositores que permanecem, apresentadas periodicamente, também na pequena sala de concertos da De Rode Pomp.
Regressando ao aspecto fulcral, é pois salutar a mescla repertorial. Desde o aprendizado deve o jovem estudar obras pouco executadas, mas de grande mérito. São essas que estarão a proporcionar a referencialidade da não comparação. Ao desviar-se da mesmice, o estudante tem que encontrar, na criação pouco executada possibilidades que o façam pensar, sem deparar-se com dezenas de execuções gravadas ou repetidas hodiernamente nas salas de concerto. Foge-se, pois, do vício da escuta. Esse princípio da busca da qualidade nas obras menos freqüentadas, mas de grandes autores, dar-lhe-á o norte, a certeza de estar a construir a sua própria interpretação. Se o consagrado, graças à repetição, penetra nos ouvidos, a criação pouco conhecida de um autor instalado em patamar excelso é a salvaguarda de criatividade interpretativa futura. Dessa assertiva, o jovem executante só sairá enriquecido. Frise-se todavia, que mesmo entre os autores respeitados há também composições menores. Saber apreender no universo repertorial a imensa quantidade de obras do mais alto valor já é sinal alvissareiro, mormente se a escolha partir do próprio aluno.

Curso na Academia de Amadores de Música - Lisboa, Março de 2008.

Sob aspecto outro, existem autores da maior significação, mas distantes dos holofotes. Compuseram na excelência, mas muitas vezes nasceram em países geo-socialmente entendidos como não fazendo parte daqueles pertencentes ao bloco poderoso. Buscar esse repertório extraordinário, é lutar contra a repetição e mostrar ao público verdades insofismáveis. Nem sempre há resultados receptivos, mas perseverar é necessário. Sob outra égide, seja na revelação de composições de um conterrâneo de expressão ou de autor que, detectado o mérito, mereça a divulgação, seja na compreensão da música contemporânea buscada por poucos, está o jovem intérprete a desenvolver a consciência da escolha, o espírito seletivo e a interpretação terá conseqüências em sua trajetória futura como pianista. Quanto à música contemporânea, deve o estudante ouvi-la muito, ir a concertos, aconselhar-se e penetrar lentamente e com cautela nessa seara não habitual nas apresentações majoritárias, pois há muito sofisma a ser evitado na música de nossos tempos; diria, obras de primeira e única audição. Certamente, sem esse trilhar multifacetado – mesmo que, no decorrer da vida, os holofotes contemplem o intérprete pianisticamente dotado – haverá uma lacuna inalienável, impossivel de ser ocultada, seja na interpretação, por vezes desprovida de aprofundamento, seja na ausência do pensar, quando o mutismo cultural será evidência dos equívocos perpetrados anteriormente.

This post discusses the importance of a multifarious repertoire for a music student. On one hand, it is indispensable to be familiar with the great works of the previous centuries. It will serve as an element of comparison for the young performer, since the popular classics are presented over and over again in concert halls everywhere. On the other hand, it is also essential to search for the less-frequented byways of the music world by promoting lesser known works of celebrated composers and by fostering those of new composers, the latter a seldom trodden path. It is true that it is tradition that brings recognition, since audiences tend to be tied to conventional models, with little or no interest in listening to fresh pieces. However, it is the ability to handle a wide ranging repertoire that will produce a selective performer, able to approach music with originality and intellectual depth.